Moçâmedes é uma cidade e município de Angola, capital da província de Namibe. Entre 1985 e 2016, a cidade teve o mesmo nome da província, isto é, denominou-se "Namibe".

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, o município conta com uma população de habitantes e área territorial de , sendo o município mais populoso da província.

Grande centro econômico da província, é também um dos mais vitais centros logísticos da nação, congregando porto, ferrovia, aeroporto e rodovias, num grande entroncamento de transportes.

Etimologia O nome "Moçâmedes" advém do título de 1.º Barão de Mossâmedes, dado a Soares de Albergaria, administrador colonial em 1784-1790. O nome do título nobiliárquico viria do antigo Reguengo de Moçâmedes (em São Miguel do Mato, concelho de Vouzela, em Portugal), concedido pelo rei português aos familiares de Almeida e Vasconcelos.

História O primeiro nome do lugar foi "Chitoto Chobatua" (buraco dos passarinhos), dado pelos mucubais a uma aldeia de pescadores, pastores e caçadores que existia na baía do Namibe, no século XV.Azevedo, José Manuel de. A colonização do Sudoeste Angolano : do deserto do Namibe ao planalto da Huíla - 1849-1900. Salamanca: Universidade de Salamanca, 2014.

Explorações coloniais Em 1485, o local passou a chamar-se de "Mossungo Bitoto", e, em 10 de julho de 1645, passou a chamar-se "Angra dos Negros" (ou "Enseada dos Negros"), nome dado por Francisco de Souto-Maior, durante a reconquista de Angola, possivelmente em virtude do embarque de escravos feito naquela baía.Namibe: Cidade de Moçamedes completa hoje 169 anos. Portal Angop. 4 de agosto de 2018. Anteriormente, em uma expedição, em janeiro de 1486, chegaram a uma enorme baía, a baía de Porto Alexandre, onde encontraram duas grandes aldeias, a que denominaram de povoado de Angra das Duas Aldeias.Tômbua. Rede Angola. 22 de setembro de 2016. Outro nome que a cidade já teve foi de "Pequena Baía dos Peixes".

Somente no ano de 1785, durante uma expedição de supervisão da condição da povoação de Angra dos Negros, foi batizada pelo tenente-coronel Luís Pinheiro Furtado de "Baía de Mossâmedes" em homenagem a José de Almeida e Vasconcelos de Soveral e Carvalho Soares de Albergaria, 1.º Barão de Mossâmedes. A expedição, feita por Pinheiro Furtado e Gregório José Mendes, constatou que o povoado de Mossâmedes, dos pescadores herero-mucubais, estava desorganizado e praticamente abandonado.

Colonização efetiva Em setembro de 1839 o tenente João Francisco Garcia e o capitão Pedro Alexandrino da Cunha partem numa missão de reconhecimento do povoado de Mossâmedes e das zonas interiores do sul de Angola, dando relatório ao governo colonial em Luanda em dezembro do mesmo ano. Com ordens de José Travassos Valdez, 1º Conde do Bonfim e do governador-geral de Angola Manuel Eleutério Malheiro, tenente Garcia chega novamente ao povoado de Mossâmedes, em fevereiro de 1840, para erguer uma colónia penal, o que viria a ser a Fortaleza de São Fernando de Namibe (concluída em 1844). Astuto negociador, tenente Garcia convence muitos sobas hereros a mudar-se para as proximidades do canteiro de obras da Fortaleza, costurando, em 13 de agosto de 1840, um pacto de amizade e de comércio com os sobas Mossungo e Giraúl, para que as populações locais se aglomerassem no ainda efêmero povoado, que passou a contar a partir daí com oito feitorias e oito casas de negócio.

Em meio aos acontecimentos trágicos da revolução Praieira, entre 1848 e 1849, na província de Pernambuco, no Império do Brasil, parte, em 23 de maio de 1849, a barca "Tentativa Feliz" e o brigue da marinha portuguesa "Douro", com 166 luso-brasileiros a bordo, rumo a Mossâmedes, na Angola Portuguesa. Após 73 dias de viagem chegam ao destino. Outra expedição luso-brasileira viria para a localidade no ano seguinte.

