Laudelino de Xangô (RJ, ?? – RJ, 1988), filho de Astrogildo dos Santos e Dolores dos Santos, foi sacerdote igbomina malê e adifá do Axé Obá Ibô.
Iniciação e sacerdócio Laudelino dos Santos recebeu de seu sacerdote, o adifá Arnaldo Babaribô, o orucó Lọ́ṣemojú Fadúrè (Loxemoju — “o dono do machado que nos reconhece pelo olhar”) — juntamente com os ensinamentos da religiosidade malê igbomina. Teve como ojubonã (mãe criadeira e irmã de santo) Maria Sabina dos Santos, conhecida como Sabina de Omolu, a quem reconhecia como mãe sacerdotalPENNA, 2001, p. 15..
Morou no Morro do São Carlos, no Estácio, e trabalhou no cais do porto, na Pedra do Sal, onde conheceu seu sacerdote e foi iniciado religiosamente, por volta dos dezessete anos. Alguns anos após a iniciação para Xangô, mudou-se para São João de Meriti, onde fundou seu templo religioso.
Assim como seu sacerdote e sua linhagem africana, Laudelino era filiado. Segundo os mais velhos, manteve fidelidade aos ensinamentos africanos que havia recebidoLaudelino pertencia ao ramo religioso afro-brasileiro de Marcolina da Cidade da Palha, sua bisavó de santo.. Ainda assim, quando insistentemente perguntado sobre sua filiação religiosa, costumava afirmar pertencer ao Axé Obaribô, também conhecido como Axé do Baixão (antigo Matatu Grande, onde se localizava o Ilê Ogunjá, em Salvador, templo de seu avô de santo).PENNA, 2008, p.17.
O templo religioso Ilê Xangô Ogodô, do qual Laudelino Loxemoju era sacerdote (aboré), situava-se na antiga Estrada de Minas (atual Avenida Getúlio de Moura), esquina com a Rua Maria Lucinda, no bairro Vila Tiradentes, em São João de Meriti, Rio de Janeiro.
Laudelino viveu com Zilda Gomes da Silva, conhecida como Oiassemi de Oiá Bagã (“Oiá me fez viver”), descendente religiosa do senhor Neres (Àse Boca Rica, Nagô Xambá) e de Wilson Bandeira Branca (Fatemi). Laudelino e Zilda adotaram uma criança conhecida como Lúcia de Oiá, posteriormente casada com Waldir de Oxum, iniciado na casa de Zé Macuco, filho de santo de Tata Fomotinho.
Inatividade do sacerdócio O último noviço iniciado por Laudelino foi um menino de Oxalufã, em 1967. Por motivos de ordem pessoal e religiosa, o templo Ilê Xangô Ogodô tornou-se inativo a partir de setembro daquele mesmo ano, por determinação de Xangô."Sete Flechas, um caboclo de Penna" - 2010 (youtube - documentário)
Após a orientação de seu eborá, Laudelino passou a realizar toques de Umbanda e Omolocô na Curva do S, em São João de Meriti. Nesse período, tornou-se mais conhecido como Laudelino de Arranca-Toco, entidade que passou a manifestar-se como única forma de possessão permitida após a determinação de Xangô.
Falecimento Em 1988, o adifá Laudelino Loxemoju Fadurê faleceu na casa onde residia, na Rua Guimarães, no bairro Vila Tiradentes, em São João de Meriti.
Cerca de uma semana antes de sua morte, em 28 de novembro, durante um candomblé na casa de um conhecido, Ogodô manifestou-se na apresentação de um noviço em um candomblé vizinho — fato significativo, já que Laudelino não recebia a possessão de seu eborá havia vinte e um anos.
Axé Obá Ibô Juntamente com o aboré Antônio Penna de Obatalá, Laudelino Loxemoju Fadurê foi idealizador do registro oficial do Axé Obá Ibo, tornando-se o primeiro sumo sacerdote dessa confraria religiosa igbomina no Brasil.
Bibliografia PENNA, Antonio dos Santos. Mérìndilogun Kawrí - Os Dezesseis Búzios. Rio de Janeiro: A. Santos Penna, 2008. PENNA, Antonio dos Santos. Èjì Ogbè Áwon Àmúlù - Èjìonile e suas combinações. Rio de Janeiro: A. Santos Penna, 2003. PENNA, Antonio dos Santos. Èjì Ologbon e suas combinações - Òyèkú Àwon Àmúlù. Rio de Janeiro: A. Santos Penna, 2007. PENNA, Antonio dos Santos. Mérìndilogun Kawrí - Os Dezesseis Búzios. Rio de Janeiro: A. Santos Penna, 2001. PENNA, Fábio Rodrigo. Um confraria dos igbominas no Brasil. Rio de Janeiro. F. R. Penna, 2011. Base textual desse artigo.
Categoria:Sacerdotes de religiões afro-brasileiras