Abel Carlos da Silva Braga (Rio de Janeiro, 1 de setembro de 1952) é um ex-treinador, ex-futebolista brasileiro e dirigente esportivo que atuava como zagueiro. Atualmente, é diretor técnico do Internacional.
Carreira como jogador Clubes Abel Braga começou no Fluminense em 1968, sendo integrado ao elenco profissional em 1971, ano em que conquistou seu primeiro título do Campeonato Carioca, repetindo este feito em 1973 e 1975 pelo Flu. No total pelo Tricolor das Laranjeiras, o zagueiro atuou em 75 jogos e marcou três gols.
Em 1973, foi emprestado ao Figueirense para disputar o Campeonato Brasileiro daquele ano, tendo atuado em 18 partidas pelo clube catarinense e marcado um gol.
Em 1976, transferiu-se para o Vasco da Gama, onde se sagrou campeão da Taça Guanabara por 2 vezes e campeão carioca em 1977. Foi pelo clube de São Januário que Abelão, como também ficou conhecido, se firmou como titular, já que no Fluzão geralmente era reserva (voltando a ser titular da Seleção Brasileira, na época comandada pelo técnico Cláudio Coutinho) e atuando pelo Vasco foi convocado para a Copa do Mundo FIFA de 1978. O Vasco da Gama é o clube que Abel Braga mais atuou na carreira, com 204 jogos e 11 gols marcados.
Três anos após a sua chegada ao Vasco da Gama, transferiu-se para o exterior. Paris foi seu destino, para defender o Paris Saint-Germain. O zagueiro permaneceu na França entre os anos de 1979 e 1981, tendo disputado 45 partidas e marcado nove gols, até regressar ao Brasil para jogar pelo Cruzeiro, em 1981, e depois pelo Botafogo, de 1983 a 1984.
Em 1985, foi contratado pelo Goytacaz, onde, no mesmo ano, encerrou a carreira.
Seleção Brasileira Pela Seleção Brasileira atuou em cinco partidas, e pertenceu ao elenco que disputou a Copa do Mundo de 1978. Sua primeira partida foi no dia 11 de dezembro de 1971, na vitória por 1 a 0 contra o Peru, e sua última partida foi em 25 de maio de 1978, em um empate por 2 a 2 contra a Seleção Gaúcha.
Carreira como treinador A sua carreira como treinador começou no mesmo clube onde ele encerrou a carreira de jogador, o Goytacaz. Formou-se em educação física e, no ano seguinte, foi para Portugal treinar o Rio Ave, regressando ao Brasil em 1987 onde treinou o Galícia para depois assumir o comando da equipe do Botafogo, onde já havia trabalhado como jogador. Foi curta a sua passagem pelo alvinegro carioca e, no mesmo ano, seguiu para Recife para treinar o Santa Cruz. Pelo tricolor do Arruda, Abel conquistou o Campeonato Pernambucano de 1987 em cima do rival Sport.
O salvador em Portugal Famalicão, Belenenses e Vitória de Setúbal Em 1988 assumiu o Internacional, deixando o cargo no ano seguinte, para voltar a Portugal para assumir o comando do Famalicão, que estava na 2ª divisão do Campeonato Português. No seu primeiro ano no clube, Abel conseguiu levá-lo de volta à Primeira Liga. Na temporada 1990–91 os resultados não foram bons, mas Abel conseguiu manter o clube na 1ª divisão, terminando a competição em 18º. Abel permaneceu no clube até metade da temporada 1991–92, quando voltou a treinar um clube que se encontrava na 2ª divisão, o Belenenses. Mais uma vez ele conseguiu levar um clube de volta à 1ª divisão e, com isso, foi mantido no cargo para a temporada 1992–93. Nessa temporada, Abel levou o clube do Restelo a 7ª posição do Campeonato Português, permanecendo no cargo para a temporada seguinte. Mas o treinador não permaneceu até o fim da temporada, trocando o Belenenses pelo Vitória de Setúbal, que terminou em 8º. Os resultados obtidos com os clubes que se encontravam na 2ª divisão deram a Abel notoriedade entre os clubes portugueses.
O retorno ao Brasil Vasco da Gama Após cinco anos em Portugal, o treinador voltou ao Brasil em 1995, para assumir o Vasco da Gama, clube onde jogou por três anos. Mas sua carreira como treinador do clube carioca não durou tanto tempo e após apenas dois meses como treinador, foi demitido. Em seguida, novamente assumiu o comando do Internacional.
