Jaime Martins Barata (Santo António das Areias, Marvão, 7 de março de 1899 – Campolide, Lisboa, 15 de maio de 1970) foi um artista plástico português. A sua obra numerosa inclui ilustração (especialmente ilustração histórica), pintura de cavalete, pintura de grande dimensão, desenho de selos e moedas, e outros.

Infância Pouco depois de nascer, na Herdade do Pereiro, em Santo António das Areias, a família de Martins Barata mudou-se para Nossa Senhora da Graça de Póvoa e Meadas, em Castelo de Vide, terra que Martins Barata sempre considerou como terra de origem e onde foi batizado. O pai, José Pedro Barata, natural de Nisa (freguesia de Alpalhão) e administrador da Herdade do Pereiro, morreu em 1904. A mãe, Antónia de Jesus Martins, natural de Mação (freguesia de Cardigos) e professora da instrução primária em Alpalhão, reconheceu no filho Jaime um aluno promissor e mudou-se para Lisboa em 1910. Aí Jaime frequentou o Liceu da Lapa (que a partir de 1911 passaria a chamar-se Lyceu Central de Pedro Nunes).

Carreira Em linhas gerais, Martins Barata distinguiu-se como ilustrador, em particular ilustrador histórico ("como que foi Fernão Lopes"). No entanto, é possível distinguir aspectos e períodos concretos da sua carreira profissional: a pintura de cavalete, que começou muito jovem; o ensino, nomeadamente como professor do liceu de 1921 a 1947; a ilustração, como actividade profissional, que iniciou durante os anos 1920 e continuaria, de uma forma ou outra, ao longo da vida; a pintura de grandes dimensões, começando com a colaboração na Exposição do Mundo Português; o desenho de selos, notas e moedas, incluindo a função de Consultor Artístico dos CTT de 1947 a 1969; e diversas outras actividades (e.g., arqueologia naval). As secções que seguem documentam cada um destes aspectos.

Professor liceal Terminado o liceu, Martins Barata ingressou na Escola Normal Superior com intenção de ser professor de matemática. Indeciso quanto ao futuro, foi também admitido no Instituto Superior de Comércio (depois ISCEF) com o intuito de se tornar economista. No entanto, o contacto com o meio artístico, e possivelmente a influência do colega e amigo José Leitão de Barros, levariam Martins Barata a seguir a carreira de professor de desenho. Leccionou nos liceus de Pedro Nunes, Mouzinho da Silveira (Portalegre), Bocage (Setúbal), Gil Vicente (Lisboa), e Passos Manuel (Lisboa).

Enquanto professor liceal, foi autor de uma dissertação sobre trabalhos manuais, bem como dois manuais: Elementos de História da Arte (com Leitão de Barros) e Elementos de Desenho (com Luíz Passos). Em 1940, pediu equiparação a bolseiro (licença sem vencimento) com vista a ocupar-se da pintura dos painéis da Escadaria Nobre do Palácio de São Bento. Em 1947, quando foi nomeado Consultor Artístico dos CTT, deixou a carreira de professor do liceu definitivamente.

Pintura de cavalete miniaturadaimagem|Homem e Burro (1923), aguarela sobre papel Como aluno do liceu, Martins Barata já mostrava aptidão especial para a pintura, sendo então a aguarela o seu meio de expressão preferido. Cedo se notabilizou nas exposições anuais da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde recebeu as medalhas de 3ª, 2ª e 1ª classes em aguarela, e 2ª em gravura. "Na aguarela procurava uma solidez, uma construção e um «peso» evocador da rudeza granítica de Póvoa e Meadas, que deram um carácter torturado e agreste a um processo usualmente entendido como leve e transparente. A pintura de Zuloaga terá tido a sua parte de influência no modo de exprimir o ambiente do interior alentejano, e nas figuras densas e opacas que o povoam."

