Na cosmologia esotérica, um plano é concebido como um estado, nível ou região sutil da realidade, cada plano correspondendo a algum tipo, espécie ou categoria de ser.

O conceito pode ser encontrado em ensinamentos religiosos e esotéricos - por exemplo, Vedanta (Advaita Vedanta), Ayyavazhi, xamanismo, hermetismo, neoplatonismo, gnosticismo, shaivismo da Caxemira, Sant Mat/Surat Shabd Yoga, sufismo, druzismo, Cabala, Teosofia, Antroposofia, Rosacrucianismo, cristianismo esotérico, Eckankar, Ensinamentos dos Mestres Ascensionados, etc. - que propõem a ideia de toda uma série de planos, mundos ou dimensões sutis (também designadas por planos ou mundos invisíveis, superiores ou internos) que, a partir de um centro, interpenetram a si e ao planeta físico em que vivemos, os sistemas solares e todas as estruturas físicas do universo. No Rosacrucianismo e Teosofia em particular, essa visão cosmológica/metafísica/esotérica é chamada por alguns de teoria multidimensional dos planos de existência ou dimensões múltiplas.Max Heindel, Os Mistérios Rosacruzes (Os Mundos Visíveis e Invisíveis), 1911 Essa interpenetração de planos culmina no próprio universo como sendo uma expressão física estruturada, dinâmica e evolutiva, emanado através de uma série de etapas cada vez mais densas, tornando-se progressivamente mais material e corporificado.

A emanação é concebida, de acordo com ensinamentos esotéricos, como tendo se originado, no alvorecer da manifestação do universo, no Ser Supremo que enviou - do Absoluto não-manifesto além da compreensão - a força dinâmica da energia criativa, como vibração sonora ("o Verbo"), no abismo do espaço. Alternativamente, eles afirmam que esta força dinâmica está sendo emitida, através das eras, enquadrando todas as coisas que constituem e habitam o universo.

Origens do conceito O conceito de planos de existência pode ser visto como derivando de ideias mitológicas xamânicas e tradicionais de um eixo vertical do mundo - por exemplo, uma montanha, árvore ou polo cósmico (como Yggdrasil ou o Monte Meru) - ou uma concepção filosófica de uma Grande Cadeia do Ser, organizada metaforicamente de Deus, descendo à matéria inanimada. O filósofo lituano Algis Uždavinys indica que essa cosmologia aparece de forma contínua na filosofia e mitologia grega e que no mundo ocidental se originou da filosofia do Egito Antigo.Uždavinys, Algis. Philosophy as a Rite of Rebirth: From Ancient Egypt to Neoplatonism. The Prometheus Trust. 2008. ISBN 978 1 898910 35 0. https://themathesontrust.org/publications-files/MTexcerpt-PhilosophyRebirth.pdf

No entanto, a fonte original da palavra plano nesse contexto é o neoplatonista tardio Proclo, que se refere a to platos, "amplitude", que era equivalente ao uso teosófico do século XIX. Um exemplo é a frase en to psychiko platei (em grego, "no plano psíquico").Dodds, citado em Poortman, 1978, vol II, p. 54

Concepções nas antigas tradições Conceitos diretamente equivalentes no pensamento indiano são lokas e bhuvanas. Na cosmologia hindu, existem muitos lokas ou mundos, que são identificados tanto com a cosmologia tradicional quanto com os estados de meditação.

Planos de existência podem ter sido referidos pelo uso do termo correspondente à palavra "ovo". Por exemplo, o termo em sânscrito Brahmanda se traduz em "A criação inteira", ao contrário da inferência preguiçosa "O ovo da criação". Certos relatos purânicos postulam que o Brahmanda é o superconjunto de um conjunto de Ovos menores e fractais, como é visto na afirmação da equivalência entre Brahmanda (universo) e Pinda (corpo).Kak, Subhash: The Architecture of Knowledge

A mitologia nórdica antiga deu o nome de "Ginnungagap" (abismo) ao "Caos" primordial, que foi delimitado no lado norte pelo frio e nebuloso "Niflheim" - a terra de névoa e neblina - e no lado sul pelo fogo "Muspelheim". Quando o calor e o frio entraram no espaço ocupado pelo Caos ou Ginnungagap, eles causaram a cristalização do universo visível.