Os três paranaenses Atlético Paranaense, Coritiba e Paraná Em 1997 assumiu o e permaneceu no cargo por um ano. No ano seguinte treinou o , ganhando o estadual depois de 10 anos, e o , por um período muito curto, mas suficiente para conseguir ser treinador dos três maiores clubes do Paraná e de forma seguida.
A sua passagem pelo Paraná Clube foi curta pois, pouco tempo depois de assumir a equipe, ele recebeu uma proposta para retornar ao Vasco da Gama. O clube passava por um momento difícil após a derrota no Mundial de Clubes e Abel foi contratado. Depois de alguns meses no comando vascaíno, ele recebeu uma proposta de um clube francês, deixando o Vasco às vésperas da grande decisão do campeonato carioca. Essa passagem pelo Vasco, apesar de rápida, foi notória devido à goleada de 5 a 1 sobre o Flamengo, no domingo de Páscoa. Em julho de 2000, como já estava combinado desde a saída dele do Vasco, foi contratado pelo Olympique de Marseille.
De volta ao Brasil em 2001, treinou o e o Botafogo, pela segunda vez. Mas Abel não ficou muito tempo no Botafogo, pedindo demissão em setembro do ano seguinte, após uma derrota por 2 a 0 para o Coritiba. Ainda em 2002, treinou novamente o Atlético-PR.
Em 2003, assumiu a com o objetivo de manter o clube na 1ª divisão do Campeonato Brasileiro. A posição final não foi muito boa (21º), mas o objetivo foi alcançado e no fim do ano ele deixou o clube com a missão cumprida.
As derrotas na Copa do Brasil Flamengo Valorizado no mercado de treinadores, assumiu o em 2004, tendo como auxiliar-técnico o ex-jogador Andrade. O rubro-negro carioca tinha um projeto, comandado por outro ex-jogador, Júnior, que visava assegurar uma vaga para a Copa Libertadores da América do ano seguinte. Abel levou o clube ao título do Campeonato Carioca de 2004 e à final da Copa do Brasil do mesmo ano. Porém, na decisão contra o , após empatar o primeiro jogo em 2 a 2, foi derrotado no Maracanã por 2 a 0, perdendo, assim, a chance de conquistar o título e, consequentemente, a vaga para a Libertadores. Após o jogo, Abel declarou que esta tinha sido a maior derrota na sua carreira.
Fluminense Em 2005, após seis meses longe do futebol, Abel voltou ao clube onde iniciou a carreira de jogador e assumiu o cargo de treinador do Fluminense, completando assim o ciclo dos quatro grandes do Rio de Janeiro. Com o tricolor carioca ele conquistou mais um título do Campeonato Carioca e teve a oportunidade de disputar outra final da Copa do Brasil, porém mais uma vez foi derrotado por um clube de São Paulo, desta vez o de Jundiaí.
Diferente da atitude da diretoria do Flamengo que o demitiu após a derrota na final, a diretoria tricolor manteve o treinador no cargo para a disputa do Campeonato Brasileiro, visando uma boa posição que garantisse uma vaga à Libertadores. Abel quase conseguiu alcançar esse objetivo, terminando em 5º, apenas uma posição abaixo da zona de classificação à Libertadores. Na Copa Sul-Americana daquele ano, ele conseguiu levar o Fluminense às quartas-de-final.
Campeão da Libertadores e do Mundial pelo Internacional Em 2006 Abel voltou a Porto Alegre para assumir mais uma vez o comando do . Esta passagem tornou-se a mais vitoriosa de sua carreira. O começo não foi feliz e, no primeiro trimestre, acabou perdendo o título do Campeonato Gaúcho, após dois empates com o , mas foi mantido pela diretoria para a disputa da Copa Libertadores, que já estava a decorrer. A confiança foi retribuída e Abel conduziu o Internacional ao seu primeiro título da competição continental, após uma final disputada com o então campeão do mundo . O título garantiu a presença do Internacional no Mundial de Clubes da FIFA, em dezembro daquele ano. Abel não perdeu a oportunidade e conquistou o título mundial após derrotar o na final, por 1 a 0, com gol de Adriano Gabiru. No Campeonato Brasileiro, Abel levou o Internacional à 2ª posição.
