Israelitas, também conhecidos como samaritanos são um pequeno grupo étnico-religioso originários do Reino de Israel, conhecidos pelos atuais judeus como Samaria. A Samaria é o nome histórico e bíblico de uma região montanhosa do Oriente Médio, constituída pelo antigo reino de Israel, situado em torno de sua antiga capital, Samaria, e rival do vizinho reino do sul, o reino de Judá. Um estudo de 2019 produzido pela comunidade samaritana estima o seu número em 820 pessoas.The Samaritan Update Atualmente, habitam no distrito de Holon em Telavive e Nablus na Cisjordânia situadas em Israel e na Palestina.

A religião dos samaritanos baseia-se no Pentateuco, tal como o judaísmo. Contudo, ao contrário deste, o samaritanismo rejeita a importância histórica de Jerusalém. Os samaritanos não possuem rabinos e não aceitam o Talmude dos judeus.

A religião dos samaritanos é o samaritanismo. O samaritanismo é uma religião abraâmica intimamente relacionada com o judaísmo que se baseia na Torá dos samaritanos e que, até onde é sabido, é praticada exclusivamente por eles. Seu culto é centrado no monte Gerizim (perto do atual Nablus), ao contrário do judaísmo, que tem o monte Moriá (Jerusalém) como sua montanha sagrada.

Provavelmente no samaritano, como no judaísmo, havia cismas e disputas religiosas, das quais pouco se sabe. No entanto, hoje, por causa do pequeno número de samaritanos que ainda permanecem, há apenas uma corrente religiosa.

Origem dos samaritanos Por volta de 1000 a.C., os israelitas viviam nas terras altas situadas a oeste do rio Jordão, assim como numa área situada um pouco a leste deste rio, no atual território da Jordânia. Segundo a Bíblia, os israelitas dividiam-se em doze tribos, que alimentavam rivalidades mais ou menos intensas umas com as outras. O fator primordial da separação se estabelece na condição em que o Rei Selêucida se apodera do templo em Jerusalém e introduz idolatrias e praticas consideradas pagãs, proibindo a Torá e a circuncisão. Assim, as tribos do Norte associaram se com os selêucidas a fim de destruir a quem consideravam seus inimigos comuns na tribo de Judá ao sul.

Ainda de acordo com a Bíblia, estas tribos teriam sido unificadas em cerca de 1000 a.C pelo rei Saul, que foi sucedido pelo rei Davi; este foi por sua vez sucedido pelo seu filho Salomão.. Para alguns historiadores, como Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, o reino unificado de Saul, David e Salomão não passa de um mito. Estes autores apontam o facto dos arquivos dos Estados da região não falarem em qualquer momento deste reino; defendem em vez disso a existência de dois reinos formados por volta do século X a.C.

Da mesma forma que os Samaritanos na verdade descendem de misturas de israelitas e povos e nações e que por fim foram para o exílio com estrangeiros depois de erguer seu próprio reino com capital em Samaria e ter todos os seus 10 reis amaldiçoados sucessivamente por Deus até serem expulsos para o exílio(Charles Hitmore. "Life and Times in The Old Testament." 1955).Tornaram-se espúrios e nunca mais voltaram do exílio, são as chamadas "Tribos perdidas". O que resta hoje em Israel são os descendentes dos judeus que permaneceram na terra, com milhares de descendentes conforme está escrito: "Eu os trarei de todas as nações da terra..." As 10 tribos nunca voltaram,

Depois da morte de Salomão, em cerca de 930 a.C., dez tribos do norte separaram-se e formaram o reino de Israel, também conhecido como reino da Samaria, devido ao nome da cidade que se tornou a sua capital no século IX a.C. Este reino tornou-se vizinho e por vezes rival do reino do Sul, o reino de Judá.

Os dois reinos thumb|esquerda|Levante em ca. O reino de Israel e o reino de Judá definiram-se um com relação ao outro. Embora fizessem parte da mesma comunidade, encontravam-se em disputa no domínio territorial, político e religioso.