No Oeste e no Oriente Médio medievais, encontramos referência a quatro mundos (olam) na Cabalá, ou cinco no sufismo (onde também são chamados de tanazzulat; "descidas"), e também na Cabala Luriânica. Na Cabalá, cada um dos quatro ou cinco mundos são eles mesmos divididos em dez sefirot, ou então divididos de outras maneiras.

Concepções esotéricas Os alquimistas da Idade Média propuseram ideias sobre a constituição do universo por meio de uma linguagem hermética, cheia de palavras, frases e sinais esotéricos designados a encobrir seu significado daqueles que não foram iniciados nos caminhos da alquimia. Em seu "Physica" (1633), o alquimista Rosacruz Jan Baptist van Helmont escreveu: "Ad huc spiritum incógnitum Gas voco", ou seja "Este espírito até então desconhecido eu chamo de Gás". Mais adiante, no mesmo trabalho, ele diz: "Esse vapor que chamei de Gás não está muito longe do Caos de que os antigos falaram". Mais tarde, ideias semelhantes evoluiriam em torno da ideia de éter.

No final do século XIX, o termo metafísico "planos" foi popularizado pela teosofia de Helena Blavatsky, que em A Doutrina Secreta e outros escritos propunha uma cosmologia complexa composta por sete planos e subplanos, baseada numa síntese de ideias orientais e ocidentais. Da teosofia, o termo chegou aos sistemas esotéricos posteriores, como o de Alice Bailey, que foi muito influente na formação da visão de mundo do movimento da Nova Era. O termo também é encontrado em alguns ensinamentos orientais que têm alguma influência ocidental, como a cosmologia de Sri Aurobindo e alguns dos posteriores Sant Mat, e também em algumas descrições da cosmologia budista. Os ensinamentos de Surat Shabd Yoga também incluem vários planos da criação tanto no macrocosmo quanto no microcosmo, incluindo o ovo de Bramanda contido no ovo de Sach Khand. Max Théon usou a palavra "Estados" (francês Etat), em vez de "Planos", em sua filosofia cósmica, mas o significado é o mesmo.

Os planos da Teosofia foram ainda sistematizados nos escritos de C. W. Leadbeater e Annie Besant.

No início do século XX, Max Heindel apresentou em The Rosicrucian Cosmo-Conception ("Conceito Rosacruz do Cosmos") uma cosmologia relacionada ao esquema da evolução em geral e a evolução do Sistema Solar e da Terra em particular, de acordo com os Rosacruzes. Ele estabelece, através das concepções apresentadas, uma ponte entre a ciência moderna e a religião, para que esta última possa responder às questões internas do homem levantadas pelo avanço científico.

O professor espiritual Meher Baba propôs que existem seis planos de consciência que devem ser experimentados antes que se possa alcançar a realização de Deus no sétimo plano: "Cada estágio definido de avanço representa um estado de consciência, e o avanço de um estado de consciência para outro prossegue lado a lado com o cruzamento dos planos internos. Assim, seis planos intermediários e estados de consciência têm que ser experimentados antes de alcançar o sétimo plano que é o fim da jornada e onde há a realização final do estado de Deus."Baba, Meher (1967). Discourses. 2. San Francisco: Sufism Reoriented. p. 22. ISBN 978-1-880619-09-4.

Emanação vs. Big Bang

A maioria dos cosmólogos de hoje acredita que o universo se expandiu de uma singularidade há aproximadamente 13,8 bilhões de anos"Cosmic Detectives". The European Space Agency (ESA). 2013-04-02. Retrieved 2013-04-15., em uma 'singularidade fragmentada' chamada Big Bang, significando que o próprio espaço surgiu no momento do Big Bang e se expandiu para sempre desde então, criando e carregando as galáxias com ele. A teoria já foi originalmente chamada de "Ovo Cósmico" por seu primeiro demonstrador, o padre físico Georges Lemaître, lembrando uma imagem das cosmologias antigas, e "Big Bang" foi um termo criado de zombaria.

