A Segunda Guerra Civil na Costa do MarfimIvory Coast Dragged Into Civil War - OnIslam, 7 de março de 2011.BBC - Andrew Harding on Africa Civil war, Ivory Coast-style 9 de abril de 2011. eclodiu em fevereiro de 2011 quando começaram os combates entre as forças leais ao presidente eleito e o governo de facto no oeste do país.Fighting flares in western Ivory Coast News.com.au 7 de março de 2011.
O conflito armado ocorreu devido à escalada de violência com a crise política causada pela recusa do presidente derrotado Laurent Gbagbo em aceitar a vitória do líder da oposição Alassane Ouattara por uma estreita margem no segundo turno das eleições presidenciais em 28 de Novembro de 2010. Gbagbo contava com a lealdade das forças armadas para permanecer no poder, mas com uma forte rejeição por parte dos cidadãos e da comunidade internacional.
Depois de ficar claro as posições de ambos os lados, toda a comunidade internacional (notavelmente a União Europeia, Estados Unidos, a Organização das Nações Unidas, a União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) se posicionou favorável aos resultados proclamados pela Comissão Eleitoral que deram Ouattara como o vencedor nas eleições.UN: Ivory Coast Crisis Not Over Yet | Africa | English - VOA news 11 de abril de 2011.
Depois de meses de negociações infrutíferas e de violência esporádica entre partidários de ambos os lados, protestos reprimidos pelo exército e pela polícia e ataques a adversários políticos entre os diferentes lados, a crise tornou-se uma guerra civil quando as milícias de Ouattara tomaram o controle do norte do país em março de 2011 e Gbagbo entrincheirou-se na antiga capital e maior cidade, Abidjã.
As organizações internacionais relataram inúmeros casos de violações dos direitos humanos por ambos os lados, particularmente na cidade de Duékoué, onde em 29 de março, pelo menos 800 pessoas foram massacradas por militantes dos dois lados.Pro-Ouattara forces launch palace assault - Africa - Al Jazeera English 5 de abril de 2011. Embora as tropas rebeldes avançassem ao sul, tomando a nova capital de Iamussucro em 30 de março sem resistência,Pro-Ouattara forces reach Ivorian capital | Top News | Reuters 30 de marzo de 2011. as forças da ONU e da França deram apoio militar às forças do mandatário eleito.Strikes by U.N. and France Corner Leader of Ivory Coast - NYTimes.com 4 de abril de 2011.
No dia seguinte, as milícias de Ouattara entraram em Abidjã produzindo uma terrível batalha na cidade, cerca de 2.000 a 3.000 rebeldes entraram nela embora o presidente eleito declarou toque de recolher por três dias.BBC News - Ivory Coast Gbagbo and Ouattara in Abidjan battle 1 de abril de 2011. Enquanto as tropas internacionais intervieram especialmente nos combates pela cidade, Gbagbo havia deixado apenas uma pequena fração de suas forças, a maioria de sua guarda pessoal e jovens militantes, muitos dos seus oficiais haviam desertado passando ao lado inimigo ou fugido do país.Rebels wonder; where did Gbagbo go - Times LIVE 1 de abril de 2011.
A batalha de Abidjã foi encerrada com a captura de Gbagbo em sua residência em 11 de abril oficialmente terminando também a guerra civil.Ivory Coast strongman arrested after French forces intervene - The Washington Post 11 de abril de 2011.
Antecedentes
Confrontos Durante o mês de fevereiro, as forças leais a Ouattara iniciaram uma ofensiva no oeste do país na qual conseguiriam conquistar cinco localidades que, até aquele momento, estavam sob o controle do lado oposto. No entanto, em março de 2011 começam os combates diretos entre os rebeldes de Ouattara e as forças do governo, nas principais cidades do país, resultando em cerca de mil civis mortos no oeste marfinense, além de aproximadamente de 450 mil refugiados, chegando a luta às ruas da maior cidade do país, Abidjã em abril de 2011, com combates e fogo de artilharia em torno do palácio presidencial e da televisão estatal.
Em Abidjã thumb|250px|Mapa das comunas do distrito de Abidjã A partir de 22 de fevereiro e durante todo o mês de março de 2011,Côte d`Ivoire: la crise depuis le second tour de la présidentielle. AFP 4 de março de 2011. houve confrontos na principal cidade do país, Abidjã, entre o chamado "Commando Invisible", liderado por Ibrahim Coulibaly, dito "IB", e tropas leais a Laurent Gbagbo. Não é claro, porém, que esse grupo armado seja favorável a Ouattara.Le "commando invisible" d'Abidjan, anti-Gbagbo ou pro-Ouattara ?, por Guy Kerivel. Reuters, 27 de março de 2011. Esses confrontos ocorreram principalmente em Abobo (cuja população votou majoritariamente em Ouattara), mas também em Adjamé, no norte de Abidjã, Yopougon, Koumassi e Treichville. A Missão da ONU na Costa do Marfim (ONUCI) acusa os partidários de Laurent Gbagbo de atirar em civis, fazendo uma dezena de mortos em Abobo.« Côte d'Ivoire: Ouattara prend le pas sur Gbagbo », L'Humanité, 30 de março de 2011.