Naquele jogo, em Yokohama, o time do Inter jogou com uniforme branco. Fato marcante, além do gol de Gabiru, foi a cena mostrando o zagueiro Índio, sangrando com o nariz quebrado.
Com as conquistas, Abel foi mantido para o ano seguinte para a continuidade do trabalho, renovando o contrato por mais um ano. Mas os bons resultados não se repetiram. No Campeonato Gaúcho a equipe colorada não passou da primeira fase, e na Libertadores sequer chegou às oitavas-de-final. Após os fracassos, Abel foi demitido do cargo.
Quando saiu do clube colorado o treinador declarou ter propostas do exterior incompatíveis com o mercado brasileiro. Porém, após recusar propostas do Cruzeiro e do Atlético Mineiro, e admitir propostas de um clube da França e de um clube dos Emirados Árabes, não acertou com nenhum clube. Abel acabou por voltar ao Internacional apenas quatro meses após ter sido demitido.
Quem assumiu o lugar de Abel Braga nessa ocasião foi Alexandre Gallo, que conseguiu obter o título da Recopa Sul-Americana e a tríplice coroa, pelo fato do Internacional sagrar-se campeão da Libertadores, do Mundial de Clubes e da Recopa consecutivamente. Porém, durante o primeiro turno do Brasileirão, a equipe não estava tendo um bom desempenho e Gallo chegou a ser criticado pela imprensa. Gallo treinou a equipe colorada durante apenas quatro meses.
Após o retorno ao Internacional, Abel ainda levou o clube gaúcho a conquista do Campeonato Gaúcho de 2008, sagrando uma goleada de 8 a 1 sobre o no Estádio Beira-Rio, após derrota por 1 a 0 em Caxias do Sul. O título para Abel era inédito, embora tenha sido campeão regional em quase todos os times que passou. Abel acabou sendo contratado pelo Al-Jazira poucas semanas após a conquista, dando espaço para Tite. No clube dos Emirados Árabes, conquistou a Copa do Presidente e o Campeonato Local, chegando até a ser citado para comandar a Seleção Emiradense, mas preferiu acertar seu retorno para o Fluminense, clube que esperou três meses após a saída de Muricy Ramalho.
Campeão Carioca e Brasileiro de 2012 pelo Fluminense Abel, logo após retornar do mundo árabe, iniciou sua trajetória no Fluminense enviando, inicialmente, seu auxiliar-técnico Leomir de Souza, ex-jogador do próprio clube das Laranjeiras e campeão brasileiro de 1984 com toda a equipe. Leomir, em sua primeira partida, ganhou do Cruzeiro por 2 a 1, com dois gols de Rafael Moura. Abel então estreou no jogo contra o , sendo que ele perdeu o primeiro jogo dele em sua volta. A campanha do Fluminense foi boa e assim terminou na 3ª colocação do campeonato nacional.
Logo no ano seguinte, seu time ganhou quase todos os campeonatos que disputou: Taça Guanabara, Torneio Luiz Penido, Campeonato Carioca e, por fim, Abel ganhou o único título que faltava em sua carreira: o Campeonato Brasileiro. Este título foi conquistado com 3 rodadas de antecipação, em um jogo em Presidente Prudente. O Fluminense chegou a fazer 2 a 0 diante do antes de ceder o empate que perduraria até os 43 minutos do segundo tempo. O placar final foi 3 a 2, com dois gols de Fred e um gol contra de Maurício Ramos.
Com salários de R$ 700 mil, Abel Braga era o técnico mais bem pago do Brasil, à frente de nomes como Vanderlei Luxemburgo, do Grêmio, Muricy Ramalho, do , e Tite, então atual campeão da Libertadores com o Corinthians.Abel Braga lidera o top 10 de salários
Em 30 de maio de 2013, depois da eliminação do Flu na Libertadores, Abel saberia que supostos torcedores do clube picharam nas Laranjeiras, sede do clube, "Fora Abel". Os jogadores, ademais, também seriam citados, com a escrita de "Time Sem Vergonha".
Acabou não resistindo a uma sequência de cinco derrotas consecutivas do Fluminense no Campeonato Brasileiro, sendo a última delas por 2 a 0 contra o Grêmio, em Porto Alegre. Com isso, o treinador acabou sendo demitido do Tricolor Carioca no dia 29 de julho.
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