Gradiente é uma empresa brasileira de eletroeletrônicos fundada em outubro de 1964 no bairro Pinheiros, em São Paulo, por quatro jovens empreendedores: os irmãos Luiz Paulo Meira de Vasconcellos e Luiz Carlos Meira de Vasconcellos, além de Luis Alberto Salvatore e Nelson Bastos. Esses quatro estudantes de engenharia partilhavam a paixão por aparelhagem de som e a constatação de que o mercado brasileiro carecia de produtos melhores e mais sofisticados.
A empresa cresceu fortemente durante a década de 1970 devido principalmente a três fatores: a limitação da importação de equipamentos eletrônicos; o crescimento econômico brasileiro conhecido como milagre econômico; a implantação do polo manufatureiro da Zona Franca de Manaus.
Nos anos 1980, a Gradiente transformou-se em um poderoso grupo do setor de eletroeletrônicos.
A Gradiente enfrentou problemas financeiros de 2007 até 2008. Além da concorrência mais acirrada, o que derrubou a empresa, segundo o CEO Eugênio Staub, foram dois outros fatores: a primeira foi a compra da Philco em 2005 por 60 milhões de reais. Dois anos depois, a empresa foi vendida por 22 milhões de reais, a fim de reduzir o rombo financeiro. Outro problema foram falhas administrativas que, em 2007, praticamente paralisaram a companhia.
Em 2007, a empresa entrou em processo de recuperação e voltou ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2012.
Em 2018, a Gradiente retornou novamente ao mercado de eletrônicos depois de 5 anos, voltando a operar na Zona Franca de Manaus.
História Consolidação da marca thumb|Computador Expert XP-800 de 1985. Inicialmente acomodada em uma pequena sala, a Gradiente já contava, em 1972, com 720 funcionários, incluindo uma equipe de engenheiros que desenvolvia produtos "de ponta", inexistentes no mercado brasileiro da época. O público consumidor de aparelhagem de som de boa qualidade vinha crescendo rapidamente naquele momento em que a música dos Beatles se disseminava pelo mundo.
Durante a década de 1970 e parte da década de 1980, o foco da empresa foi atender o mercado de produtos de áudio sofisticados. Seus equipamentos eram modulares consistindo-se de amplificadores, receptores, toca-fitas (cassette decks), toca-discos e etc. A Gradiente não oferecia aparelhos populares do tipo 3-em-1, isto é, aparelhos nos quais rádio-amplificador, toca fitas e toca discos são conjugados num único gabinete.
Esta filosofia, aliada às campanhas publicitárias, à imagem de modernidade com o lançamento de novos produtos como o toca-discos ótico (CD player) ou digitais e a substituição periódica de linhas de equipamentos (obsolescência programada), consolidaram a marca como uma das mais importantes no setor de eletroeletrônicos do Brasil.
Em 1978, a empresa lançou, como uma alternativa mais sofisticada aos 3-em-1, o conceito que chamou de “system”: um conjunto de equipamentos que consistia em receptor, toca-discos, toca fitas e um par de caixas acústicas vendidos num único pacote. Os equipamentos eram baseados nos aparelhos modulares, com pequenas diferenças de acabamento.
Em 1981, a empresa tomou a iniciativa de padronizar a largura e o projeto dos equipamentos modulares de forma que eles poderiam ser livremente escolhidos e empilhados harmoniosamente, formando conjuntos ao gosto do comprador. Este conceito recebeu a designação comercial "compo", uma abreviação de "componente", pois cada equipamento era um componente do sistema.
Para a empresa, havia a vantagem de se pagar um único imposto sobre todo o pacote. Foi uma ideia bem-sucedida e a cada 2 anos, aproximadamente, a Gradiente atualizava a linha. Os systems duraram até cerca de 1988 quando a empresa passou a se concentrar nos equipamentos conjugados.
Compra de outras marcas Garrard Esta tradicional marca inglesa foi adquirida em 1978. O objetivo era exportar os aparelhos Gradiente sob a marca Garrard, que era internacionalmente reconhecida. As exportações foram iniciadas no começo da década de 1980 para os EUA e a Europa, mas o negócio não foi bem-sucedido. Em entrevista a Paulo Markun (Playboy, jul-1990), o próprio Eugênio Staub, presidente da empresa, afirmou que o fracasso custou US$ 18 milhões.