No oeste do país thumb|250px|Bairro destruído pelos confrontos, em Duékoué No início de março de 2011, explode um conflito em Moyen-Cavally, no oeste da Costa do Marfim. Em 18 de fevereiro de 2011, a ONUCI se retira de Toulépleu.Sécurité de l`Ouest : Le contingent Onuci de Toulépleu démantelé. Le Nouveau Reveil / Abidjan.net, 18 de fevereiro de 2011. Em 6 de março, após os combates, as Forces nouvelles, pró-Ouattara, tomam Toulépleu a milicianos e mercenários liberianos.Les Forces Nouvelles ont pris Toulépleu, por Laurent Beugré. Le Nouveau Réveil, 7 de março de 2011. Em 13 de março, Doké é controlada pelas Forces Nouvelles.Côte d'Ivoire : La ville de Doké aux mains des forces nouvelles Lesafriques Em 21 de março, é a vez de Bloléquin,Bloléquin occupée par les Forces nouvelles - L’entrée et la sortie de Guiglo bloquées par les Fds, por Blaise Bonsie. Inter, 22 de março de 2011. após a criação das Forças Republicanas da Costa do Marfim (Forces républicaines de Côte d'Ivoire, FRCI).Côte d’Ivoire: Alassane Ouattara met en place les Forces républicaines de Côte d'Ivoire sur afriquejet.com Em 28 de março, é a cidade de Duékoué que cai.Les pro-Ouattara revendiquent la prise de Duékoué Nouvelobs Isto permite às FRCI ter acesso às estradas que levam ao porto de San-Pédro, situado a pouco mais de 300 km, na região do Bas-Sassandra, e à capital política, Iamussucro.
Em 2 de abril, a Organização das Nações Unidas responsabilizou as forças do presidente eleito, Ouattara, por pelo menos 220 das 330 mortes já confirmadas durante a tomada da cidade de Duékoué. As demais teriam sido causadas pelas tropas fiéis a Gbagbo.ONU responsabiliza presidente eleito por massacre na Costa do Marfim. O Globo, 3 de abril de 2011. No mesmo dia, a organização de assistência humanitária Caritas, ligada à Igreja Católica, informou que mais mil civis morreram durante os confrontos em Duékoué. Representantes da Cruz Vermelha estimavam em 800 o número de mortes em combates na cidade ao longo da semana.Organização católica aponta mil mortos em Costa do Marfim. Folha de S.Paulo, 2 de abril de 2011.
Generalização do conflito Em 28 de março, paralelamente à ofensiva contra Duékoué, as FRCI atacam Daloa, no centro-oeste, e Bondoukou, no leste,Sécurisation des villes du pays - Les Frci avancent, Gbagbo négocie, por Kesy B. Jacob. Nord-Sud, 29 de março de 2011. da qual assumem o controle em 29 de março.Côte d`Ivoire: les forces pro-Ouattara contrôlent Bondoukou (est). AFP, 29 de março de 2011. Em 30 de março, as tropas pró-Ouattara tomam Soubré,Les pro-Ouattara prennent Soubré. AFP, 30 de março de 2011. Tiébissou,Côte d'Ivoire : la capitale aux mains des pro-Ouattara. AFP, 30 de março de 2010. Gagnoa,Opération "restaurer la paix et la démocratie en Côte d’Ivoire" - Gagnoa, Guibéroua, Bocanda et San-Pedro aux mains des FRCI. Le Patriote, 31 de março de 2011. Guibéroua, Bocanda, San-Pédro,Romandie News, 31 de março de 2011. e finalmente entram na capital, Iamussucro.Des combattants pro-Ouattara sont entrés à Yamoussoukro. AFP, 30 de março de 2011.Côte d`Ivoire: les forces pro-Ouattara contrôlent Yamoussoukro (habitants). AFP, 30 de março de 2011.
Em 31 de março, a capital econômica do país, Abidjã, foi totalmente cercada pelas forças pró-Ouattara. Em algumas horas, muitos membros do exército e da polícia desertam, tal como o próprio chefe do estado-maior, general Philippe Mangou, que busca refúgio na embaixada da África do Sul, juntamente com sua família. As tropas ainda fiéis a Gbagbo se reagruparam em torno do palácio presidencial.Figaro 31 de março de 2011 Gbagbo teve que solicitar auxílio angolano, que enviou a tropa Unidade da Guarda Presidencial, que foi utilizada para defender a residência presidencial.
Na tarde de 11 de abril, tropas da ONU e do presidente-eleito Ouattara fizeram o assalto final ao palácio presidencial, prendendo e depondo o presidente Gbagbo, levado para um hotel em Abdijan, onde foi mantido sobre supervisão da ONU, encerrando a luta de meses pelo poder no país.
Situação humanitária
Os conflitos na Costa do Marfim provocaram o deslocamento de quase um milhão de pessoas,Près d'un million de déplacés en Côte d'Ivoire, selon le HCR. Radio-Canada.ca/Agence France Presse/ Reuters, 25 de março 2011 sobretudo provenientes do oeste do país e da comuna de Abobo. Essas pessoas se dirigem em primeiro lugar a outras áreas da Costa do Marfim, onde existem 735.000 refugiados,Réfugiés : «L’exode dans la panique», carte page 4, Libération, 1º de abril de 2011. mas também à Libéria, onde há 120.000 refugiados,Hundreds Die In Battle For Ivory Coast City. Sky.com, 2 de abril de 2011 e a vários outros países vizinhos: Gana, Guiné, Togo, Mali, Nigéria, Níger, Benim e Burquina Fasso.
Ver também Primeira Guerra Civil da Costa do Marfim
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