Na baía do Namibe havia um rio seco, o rio Bero, que Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o líder da primeira expedição, chamou de Nilo de Mossâmedes, porque na época das chuvas a água das enxurradas invade toda a terra, trazendo os fertilizantes naturais para novas sementeiras, num microclima temperado. No dia 4 de agosto de 1849 há a fundação oficial do distrito de Mossâmedes, delimitando o povoado de Mossâmedes como sede-capital distrital, com o discurso oficial pelos representantes portugueses na presença das autoridades tradicionais, os sobas Mossungo e Giraúl. Foram erguidos alojamentos temporários no povoado para os portugueses.

No dia 5 de agosto as áreas agrícolas onde foram distribuídas, com Bernardino seguindo para Luanda no dia 16 de agosto para apresentar cumprimentos ao governador-geral. Ao retornar, em 13 de outubro de 1849, tomou posse como primeiro presidente do concelho de Mossâmedes, acumulando também a governadoria do distrito homônimo.

No dia 21 de outubro de 1849 foi feita a instalação, no Vale dos Cavaleiros, dos engenhos de açúcar de Bernardino, que aboliu ali a presença de trabalho escravo.

Até 26 de março de 1855, o Mossâmedes, que já sediava o distrito, ainda era juridicamente um povoado, quando finalmente adquiriu seu estatuto jurídico pleno para uma capital, sendo elevada a categoria de vila.Ledo, Lucas Neves Garcia. Moçâmedes: Rotas e comércio entre Brasil, Portugal e Angola na segunda metade do século XIX. ANPUH-BA: VIII Encontro Estadual de História. 2016.

Da década de 1900 à década de 1960 miniatura|200px|esquerda|Wagon de angobôeres,Clarence-Smith, W. Gervase. The Thirstland Trekkers in Angola: Some Reflections on a Frontier Society. in: The Societies of Southern Africa in the 19th and 20th Centuries. Collected Seminar Papers, XX, University of London, Institute of Commonwealth Studies, VI: 42–51. em 1908, em Moçâmedes. Em 1905 começa a construção do Caminho de Ferro de Moçâmedes, que parte do porto do Namibe (em Moçâmedes) e chega à cidade de Menongue (antiga Serpa Pinto), tendo a construção sido concluída em 1963.

Em 1907 a vila de Mossâmedes é elevada ao título de "Real Cidade de Mossâmedes" por decreto do próprio rei Carlos I de Portugal, em título entregue durante a visita à cidade do príncipe Luís Filipe. Com a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1945, a grafia do nome da cidade altera-se para "Moçâmedes".

Período das guerras Nos acontecimentos que antecederiam a independência de Angola, a UNITA, com o apoio da Força de Defesa da África do Sul, durante a Operação Savana, invade e ocupa Moçâmedes, expulsando o MPLA. Como contra-resposta, o MPLA, com apoio das Forças Armadas de Cuba, lançam a Operação Carlota, retomando o controle da cidade entre 1975/1976.

Em 5 de abril de 2001 uma calamitosa enchente atingiu a cidade, na cheia do rio Bero, com muitos populares perdendo entes queridos e propriedades, tendo os sobreviventes sido encaminhados para a área antes desértica do distrito urbano de Forte de Santa Rita, que tornou-se um setor de expansão de Moçâmedes.Cheias do 5 de Abril em Moçâmedes, uma data para não esquecer. Portal Angop. 5 de abril de 2018.

Pós-guerra civil

Em 2013 a cidade sediou, em conjunto com Luanda, o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, o primeiro do género em África.

O município, a cidade e a comuna-sede chamavam-se Namibe até junho de 2016 quando, por um decreto-lei de 27 de junho de 2016, o nome voltou a ser "Moçâmedes".

Geografia O município de Moçâmedes é limitado a norte pelo município de Baía Farta (província de Benguela), a leste pelos municípios de Camucuio, Bibala e Virei, a sul pelo município de Tômbua e a oeste pelo Oceano Atlântico.

Clima Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, praticamente todo o território municipal moçamedense está incluído no clima desértico quente (BWh). Apesar do clima desértico, pelo menos no litoral municipal a corrente de Benguela modifica esta realidade. A temperatura média da cidade de Moçâmedes é de 23 °C sendo as temperaturas baixas na estação seca e altas na estação do cacimbo. Os meses de março e maio são onde ocorrem com maior frequência as chuvas. Já junho e julho são os meses mais frios, com eventuais geadas. Os meses mais quentes são dezembro, janeiro e fevereiro, onde a variação térmica vai dos 8 °C aos 32 °C.