No entanto, na cosmologia esotérica, a expansão refere-se à emanação ou desdobramento de planos ou esferas cada vez mais densos da cúpula espiritual, que a filosofia grega chamou de o Um, até que o mundo mais baixo e mais material é alcançado.

De acordo com os Rosacruzes, outra diferença é que não existe tal coisa como um espaço vazio ou vácuo.

Os planos Nos ensinamentos ocultos e assim como defendido por psíquicos e outros autores esotéricos, existem sete planos de existência.Seven Planes of Existence - Theta Medical Intuition

A maioria dos ensinamentos ocultistas e esotéricos concordam que existem sete planos de existência; no entanto, muitas escolas ocultas e metafísicas diferentes rotulam os planos da existência com diferente terminologia.

Plano físico O plano físico, a Verbo físico ou universo físico, na metafísica emanacionista ensinada no neoplatonismo, hermetismo, hinduísmo e teosofia, refere-se à realidade visível do espaço e tempo, energia e matéria: o universo físico no ocultismo e na cosmologia esotérica é o mais baixo ou o mais denso de uma série de planos de existência.

Segundo os teosofistas, depois do plano físico está o plano etérico e ambos os planos são conectados para compor o primeiro plano.John Friedlander, Gloria Hemsher Psychic Psychology: Energy Skills for Life and Relationships2011, p. 196 A Teosofia também ensina que quando o corpo físico morre, o corpo etérico é deixado para trás e a alma se conforma em um corpo astral no plano astral.Norman C. McClelland Encyclopedia of Reincarnation and Karma 2010, p. 32

O pesquisador psíquico F. W. H. Myers propôs a existência de um "mundo metaetérico", que ele escreveu como sendo um mundo de imagens que estão além do mundo físico. Ele escreveu que as aparições têm uma existência real no mundo metetérico, descrito por ele como um mundo onírico.Myers, F. H. W. (1903). Human personality and its survival of death. London: Longmans.

Plano astral

O plano astral, também chamado de mundo astral, é onde a consciência vai após a morte física. Segundo a filosofia ocultista, todas as pessoas possuem um corpo astral. O plano astral (também conhecido como o mundo astral) foi postulado por filosofias clássicas (particularmente neoplatônicas), medievais, orientais e esotéricas e religiões de mistério.G. R. S. Mead, The Doctrine of the Subtle Body in Western Tradition, Watkins 1919. Seria o mundo das esferas celestes da antiguidade clássica, considerado como atravessado pela alma em seu corpo astral no caminho de nascer e depois da morte, e geralmente dito ser povoado por anjos, espíritos ou outros seres imateriais, como se vê em descrições do Timeu e de A República de Platão.Plato, The Republic, trans. Desmond Lee, Harmondsworth. No final do século XIX e início do século XX, o termo foi popularizado pela Teosofia e neo-rosacrucianismo.

Ao longo do Renascimento, filósofos, paracelsianos, rosacruzes e alquimistas continuaram a discutir a natureza do mundo astral intermediário entre a Terra e o divino. O Barzakh, olam mithal ou mundo intermediário no Islã e o "Mundo de Yetzirah" na Cabala Luriânica são conceitos relacionados.

De acordo com os ensinamentos ocultistas, o plano astral pode ser visitado conscientemente por meio de projeção astral, meditação e mantra, experiência de quase morte, sonho lúcido ou outros meios. Indivíduos treinados no uso do veículo astral poderiam separar sua consciência no veículo astral do corpo físico à vontade.J. H. Brennan, Astral Doorways, Thoth Publications 1996 ISBN 978-1-870450-21-8

O autor teosofista Curuppumullage Jinarajadasa escreveu: "Quando uma pessoa morre, ela se torna plenamente consciente no corpo astral. Depois de um certo tempo, o corpo astral se desintegra e a pessoa se torna consciente no plano mental".First Principles of Theosophy, pp. 139–140

O ocultista George Arundale escreveu:

Alguns escritores afirmaram que o plano astral pode ser alcançado sonhando. Sylvan Muldoon e o pesquisador psíquico Hereward Carrington em seu livro The Projection of the Astral Body ("A projeção do corpo astral") (1929) escreveram: