A Faculdade de Medicina do Montpellier está situada em Montpellier, França e existe desde o , embora seu primeiro marco institucional o obteve no ano 1220. Hoje em dia pertence à Universidade de Montpellier, chamada l'Université Montpellier 1. Em seu seio estudaram personagens ilustres tais como Nostradamus, François Rabelais, Guillaume Rondelet, entre outros.
A Faculdade de Medicina de Montpellier é a mais antiga em atividade do mundo (a de Salerno deixou de existir em princípios do ).
Origens O ensino médico em Montpellier nasceu na prática, fora de todo marco institucional, a princípios do século XII. Em 1180, o suserano de Montpellier, Guilherme VIII, promulgou uma lei autorizando o ensino da medicina e, segundo o qual, qualquer médico licenciado poderia ministrar palestras nas dependências da Faculdade, não haveria limite para o número de docentes. Com isso as palestras se multiplicaram e, em pouco Montpellier tornou-se uma grande escolha de professores.
Idade Média Com os estatutos promulgados (a « Universitas medicorum ») em 1220 pelo cardeal Conrado de Urach, legado do Papa Honório III, o ensino da medicina em Montpellier sai de sua pré-história, e um quadro institucional se desenvolve ao redor do ensino médico em menos de um século. Os estatutos foram confirmados e ampliados em 1240 e a escola é conferida à direção do Bispo de Maguelonne, mas a escola já tinha uma grande autonomia de fato.
Em 26 de outubro de 1289, o papa Nicolau IV ordenou, desde Roma, a constituição apostólica « Quia Sapientia », a todos os doutores e estudantes da cidade de Montpellier, criando assim oficialmente a Universidade de Montpellier.
thumb|200px|right| Escola Médica Salertiana, miniatura do cânon de Avicena. thumb|200px|right|Guillaume Rondelet em 1545 thumb|200px|right|A corte de honra (antigo claustro do monastério São Bento) e o Theatrum Anatomicum. thumb|200px|right|O Salão dos Ofícios da Universidade de Medicina (antiga capela dos bispos), onde eram apresentadas as teses doutorais a mais de 200 anos. thumb|200px|right|O Instituto de Biologia na alameda Henri-IV. A Escola de medicina goza de um grande prestígio e da fama de ter herdado o saber dos árabes e dos judeus, e acolhe estudantes de toda a Europa.
Influência árabe e judaica Já, desde muito, o mundo Árabe contava com um grande arcabouço de aprendizado e praticidade nas ciências médicas, com grandes médicos como Avicena, Ibn Nafis e Rhazes. O que primeiro se conhece da excelência médica, ficou a cargo da Academia de Gundishapur, e foi lá onde, pela primeira vez, a medicina foi ensinada em um hospital. Rhazes, por exemplo é tido como o médico que, em primeiro, usou o álcool em prática clínica. E já desde o século XI, no mundo árabe existia a prática hospitalar sistemática. Mas foi graças a tradutores como Gerardo de Cremona a partir dos textos árabes de Toledo e Córdoba, Constantino, o Africano que serviu-se da bibloteca beneditina do Monte Cassino e Burgundio de Pisa em suas voltas pelas bibliotecas de Constantinola brindava a aos doutores de Salerno com textos inéditos, tudo isto lá pelos arredores do século XII, é que definitivamente o mundo ocidental pode colher de um aprendizado mais fidedigno.
Ishaq ibn Ali al-Ruhāwī (em árabe : إسحاق بن علي الرهاوي) Médico do século IXAksoy, Sahin (2004). "A tradição religiosa de Ishaq ibn Ali Al-Ruhawi: O autor do livro Ethics First Médica em Medicina islâmica". Jornal da Sociedade Internacional para a História da Medicina Islâmica 3 (5) 9-11, foi o autor do primeiro livro sobre a ética na medicina.Prioreschi, Plinio (2001) A História da Medicina:. medicina bizantina e islâmica (1 ª ed.). Omaha, NE: Horatius Press. p. 394. (ISBN 1888456043). No seu ("Ética Prática do Médico" ou "Medical Prático Deontologia"), Al-Ruhawi considera os médicos como "guardiões das almas e dos corpos". O trabalho foi baseado em Hipócrates e Galeno e consistiu-se de vinte capítulos sobre vários temas relacionados à ética médica.
