thumb|200px|Ion Antonescu, o primeiro Conducător. thumb|200px|Nicolae Ceauşescu, o segundo e último Conducător. Conducător (literalmente, em romeno, "condutor", "líder") foi o título usado oficialmente em duas instâncias por políticos romenos, e anteriormente por Carlos II da Romênia.
História
A palavra é derivada do verbo romeno conduce, a partir do latim ducere ("conduzir"), aparentado com títulos como dux, duque, duce e doge. Seu significado também possui paralelos de outros títulos, como Führer na Alemanha nazistaBrady & Kaplan, p.176; Cioroianu, p.416; Jelavich, p.227; Kligman, p.291 e caudilho na Espanha franquista.
Foi empregada pela primeira vez como um título adicional pelo rei Carlos II da Romênia durante os últimos anos do regime da Frente de Renascimento Nacional,Cioroianu, p.416 e logo após empregada pelo marechal Ion Antonescu quando assumiu poderes ditatoriais após 14 de setembro de 1940.Brady & Kaplan, p.176; Butnaru, p.70; Chehabi & Linz, p.14; Cioroianu, p.416; Kligman, p.291 Nominalmente, Antonescu foi primeiro-ministro e o papel do chefe de Estado foi ocupado pelo Rei Miguel, mas todo o poder real se sustentava com Antonescu.Butnaru, p.70; Jelavich, p.227 De acordo com o historiador Adrian Cioroianu, através do uso do termo, Antonescu queria destacar suas ligações com a Alemanha, e após a queda do governo compartilhado com a Guarda de Ferro (o Estado Nacional Legionário), seu regime pessoal.
O título foi revivido pelo presidente da Romênia comunista, Nicolae Ceausescu a partir do período após 1968, num momento em que o Partido Comunista Romeno cresceu em adesão, mas diminuiu em importância (frente ao culto da personalidade de Ceauşescu).Berry, p.14; Brady & Kaplan, p.176; Chehabi & Linz, p.14; Cioroianu, p.414, 416, 422-427; Gallagher, p.61; Kligman, p.291 Foi utilizado mais raramente em paralelo com o cârmaci ("timoneiro"), por sua vez emprestado da retórica similar de países comunistas como Coreia do Norte e a República Popular da China. Embora as referências ao partido como "a vanguarda da classe operária" caiu em desuso, o poder tornou-se centrado nas prerrogativas de Ceauşescu de emitir ordens ao aparelho político.Cioroianu, p.418-421
A escolha do termo também significava destacar uma ligação simbólica com os príncipes da Valáquia e os príncipes da MoldáviaBerry, p.14; Gallagher, p.61 (outra comparação utilizada era a de Ceauşescu entre os líderes dácios da Antiguidade).Gallagher, p.61 Além disso, durante o mesmo período, fontes comunistas começaram retratando Antonescu de forma favorável. . A partir de um modelo aplicado a todo o Bloco Oriental pelo cientista político polonês Andrzej Korbonski, diferenciando lideranças comunistas em tipos de primus inter pares (liderança coletiva) e primus (domínio pessoal), Cioroianu concluiu que a escolha da Romênia para a última alternativa foi mais provável com base na tradição política local..Cioroianu, p.422-423 De acordo com Cioroianu, o sistema de Ceauşescu extraiu sua outra grande fonte de legitimidade do clientelismo político (resultando no que ele chamou de "um sistema político orbital").Cioroianu, p.426-432
As novas relações políticas, em grande parte baseadas no carisma do Conducător, foram comparadas a vários outros regimes ditatoriais do século XX, e incluído por Houchang Esfandiar Chehabi e José Juan Linz entre os vários "regimes sultanísticos" - o próprio título tem atraído comparações com outros títulos criados por líderes ditatoriais para si mesmos: Aryamehr (usado por Mohammad Reza Pahlavi no Irã), Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Wa Za Banga (no Zaire por Joseph-Désiré Mobutu), a designação imperial da África Central (sob Jean-Bédel Bokassa), Benefactor de la Patria (imposta por Rafael Leónidas Trujillo na República Dominicana), e Conquistador do Império Britânico (em Uganda por Idi Amin), entre outros.Chehabi & Linz, p.13-15
Influência Várias fontes sérvias repetidas vezes alegaram que o político croata Ivan Stevo Krajačić, membro da Liga dos Comunistas da Croácia no interior da Iugoslávia Comunista e um confidente do presidente Josip Broz Tito, era um militante ativo para a independência croata.MacDonald, p.191-192 Entre outras alegações, Krajačić foi acusado de ter adotado o apelido de "Conducător do separatismo", como um elogio a postura ditatorial de Ceausescu.MacDonald, p.192
Notas
Referências David Berry, The Romanian Mass Media and Cultural Development, Ashgate Publishing, Aldershot, 2004 Henry E. Brady, Cynthia S. Kaplan, "Eastern Europe and the Former Soviet Union", in David Butler, Austin Ranney, Referendums Around the World: The Growing Use of Direct Democracy, American Enterprise Institute, Washington D.C., 1994 Ion C. Butnaru, The Silent Holocaust: Romania and Its Jews, Praeger/Greenwood, Westport, 1992 Houchang Esfandiar Chehabi, Juan José Linz, Sultanistic Regimes, Johns Hopkins University Press, Baltimore, London, 1998 Adrian Cioroianu, Pe umerii lui Marx. O introducere în istoria comunismului românesc ("On the Shoulders of Marx. An Incursion into the History of Romanian Communism"), Editura Curtea Veche, Bucharest, 2005 Tom Gallagher, Theft of a Nation: Romania since Communism, C. Hurst & Co., London, 2005 Barbara Jelavich, History of the Balkans, Cambridge University Press, Cambridge, 1983 Gail Kligman, The Politics of Duplicity: Controlling Reproduction in Ceausescu's Romania, University of California Press, Berkely, Los Angeles, London, 1998 David Bruce MacDonald, Balkan Holocausts? Serbian and Croatian Victim-Centred Propaganda and the War in Yugoslavia, Manchester University Press, Manchester, New York 2002
Categoria:Títulos Categoria:Romênia na Segunda Guerra Mundial Categoria:Política da Roménia