O conclave papal de 1492 ocorreu logo após a morte do Papa Inocêncio VIII, no qual foi eleito o Papa Alexandre VI como pontífice. Foi composto por vinte e sete cardeais; dois deles eram cardeais “in pectore”, ou seja, eleitos, mas não proclamados; o conclave os aceitou, como foi feito em outras ocasiões.
Cardeais participantes 160px|thumb|esquerda|Brasão papal de Sua Santidade, o papa Alexandre VI Dos 23 cardeais que participaram no conclave, quatorze tinham sido elevados pelo Papa Sisto IV.Pastor, Ludwig. 1906. The History of Popes. K. Paul, Trench, Trübner & Co., Ltd. p. 416. Os cardeais de Sisto IV, conhecidos como "Cardeais da Capela Sistina" e liderados por Giuliano della Rovere, haviam controlado o Conclave de 1484, elegendo um dos seus, Giambattista Cibo, como o Papa Inocêncio VIII.Signorotto, Gianvittorio, and Visceglia, Maria Antonietta. 2002. Court and Politics in Papal Rome, 1492-1700. Cambridge University Press. ISBN 0521641462. p. 17. Desde 1431, a composição do Colégio Cardinalício foi radicalmente transformada, aumentando o número de cardeais-sobrinhos (3-10), cardeais da coroa (de 2 a 8), e representantes de poderosas famílias nobres romanas (2-4).Burke-Young, Francis A. 1998. "The Cardinals of the Holy Roman Church: Papal elections in the Fifteenth Century: The election of Pope Alexander VI (1492)." Retrieved on August 28, 2009. Com a exceção de três funcionários da Cúria e um pastor, os cardeais eram "príncipes seculares, em grande parte sem se preocupar com a vida espiritual, quer da Igreja latina ou de seus membros."
Os cardeais presentes no conclave eram todos italianos, exceto pelos cardeais Borja e Costa, ibéricos.
O conclave Foi razoável incluir os nomes dos cardeais eleitores porque em primeiro lugar se depara com uma prova fiel do “nepotismo” por parte dos pontífices anteriores e que muitos desses “príncipes da igreja” pertenciam a várias das famílias poderosas da península itálica que para tanto comprar seus votos fosse muito difícil, já que sua honra era reconhecida e careciam de necessidades econômicas; as riquezas dos Bórgia não eram excessivas pelo qual, por lógica, se descarta a simonia, já que esses cardeais inclusive podiam comprar votos entre si.FERRARA, Orestes: “El Papa Borgia”, Colección “La Nave”, Madrid, 1948.
O dia 6 de agosto foi consumido pela elaboração e subscrição da capitulação em conclave, que, embora não tenha sobrevivido aos nossos dias, é conhecido por ter restringido o número de novos cardeais que poderiam ser criados pelo novo papa.
Entre os mais “papabiles” encontra-se num primero escalão Caraffa, Costa e Ardicino della Porta, assim como logo se falou de Zeno e Piccolomini, entretanto, Giuliano della Rovere era apoiado pela França e Gênova, que teriam 300 mil ducados de ouro depositados em Roma para usá-los em favor de sua eleição como também o rei de Nápoles o apoiava com suas tropas nas portas de Roma. De Borja só se falava como uma remota possibilidade.
Na primeira votação, os mais votados foram Caraffa e Costa; na segunda, esta tendência mudou para della Rovere e Ascanio Sforza, este último apoiado por Borja, mas devido a seu irmão Ludovico Sforza ter grandes ambições para com a “Cidade Eterna”, Sforza decidiu dar seu apoio ao vice-chanceler que finalmente o acompanhou, não obstante se Sforza não podia ser eleito com o apoio de Borja, dificilmente este último podia ser eleito com o apoio de Sforza.
As principais razões para que Borja não fosse eleito eram, em primeiro lugar, sua nacionalidade espanhola e no conclave, além dele, o único estrangeiro era o purpurado português Jorge da Costa, que já era considerado “papabile”. Além disso, Borja era considerado inimigo por França, Nápoles, Veneza e Florença, devido a sua supremacia na Igreja que não era agradável para os Príncipes Temporais. Por exemplo, se o fraco Papa Inocêncio VIII pode causar terríveis males ao rei de Nápoles, então o inimigo Borja era de se temer ainda mais.
