A Turismo Carretera (TC), é uma categoria de stock car disputada na Argentina. Considerada a mais importante categoria de automobilismo da Argentina, a TC foi criada em 1937, como Campeonato Argentino de Velocidade pelo Automóvel Clube Argentino (ACA). A TC é o campeonato de automobilismo mais antigo do mundo, sendo disputado desde 1937, sendo só interrompido entre 1943 a 1946.

Seu nome atual (que começou a ser utilizado em 1937), é a conjunção do termo turismo, dos carros utilizados, e do termo em espanhol carretera, que significa estrada, devido a serem os lugares onde se disputava as corridas da categoria inicialmente. Na década de 90, as corridas em estradas terminaram, sendo a categoria somente disputada em autódromos.

Ao longo das décadas, os carros utilizados na TC se tornaram de stock cars para bolhas de corrida. Hoje se usam bolhas similares aos carros argentinos dos anos 70, como o Chevrolet Chevy, Dodge GTX, Ford Falcon e IKA Torino, além do Toyota Camry, lançado em 2022 na TC.

História Era Clássica As origens da TC tem lugar nos anos 30, mais exatamente em 20 de junho de 1937, quando foi autorizado pelo Automóvel Clube Argentino (ACA), a criação do Campeonato Argentino de Velocidade. O regulamento desse campeonato estipulava a participação somente de carros fechados com motorização original. As etapas deveriam ter 1000 km de extensão, passado por diversas estradas em toda a Argentina a velocidades acima de 120 km/h.

A primeira edição do torneio teria somente três etapas, sendo a primeira delas, vencida por Ángel Lo Valvo (usando o pseudônimo "Hipómenes"), aos comandos de um Ford V8 Coupé. Ao final da temporada, se sagraria campeão Eduardo Pedrazzini, também pilotando um Ford V8 Coupé. Em 1938, o torneio foi repetido e Ricardo Risatti I se sagrou campeão, também a bordo de um Ford V8 Coupé. esquerda|miniaturadaimagem|Ricardo Rissati I no Gran Premio Internacional de 1938, com um Ford V8 Coupé Em 1939, a ACA decidiu criar o Campeonato Argentino de Carretera, no qual se disputaria simultaneamente ao Campeonato Argentino de Velocidade. Esses títulos seriam unificados para o ganhador do torneio. A unificação do termo turismo, dos carros utilizados, e do termo em espanhol carretera, que significa estrada, deu origem a um novo nome para o torneio, dando início ao Turismo de Carretera (que se tornaria no futuro, Turismo Carretera). Nesse torneio, houve cinco etapas, se sagrando campeão Ángel Lo Valvo, aos comandos de um Ford V8 Coupé.

A década de 40 foram tempos difíceis para a categoria, bem para o automobilismo em todo o mundo, devido a crise industrial provocada pela Segunda Guerra Mundial. Em 1940 e 1941, Juan Manuel Fangio se sagrou bicampeão, guiando um Chevrolet Master no que foram as primeiras vitórias para a Chevrolet na TC.

Em 1942, se correria somente duas etapas da TC, o Gran Premio del Sur, ocorrido nos dias 21 de janeiro a 1 de fevereiro, tendo como ganhador Estebán Fernandino, a bordo de uma Ford V8 Coupé , e o Gran Premio Mar y Serras, ocorrido no dia 2 de abril, tendo como vencedor Juan Manuel Fangio, a bordo de um Chevrolet Master.

Porém, com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, houve uma parada completa nas exportações americanas, o que afetou a categoria, já que boa parte dos carros utilizados eram produzidos por fabricantes norte-americanas (majoritariamente Chevrolet e Ford), além da falta de combustível e pneus para a categoria, o que forçou que após o Gran Premio Mar y Serras, a categoria suspendesse as suas atividades por tempo indeterminado. Esta paralisação duraria até 1947, quando o fluxo de importações retornou ao normal e a categoria pode novamente disputar suas etapas.

