Os hamedânidas () foram uma dinastia de emires árabes que reinou na Síria e no norte do Iraque entre 890 e 1004. Foi fundada por Hamedane ibne Hamadune, que lhe deu o nome e que foi nomeado governador da (atualmente parte da Turquia) em 890 pelos califas abássidas de Bagdade.

História A dinastia foi fundada por oficiais abássidas em 890, que se reclamavam descendentes da tribo cristã dos taglibitas. De tendência xiita, foram reconhecidos como emires pelo califa Almoctafi . O seu nome provém de Hamedane, que em 868 combateu na Alta Mesopotâmia (Jazira) no exército do califa Almutâmide.

thumb|300px|esquerda|Mapa dos territórios hamedânidas

A dinastia teve dois ramos, um com capital em Alepo, e outro com capital em Moçul. O estendia-se pela região da capital e ao longo da margem esquerda do Rio Tigre, mas tentou expandir o seu poder no Azerbaijão e na Arménia a partir de 935. O Emirado de Alepo, que cobria a Síria do norte e a cidade de Diarbaquir, se bem que formalmente dependente do de Moçul, na prática era independente.

O membro mais célebre da dinastia foi (ou Abu Alhaija), que foi nomeado governador abássida de Moçul em 905 e governador de Bagdade em 914. Em 929, Abedalá participou numa revolta conduzida pelo general Munis Almuzafar, que tinha como objetivo derrubar o califa Almoctadir e substituí-lo pelo seu irmão Alcair. Abedalá é morto quando tenta proteger Alcair.

O filho de Abedalá, Haçane (lacabe [epíteto]: Nácer Adaulá; "Defensor do Estado") estabeleceu a sua autoridade durante sete anos, de 929 a 936, sobre Jazira, a partir de Moçul. Para obter o título de Nácer Adaulá, manda assassinar o grande emir (emir de emires) ibne Raique. O seu irmão mais novo, Ali, obtém o título de Ceife Adaulá ("Espada do Estado"), mas por se ter revelado um tirano, é deposto por um membro da sua família. A vida do emirado de Moçul é muito precária, devido aos conflitos com os buídas e às ameaças dos bizantinos, que se enfrentaram com Ceife nas décadas de 930 e 940 (sob o comando de João Curcuas) e em 974 atacaram a Mesopotâmia. Além disso, os hamedânidas combateram contra os (Banu Ucail) e os curdos .

upright=0.85|thumb|Cidadela de Alepo

Houve um líder hamedânida renegado — Tuzune — que na prática chegou a governar o Califado Abássida em 942, mas apenas durante um ano, antes de ser destituído pelos seus oficiais. Durante a domínio de Tuzune em Bagdade, o califa Almutaqui esteve refugiado em Moçul.

O emirado de hamedânida de Moçul não sobreviveu à morte do seu líder Abu Taglibe. Em 1002, os hamedânidas são derrotados pelos bizantinos, que conquistam Antioquia e posteriormente também Alepo. Em 1004, são depostos pelo Califado Fatímida.

Legado Os dois emirados hamedânidas acolheram e protegeram numerosos poetas e filósofos, como Almotanabi e Abu Firas Alhamedani, este último ele próprio um hamedânida. Esta forma de mecenato intelectual contribuiu notavelmente para o prestígio da dinastia.

Emires hamedânidas

Hamedane ibne Hamedune (868-874), fundador da dinastia Huceine ibne Hamedane (916-918), nascido em 895

Emires de Jazira (Alta Mesopotâmia, Moçul) , governador de Moçul, Jazira e Diarbaquir e emir dos mesmos territórios entre 923 e 929. Nácer Adaulá (929-967 ou 969) (969-979 ou 967-980) (981-991) (989-997) (989-997)  Emires de Alepo Ceife Adaulá (945-967), nascido em 916 Sade Adaulá (967-991) Saíde Adaulá (991-1002) (1002–1004) (1004)

Banu Lulu Abu Maomé Lulu Alquibir (1004-1009) Murtada Adaulá Almançor, emir de Alepo (1009-1015)

Bibliografia

Dinastia hamedânida