Devido a essas razões, o vice-chanceler não conseguiu sequer apresentar seu nome, já que os outros dois cardeais espanhóis não se encontravam no conclave. Supostamente, alguns consideram simoníaca a eleição, não obstante se assim tivesse sido, o cardeal della Rovere teria sido eleito pelo apoio dos grandes Estados mais ricos que qualquer outro indivíduo.
O conclave finalmente elegeu por unanimidade [Um conclave aprova a eleição quando se obtém os dois terços de todos os eleitores, no caso de Rodrigo Borja o conclave foi com votação oral e quando se obteve os dois terços daqueles que estavam votando, se deu por concluída a eleição, sem importar o resto dos votos ainda não emitidos] ao vice-chanceler, pois os cardeais decidiram que nenhum candidato apoiado por outro Estado podia ser eleito porque Roma ficaria subjugada sob o poder estrangeiro. Também lembraram do Papa Calisto III, acusado de nepotismo porque quase todos os integrantes deste conclave eram criados por ele. Algo necessário era um candidato forte e com conhecimentos nos assuntos da igreja. Além disso, independente do resto dos Estados e nesses aspectos, Borja se encaixava à perfeição. Cabe destacar que entre todos os cardeais, na administração e na força, ele era o melhor, de tal forma que foi eleito em 11 de agosto de 1492, para ser coroado com a “tríplice coroa” no domingo 16 de agostoBERENCE, Fred: “Lucrecia Borgia” (Segunda Edición), Losada S.A., Buenos Aires, 1942. pelo cardeal protodiácono Francesco Todeschini-Piccolomini, adotando o nome de Alexandre VI, não tanto em homenagem a Alexandre Magno, porque não era muito favorável ter um nome com tamanha característica militar, mas também pelo Papa Alexandre III, que obrigou a Frederico Barbarossa respeitar a Igreja de Roma.
Cardeais votantes
Consistóro1492 Eleitor%Fevereiro 1456 2 100% Consistórios de Calisto III 2 %Março 1460 1 100% Consistórios de Pio II 1 %Setembro 1467 1 %Novembro 1468 2 % Consistórios de Paulo II 3 %Dezembro 1471 1 %Maio 1473 1 %Dezembro 1476 1 %Dezembro 1477 2 %Fevereiro 1478 1 %Maio 1480 3 %Novembro 1483 3 %Março 1484 1 % Consistórios de Sisto IV 13 %Março 1489 8 100% Consistórios de Inocêncio VIII 8 %Total27 100%
Criado por Cardeais Por Cento Papa Calisto III 2 % Papa Pio II 1 % Papa Paulo II 3 % Papa Sisto IV 13 % Papa Inocêncio VIII 8 % Total 27 100 %
Cardeais Bispos Participaram dos escrutínios os seguintes cardeais:
Nº Nome Consistório Papa1Rodrigo de Borja y BorjaCIII2Giuliano della RovereSIV3Oliviero CarafaPaII4Giovanni Battista Zeno5Giovanni Michiel6Jorge da Costa, SIV
Cardeais Presbíteros
Nº Nome Consistório Papa7Girolamo Basso della RovereSVI8Raffaele Riario9Domenico della Rovere10Paolo Fregoso11Giovanni de' Conti12Giovanni Giacomo Schiaffinati13Lorenzo Cibo de' MariIVIII14Ardicino della Porta, iuniore15Antonio Pallavicini Gentili
Cardeais Diáconos
Nº Nome Consistório Papa16Francesco Todeschini-PiccolominiPiII17Giovanni Battista SavelliSIV18Giovanni Colonna19Giovanni Battista Orsini20Ascanio Maria Sforza Visconti21Maffeo Gherardi, IVIII22Giovanni de' Medici23Federico di Sanseverino
Cardeais ausentes Cardeais Presbíteros
Nº Nome Consistório Papa24Luis Juan de Milà y BorjaCIII25Pedro González de MendozaSIV26André d'EspinayIVIII
Cardeais Diáconos
Nº Nome Consistório Papa27Pierre d'Aubusson, IVIII
Referências
Bibliografia FUSERO, Clemente: “César Borgia”, Editorial Planeta, Barcelona, 1967. Baumgartner, Frederic J. 2003. Behind Locked Doors: A History of the Papal Elections. Palgrave Macmillan. ISBN 0-312-29463-8.
Ligações externas
Genealogía, Reyes y Reinos: Los Borgia
1492 Categoria:Século XV na Itália