Em 1947, a TC seria retomada como um torneio de três etapas, sagrando campeão Oscar Galvéz, que viria a ser bicampeão em 1948. Seu irmão mais novo, Juan Galvéz, viria a ser campeão em 1949. esquerda|miniaturadaimagem|Um Ford V8 Coupé da TC, em 1951Sem Fangio na TC (devido a ele ter ido para a Europa em 1948, para disputar a Fórmula 1, onde foi penta campeão da categoria), Oscar e Juan Galvéz dominaram a categoria nos anos seguintes, com Juan vencendo sete campeonatos e Oscar vencendo dois. Pilotando o Ford V8 Coupé, Oscar e Juan Galvéz venceram os campeonatos de 1950 a 1958, com exceção de 1959, que foi vencido por Rodolfo de Álzaga, também com o Ford V8 Coupé.

A superioridade numérica e mecânica dos Ford na década davam poucas chances para as outras marcas (que usavam motores seis cilindros, conta os V8 da Ford), como a Chevrolet, que venceu somente 9 etapas entre 1955 a 1959, conta 58 etapas vencidas pela Ford no mesmo período. Por parte da Chevrolet, se destacaram pilotos como Eusebio Marcilla, Domingo Marimón e Marcos Ciani, que tentaram contrapor a dominância da Ford. miniaturadaimagem|O Ford V8 Coupé "La Galera", utilizado pelos irmãos Emiliozzi para vencer os campeonatos da TC de 1962 a 1965.O início dos anos 60 não tiveram muitas mudanças da completa dominação dos irmãos Galvéz nos anos 50, com Juan Galvéz vencendo em 1960 e Oscar Galvéz vencendo a temporada de 1961. Porém, Dante Emiliozzi venceria a temporada de 1962, iniciando a dominação da categoria por Emiliozzi que duraria até 1965. Os irmãos Emiliozzi (Dante como piloto e Torcuato como navegador), utilizavam uma carreteira Ford 1939 V8 Coupé modificada (batizada popularmente como "La Galera"); Esta carreteira tinha o primeiro motor Ford V8 OHC da história da Turismo Carretera e também foi a primeira carreteira a superar a barreira dos 200 km/h, sendo pilotada por Dante Emiliozzi à 203,526 km/h na Vuelta de Necochea de 1963.

O declínio da Ford na categoria começava a declinar, uma vez que a Chevrolet já começava a ser competitiva novamente e a Dodge teve seu primeira vitória na categoria, em 1964, sob os comandos de Marcos Ciani. Nesses anos, além dos irmãos Galvéz e Emiliozzi, também se desacataram pela Ford, Carmelo Galbato, Oscar Cabalén, Juan Carlos Navarone, Adolfo Sógolo, Fernando Piersanti e Jesús Ricardo Risatti. Na Chevrolet, se destacaram Félix Peduzzi, Pablo Gulle, Marcos Ciani (que iria pilotar carros da Dodge, logo após), Armando Jesús Rios, Carlos Pairetti e Jorge Ángel Pena, entre outros. esquerda|miniaturadaimagem|O Chevitú foi o primeiro carro moderno (para a época) a disputar a categoria após vários anos de uso de coupés dos anos 30. miniaturadaimagem|La Coloradita foi o úlitmo coupé dos anos 30 a vencer a Turismo Carretera, em 1966 Em 1964, apareceu o primeiro carro moderno (para a época) na categoria - que utilizava coupés dos anos 30 até o momento. José Froilán González havia inscrito uma Chevrolet Nova II, na qual foi chamado de "Chevitú", tendo como piloto, Jorge Cupeiro. Em 1965, a Chevitú seria um forte oponente a carreteira "La Galera", dos irmãos Emiliozzi, conquistando o vice-campeonato em 1965. Ao ver o sucesso da Chevitú, muitos pilotos foram substituindo seus veteranos carros dos anos 30 por modelos mais modernos nos próximos anos.

Em 1966, após 18 anos, a Chevrolet vence uma temporada da TC, com Juan Manuel Bordeu, a bordo da Chevrolet Master apelidada de "La Coloradita", conseguindo romper com a hegemonia da Ford, que durava desde a retomada do campeonato depois da Segunda Guerra Mundial. "La Coloradita" também foi o último coupé dos anos 30 a vencer um campeonato na TC, abrindo uma nova era no ano seguinte.