Avicena ou Ibn Sina, um discípulo de Qumri, cujos escritos, cerca de 40 tratados (do total de 450 escritos, sendo 240 perdidos aproximadamente), versam sobre a medicina.O'Connor, John J. ; Robertson, Edmund F., "Avicena", MacTutor História da Matemática arquivo, Universidade de St Andrews. Seus trabalhos mais famosos são O Livro da Cura e o Canon de Medicina ,Nasr, Seyyed Hossein (2007). "Avicena". ‘’Encyclopædia Britannica.. cujo conteúdo médico era padrão em muitas universidades medievais,Avicena 980-1037. incluindo Montpellier e Lovaina, pelos idos de 1650."Medicina: uma exposição de livros relacionados à medicina e cirurgia a partir da coleção formada por JK Lilly" Ibn Sina, em seu 'Canon de Medicina' oferecia um sistema completo de medicamento de acordo com os princípios de Galeno e Hipócrates .Edwin Clarke, Charles Donald O'Malley (1996). O cérebro humano ea medula espinhal: um estudo histórico ilustrado pelos escritos da antiguidade ao século XX. Norman Publishing. p.20. (ISBN 0930405250)Iris Bruijn (2009). " Os cirurgiões do navio da Companhia Holandesa das Índias Orientais: Comércio e do progresso da medicina no século XVIII ". Amsterdam University Press. p.26. (ISBN 9087280513)
Averróis escreveu uma enciclopédia médica chamada Kulliyat (Generalidades, ou seja, medicina geral), conhecido em sua tradução latina como Colliget. Ele também fez uma compilação das obras de Galeno, e escreveu um comentário sobre o Cânon de Medicina (Qanun fi 't-Tibb) de Avicena (Ibn Sina) (980-1037).
Abu al-Qasim Khalaf ibn al-Abbas Al-Zahrawi (936-1013), (em árabe : أبو القاسم بن خلف بن العباس الزهراوي), também conhecido no Ocidente como Abulcasis, foi um médico árabe da andaluzia. Ele é considerado o maior cirurgião medieval, do mundo islâmico, e é descrito por alguns como o pai da cirurgia moderna,Ahmad, Z. ( Hospital St Thomas ' ) (2007), "Al-Zahrawi - O Pai da Cirurgia", ANZ Journal of Surgery 77 (Supl. 1): A83, doi: (10.1111/j.1445-2197.2007.04130_8) enquanto que Avicena é considerado o Pai da Medicina. A abrangência de seus textos médicos, islâmicos ou europeus é que guiarão os procedimentos cirúrgicos até o Renascimento. Sua maior contribuição para a história é o Kitab al-Tasrif, uma enciclopédia de trinta volumes das práticas médicas.al-Zahrawi, Abu al-Qasim Khalaf ibn Abbas;. Studies, Gustave E. von Grunebaum Centro de Oriente Próximo (1973) Albucasis na cirurgia e instrumentos. University of California Press. ISBN 9780520015326. Retirado 16 de maio de 2011
Abu al-Qasim especializou-se na cura da doença por cauterização. Ele inventou vários dispositivos utilizados durante a cirurgia, para fins de inspeção do interior da uretra, aplicação e remoção de corpos estranhos da garganta, a inspeção da orelha, etc. Ele também é creditado como o primeiro a descrever a gravidez ectópica, isso no ano de 963 e listam-se mais de 300 instrumentos cirúrgicos criados por ele.