Mais tarde, já trabalhando em obras de grande dimensão, viria a produzir múltiplos estudos preparativos. Para este efeito, explorou uma variedade de novas técnicas de pintura. "Nas técnicas mistas, de óleo e de têmpera, que convidam a uma construção lenta e pensada, encontrou o veículo para a expressão densa a que tinha antes submetido a aguarela." Ilustração Em colaboração com José Leitão de Barros e outros, durante os anos 1920 Martins Barata lançou-se no jornalismo, incluindo o fotojornalismo (então uma actividade incipiente), a impressão (foi co-fundador da Ocogravura, uma oficina de rotogravura), e principalmente a ilustração de publicações como ABC, ABCzinho, Domingo Ilustrado, Notícias Ilustrado, Música, Inventário de Lisboa. miniaturadaimagem|Lisboa Mourisca (1947), têmpera sobre tela (63x83cm). Ilustração em Lisboa, Oito Séculos de História A actividade de ilustração continuaria durante toda a vida de Martins Barata, e estender-se-ia a muitas outras áreas, incluindo livros, jornais, postais, cartazes, letreiros, etc. Entre esta obra muito extensa e dispersa, e como tal difícil de catalogar, merecem especial menção as ilustrações de Lisboa, Oito Séculos de História, trabalho que contou também com a colaboração gráfica de Almada Negreiros. À semelhança desta obra, o trabalho de Martins Barata refere-se com frequência à evocação histórica ou à cidade de Lisboa. Alguns exemplos: Os Lusíadas (edição de João de Barros); A Vida do Infante Santo (José de Esaguy); Crónica do Condestável de Portugal (adaptação de Jaime Cortesão); Peregrinações em Lisboa (Norberto de Araújo); Legendas de Lisboa (Norberto de Araújo).

Obras de grande dimensão miniaturadaimagem|Tríptico As Cortes de Leiria (1944), óleo sobre tela A Exposição do Mundo Português de 1940 mobilizou um grande número de artistas (arquitectos, pintores, escultores, etc). Martins Barata foi convidado a pintar dois grandes painéis no Pavilhão de Lisboa (projecto de Luís Cristino da Silva), sendo esta a primeira obra de grande dimensão de Martins Barata. Fernando de Pamplona escreveu que "no Pavilhão de Lisboa" o Mestre revelou "extraordinários dotes para a composição histórica", acrescentando que estas "obras notáveis de pintura a cera" foram "uma das grandes, e belas, e reconfortantes surpresas da Exposição".

