The Wall Street Journal (WSJ), chamado com frequência simplesmente de Journal, é um jornal norte-americano sediado em Midtown Manhattan, na cidade de Nova Iorque. Publica ampla cobertura de notícias, com atenção especial a negócios e finanças, e opera por meio de um modelo de assinatura que exige pagamento para o acesso à maior parte de seus artigos e demais conteúdos. O Journal é publicado seis dias por semana pela Dow Jones & Company, uma divisão da News Corp.

Em 2025, o The Wall Street Journal era o jornal de maior circulação impressa dos Estados Unidos, com cerca de 412.000 assinantes da edição impressa. Tinha mais de quatro milhões de assinantes digitais, o segundo maior número do país depois do The New York Times. O jornal é um dos jornais de referência dos Estados Unidos. A primeira edição foi publicada em 8 de julho de 1889. A página editorial do Journal costuma adotar posições de centro-direita, enquanto sua cobertura noticiosa se situa mais ao centro. O jornal recebeu 39 Prêmios Pulitzer.

História

Fundação e século XIX thumb|Primeira página da edição inaugural do The Wall Street Journal, publicada em 8 de julho de 1889

Um antecessor do The Wall Street Journal foi a Kiernan News Agency, fundada por John J. Kiernan em 1869. Em 1880, Kiernan contratou Charles Dow e Edward D. Jones como repórteres. Por recomendação de Collis Potter Huntington, Dow e Jones fundaram seu próprio serviço de notícias, a Dow Jones & Company, juntamente com Charles Bergstresser, outro repórter de Kiernan. A Dow Jones funcionava no porão do número 15 de Wall Street, no mesmo edifício da empresa de Kiernan e ao lado da Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Os primeiros produtos da Dow Jones & Company, editora do Journal, eram breves boletins de notícias apelidados de flimsies, entregues à mão durante o dia aos operadores da bolsa de valores. Em 1883, esses boletins passaram a ser reunidos em um resumo diário impresso chamado Customers' Afternoon Letter, vendido por US$ 1,50 ao mês, diante dos US$ 15 mensais cobrados pelo serviço de boletins da Dow Jones. A Dow Jones abriu sua própria gráfica no número 71 da Broadway em 1885.

Em 8 de julho de 1889, o Afternoon Letter passou a se chamar The Wall Street Journal. A edição de estreia do Journal tinha quatro páginas, media cerca de 52,7 por 39,4 cm e custava US$ 0,02 por exemplar. Edward E. Scharff escreveu em 1986 que, nos primeiros tempos, o Journal trazia "um relato tedioso, lance a lance, dos negócios do dia, sem o benefício da edição".

Por quase quarenta anos, a primeira página usou um formato de quatro colunas. As duas centrais eram dedicadas a notas noticiosas, enquanto as duas externas traziam anúncios de corretoras. O Journal concentrava-se em material de agências de notícias e em cotações de ações e títulos, embora ocasionalmente publicasse matérias sobre esportes ou política. Uma das matérias da primeira página da edição inaugural era um despacho bruto sobre a luta de boxe entre John L. Sullivan e Jake Kilrain. O texto reunia versões divergentes da luta publicadas pelo The Boston Globe, pelo Baltimore American e por fontes anônimas. Nas primeiras décadas, o Wall Street Journal raramente publicava análises ou artigos de opinião. Além de uma linha telegráfica privada para Boston, o Journal recebia comunicações de repórteres por telégrafo de Washington, D.C., Filadélfia, Chicago, Pittsburgh, Albany e Londres.

Em 1896, o Journal começou a publicar dois índices de ações distintos da Dow Jones, o Dow Jones Industrial Average e o Dow Jones Railroad Average, depois chamado de Dow Jones Transportation Average. A primeira edição matutina do Journal foi publicada em 14 de novembro de 1898. No fim da década de 1890, a circulação diária havia chegado a 7.000 exemplares.

Charles Dow escreveu a primeira coluna "Review and Outlook" em 21 de abril de 1899. Era uma coluna editorial de primeira página que explicava os preços das ações a partir do comportamento humano. O pensamento de Dow ficaria conhecido como teoria de Dow. Scharff chamou os ensaios escritos por Dow entre 1899 e 1902 de "clássicos do mercado de ações".

