As críticas ao cristianismo tem uma longa história que remonta à formação inicial da religião durante o Império Romano. Os críticos apontam uma série de falhas nas crenças e ensinamentos cristãos, bem como nas atitudes cristãs, desde as cruzadas ao terrorismo cristão moderno. Os argumentos intelectuais contra o cristianismo incluem as alegações de que é uma fé violenta, corrupta, supersticiosa, politeísta, homofóbica, preconceituosa, fanática, sectária e que transgride os direitos das mulheres.
Nos primeiros anos do cristianismo, o filósofo neoplatônico Porfírio apareceu como um dos maiores críticos a nova religião com o seu livro Contra os Cristãos. Porfírio argumentou que o cristianismo se baseava em falsas profecias que não tinham acontecido. Após o cristianismo ser adotado como a religião de estado do Império Romano, posições religiosas dissidentes foram gradualmente reprimidas tanto pelos governos como pelas autoridades eclesiásticas. Um milénio mais tarde, a reforma protestante levou a um cisma dentro do cristianismo na Europa e levantou novas críticas sobre a fé cristã, tanto interna como externamente. Com a revolução científica e o Iluminismo, o cristianismo começou a ser criticado por grandes pensadores e filósofos, tais como Voltaire, David Hume, Thomas Paine e o Barão d'Holbach. O tema central destas críticas procurou negar a confiabilidade histórica da Bíblia e focou na ideia da corrupção das autoridades religiosas cristãs. Outros pensadores, como Immanuel Kant, lançaram críticas sistemáticas e abrangentes à teologia cristã, tentando refutar argumentos a favor do teísmo.Kant, Immanuel. Crítica da Razão Pura, pp. 553–69
Nos tempos modernos, o cristianismo tem enfrentado críticas substanciais de uma vasta gama de movimentos e ideologias políticas. No final do século XVIII, a Revolução Francesa testemunhou vários políticos e filósofos criticarem as doutrinas cristãs tradicionais, criando uma onda de secularismo que resultou em centenas de igrejas fechadas e milhares de padres mortos ou expulsos.Robert R. Palmer and Joel Colton, A History of the Modern World (Nova Iorque: McGraw Hill, 1995), pp. 388–392. Após a Revolução Francesa, filósofos proeminentes do liberalismo e do comunismo, como John Stuart Mill e Karl Marx, criticaram a doutrina cristã com base no fato de ser conservadora e antidemocrática. Friedrich Nietzsche escreveu que o cristianismo fomenta uma espécie de moralidade escrava que suprime os desejos que estão contidos na vontade humana.Robert R. Palmer and Joel Colton, A History of the Modern World (Nova Iorque: McGraw Hill, 1995), p. 630. A Revolução Russa, a Revolução Chinesa, e vários outros movimentos revolucionários modernos também levaram à crítica das ideias cristãs. Os movimentos LGBT têm criticado o cristianismo por homofobia e transfobia.
A resposta formal dos cristãos a tais críticas é chamada de apologética cristã. Filósofos como Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino foram alguns dos mais proeminentes defensores da religião cristã desde a sua fundação.
Escrituras
Crítica bíblica A crítica bíblica, em particular a Alta crítica, cobre uma variedade de métodos que têm sido usados desde o Iluminismo no início do século XVIII, quando os estudiosos começaram a aplicar os mesmos métodos e perspectivas que já tinham sido aplicados a outros textos literários e filosóficos aos documentos bíblicos. É um termo abrangente que cobre várias técnicas que são principalmente usadas por teólogos cristãos ou liberais para estudar o significado das passagens bíblicas. Utiliza princípios históricos gerais, e baseia-se principalmente na razão em vez de revelação ou fé.