Hidrografia A cidade de Moçâmedes tem nas suas proximidades o rio Bero que se encontra seco na maior parte do ano. O rio separa a Zona Norte da cidade, onde estão os bairros do Sacomar, Cambongue e Juventude.

Outros rios extremamente relevantes para o município são o Giraul, subdivido em dois sistemas (Giraul de Cima e o Giraul de Baixo), cujo leito e, principalmente as suas margens, servem de suporte à prática de agricultura.Caminho de ferro com nova ponte sobre o rio Giraúl. Jornal de Angola. 29 de maio de 2011.

Relevo O relevo do município moçamedense é afetado, principalmente, pela faixas setentrionais do deserto do Namibe, pelo planalto de Moçâmedes e pelo deserto planáltico de Moçâmedes (ou deserto de Bentiaba) — os dois últimos acidentes geográficos são zonas de tranzição entre a cordilheira da Chela e o litoral.Agência Geral do Ultramar Português. Angola: Deserto de Moçâmedes. Angola: [s.d.].

Proteções litorais

O litoral moçamedense têm como principal referencial a baía do Namibe, tendo uma extensão de 38 quilómetros, com um total de 15 praias, sendo cercado pelas pontas do Giraul e Noronha. O rio Bero deságua na baía do Namibe. Outros referenciais do município são as baías das Luciras, de Bentiaba, das Matilhas e das Salinas.Gazetteer of Angola - Names Approved by the United States Board on Geographic. Washington: Defense Mapping Agency, 1986. 20 ed. pg. 480.

Subdivisões O município constitui-se pela comuna de Moçâmedes, que é equivalente a própria cidade de Moçâmedes, e pelas comunas de Lucira e Bentiaba.

Já a cidade de Moçâmedes era constituída somente por bairros. Mas com a expansão urbana foram criadas áreas habitacionais distantes dos centros, formadoras de novas centralidades geo-econômicas. A cidade é composta pelos distritos urbanos de Forte de Santa Rita, Sacomar, Aida e Centro; que por sua vez, subdividem-se em bairros. Moçâmedes subdivide-se em quatro zonas:

Distrito urbano do Sacomar - Zona Norte É a segunda maior em área e a terceira em população e seus principais bairros são: Sacomar, Cambongue, Juventude e Giraul de Cima, além destes possui outros pequenos bairros.

Distrito urbano de Forte de Santa Rita - Zona Sul É a maior em área e em população, composto pelos bairros de Forte de Santa Rita, 5 de Abril, Aeroporto, Praia Amélia, Mandume ya Ndemufayo, Cassange, Quatro e Meio e muitos outros menores.

Distrito urbano de Aida - Zona Leste É a menor em área e em população, devido a sua proximidade ao rio que corta a zona e aos desnivelamentos nos terrenos. É composta pelos bairros da Aida e Giraul de Baixo e pequenas aglomerações.

Distrito urbano do Centro - Zona Central A terceira maior em área e a segunda em população, onde encontram-se grande parte dos edifícios públicos, a parte histórica da cidade. Seus bairros são Torre do Tombo, Platô, Saíde Mingas, Facada, Espírito Santo (ou Heróis de Mucaba), Bairro dos Corações, Ponta de Noronha, Zona Portuária, Muinho e Eucaliptos.

Política 200px|thumb|esquerda|Sede do Governo Provincial do Namibe, em 2015. Sede administrativa de uma das regiões mais extremas da nação, o município de Moçâmedes é gerido por um Câmara de Vereadores, que tem como gestor principal o presidente, que é o chefe de governo da municipalidade. A Câmara pode nomear os chefes de cada comuna.

Capital provincial A cidade e município do Moçâmedes têm o estatuto de capital da província do Namibe, por isso mesmo, abriga a sede das secretarias e autarquias de governo e outras instituições administrativas, além do Gabinete do Governador, junto ao Palácio Provincial do Namibe.Capital ganha novos empreendimentos. Portal de Angola. 27 de agosto de 2012.

Os organismos de representação provincial do Governo da República de Angola também têm sede na cidade.