Tetratiomolibdato de amónio é o composto químico com fórmula [NH4]2MoS4. Este sal de amónio vermelho vivo é um reagente importante na química do molibdénio e tem sido usado na química bio-inorgânica. O anião tiometalato tem a propriedade distintiva de sofrer oxidação nos centros de enxofre concomitante com a redução do metal de Mo(VI) para Mo(IV).
Preparação e estrutura O sal contém o anião tetraédrico [MoS4]2-. O composto é preparado tratando soluções com molibdato, [MoO4]2- com sulfureto de hidrogénio na presença de amónia: [NH4]2[MoO4] + 4 H2S → [NH4]2[MoS4] + 4 H2O 100px||thumb|left|O anião [MoS4]2-.
Reações O anião é também um excelente ligando. Por exemplo, com fontes de Ni(II), forma [Ni(MoS4)2]2-. Muita da química do tiomolibdato resulta de estudos sobre sais de catiões orgânicos quaternizados, tais como [NEt4]2[MoS4] e [PPh4]2[MoS4] (Et = C2H5, Ph = C6H5). Estes sais orgânicos são solúveis em solventes orgânicos polares como a acetonitrila e dimetilformamida.
A descomposição térmica de [NH4]2[MoS4] produz trissulfureto de molibdénio (MoS3), amónia (NH3) e sulfureto de hidrogénio (H2S), entre 155 °C e 280 °C
(NH4)2(MoS4) → MoS3 + 2 NH3 + H2S
MoS3 decompõe-se então em dissulfureto de molibdénio (MoS2) num intervalo de temperaturas bastante amplo dos 300 °C aos 820 °C. PA decomposição perfeita em MoS2 sob gás inerte requer pelo menos 800°C segundo a reação seguinte,
MoS3 → MoS2 + S
mas também pode ser obtida a 450°C, se existir hidrogénio suficiente.
MoS3 + H2 → MoS2 + H2S
Compostos relacionados São conhecidos vários tio- e seleno- aniões incluindo (A = catião de metal alcalino, [PPh4]+, [NEt4]+): A3[VS4] A3[NbS4] A3[TaS4] A2[MoSe4] A2[WS4] A2[WSe4] A[ReS4] Entre os aniões tetraédrios mais complexos incluem-se A2[MoS4-xOx] e A2[WS4-xOx].
Usos O tetratiomolibdato de amónio foi inicialmente usado terapeuticamente no tratamento da toxicose do cobre em animais. Foi depois apresentado como um tratamento para a doença de Wilson, uma doença hereditária do metabolismo do cobre, em humanos; age competindo com a absorção de cobre nos intestinos e ao aumentar a excreção. Descobriu-se possuir também um efeito inibitório sobre a angiogénese, provavelmente por via da inibição do processo de translocalização da membrana dependente do ião Cu envolvendo uma via de secreção não clássica. Tal torna-o um interessante objeto de investigação como tratamento do cancro, degeneração macular relacionada com a idade, e outras doenças que apresentem deposição excessiva de vasos sanguíneos.
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