O USS Alabama é um couraçado que foi operado pela Marinha dos Estados Unidos e a quarta e última embarcação da Classe South Dakota, depois do , e . Sua construção começou em fevereiro de 1940 no Estaleiro Naval de Norfolk na Virgínia e foi lançado ao mar em fevereiro de 1942, sendo comissionado na frota norte-americana em agosto do mesmo ano. É armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 45 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora).
O Alabama iniciou seu serviço no meio da Segunda Guerra Mundial e foi enviado imediatamente para fortalecer a Frota Doméstica britânica, sendo encarregado da proteção de comboios para a União Soviética. Ele foi transferido para a Guerra do Pacífico em 1943 e suas principais tarefas envolveram proteger a Força Tarefa de Porta-Aviões Rápidos de inimigos aéreos e de superfície, além de realizar operações de bombardeamento de litoral. Nessa capacidade, o couraçado participou das campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Marianas e Palau e Filipinas. O navio também deu apoio para as forças Aliadas na Batalha de Okinawa e depois participou de bombardeios em Honshū.
A guerra terminou em agosto de 1945 e o Alabama foi empregado no transporte de soldados norte-americanos de volta para os Estados Unidos. Foi descomissionado em janeiro de 1947 e designado para a Frota de Reserva do Pacífico. Permaneceu fora de serviço até junho de 1962, quando foi removido do registro naval, apesar de terem existindo planos para modernizá-lo. O navio inicialmente foi programado para ser desmontado, porém um comitê especial formado pelo estado do Alabama conseguiu reunir em 1964 dinheiro suficiente para comprá-lo e transformá-lo em um navio-museu. O couraçado foi transferido para Mobile e está em exibição no Battleship Memorial Park desde 1965.
Características
thumb|270px|esquerda|Desenho da Classe South Dakota A Classe South Dakota foi encomendada durante o rearmamento naval global que se seguiu ao colapso do Tratado Naval de Washington, que tinha controlado a construção de couraçados nas décadas de 1920 e 1930. Couraçados sob esses dois tratados tinham um deslocamento padrão limitado a 36 mil toneladas e bateria principal de canhões de até 356 milímetros. O Japão abandonou os tratados em 1936 e os Estados Unidos decidiu invocar a "cláusula de escalonamento" do Segundo Tratado Naval de Londres, que permitia deslocamentos de até 46 mil toneladas e armamentos de até 410 milímetros. Objeções do Congresso sobre o aumento no tamanho dos novos navios forçou a equipe de projeto a tentar manter o deslocamento o mais próximo possível das 36 mil toneladas, ao mesmo tempo incorporando armas maiores e blindagem para se proteger de armas do mesmo calibre.
O Alabama tem 207,3 metros de comprimento, boca de 32,97 metros e calado de 10,69 metros. Possuía um deslocamento padrão de 38 580 toneladas, mas esse valor podia chegar a 45 233 toneladas quando totalmente carregado com suprimentos de combate. Seu sistema de propulsão tem oito caldeiras Babcock & Wilcox alimentadas por óleo combustível que impulsionavam quatro conjuntos de turbinas a vapor Westinghouse, cada uma girando uma hélice, que chegavam a produzir um total de 131,9 mil cavalos-vapor (97 mil quilowatts) de potência. O Alabama era capaz de alcançar uma velocidade máxima de 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora) e tinha uma autonomia de quinze mil milhas náuticas (28 mil quilômetros) a uma velocidade de quinze nós (28 quilômetros por hora). Sua tripulação era de 1 793 oficiais e marinheiros em tempos de paz, mas chegava a 2 500 em tempos de guerra. Também era equipado com duas catapultas no convés da popa e três hidroaviões Vought OS2U Kingfisher para ações de reconhecimento.
A bateria principal do Alabama consiste em nove canhões Marco 6 calibre 45 de 406 milímetros. Estes estão montados em três torres de artilharia triplas, duas localizadas na frente da superestrutura, com a segunda torre sobreposta à primeira, enquanto a terceira na popa. Seu armamento secundário tem vinte canhões de duplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros montados em dez torres de artilharia duplas, instaladas cinco em cada lado da superestrutura. Como originalmente projetado, a embarcação contaria com uma bateria antiaérea de doze canhões calibre 75 de 28 milímetros e doze metralhadoras M2 Browning calibre 50 de 12,7 milímetros, porém isso foi considerado insuficiente e alterado para 24 canhões Bofors de 40 milímetros em seis montagens quádruplas no lugar das armas de 28 milímetros e 35 canhões Oerlikon de 20 milímetros em montagens únicas no lugar das metralhadoras. O cinturão de blindagem tem 310 milímetros de espessura, enquanto o convés é protegido por uma blindagem de até 152 milímetros. As torres de artilharia são protegidas por 457 milímetros na frente e ficam em cima de barbetas de 439 milímetros de espessura. A torre de comando tem laterais de 406 milímetros.
Modificações O Alabama recebeu várias modificações no decorrer de sua carreira, principalmente adições à sua bateria antiaérea e diferentes tipos de radares. A primeira adição foi a instalação de um radar de varredura aérea SC no seu mastro dianteiro em 1941, que foi depois substituído por um conjunto tipo SK. Um radar de varredura de superfície SG foi instalado na dianteira da superestrutura na mesma época, com um segundo conjunto SG sendo adicionado ao mastro principal depois de experiências na Campanha de Guadalcanal em 1942. No ano seguinte recebeu um radar de controle de disparo Marco 3 montado em sua torre de comando a fim de ajudar no direcionamento de seus canhões principais. O Marco 3 foi rapidamente substituído pelo mais moderno Marco 8, enquanto radares Marco 4 foram instalados para a bateria secundária. Depois recebeu conjuntos Marco 12/22 no lugar do Marco 4. O Alabama também recebeu um disruptor TDY. Suas lunetas de avistamento foram substituídas em 1945 por conjuntos de radar de microondas Marco 27.
A bateria antiaérea leve foi gradualmente expandida. Mais quatro montagens quádruplas de 40 milímetros foram instaladas no final de 1942, com o total destas armas tendo crescido para 48 até novembro de 1943. Mais duas montagens quádruplas seriam adicionadas ao seu castelo da proa em 1945, porém experiências em outros navios mostraram que essas armas ficavam muito molhadas na maioria das condições oceânicas e assim inutilizáveis, então acabaram nunca sendo instaladas no Alabama. Mais oito canhões de 20 milímetros foram adicionados em maio de 1943, elevando seu número total para 53. Sua bateria de armas de 20 milímetros cresceu para 56 até 1945, todas em montagens únicas. Foi programado que o navio tivesse estas trocadas por quarenta montagens duplas, porém a guerra terminou antes que esses trabalhos pudessem ser feitos.
História Construção e Atlântico thumb|260px|O Alabama disparando seus canhões durante exercícios com a Frota Doméstica O batimento de quilha do Alabama ocorreu em 1º de fevereiro de 1940 no Estaleiro Naval de Norfolk em Portsmouth, na Virgínia. Foi lançado ao mar em 16 de fevereiro de 1942 e batizado por Henrietta Hill, esposa do senador J. Lister Hill do Alabama. Foi comissionado apenas seis meses depois em 16 de agosto, com a equipagem começando em seguida. Partiu em 11 de novembro para seu cruzeiro de testes na Baía de Chesapeake, iniciando então treinamentos em preparação para o seu serviço de guerra. Foi para a Baía de Casco, no Maine, voltando então para mais treinamentos em Chesapeake até seguir para Norfolk. O couraçado foi designado para o Grupo de Tarefas 22.2 e voltou para a Baía de Casco em 13 de fevereiro para treinamentos táticos.
A primeira operação do Alabama começou no início de abril com uma designação temporária para atuar junto com a Frota Doméstica britânica com o objetivo de reforçar as forças navais Aliadas na escolta de comboios de suprimentos para a União Soviética. Os britânicos tinham na época enviado vários de seus navios capitais para o Mar Mediterrâneo em preparação para a planejada invasão da Sicília, enfraquecendo as forças necessárias para conter o poderio naval alemão na Noruega, mais significativamente o couraçado . O Alabama e seu irmão partiram em 2 de abril como parte da Força Tarefa 22. Os dois foram escoltados por cinco contratorpedeiros e navegaram para as Ilhas Órcades, parando no caminho na Estação Naval Argentia na Terra Nova e chegando na base naval britânica de Scapa Flow em 19 de maio. Eles foram reorganizados como a Força Tarefa 61 da Frota Doméstica, iniciando treinamentos para que os navios norte-americanos se familiarizassem com suas contrapartes britânicas para que pudessem realizar operações conjuntas. A Força Tarefa 61 era comandada pelo contra-almirante Olaf M. Hustvedt. As embarcações operaram pelos três meses seguintes frequentemente com os couraçados britânicos e .
O Alabama, South Dakota e unidades britânicas deram cobertura no início de junho para uma operação para reforçar a ilha de Spitsbergen. No mês seguinte o Alabama participou de uma demonstração que tinha a intenção de distrair os alemães durante a invasão da Sicília. Os Aliados esperavam atrair o Tirpitz e afundá-lo, mas os alemães não perceberam os navios e permaneceram no porto. Os dois couraçados norte-americanos foram destacados em 1º de agosto para voltarem para casa, partindo imediatamente e chegando em Norfolk no dia 9. O Alabama entrou em uma doca seca para manutenção em preparação para operações contra o Japão na Guerra do Pacífico. Ele deixou o estaleiro em 20 de agosto e iniciou a viagem para o Oceano Pacífico, atravessando o Canal do Panamá no dia 25. Chegou em Éfaté, nas Novas Hébridas, em 14 de setembro.
Guerra do Pacífico Ilhas Gilbert e Marshall
thumb|esquerda|240px|O Alabama junto com o Monterey em 12 de novembro de 1943 O couraçado embarcou em um programa de treinamento que demorou um mês e meio a fim de prepará-lo para operar com a Força Tarefa de Porta-Aviões Rápidos. Seguiu então para Fiji em 7 de novembro, partindo quatro dias depois para dar apoio à campanha nas Ilhas Gilbert e Marshall, que começou no dia 20 com a invasão de Tarawa. O Alabama escoltou os porta-aviões enquanto estes realizavam ataques aéreos contra campos de pouso japoneses em ilhas próximas com o objetivo de neutralizar sua capacidade de interferir na invasão. O navio então deu apoio em 20 de novembro para desembarques em Betio em Tarawa, seguido por desembarques em Makin. O Alabama duas vezes enfrentou aeronaves japonesas que se aproximaram da frota na noite do dia 26.
O Alabama e cinco outros couraçados bombardearam Nauru em 8 de dezembro. O contratorpedeiro USS Boyd foi atingido pela artilharia japonesa, transferindo três homens feridos para o Alabama. As embarcações então escoltaram o porta-aviões e o porta-aviões rápido de volta para Éfaté, onde chegaram no dia 12. O Alabama partiu para Pearl Harbor em 4 de janeiro de 1944, chegando no dia 12 para passar por uma manutenção que incluía substituir uma de suas hélices. Voltou para o Pacífico e chegou em Funafuti em 21 de janeiro, onde juntou-se ao resto da frota para a próxima operação da campanha. Foi designado para o Grupo de Tarefas 58.2, partindo no dia 25 para iniciar a Operação Pederneira, a invasão de Kwajalein. O Alabama, South Dakota e o couraçado bombardearam Roi-Namur no decorrer de 29 e 30 de janeiro, atacando posições defensivas, campos de pouso e outras instalações. A embarcação ficou fazendo patrulhas ao norte de Kwajalein pelo restante da operação para guardar quaisquer possíveis contra-ataques japoneses, que não ocorreram.