O USS Massachusetts é um couraçado que foi operado pela Marinha dos Estados Unidos e a terceira embarcação da Classe South Dakota, depois do e e seguido pelo . Sua construção começou em julho de 1939 nos estaleiros da Bethlehem Shipbuilding e foi lançado ao mar em setembro de 1941, sendo comissionado na frota norte-americana em maio do ano seguinte. É armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento de mais de 45 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora).

O Massachusetts iniciou seu serviço no meio da Segunda Guerra Mundial e foi enviado para apoiar a invasão Aliada do Norte da África, entrando em um duelo de artilharia com o couraçado francês . Em seguida foi transferido para o Oceano Pacífico para operações contra o Japão, com suas principais funções tendo sido de escolta para grupos de porta-aviões contra ataques aéreos e de superfície. Nessa capacidade, o Massachusetts participou da Campanha nas Ilhas Gilbert e Marshall em 1943 e 1944 e da Batalha das Filipinas em 1944 e 1945. O couraçado também deu apoio para as forças Aliadas na Batalha de Okinawa e depois participou de bombardeios em Honshū em 1945.

A guerra terminou em agosto de 1945 e a embarcação retornou para os Estados Unidos, ficando em manutenção até o início do ano seguinte. Foi descomissionado em março de 1947 e designado para a Frota de Reserva do Atlântico. Ele permaneceu fora de serviço até junho de 1962, quando foi removido do registro naval, apesar de terem existindo planos para modernizá-lo. O Massachusetts inicialmente foi programado para ser desmontado, porém um comitê especial formado por ex-tripulantes conseguiu reunir em 1965 dinheiro suficiente para comprá-lo e transformá-lo em um navio-museu. O couraçado foi pouco depois transferido para Fall River e está desde então em exibição no Battleship Cove.

Características

thumb|270px|esquerda|Desenho da Classe South Dakota A Classe South Dakota foi encomendada no contexto de um grande rearmamento naval global que se seguiu ao colapso do sistema do Tratado Naval de Washington, que tinha controlado a construção de couraçados durante a década de 1920 e início da década de 1930. Couraçados sob os termos dos tratados de Washington e Londres tinham um deslocamento padrão limitado a 36 mil toneladas e bateria principal de canhões]de até 356 milímetros. O Japão abandonou os tratados em 1936 e os Estados Unidos decidiu invocar a "cláusula de escalonamento" do Segundo Tratado Naval de Londres, que permitia deslocamentos de até 46 mil toneladas e armamentos de até 410 milímetros. Objeções por parte do Congresso sobre o aumento no tamanho dos novos navios forçou a equipe de projeto a tentar manter o deslocamento o mais próximo possível das 36 mil toneladas, ao mesmo tempo que incorporavam as armas maiores e blindagem suficiente para se proteger de armas do mesmo calibre.

O Massachusetts tem 207,3 metros de comprimento de fora a fora, boca de 32,97 metros e calado de 10,69 metros. Possuía um deslocamento padrão de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tem oito caldeiras Babcock & Wilcox a óleo combustível que impulsionam quatro conjuntos de turbinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice, que produziam um total de 131,9 mil cavalos-vapor (97 mil quilowatts) de potência. O Massachusetts era capaz de alcançar uma velocidade máxima de 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora) e tinha uma autonomia de quinze mil milhas náuticas (28 mil quilômetros) a uma velocidade de quinze nós (28 quilômetros por hora). Sua tripulação era de oficiais e marinheiros em tempos de paz, mas chegava a 2,5 mil em tempos de guerra. Também era equipado com duas catapultas no convés da popa e três hidroaviões Vought OS2U Kingfisher para ações de reconhecimento.