Num contexto em que a religião e a política não estão separadas, o controle da religião é um aspecto importante do poder. Assim, cada reino fixou os seus próprios lugares de culto. O do reino de Judá já estava instalado em Jerusalém, enquanto que os do reino de Israel situavam-se em diversos pontos, encontrando-se os mais importantes nas extremidades norte e sul do reino, curiosamente não restou nada e nem nenhuma ruína de tais locais de culto do Reino do Norte. Porque tal como estava escrito, o Eterno Deus ordena aos Reis de Judá que derrubassem tais locais samaritanos que o culto era abominável e deveriam ser extirpados, em Betel e em Dã. Nos primeiros séculos esta diversidade de templos não representou um problema e não gerou qualquer tipo de cisma. Saliente-se que antes do ano não existiam locais de culto permanentes, como mostra a Bíblia (o profeta Samuel, por exemplo, era sacerdote no santuário de Silo). O fenômeno estava relacionado com a ausência de uma centralização do poder inerente à vida das tribos.

De acordo com a Bíblia, as tribos do reino de Israel tinham uma inclinação para o pecado. Sobre os seus templos lança-se a acusação de estarem abertos aos ritos pagãos e de não serem verdadeiramente israelitas. É possível provar a realidade destas acusações, quando Deus mesmo permite o fim do Reino do Norte, seu exílio e a sua população quase na sua totalidade desaparecida. (Charles Hitmore. "Life and Times in The Old Testament." 1955)

A Origem dos samaritanos é de descendência assíria e mistura de povos dominadores hostis a casa de Israel e que, na época, estavam decididos a dominar toda a terra, porém um grande exílio os dispersou e eliminou. "Sendo assim o reino de Israel ficou dividido, formando Judá e Benjamim o reino do Sul e o restante das dez tribos o reino do Norte... E o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel, surgia os samaritanos."

Em a saber o rei Salmaneser, os assírios conquistaram o reino de Israel, que transformaram numa província do seu império. O reino de Judá aceitou submeter-se à soberania dos assírios como estado vassalo, tendo por isso sobrevivido mais algum tempo. Restabeleceu a sua independência durante o reinado de Josias, tendo sido destruído pelos babilónios e a sua população deportada em 586-

Importante ressaltar que a cizânia entre os reinos se estabeleceu de tal forma que no período que Israel esteve sob domínio grego no período de Judas Macabeu, os samaritanos lutaram e apoiaram os gregos contra Judá. Porém Judá venceu e expulsou os dominadores gregos e rededica o templo de Jerusalém. (Charles Hitmore. "Life and Times in The Old Testament." 1955)

Perspectiva judaica ortodoxa De acordo com o II Livro de Reis, que se pensa ter sido redigido em meados do século VI a.C. (pelo menos cento e cinquenta anos após os acontecimentos), a população do reino de Israel foi deportada para outras regiões do Império Assírio como castigo pelos seus pecados. De seguida, esta população teria misteriosamente desaparecido (as "Dez Tribos perdidas de Israel").

A Bíblia refere que povos estrangeiros foram transladados para habitar o território das populações deportadas. Estes estrangeiros teriam criado uma religião nova, que misturava elementos hebraicos e pagãos, e encontram-se na origem dos samaritanos.II Reis 17:41 A adulteração dos Dez mandamentos com a inclusão de um décimo primeiro mandamento com ordenança de adoração no Monte Guerizim aumentou a separação e as disputas. (Charles Hitmore. "Life and Times in The Old Testament." 1955)

Perspectiva da História direita|thumb|Sargão II e um alto dignitário Os arqueólogos recuperaram uma boa parte dos arquivos do Império Assírio. As crônicas assírias de Sargão II, o rei que venceu o reino de Israel, afirmam:

Alguns tradutores não estão de acordo quanto ao significado exacto de "cidade de Samaria", considerando que o texto original não esclarece se se trata da cidade ou do Estado da Samaria.