Século XX

Nos meses anteriores à sua morte, em 1902, Dow acertou a venda da Dow Jones e do Journal a Clarence W. Barron, correspondente do jornal em Boston desde 1889, por US$ 130.000, equivalentes a cerca de US$ 4,84 milhões em 2025. Como Barron enfrentava dificuldades financeiras, sua esposa, Jessie Waldron Barron, fez o pagamento inicial de US$ 2.500 pela compra da Dow Jones em 1902. Clarence só teria uma participação acionária na empresa cerca de dez anos depois.

Sob a propriedade de Barron, Thomas F. Woodlock foi editor do Journal de 1902 a 1905. No fim de seu período no cargo, a circulação diária havia subido de 7.000 para 11.000 exemplares. William Peter Hamilton tornou-se o principal redator editorial em 1908, quando o Journal começou a expressar mais claramente as opiniões de Barron. Hamilton escrevia o que Scharff chamou de "sermões diários em defesa do capitalismo de livre mercado".

Barron e seus antecessores receberam crédito pelo desenvolvimento de um ambiente de cobertura financeira independente e sem receio, algo incomum nos primeiros anos do jornalismo econômico. Em 1921 foi criado o Barron's, semanário financeiro norte-americano. Scharff chamou o jornal da era Barron de "defensor público de Wall Street" diante das tentativas de regulamentação pelo Congresso dos Estados Unidos. A circulação continuou crescendo, chegando a 18.750 exemplares em 1920 e brevemente a 52.000 em 1928, mas não ultrapassou a de seu principal concorrente, The Magazine of Wall Street, principal publicação financeira daquele período. Barron morreu em 1928, um ano antes da quebra da Bolsa de 1929, que afetou profundamente a Grande Depressão nos Estados Unidos. Seus descendentes, a família Bancroft, mantiveram o controle da empresa até 2007.

A quebra de 1929 trouxe outra dificuldade ao Journal, pouco depois da morte de Barron. William Peter Hamilton morreu de pneumonia em 9 de dezembro de 1929, aos 63 anos. A circulação do jornal, que havia passado dos 50.000 exemplares em 1928, caiu para menos de 28.000 na década de 1930. O número de páginas também foi reduzido de 28 para 16. O presidente da Dow Jones, Hugh Bancroft, aposentou-se em 1932. Após sua morte, em 1933, sua viúva, Jane Waldron Bancroft, nomeou Kenneth Craven "Casey" Hogate para a presidência da empresa. Hogate pretendia ampliar o escopo do Journal, transformando-o em um "jornal de negócios mais geral", para além das cotações de ações e títulos.

Na expansão para o oeste, o Wall Street Journal lançou em 21 de outubro de 1929 uma edição da Costa Oeste, o The Wall Street Journal Pacific Coast Edition. A publicação se concentrava nas empresas da Califórnia e reproduzia parte do material da edição regular. Sua circulação, porém, nunca ultrapassou 3.000 exemplares, e a Grande Depressão provocou muitos cancelamentos de assinaturas.

Em 1931, Bernard Kilgore tornou-se editor de notícias do Wall Street Journal, depois de ter ingressado na mesa de edição em 1929. Ele começou a escrever para a Pacific Coast Edition uma coluna chamada "Dear George", que explicava assuntos financeiros pouco conhecidos em linguagem mais simples. O estilo contrastava fortemente com outros textos do jornal, repletos de jargão que às vezes nem os próprios repórteres compreendiam. A edição da Costa Leste passou a publicar a coluna e, a partir de 1932, Kilgore escreveu "Dear George" três vezes por semana em Nova Iorque. Em 1934, começou a escrever o resumo diário de notícias "What's News" para a primeira página. Seus textos chamaram a atenção da Casa Branca. O presidente Franklin D. Roosevelt recomendou publicamente trabalhos de Kilgore sobre pagamentos de pensões a veteranos da Primeira Guerra Mundial e sobre uma decisão da Suprema Corte referente à National Industrial Recovery Act de 1933. O Journal, porém, ainda enfrentava dificuldades financeiras. Em 1940, a circulação estava estagnada em 32.000 exemplares, a maioria das edições tinha apenas 12 a 14 páginas e a Dow Jones obteve lucro de US$ 69.000 sobre receita de US$ 2 milhões, principalmente graças ao seu serviço de cotações. Scharff observou que o jornal dedicava pouca cobertura à possibilidade de participação dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Na década de 1940, a Dow Jones começou a reorganizar o Journal. Kilgore tornou-se editor-administrativo do jornal em 1941 e diretor executivo da Dow Jones em 1945. Scharff resumiu a abordagem de Kilgore ao jornalismo: "Uma matéria do Journal precisava satisfazer seus leitores sofisticados, mas também tinha de ser clara o bastante para não afastar os iniciantes." Kilgore também procurou tornar o jornal atraente a um público nacional, aproximando o conteúdo das edições das costas Leste e Oeste. Até a abertura de gráficas e sucursais jornalísticas locais, não era possível incluir fotografias no Journal.

Em 1947, o jornal recebeu seu primeiro Prêmio Pulitzer, pelos editoriais de William Henry Grimes. Em maio do mesmo ano, lançou uma edição do sudoeste baseada em Dallas. Em 1949, adotou o slogan "Everywhere, Men Who Get Ahead in Business Read The Wall Street Journal". A circulação quase quadruplicou, de 32.000 exemplares em 1940 para 140.000 em 1949, embora as reformas editoriais de Kilgore ainda não fossem amplamente percebidas pelo público.

O primeiro grande prêmio jornalístico do Journal foi um prêmio de serviço público da Sigma Delta Chi, entregue por reportagens publicadas no fim de 1952 que expuseram relações entre a Empire Mail Order e o crime organizado. As matérias vieram depois da notícia de que Howard Hughes havia vendido a RKO Pictures à Empire Mail Order. A circulação continuou subindo durante a década de 1950, chegando a 205.000 exemplares em 1951, 400.000 em 1955 e mais de 500.000 em 1957.

Warren H. Phillips tornou-se editor-administrativo do Wall Street Journal em 1957, após ter dirigido a sucursal de Chicago. Phillips era judeu, numa direção que até então era formada principalmente por protestantes brancos do Meio-Oeste. Ex-socialista, mudou suas posições políticas na década de 1950 em direção ao liberalismo social e ao conservadorismo fiscal. Sob Phillips, o Journal publicou cobertura aprofundada do movimento pelos direitos civis, com a justificativa de que era "algo que o empresário médio precisava conhecer". Na crise de integração da Central High School de Little Rock, por exemplo, a cobertura foi além das imagens e do conteúdo emocional predominantes em outros jornais e na televisão. O Journal mostrou moradores locais favoráveis à integração, em contraste com o governador Orval Faubus e outros políticos locais.

Durante a greve dos jornais de Nova Iorque de 1962 a 1963, o Journal foi o único diário que continuou sendo impresso na cidade. Depois da greve, Kilgore ordenou a transferência das prensas de Nova Iorque para Chicopee, em Massachusetts, a partir de 1 de julho de 1963. Ele não explicou publicamente a decisão, mas Scharff escreveu em 1986 que a mudança resultara de conflitos entre a Dow Jones e o sindicato dos impressores.

Quando Kilgore morreu, em 1967, a circulação do Wall Street Journal já ultrapassava um milhão de exemplares. Nesse ano, a Dow Jones Newswires iniciou uma ampla expansão internacional e passou a manter jornalistas nos principais centros financeiros da Europa, Ásia, América Latina, Austrália e África. Em 1970, a Dow Jones comprou a cadeia de jornais Ottaway, que possuía nove diários e três jornais dominicais. A empresa passou mais tarde a se chamar Dow Jones Local Media Group. A primeira greve a atingir uma gráfica do Journal durou três dias em Silver Spring, Maryland, em 1967. Em 1970, motoristas fizeram outra paralisação, desta vez de uma semana, em South Brunswick, Nova Jérsei.

thumb|upright=1|O presidente norte-americano Ronald Reagan é entrevistado pelo WSJ no Salão Oval em fevereiro de 1985