A bateria principal do Massachusetts consiste em nove canhões Marco 6 calibre 45 de 406 milímetros. Estes são montados em três torres de artilharia triplas, duas estão localizadas na frente da superestrutura, com a segunda torre sobreposta à primeira, enquanto a terceira fica na popa. Seu armamento secundário tem vinte canhões de duplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros montados em dez torres de artilharia duplas, instaladas cinco de cada lado da superestrutura. Como originalmente projetado, a embarcação contaria com uma bateria antiaérea de doze canhões de 28 milímetros e doze metralhadoras M2 Browning calibre 50 de 12,7 milímetros, porém isso foi considerado insuficiente e alterado para 28 canhões Bofors de 40 milímetros em montagens quádruplas no lugar dos canhões de 28 milímetros e 35 canhões Oerlikon de 20 milímetros no lugar das metralhadoras. O cinturão de blindagem tem 310 milímetros de espessura, enquanto o convés é protegido por uma blindagem de até 152 milímetros. As torres de artilharia são protegidas por 457 milímetros na frente e ficam em cima de barbetas de 440 milímetros de espessura. A torre de comando tem laterais de 406 milímetros.

Modificações O Massachusetts passou por uma série de modificações durante sua carreira, principalmente em adições à sua bateria antiaérea e instalações de vários tipos de radares. Um radar de varredura aérea SC foi instalado no seu mastro principal em 1941, sendo depois substituído por um conjunto tipo SK. Na mesma época, um radar de varredura de superfície SG foi instalado na dianteira da superestrutura; um segundo conjunto de radar SG foi adicionado ao mastro principal depois de experiências adquiridas durante a Batalha de Guadalcanal em 1942. O couraçado recebeu um radar de controle de disparo Marco 8 enquanto ainda estava em construção, montado em sua torre de comando para ajudar no controle de seus canhões principais, além de radares Marco 4 para a bateria secundária. Estes foram posteriormente substituídos por versões Marco 12/22. O Massachusetts também recebeu um gerador de interferência TDY. Seus telescópios de avistamento tradicionais foram substituídos em 1945 por radares de micro-ondas Marco 27.

A bateria antiaérea foi gradualmente expandida. Outros dezesseis canhões de 40 milímetros foram adicionados no final de 1942, enquanto mais oito canhões foram instalados em fevereiro de 1943, quatro em cada teto da segunda e terceira torres de artilharia. Nesse época, o Massachusetts já tinha outros 24 canhões de 20 milímetros instalados, elevando o total para 59. Oito canhões de 40 milímetros foram adicionados algum tempo depois, com sete canhões de 20 milímetros acrescentados até o final do ano para elevar o total para 66. A Marinha dos Estados Unidos percebeu no início de 1944 que as armas de 20 milímetros não eram tão eficazes e assim planos foram elaborados para reduzir seu número para 33 em favor de mais canhões de 40 milímetros. Em outubro, o navio tinha 36 desses canhões, seis dos quais estavam em montagens experimentais quádrupla e dupla. Mais seis montagens quádruplas de canhões de 40 milímetros foram instaladas, subindo o total para 72. Duas dessas novas montagens foram colocadas no castelo da proa, o que mostrou-se de pouca utilidade pois elas só eram úteis em mares calmos, tendo sido removidas após a guerra junto com as armas no alto da segunda torre de artilharia.

História Construção e Atlântico thumb|240px|O Massachusetts próximo de Boston, 12 de maio de 1942 O batimento de quilha do Massachusetts ocorreu em 20 de julho de 1939 pela Bethlehem Shipbuilding em seu Estaleiro do Rio Fore, localizado em Quincy, no Massachusetts. Ele foi lançado ao mar em 23 de setembro de 1941 e logo em seguida seu processo de equipagem começou, com ele sendo comissionado na frota norte-americana no dia 12 de maio de 1942. O couraçado passou por um cruzeiro de testes marítimos e então viajou para a Baía de Casco, no Maine, onde foi designado para servir na Força Tarefa Naval Ocidental, que iria proporcionar suporte para a Operação Tocha, a invasão Aliada do Norte da África na Segunda Guerra Mundial. O Massachusetts partiu em 24 de outubro para se juntar ao resto da unidade, que se encontrou no mar quatro dias depois. A embarcação se tornou a capitânia do contra-almirante Henry Kent Hewitt, parte do Grupo de Tarefas 34.1, que também incluía os cruzadores pesados e e mais quatro contratorpedeiros. Os navios encontraram com o resto da força de invasão em 28 de outubro a 450 milhas náuticas (830 quilômetros) ao sudoeste Cabo Race, prosseguindo então através do Oceano Atlântico.