Crítica textual
Dentro da grande abundância de manuscritos bíblicos existe uma série de variantes textuais. A grande maioria destas variantes textuais são erros ortográficos inconsequentes, variações na ordem das palavras e e a transcrição incorrecta de abreviaturas.Bruce Metzger, cited in The Case for Christ, Lee Strobel Os críticos textuais, tais como Bart D. Ehrman, propuseram que algumas destas variantes textuais e interpolações foram motivadas teologicamente.Ehrman, Bart D. The Orthodox Corruption of Scripture. New York: Oxford U. Press, 1993 As conclusões de Ehrman sobre esses temas foram desafiadas por alguns criticos evangélicos conservadores, incluindo Daniel B. Wallace, Craig Blomberg e Thomas Howe.Wallace, Daniel B. "The Gospel According to Bart: A Review Article of Misquoting Jesus by Bart Ehrman," Journal of the Evangelical Theological Society, Junho de 2006)
Craig L. Blomberg, "Review of Misquoting Jesus: The Story Behind Who Changed the Bible and Why," Denver Seminary, Fevereiro de 2006
Na tentativa de determinar o texto original dos livros do Novo Testamento, alguns críticos textuais modernos identificaram seções que provavelmente não são originais do texto. Nas traduções modernas da Bíblia, os resultados da crítica textual levaram a concluir que certos versos foram deixados originalmente de fora ou tido como não originais. Estes possíveis acréscimos posteriores incluem os seguintes trechos:Bruce Metzger "A Textual Commentary on the New Testament", Second Edition, 1994, German Bible Society
O fim do Evangelho de Marcos (). A história da mulher flagrada em adultério no Evangelho de João (Perícopa da Adúltera). Uma afirmação explícita da Trindade no Evangelho de João, Comma Johanneum ("Parêntese Joanino" ou "Cláusula Joanina").
Em The Text Of The New Testament, Kurt e Barbara Aland compararam o número total de versos sem variantes, e do outro lado o número de variantes por página (excluindo erros ortográficos), entre as sete maiores edições do Novo Testamento grego (Tischendorf, Westcott-Hort, von Soden, Vogels, Merk, Bover e Nestle-Aland) concluindo que existe uma consistência nas variantes textuais de 62,9%, ou o total de 4999 entre 7947 páginas.K. Aland and B. Aland, "The Text Of The New Testament: An Introduction To The Critical Editions & To The Theory & Practice Of Modern Text Criticism", 1995, op. cit., pp. 29-30. Eles concluiram:
Com a descoberta dos textos bíblicos hebraicos entre os Manuscritos do Mar Morto, foram levantadas questões sobre a exatidão textual do texto massorético.
Consistência interna
Inconsistências da Bíblia têm sido apontadas por críticos e céticos, demonstrando contradições em diferentes acontecimentos e características que deveriam ser consistentes.Veja por exemplo a Lista das contradições do website The Skeptic's Annotated Bible e o artigo de Robert G. Ingersoll, Inspiration Of Bible As respostas a estas críticas incluem a moderna hipótese documental, a teoria de duas fontes (em suas várias formas) e afirmações de que as Epístolas Pastorais são pseudônimos. Em constraste ao criticismo dos céticos, existem as posições apoiadas por tradicionalistas, considerando os textos como coerentes com a Torá que teria sido escrita por uma única fonte,M.W.J. Phelan. The Inspiration of the Pentateuch, Two-edged Sword Publications (9 de março de 2005) Ronald D. Witherup, Biblical Fundamentalism: What Every Catholic Should Know, Liturgical Press (2001), página 26. e com os Evangelhos escritos por quatro testemunhas independentes,France, R.T., Tyndale New Testament Commentaries: Matthew, Inter-Varsity Press, Leicester, Inglaterra (1985), pg. 17. e que todas as Epístolas Paulinas, exceto possivelmente o livro de Hebreus, como tendo sido escritas pelo apóstolo Paulo de Tarso.
Embora seja necessário considerar o contexto ao estudar a Bíblia, alguns acham os relatos da ressurreição de Jesus nos quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João, como difíceis de reconciliar. Ed Parish Sanders conclui que as inconsistências tornam improvável a possibilidade de uma fraude deliberada: "Uma conspiração para alimentar a crença na Ressurreição teria provavelmente resultado numa história mais consistente. Em vez disso, parece ter havido uma competição entre os diferentes relatos: 'Eu vi Jesus', 'Eu também o vi', 'Não, as mulheres viram-no primeiro', 'Não, eu vi; elas não o viram', e assim por diante".