Há no entanto um ponto em comum com o II Livro de Reis, a deportação dos Israelitas. Mas há também uma diferença importante: o número de deportados. Segundo o livro bíblico de II Reis, toda ou quase toda a população foi deportada; segundo Sargão, foi apenas uma minoria. Os arqueólogos estimam que o reino da Samaria teria 200 000 pessoas, de acordo com as cidades e aldeias reencontradas. Sabe-se que ocorreu uma primeira deportação dez anos antes, quando o rei assírio Tiglat-Falasar III conquistou a Galileia. O total das duas deportações atinge cerca de 40 000 pessoas, ou seja apenas 20% do total dos habitantes, essencialmente a elite. Os historiadores acreditam que certos Israelitas do Norte teriam partido também como refugiados para o Reino de Judá.

A implantação de colonos estrangeiros é indicada várias vezes no resto do texto, mas a propósito de outras conquistas. Esta política de implantação era comum e, por conseguinte, foi provavelmente também feita na Samaria, como o indica o livro de II Reis. Na localidade de Gezer e nos seus arredores encontraram-se textos cuneiformes do século VII a.C. contendo nomes babilônicos. A transladação de populações estrangeiras na Samaria (pelo menos em certas zonas), encontra-se assim atestada. Contudo, a arqueologia revela que este repovoamento está longe de ter sido maciço. As cerâmicas, inscrições, aldeias, etc. mostram uma continuidade com o período anterior. O Livro de Jeremias afirma que 150 anos após a queda do reino do Norte, os Israelitas do Norte apresentaram oferendas no templo de Jerusalém.

Perspectiva dos samaritanos De acordo com o seu livro de Crónicas (Sefer ha-Yamim), os samaritanos consideram-se como descendentes das tribos de Efraim e de Manassés (duas tribos procedentes da tribo de José) que viviam no reino de Israel antes da sua destruição em 722 a.C. Esta visão está bastante próxima dos estudos da maior parte dos historiadores.

Os samaritanos afirmam ainda que foram os judeus a se separar deles quando da transferência da Arca da Aliança no século XI a.C. De acordo com a segunda das suas sete crônicas, foi o profeta Elias a causar o cisma quando estabeleceu em Siló um santuário que visava substituir o santuário do Monte Gerizim.

Mas não é fato, e para que o movimento samaritano surgido depois da separação entre os Reinos do Norte e do Sul modificaram decisivamente os dez mandamentos acrescentando o decimo primeiro onde "ordena-se" a construção do templo e adoração sobre o Monte Guerizim em Nablus. (Foster, Henry. "The lost Tribes" Ed. 1927)

De qualquer modo, os anos que se seguiram foram marcados pela esperança de libertação. Porem, em 722 o Reino do Norte foi definitivamente conquistado por Salmanaser V (726-722 a.C.), ocorrendo a consolidação assíria com Sargão II (722-705 a.C.). Samaria foi repovoada por colonos estrangeiros e a população deportada por todo o império assírio.

Datação da ruptura direita|thumb|Ciro II e os hebreus. Iluminura de Jean Fouquet, c. de 1470-75 Em 586 a.C., o reino de Judá cai perante o inimigo, e uma parte da sua população é deportada para a Babilônia. Após a libertação dos exilados por Ciro II em 537 a.C., estes decidem reconstruir o templo de Jerusalém. Os samaritanos oferecem então a sua ajuda, mas esta é rejeitada, tal como descreve o Livro de Esdras.

Se tiver como referência o Livro de Esdras, a ruptura religiosa entre judeus e samaritanos teria ocorrido depois de 500 a.C. Porém, dado que há incertezas quanto à data de redação dos textos, conteúdo e aplicação do mesmos, subsistem dúvidas. Alguns estudiosos consideram que a ruptura ocorreu após o retorno de Neemias em 445 a.C.; o começo da história samaritana propriamente dita situar-se-ia no começo da época helenística, com a construção de um templo rival ao de Jerusalém, no monte Gerizim, em Siquém (atual cidade de Nablus). (Foster, Henry. "The lost Tribes" Ed. 1927)

História dos samaritanos após a separação