O navio participou da Batalha Naval de Casablanca, que começou cedo pela manhã do dia 8 de novembro. Os navios foram encarregados de neutralizar as principais defesas francesas, que incluíam canhões costeiros em El Hank, vários submarinos e o incompleto couraçado , que estava ancorado no porto com apenas metade de sua bateria principal instalada. O Massachusetts abriu fogo às 7h04min a uma distância de 22 quilômetros e pouco depois ficou sob fogo do Jean Bart, devolvendo os disparos às 7h40min. O Wichita e o Tuscaloosa inicialmente enfrentaram as baterias francesas de El Hank e as bases dos submarinos, enquanto o Massachusetts atacou o Jean Bart. As forças navais francesas, lideradas pelo cruzador rápido Primauguet, montaram uma resistência ferrenha. O couraçado e os cruzadores norte-americanos conseguiram interromper uma tentativa de contratorpedeiros franceses de atacar a frota, voltando em seguida a enfrentarem o Jean Bart; o Massachusetts conseguiu acertar o couraçado inimigo cinco vezes com sua bateria principal durante a ação.

O Jean Bart foi tirado de operação, assim o Massachusetts e os outros navios passaram a atacar as baterias de artilharia costeiras, um depósito de munição e navios mercantes que também estavam atracados no porto. Um dos projéteis de 406 milímetros do couraçado acertou uma doca seca flutuante que estava abrigando o submarino Le Conquérant; a doca afundou, porém o submarino não foi danificado e conseguiu navegar em frente, porém acabou afundado no mar pouco depois por um bombardeiro Consolidated PBY Catalina. Os defensores franceses concordaram com um cessar-fogo em 11 de novembro, o que permitiu que as embarcações da 34.1 fossem destacadas para outras operações. O Massachusetts partiu de volta para os Estados Unidos no dia seguinte a fim de iniciar preparações para operações na Guerra do Pacífico.

Guerra do Pacífico Ilhas Gilbert e Marshall

thumb|esquerda|240px|O Massachusetts visto do convés do Alabama, janeiro de 1943 O Massachusetts chegou em Nouméa, na Nova Caledônia, em 4 de março de 1943 e passou os meses seguintes escoltando comboios para as Ilhas Salomão em apoio às operações da Campanha das Ilhas Salomão. O navio proporcionou cobertura em 30 de junho para um ataque anfíbio contra Nova Geórgia, parte da Operation Cartwheel; na época a embarcação estava designada para um grupo de couraçados da Força Tarefa 36.3, que incluía seu irmão e o . Os japoneses lançaram vários ataques aéreos e navais contra as forças norte-americanas na semana seguinte, porém nenhum deles atacou os couraçados.

O navio deixou a área em 19 de novembro para participar da Campanha nas Ilhas Gilbert e Marshall, escoltando porta-aviões do Grupo de Tarefas 50.2, novamente com o Indiana e o North Carolina, para ataques aéreos contra Makin, Tarawa e Abemama nas Ilhas Gilbert. Essas operações eram em suporte aos desembarques em Tarawa e Makin, ambos com o objetivo de enfraquecer as defesas japonesas nas ilhas e isolar as guarnições inimigas de forças que poderiam reforçá-las. O Massachusetts participou de um bombardeio contra posições japonesas em Nauru. Ele foi destacado para formar o Grupo de Tarefas 50.8 sob o comando do contra-almirante Willis Lee, junto com o North Carolina, Indiana, e , além de vários contratorpedeiros.