miniatura|Calçamento de pedra é característico na área Largo do Pelourinho (apelidado como Pelô e oficialmente Praça José de Alencar) é um logradouro do bairro do Centro Histórico em Salvador, município capital do estado brasileiro da Bahia. Por extensão, seu entorno até o Terreiro de Jesus também é conhecido como Pelourinho e configura parte do Centro Histórico de Salvador (CHS), área protegida e reconhecida como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por seu conjunto arquitetônico colonial barroco brasileiro preservado.

O termo pelourinho se refere a uma coluna de pedra, localizada normalmente ao centro de uma praça, onde criminosos eram expostos e castigados. No Brasil Colônia, porém, era principalmente usado para castigar pessoas escravizadas, mas também libertas. Oficialmente, leva o nome de José de Alencar, escritor indianista (autor da trilogia formada pelos romances O Guarani, Iracema e Ubirajara), ministro da Justiça no Segundo Reinado e defensor da escravidão no Brasil.

História A história do entorno do largo tem sua origem na expansão inicial urbana de Salvador, logo, está ligada à história da própria cidade, fundada em 1549 por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, que escolheu a área da atual Praça Thomé de Souza por sua posição estratégica — no alto, próximo ao porto e com uma barreira natural constituída por uma elevação abrupta do terreno, verdadeira muralha de até noventa metros de altura por quinze quilômetros de extensão, facilitando a defesa da cidade. A construção do Colégio dos Jesuítas, da Antiga Sé da Bahia e do templo jesuítico que originou a atual catedral da cidade fora da área murada, para além da Porta Norte, fomentaram a expansão urbana em direção ao Largo do Pelourinho. No século XVII, a administração colonial então determinou a construção de nova proteção, a Fortaleza de Santa Catarina (segunda Porta Norte), na área do Pelourinho para defesa contra invasões neerlandesas e francesas naquele ponto da garganta do Taboão, em que havia estreita faixa de terra próximo ao mar. Com a muralha derrubada em 1790 e o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, de 1808, os casarões do Pelourinho começaram a ter tamanhos maiores.

Fazia parte da freguesia da Sé e era eminentemente residencial, onde se concentravam as melhores moradias até o início do século XX e como centro comercial e administrativo. A partir dos anos 1950, o entorno do Largo do Pelourinho sofreu um forte processo de degradação, com a modernização da cidade e a transferência de atividades econômicas para outras regiões da capital baiana, o que transformou aquela região do Centro Histórico em uma zona pouco valorizada mas tornando-se moradia popular e palco da cultura negra da cidade. Esta mudança demográfica que transformou o entorno do Largo do Pelourinho em território negro ao decorrer do século XX deu origem aos grupos culturais e comunitários sediados no bairro que se transformaram nos anos 1980 e 1990 em atores políticos importantes para a redemocratização brasileira, a exemplo do Olodum.

A partir do início da década de 1990, a área do Largo foi o cerne do processo de revitalização do Centro Histórico, com a desapropriação dos moradores para a instalação de bares, lojas, pequenos comércios, escolas e recuperação de fachadas e prédios.

Nesse período, o cantor estadunidense Michael Jackson gravou, no Largo em 1996, com a banda Olodum o clipe da canção They Don’t Care About Us, com direção do cineasta estadunidense Spike Lee. Durante as gravações, o cantor subiu em um dos casarões, o qual foi posteriormente alugado pelo comerciante Carlos Alberto, ficou conhecido como "Casa de Michael Jackson" e teve sua varanda transformada em ponto de visitação turística com imagem de Jackson mantida no local até 2026, quando foi fechado o espaço.

miniatura|centro|300px|Vista para o alto do largo, onde está o casarão azul da Fundação Casa de Jorge AmadoA partir do filme de 2007 Ó Paí, Ó, dois imóveis localizados na parte mais baixa do Largo ficaram conhecidos. Um deles corresponde ao cortiço onde, segundo a ambientação cinematográfica, moravam boa parte dos personagens. O outro, ao então Bar e Restaurante Ceará, que passou a ser conhecido pela personagem ficcional proprietária dele (Bar de Neusão) e foi cenário de uma das cenas clássicas do filme em que vários personagens dançam ao som de I miss her, do Olodum.

Referências na cultura Menino do Pelô, canção de Daniela Mercury e Olodum. Protesto do Olodum, canção do Olodum. Ladeira do Pelô, canção do Banda Mel. Ó paí, ó, filme de Monique Gardenberg. Gravação do videoclipe da canção Me Gusta, de Anitta. Gravação, em 1996, do videoclipe da canção They Don't Care About Us, de Michael Jackson. Gravação do videoclipe da canção Mal Acostumbrado, de Julio Iglesias. Gravação do videoclipe da canção The Obvious Child, de Paul Simon. Haiti, canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ao Vivo no Pelourinho, álbum do Babado Novo. Gravação do videoclipe da canção Apaixonadinha, de Marília Mendonça com a participação de Léo Santana e Didá Banda Feminina para o álbum Todos os Cantos.

Ver também Fundação Casa de Jorge Amado Museu da Cidade Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos Portas do Carmo Casa do Benin Lista de praças de Salvador Turismo na Bahia Escravidão no Brasil Freguesia da Sé

Ligações externas

Pelourinho Cultural, página mantida pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) do Estado da Bahia.

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