Na sequência de um fogo que destruiu parcialmente o Palácio de São Bento, uma extensa obra de reconstrução teve lugar, entre 1895 e 1935, seguindo o projecto inicial de Ventura Terra depois completado com as contribuições de António Lino da Silva e Cristino da Silva. Em paralelo, foram encomendadas várias pinturas decorativas para os espaços do Palácio, atraindo assim o talento de Columbano Bordalo Pinheiro, João José Vaz, Benvindo Ceia, Acácio Lino, Lino António, António Soares, Adriano Sousa Lopes, Domingos Rebelo, e Joaquim Rebocho. Martins Barata foi convidado para decorar a Escadaria Nobre, trabalho que concluiria em 1944. Sobre esta obra, Artur Portela escreveu que "Martins Barata, que, ontem, era um grande aguarelista, é hoje, graças a esta obra, um mestre da pintura histórica". No seguimento destas obras (para a Exposição de 1940 e para a Assembleia Nacional), Martins Barata foi agraciado com o grau de Comendador (1941) e Grande-Oficial (1944) da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. miniaturadaimagem|Batalha dos Atoleiros (1966), buon fresco Nas décadas seguintes, Martins Barata viria a executar várias outras pinturas de grande dimensão, na sua maioria encomendas estatais. Cortes de Almeirim (1954) inicia um ciclo de dez grandes painéis em buon fresco, "cuja técnica aprofundou com a prática de mais de 400 metros quadrados, executados sempre inteiramente por sua mão sem qualquer ajudante pintor",Martins Barata, Màmía (1972), Biografia de Jaime Martins Barata. Lisboa. https://tribop.pt/18J/18J-11-Bio2.html#BioMERG Visitado 12 Julho 2024. um esforço de duas décadas "em que veio a atingir o coroamento da sua evolução". Entre estas obras em buon fresco, o próprio Martins Barata mostrou particular preferência por Batalha dos Atoleiros (1966). +Obras de grande dimensãoAnoTítuloTécnicaLocalização19401. Conquista da Cidade por Afonso Henriques e os Cruzados. 2. Cerco dos Castelhanos tempo de D. João Ióleo sobre telaPavilhão de Lisboa, Exposição do Mundo Português1944Cortes medievais: 1. Evocação das Cortes de Leiria, em 1254, com D. Afonso III. 2. Evocação das Forças Vitais da Nação Portuguesa Século XV.óleo sobre telaEscadaria do Palácio de São Bento19451. Dramaturgos. 2. Músicosóleo sobre telaÁtrio do Conservatório Nacional1947Lisboa, Oito Séculos de Históriaóleo sobre telaTelas para ilustração do livro1949Os Descobrimentos: 1. Infante D. Henrique. 2. Chegada de Vasco da Gama a CalicutetapeçariaForte de São Julião da Barra1951Nossa Senhora de Fátimabuon frescoTransepto da basílica de S. Eugénio (Roma)19521. Madame Curie. 2. Alegoria ao IPO. 3. Röentgenmural a secoÁtrio do Instituto Português de Oncologia1954Cortes de Almeirimbuon frescoPalácio de Justiça de Santarém1956D. Pedro de Menezes Recebe o Aleobuon frescoPalácio de Justiça de Vila Real1956Sagrado Coração de Jesusmural a secoNa Igreja de S. Tiago da Covilhã1956Episódios da História do Tribunal de Contasóleo sobre telaSalão nobre do Tribunal de Contas (Lisboa)1959O Bom Pastorbuon frescoCapela do Instituto de S. José (Vila do Campo, Viseu)1959Chegada de D. João IVbuon frescoPalácio de Justiça do Montijo1959Procissão de Corpus Christi I e IIóleo sobre telaMinistério das Corporações (presentemente na sala de entrada do Recolhimento de Santos-o-Novo)19611. Casamento de D. João I. 2. Embarque para Ceutabuon frescoPalácio de Justiça do Porto1961Gonçalves Zarcoóleo sobre telaNavio Funchal1961VitralvitralBasílica do Sameiro1962José Estêvãobuon frescoPalácio de Justiça de Aveiro1962Tapeçaria sem títulotapeçariaPalácio de Justiça do Funchal1963Viagem do caíque Bom Sucessobuon frescoPalácio de Justiça de Olhão1963Moisésóleo sobre telaPalácio de Justiça de Gouveia1964Afonso de Albuquerquebuon frescoPalácio de Justiça de Vila Franca de Xira1964O Fomento Ultramarino e a Metrópoleóleo e cera sobre madeiraSede do Banco Nacional Ultramarino (Lisboa)1964Cortes de LamegotapeçariaPalácio de Justiça de Lamego1966Torneio dos Doze de Inglaterrabuon frescoPalácio de Justiça de Seia1966Batalha dos Atoleirosbuon frescoPalácio de Justiça de Fronteira1966Sagrado Coração de Jesusbuon frescoCapela da Casa-Museu Nogueira da Silva (Braga)1966ViriatotapeçariaPalácio de Justiça de de Oliveira do Hospital1968S. João Baptistabuon frescoBaptistério da Igreja paroquial de Póvoa e Meadas1968O Juízo Finalbuon frescoPalácio de Justiça de Castelo Branco1969O Decepadobuon frescoPalácio de Justiça de Vila Pouca de Aguiar1970O Mestre de Avisbuon frescoPalácio de Justiça de Lisboa Selos, notas e moedas miniaturadaimagem|Selo "Caravela" (1943) miniaturadaimagem|Selo Autoridade de D Dinis (ou "Cavalinho") (1953) Em 1938, Martins Barata foi convidado para desenhar um selo comemorativo da Exposição do Mundo Português(selo que seria publicado em 1940). A boa experiência com este trabalho levou os CTT a encomendar outras emissões, bem como contratar Martins Barata como consultor, primeiro de forma temporária e, a partir de 1947, como o primeiro Consultor Artístico dos CTT, posição que ocuparia até atingir a idade de reforma (70 anos), em 1969. +Emissões filatélicas da autoria de Jaime Martins BarataAnoTítuloNº selos diferentes1940Exposição do Mundo Português11943 e 1948Caravela119442º Centenário de Félix Avelar Brotero21945Navegadores Portugueses81945Centenário da Escola Naval11946Centenário Banco de Portugal119463º Centenário da Padroeira de Portugal119478º Centenário da Tomada de Lisboa119483º Centenário de S. João de Brito21949Congresso de História de Arte11950Ano Santo119504º Centenário de S. João de Deus11951Encerramento do Ano Santo219515º Centenário do Povoamento da Ilha Terceira119523º Aniversário da OTAN119528º Campeonato Mundial de Hóquei em Patins11952Centenário de Gomes Teixeira11953 e 1955Autoridade de D. Dinis (“Cavalinho”)119535º Centenário da Princesa S. Joana11953Centenário do Selo Postal Português ("D. Maria")11954Aniversário da Secretaria do Estado da Fazenda119544º Centenário da Fundação da Cidade de São Paulo11956Dia da Mãe11957Almeida Garrett11958Rainha Santa Isabel e São Teotónio21969Centenário de Vasco da Gama4