Em 1997, a marca Garrard foi licenciada (ou vendida) para a Loricraft Audio, um grupo inglês que fabrica toca discos de vinil em pequena escala.
Polyvox A Polyvox foi fundada por ex-funcionários da Gradiente (dentre eles, o engenheiro Alberto Salvatore, considerado o cérebro eletrônico da Gradiente) e, durante muitos anos, tentou ser sua concorrente até ser adquirida em 1979.
Pouco após a aquisição, os equipamentos topo de linha, como a linha 5000 da Polyvox, foram descontinuados em prol da linha Esotech da Gradiente. Esta fora lançada em 1983 com uma linha disposta de vários aparelhos modulares, como:
amplificadores (IA-II, A-II e HA-II) tuners (T-II) equalizadores (E-II) CD Players (LDP-II e LDP-636) toca-discos (XP-II, RP-II, QT-II e TT-II) toca-fitas (SD-II e D-II, de 3 cabeças) crossovers (CX-II, de 4 canais) caixas acústicas (RS-II e SS-II) receivers (RC-II, A-II e HA-II) racks (AR-II, ER-II e RK-II)
A Polyvox foi direcionada para o mercado de aparelhos populares: conjuntos integrados tipo 3-em-1 e rádio-gravadores. Além disso, a partir de meados da década de 1980, os produtos com a marca Polyvox foram desaparecendo como deveria ter acontecido desde o início, até que ela não foi mais usada. Atualmente, não existe mais nenhum produto com esta marca, ainda que a Gradiente mantenha seu registro.
Quanto aos Esotech, esta mesma linha caminhou até o fim junto com os "compo", assim parando de ser fabricada em 1985, sendo ambos sucedidos pelos minisystems Energy. Mesmo depois de sua fabricação, ainda era possível encontrar modulares Esotech à venda nas lojas.
Telefunken Quando esta marca foi adquirida, em 1989, sua participação no mercado de televisores já era declinante. Aparentemente, a Telefunken da Alemanha quis se desfazer do negócio no Brasil e a Gradiente tinha interesse numa fábrica de televisores. Assim, pouco após a aquisição da marca, os produtos Telefunken foram descontinuados e a Gradiente lançou televisores com sua própria marca.
Philco A marca, que pertencia ao Grupo Itaú S.A., foi adquirida em 9 de agosto de 2005. A incorporação da Philco permitiu à empresa melhorar a participação no mercado de televisores e DVDs. Desde a aquisição da Telefunken, a marca Gradiente nunca teve grande participação no mercado de vídeo. A Gradiente e a Philco, combinadas, detinham cerca de 18% de participação no mercado de televisores: Philco 10% e Gradiente 8%, segundo dados de 2004. Estes números aproximavam a empresa das líderes do setor: Philips, LG e Semp Toshiba.
Em setembro de 2007, a marca Philco foi vendida a um grupo de investidores chineses. A Britânia, empresa de origem paranaense, fabricante de eletrodomésticos, alugou o uso da marca e teve o direito de usá-la por um período de 10 anos.
Tecnologias Além de aparelhos com projeto próprio, a Gradiente sempre se valeu do uso de tecnologia de outros fabricantes. O uso de tecnologia de terceiros pode ser classificado em: compra de aparelhos prontos de outros fabricantes (câmera de vídeo da Sony) montagem de aparelhos de outras marcas (cassette decks e amplificadores Super-A, da JVC) modificação de aparelhos de outras marcas (cassete decks JVC) adaptação de mecanismos de terceiros em aparelhos de design próprio (cassette decks Alpine e amplificadores JVC)
A utilização de tecnologia ou produtos de outros fabricantes ocorreu principalmente em razão da dificuldade de se projetar no Brasil aparelhos equipados com partes eletromecânicas, como é o caso dos toca-fitas e toca-discos.
Por exemplo, os cassette decks de código CD (CD-5500, por exemplo) eram na realidade aparelhos JVC com pequenas diferenças de acabamento. Somente na década de 1980 é que a Gradiente lançou cassette decks com design próprio: são os aparelhos com código C (C-484, por exemplo), que utilizavam mecanismo da Alpine.
Algumas empresas que forneceram tecnologia à Gradiente: JVC: foi uma das maiores parceiras, fornecendo tecnologia para amplificadores, cassette decks, toca-discos e videocassetes. Funai: videocassete (V-11 e SV-21) Pioneer: toca-discos (DD-I) Yamaha: CD player (LDP-636, LDP-II e L-675) Alpine: cassette decks da linha C Sherwood: receiver áudio/vídeo
Produtos de vídeo e computadores Em 1983, a empresa lançou o videogame Atari 2600 com licença oficial da Atari estadunidense, num mercado infestado de clones não autorizados deste console.
Por 10 anos, a Gradiente foi a revendedora oficial dos consoles da Nintendo no Brasil (e antes disso lançara um clone do NES, o Phantom System), inicialmente em parceria com a Estrela, chamada Playtronic, fundada em 1993. A Estrela saiu em 1996. Após um período sofrendo com a alta do dólar e tendo de impor altos preços, a Gradiente saiu do mercado em 2003, logo após ter lançado o Nintendo GameCube no Brasil.
Em 1985, a empresa entrou no ramo de computadores pessoais com o Expert, que seguia o padrão MSX, estabelecido por empresas japonesas. Tinha como concorrente o HotBit, da Sharp. Fez grande sucesso na época, sendo considerado o melhor MSX nacional. Tinha como diferencial marcante o teclado separado da CPU. Infelizmente, na época, a Gradiente desenvolveu um padrão próprio de conexão de periféricos, como entradas para teclado e impressoras. Tal fato feria a concepção original do padrão MSX, o que foi considerado uma grande falha de projeto, pois a Gradiente deixou de vender muitos micros devido à incompatibilidade com hardwares presentes no mercado.
Em 1990, a empresa encerrou a fabricação do Expert e saiu do ramo de computadores. O retorno a este mercado só voltaria a ocorrer em 2002, com o lançamento do Oz. Este computador, no padrão PC, tinha apenas um design de gabinete diferenciado, não havendo novidades na parte eletrônica. O equipamento foi vendido por cerca de 1 ano, após isso a empresa novamente se retirou do ramo da microinformática.
Em 1988, ocorreu a estreia no mercado de videocassetes com 2 modelos projetados pela empresa japonesa Funai Electronics. A curiosidade é que o aparelho inicialmente era vendido em Miami, Nova York e Manaus. O Paraguai não era mencionado pela empresa, mas lá também era possível se adquirir o aparelho. A Gradiente alegava que a maioria dos videocassetes era adquirida no exterior e que o preço de seu aparelho ficava dentro da cota de importação. Posteriormente, os videocassetes foram fabricados no Brasil com tecnologia da Funai e da JVC.
Em 1989, a empresa ingressou no mercado de televisores com a compra da Telefunken do Brasil. Desde então, ela tem estado presente neste mercado sem nunca ter conseguido uma participação mais significativa.
Representante oficial Nintendo no Brasil A Nintendo chegou nas terras brasileiras através da parceria com as empresas nacionais Gradiente e Estrela, que fecharam um acordo com a mesma em 1992, formando a Playtronic Industrial Ltda em 17 de março de 1993. Por 10 anos, a Gradiente foi a revendedora oficial dos consoles da Nintendo no Brasil (e antes disso lançara um clone do NES, o Phantom System), inicialmente em parceria com a Estrela, chamada Playtronic, fundada em 1993. A Estrela saiu em 1996, após um período sofrendo com a alta do dólar e tendo de impor altos preços, a Gradiente saiu do mercado em 2003, logo após ter lançado o Nintendo GameCube no Brasil.
A ideia de inserir oficialmente a Nintendo no Brasil partiu tanto da Gradiente/Estrela quanto da Nintendo. Por um lado, a Gradiente/Estrela poderia expandir seus negócios com a criação da Playtronic, por outro, a Nintendo estaria oficialmente representada no Brasil.