A era dos Sport Protótipos miniaturadaimagem|Trueno Naranja, vencedor da temporada de 1968 da TC Após triunfo da "La Coloradita" em 1966, a TC começou uma nova era. A aparição dos primeiros carros compactos no mercado argentino revelava a realidade na TC: Havia a necessidade da substituição das carreteras dos anos 30 por carros mais modernos existentes no mercado nacional. Dessa forma, a General Motors estava presente com o Chevrolet 400, a Ford trazia o Ford Falcon e a Chrysler trazia o Chrysler Valiant. A IKA (Indústrias Kaiser Argentina) foi adicionada na categoria em 1966, com o IKA Torino.

Em 1967, um novo regulamento seria lançado, que permitia os preparadores fazer toda espécie de modificações que quisessem em seus carros, tornando-os algo mais similar a um sport protótipo que um carro de turismo. A partir daí, a TC viria a ter em seus grids vários protótipos, baseados nos coupés dos anos 20 e 30 (como o "El Cuadrado" ou "La Coloradita") , ou em carros modernos da época (Falcon F-100 e o Liebre-Torino), ou em carros estrangeiros com mecânica argentina (como o Chevitú ou o Mustang F-100). Nesse ano, Eduardo Copello levaria o título da TC com a Liebre-Torino Mk.II, sendo a primeira marca além da Ford ou Chevrolet a vencer a Turismo Carretera, e também seria o ano da última vitória de um coupé dos anos 30, com Eduardo Casá vencendo uma etapa "El Triangulo del Oeste" com o Ford V8 Coupé "El Trator de Tuqui". Em 1968, a Chevrolet volta a vencer um campeonato, com Carlos Pairetti, guiando o protótipo Fast-Chevrolet (mais conhecida como "Trueno Naranja"). esquerda|miniaturadaimagem|Liebre-Torino Mk.III, utilizado por Gastón Perkins para vencer o campeonato de 1970 da TC Após a derrota, a equipe de Oreste Berta (que havia vencido em 1967), decide aperfeiçoar seu protótipo para 1969 (sem apoio da fabricante original, a IKA) , produzindo o Liebre-Torino Mk.III. Pairetti - campeão da temporada de 1968 - também substituiu seu carro, adquirindo um protótipo Liebre e montando um motor Chevrolet, sendo nomeado como Liebre-Chevrolet Mk.III ou "Nuevo Naranja". Apesar da disputa, Gaston Perkins venceu a temporada de 1969 pela Berta, com um Liebre-Torino Mk.III.

Era moderna No início da década de 70, o domínio da Torino era inabalável. Em 1970, a categoria se dividiu em duas, a Fórmula A e a Fórmula B, sendo que a primeira disputaria etapas exclusivamente em estradas e teria motores de até 3.000cc e a segunda exclusivamente em autódromos, com o regulamento mais similar ao utilizado na era dos sport protótipos. A implementação das Fórmulas teve como ideia forçar o retorno da categoria às estradas, porém, ao longo da temporada de 1970, a Fórmula B foi perdendo adeptos que a Fórmula A. Nessas duas categorias, o título da Fórmula A foi vencido por Luis Rubén Di Palma com um Torino 380W e o título da Fórmula B ficou com Eduardo Copello, com um Liebre-Torino Mk.III.

O mesmo aconteceu na temporada de 1971, com Luis Rubén Di Palma levando o título com a Torino. Porém, as outras marcas começaram a voltar com mais força, como a Chevrolet (com Néstor Garcia Veiga e Marito Garcia), a Chrysler (com Juan Manuel Bordeu e Carlos Loëffel) e a Ford (com Carlos Pairetti).

Na temporada de 1972, chegaram mais carros a categoria, como o Chevrolet Chevy e o Dodge Polara. Naquele ano, a Ford voltou a vencer, com Hector Luis Gradassi pilotando um Ford Falcon. Gradassi viria a se tornar tetra campeão, vencendo os títulos de 1972, 1974, 1975 e 1976, somente sendo interrompido em 1973, quando Nasif Estéfano venceu postumamente, também com um Ford Falcon. Em 1973, a organização obrigou a montagem de uma placa restritora no carburador dos motores, para poder diminuir as velocidades da TC, uma vez que haviam chegado a 250 km/h. Em 1974, começou um conflito entre a ACA e Confederação Argentina de Automobilismo Desportivo (CADAD), a última, uma entidade criada pela própria ACA para substituir a antiga Comissão Desportiva Automobilística (CDA). miniaturadaimagem|Ford Falcon utilizado por Jorge Martínez Boero para vencer o campeonato de 1982