O mestre de Montpellier e cirurgião Guy de Chauliac cita a Abulcasis por mais de 200 vezes, Pietro Argallata (d. 1453) descreveu Abulcasis como "sem dúvida, o chefe de todos cirurgiões". A influência Abulcasis continuou por pelo menos cinco séculos, estendendo-se até o Renascimento, evidenciada pela referência frequente que dele faz o cirurgião francês, outro grande mestre de Montpellier (e aluno de Rondelet), Jacques Delechamps (1513-1588).
Maimónides (1135–1204) que além de descrever clínica e detalhadamente a depressão, fez ainda inúmeras recomendações quanto aos aspetos de higiene para o equilíbrio da saúde mental. Sendo assim (talvez) um dos precursores da neurologia.
Jacob ben Maquir ibn Tibbon, Um judeu de Marselha e neto de Samuel ben Judah ibn Tibbon, renomado médico e astrônomo. Tradutor de várias obras de grande importância e cujas traduções para o latim, receberam as citações de Copérnico, Reinhold, e Clavius. De seus trabalhos na medicina e, segundo Jean Astruc (de 'insigne importância"), está o de ser regente da Faculdade de Medicina de Montpellier até sua morte (1304)."Mémoires derramar Servir à l'Histoire de la Faculté de Médecine de Montpellier", p. 168.")
Obras como tradutor o Elementos de Euclides, dividido em quinze capítulos; o tratado de Qusta ibn Luqa sobre a esfera armilar, em 65 capítulos; Sefer ha-Mattanot, os dados de Euclides; um tratado de Autolycus na esfera em movimento; três tratados na esfera de Menelau de Alexandria; Al Ma'amar bi-Tekunah, ou Sefer 'Tekunah, em 44 capítulos; um tratado sobre o uso do astrolábio; compêndio do Almagesto de Ptolomeu; Iggeret ha-Ma'aseh ser Luaḥ-ha-Nikra Sofiḥah; prefácio de Abraham bar Hiyya O trabalho astronômico; um extrato do Almagesto no arco de um círculo; "Ḳiẓẓur mi-Kol Meleket Higgayon", Averróis compêndio "da Organon (Riva di Trento, 1559); "Paráfrase de livros xi-xix de Averróis Aristóteles 's história dos animais; Mozene ha-'Iyyunim, de Algazali.
Conjuntamente, a partir de 1350, instalou-se na cidade a Escola de Teologia. Ela surgiu através das palestras do dominicano Bernardo de la Treillee e de dois franciscanos Santo António de Lisboa e Raimundo Lúlio, discípulo de Arnaldo de Vilanova, profundamente ligado à Faculdades de Medicina. Por uma Bula de 17 de dezembro de 1421, o Papa Martinho V concedeu à instituição canônica para esta faculdade e uniu-a à Faculdade de Direito.
Renascimento Do Renascimento até o final do Antigo Regime, o ensinamento foi marcado pela perda progressiva da tutela do clérigo em favor do Estado com uma faculdade que adquiriu seus próprios locais, o Collège royal de Médecine, Colégio real da Medicina em 1450 com novas normas, recolhidas no decreto real de Luís XII em 29 de agosto de 1498.
A chegada dos protestantes à cabeça da cidade em 1562 acompanhou a destruição completa da torre Sainte-Eulalie, sede da l'Université dê droits, que desapareceu temporariamente. Em seu reinado, (Henrique IV deixou em Montepellier o sentimento de um renascimento universitário. A Escola de medicina foi dotada de um Jardin dé levantes, Jardim botânico. Construído por obra de Pierre Richer de Belleval, em cumprimento à vontade do rei. Primeiro Jardim Real da França, anterior ao de Paris, constitui ainda hoje em dia uma das maiores riquezas de Montpellier. O renome da medicina de Montpellier foi naquela época muito importante. Entre os professores, ilustres sábios ocuparam os claustros. Guy de Chauliac e Arnaldo de Vilanova foram precursores, Michel de Notre Dame, conhecido como Nostradamus, Rabelais e Guillaume Rondelet, foram alunos destacados. Todos eles se preocuparam com a botânica.