Harold Lindsell afirma que é uma "distorção grosseira" afirmar que todas as pessoas que acreditam na inerrância bíblica supõem que todas as afirmações feitas na Bíblia são verdadeiras.Lindsell, Harold. "The Battle for the Bible", Zondervan Publishing House, Grand Rapids, Michigan, EUA (1976), pg. 38. Ele indica que existem na Bíblia afirmações categoricamente falsas que são relatadas de maneira clara. Os defensores da inerrância bíblica geralmente não ensinam que a Bíblia foi ditada diretamente por Deus, mas que Ele usou as "personalidades distintas e estilos literários dos escritores" na Bíblia e que a inspiração divina os guiou a projetar sem falhas a sua mensagem através da sua própria linguagem.
Aqueles que acreditam na inspiração da Escritura ensinam que ela é infalível (ou inerrante), ou seja, livre de erros e que expressa verdades do carácter divino. No entanto, o âmbito de como isso é englobado é contestado, uma vez que o termo inclui posições de que conforme algumas denominações sustentam, é argumentado de que os detalhes históricos ou científicos podem ser irrelevantes para questões da fé e da prática cristã, e que no final das contas podem conter alguns erros. Outros estudiosos têm opiniões mais irredutíveis,Ver nomeadamente Grudem (). mas para alguns versículos estas posições requerem uma interpretação mais exegética, levando à disputa entre as diferentes interpretações.
A infalibilidade é uma referência aos textos originais da Bíblia, e todos os estudiosos mainstream reconhecem o potencial de erro humano na transmissão e tradução; no entanto, para alguns, através do uso de críticas textuais, as cópias modernas seriam consideradas como "representantes fiéis ao original", e a nossa compreensão da língua original seria suficientemente boa para uma tradução exata. A opinião contrária é que as escrituras estão corruptas, ou as traduções são demasiadas difíceis, para ter uma concordância com os textos modernos.
Profecias não cumpridas
220px|miniaturadaimagem|direita|Deus se revela para Abraão onde é visto com três anjos. Por Giovanni Battista Tiepolo.
Centenas de anos antes do tempo de Jesus, os profetas judeus prometeram que viria um messias. O judaísmo afirma que Jesus não cumpriu estas profecias. Outros céticos afirmam geralmente que as profecias são vagas ou que não se cumpriram. Os apologistas cristãos afirmam que Jesus cumpriu as profecias.Peter W. Stoner, Science Speaks, Moody Pr, 1958, Muitos cristãos antecipam a Segunda Vinda de Jesus, quando ele irá cumprir o resto da profecia messiânica, tais como o Juízo Final, a ressurreição universal, o estabelecimento do Reino de Deus e a Era Messiânica (ver o artigo sobre o preterismo para opiniões cristãs divergentes).
O Novo Testamento traça a linha de Jesus até à de David; contudo, de acordo com Stephen L. Harris: (Further snippets of quote: B C D)
Jesus não cumpriu o que os profetas de Israel disseram que o Messias foi incumbido de fazer: Ele não libertou o povo do pacto dos seus inimigos gentios, não reuniu os dispersos na diáspora, não restaurou o reino davídico, nem estabeleceu a paz universal (, ). Em vez de libertar os judeus dos opressores e assim cumprir as antigas promessas de Deus - terra, nação, realeza e bênção - Jesus morreu uma morte "vergonhosa", derrotado pelos próprios poderes políticos que o Messias foi profetizado a vencer. De fato, os profetas hebreus não previram que o salvador de Israel seria executado como um criminoso comum pelos gentios, fazendo da crucificação de Jesus um "obstáculo" para os judeus cultos. ()
Os pregadores cristãos respondem a este argumento afirmando que estas profecias serão cumpridas por Jesus no que é chamado doutrina do milenarismo após a Grande Tribulação, segundo as profecias do Novo Testamento, especialmente no Livro do Apocalipse.