miniaturadaimagem|446x446px|Dezesseis faces expressando as paixões humanas – gravura colorida por J. Pass, 1821, segundo Charles Le Brun Emoção é uma reação a um estímulo ambiental e cognitivo que produz tanto experiências subjetivas, quanto alterações neurobiológicas significativas. Está associada ao temperamento, personalidade e motivações tanto reais quanto subjetivas. A palavra deriva do termo latino emovere, onde o e- (variante de ex-) significa "fora" e movere significa "movimento".Emotional Competency discussion of emotion Seja para lidar com estímulos ambientais, seja para comunicar informações sociais biologicamente relevantes, as emoções apresentam diversos componentes adaptativos para mamíferos com comportamento social complexo, sendo cruciais, até mesmo, para a sua sobrevivência. Não existe uma taxionomia ou teoria para as emoções que seja geral ou aceita de forma mundial. Várias têm sido propostas,MIGUEL, Fabiano Koich. Psicologia das emoções: uma proposta integrativa para compreender a expressão emocional. Psico-USF, Itatiba , v. 20, n. 1, p. 153-162, Apr. 2015 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-82712015000100015&lng=en&nrm=iso>. access on 22 Jan. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/1413-82712015200114. como: Cognitiva versus não cognitiva; Emoções intuitivas (vindas da amígdala) versus emoções cognitivas (vindas do córtex pré-frontal); Básicas versus complexas, onde emoções básicas em conjunto constituem as mais complexas; Categorias baseadas na duração: algumas emoções ocorrem em segundos (por exemplo: surpresa) e outras duram anos (por exemplo: amor).
Existe uma distinção entre a emoção e os resultados da emoção, principalmente os comportamentos gerados e as expressões emocionais. As pessoas frequentemente se comportam de certo modo como um resultado direto de seus estados emocionais, como chorando, lutando ou fugindo. Ainda assim, se pode ter a emoção sem o seu correspondente comportamento, então nós podemos considerar que a emoção não é apenas o seu comportamento e muito menos que o comportamento seja a parte essencial da emoção. A Teoria de James-Lange propõe que as experiências emocionais são consequência de alterações corporais. A abordagem funcionalista das emoções (como a de Nico Frijda) sustenta que as emoções estão relacionadas a finalidades específicas, como fugir de uma pessoa ou objeto para obter segurança. Classificação As emoções básicas são 3: positivas, neutras, e negativas. As emoções complexas constroem-se sobre condições culturais ou associações combinadas com as emoções básicas. Analogamente ao modo como as cores primárias são combinadas, as emoções primárias podem ser combinadas gerando um espectro das emoções humanas. Como, por exemplo, raiva e desgosto podem ser combinadas em desprezo.
Robert Plutchik propôs o modelo tridimensional circumplexo para descrever a relação entre as emoções. Este modelo é similar ao círculo cromático. A dimensão vertical representa a intensidade, enquanto o círculo representa a similaridade entre as emoções. Ele determina oito emoções primárias dispostas em quatro pares de opostos.
Outro importante significado sobre classificação das emoções refere-se a sua ocorrência no tempo. Algumas emoções ocorrem sobre o período de segundos (por exemplo, a surpresa) e outros demoram anos (por exemplo, o amor). O último poderia ser considerado como uma tendência de longo tempo para ter uma emoção em relação a um certo objeto ao invés de se ter uma emoção característica (entretanto, isto pode ser contestado). Uma distinção é então feita entre episódios emocionais e disposições emocionais. Disposições são comparáveis a peculiaridades do indivíduo (ou características da personalidade), onde quando alguma coisa ocorre, serve de gatilho para a experiência de certas emoções, mesmo sobre diferentes objetos. Por exemplo, uma pessoa irritável é geralmente disposta a sentir irritação mais facilmente que outras. Alguns estudiosos (por exemplo, Armindo Freitas-MagalhãesVer Freitas-Magalhães, A. (2007). A Psicologia das Emoções: O Fascínio do Rosto Humano. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa. - (2ª Ed., 2009). 2009 e Klaus Scherer, 2005) colocam a emoção como uma categoria mais geral de "estados afetivos". Onde estados afetivos podem também incluir fenômenos relacionados, como o prazer e a dor, estados motivacionais (por exemplo, fome e curiosidade), temperamentos, disposições e peculiaridades do indivíduo. thumb|esquerda|180px|Ilustração do livro "A expressão das emoções no homem e nos animais", de Charles Darwin.
Há, ainda, a relação entre processos neurais e emoções: através de processos de imagem por ressonância magnética funcional, já é possível investigar a emoção 'ódio' e sua manifestação neural. Neste experimento, a pessoa teve seu cérebro escaneado (examinado) enquanto via imagens de pessoas que ela odiava. Os resultados mostraram incremento da atividade no médio giro frontal, putâmen direito, bilateralmente no córtex pré-motor, no polo frontal, e bilateralmente no médio lobo da ínsula. Os pesquisadores concluíram que existe um padrão distinto da atividade cerebral quando a pessoa experimenta o ódio.
Outro estudo colocou ainda em questão qual de três grandes teorias de estudo da emoção (modelo circumplexo, teoria das emoções básicas ou teoria da avaliação) é capaz de corresponder melhor aos padrões de ativação cerebral.Skerry, A. E., & Saxe, R. (2015). Neural representations of emotion are organized around abstract event features. Current Biology, 25(15), 1945-1954.Dubois, J., & Adolphs, R. (2015). Neuropsychology: How Many Emotions Are There? Current Biology, 25(15), R669-R672. Neste caso, os participantes atribuíam uma determinada emoção a vários contos pequenos enquanto os seus cérebros eram examinados por imagem por ressonância magnética funcional. De facto, os dados obtidos neste estudo revelaram que, possivelmente (e de acordo com as condições em que o estudo foi realizado), as emoções atribuídas a terceiros poderão ser descodificadas através dos padrões neuronais e que o nosso conhecimento dessas emoções é abstrato e dividido em diversas dimensões (dimensional). Consequentemente, os dados sugeriram que o modelo que melhor se adequa aos padrões neuronais poderá ser o da teoria da avaliação, tendo em conta as condições em que o estudo foi realizado.
Teoria das Emoções Básicas
As emoções básicas são as emoções mais elementares, distintas e mais contínuas no tempo entre as diversas espécies das emoções discretas, mas também podem ser consideradas as mais relacionadas com funções de sobrevivência.Levenson, R. W. (2011). Basic emotion questions. Emotion Review, 3(4), 379-386. Estas emoções são assim designadas uma vez que não podem ser decompostas em termos semânticos ainda mais simples.Du, S., Tao, Y., & Martinez, A. M. (2014). Compound facial expressions of emotion. Proceedings of the National Academy of Sciences, 111(15), E1454-E1462. Segundo esta teoria, são diversas combinações entre as emoções básicas (associadas a expressões faciais) que permitem compreender as emoções mais complexas.Ekman, P. (1992). Are there basic emotions?
Teorias Há teorias sobre emoção desde a Grécia antiga (estoicismo, as teorias de Platão e Aristóteles etc.). Encontram-se teorias sofisticadas nos trabalhos de filósofos como René Descartes,See Philip Fisher (1999) Wonder, The Rainbow and the Aesthetics of Rare Experiences para uma introdução Baruch SpinozaVer por exemplo Antonio Damasio(2005) Looking for Spinoza. e David Hume. Posteriormente, as teorias das emoções ganharam força com os avanços da pesquisa empírica. Frequentemente, as teorias não são excludentes entre si e vários pesquisadores incorporam múltiplas perspectivas nos seus trabalhos.
Teorias somáticas Teorias somáticas da emoção consideram que as respostas corporais são mais importantes que os julgamentos no fenômeno da emoção. A primeira versão moderna dessas teorias foi a de Willian James, em 1880, que perdeu valor no século XX mas que ganhou popularidade mais recentemente devido às teorias de John Cacioppo, António Damásio, Joseph E. LeDoux e Robert Zajonc, que conseguiram obter evidências neurológicas.
Teoria de Joseph LeDoux Joseph E. LeDoux é um neurocientista americano que, durante duas décadas, dedicou a sua investigação a uma teoria pioneira na área das emoções. LeDoux propôs o conceito de circuito de sobrevivência como base para entender processos emocionais comuns a humanos e outros animais.
Tendo em conta que algumas semelhanças neurológicas entre humanos e outros animais incluem funções cerebrais utilizadas na sobrevivência animal, LeDoux foca em circuitos que estão associados a essas funções que permitem, aos organismos, sobreviverem e prosperarem diariamente, quando confrontados com desafios ou oportunidades – os circuitos de sobrevivência – e acredita que, através deles, os investigadores poderão ganhar conhecimentos na área da emoção, quer humana, quer animal. Este conjunto de circuitos é constituído por circuitos relacionados com defesa, manutenção de fontes de energia e nutrição, regulação de fluidos, termorregulação, reprodução, entre outros.
Os circuitos de sobrevivência têm a sua origem em mecanismos primordiais que estavam presentes em seres vivos mais primitivos. Com o avanço na escala evolutiva, as capacidades de sobrevivência aumentam em complexidade e sofisticação, devido à presença de receptores sensoriais e órgãos efectores especializados, e um sistema nervoso central capaz de coordenar funções corporais e interacções com o ambiente.
Estes circuitos estão geneticamente programados (inatos) e, para além de existirem aspectos específicos para cada espécie, também existem componentes centrais que estão conservados nos mamíferos, significando que são partilhados por todos eles, incluindo os humanos. Isto é comprovado por semelhanças a nível celular e molecular entre diferentes grupos de mamíferos. Uma consequência notável de se activar um circuito de sobrevivência consiste na emergência de um estado global no organismo cujos componentes maximizam o bem-estar do animal em situações onde existem desafios ou oportunidades. Teoria de James-Lange
William James, no artigo What is an Emotion? (Mind, 9, 1884: 188-205), argumenta que as experiências emocionais são devidas principalmente a experiência de alterações corporais. O psicólogo dinamarquês Carl Lange também propôs uma teoria similar na mesma época, pelo que a perspectiva é conhecida como a Teoria de James-Lange. Esta teoria e as suas derivações consideram que uma nova situação conduz a uma alteração do estado corporal. Como James diz: "a percepção das alterações corporais assim que elas ocorrem é a emoção". James ainda argumenta que "nos sentimos mal porque choramos, ficamos com raiva porque agredimos, ficamos com medo porque trememos. Entretanto nós não choramos, agredimos nem trememos porque estamos sentidos, com raiva ou amedrontados, como era de se esperar".
Esta teoria é sustentada por experiências em que, ao se manipular um estado corpóreo, uma emoção esperada é induzida. Laird, James, Feelings: the Perception of Self, Oxford University Press Assim, estas experiências possuem implicações terapêuticas (por exemplo, em terapia do riso e dançaterapia). A teoria James-Lange é, frequentemente, mal compreendida porque aparenta ir contra a intuição ou o senso comum. A maioria das pessoas acredita que as emoções atuam sobre ações específicas, como por exemplo: "Eu estou chorando porque estou me sentindo mal" ou "Eu fugi porque estava com medo". Esta teoria, inversamente, assegura que primeiro a pessoa reage a uma situação (fugir e chorar acontecem antes da emoção) e depois interpreta suas ações como uma resposta emocional. Deste modo, as emoções servem para explicar e organizar as ações dentro do nosso sistema mental.
Teorias neurobiológicas