Urucum, também grafado urucu, é o fruto do urucuzeiro ou urucueiro (Bixa orellana), arvoreta da família das bixáceas, nativa na América tropical, que chega a atingir altura de até seis metros. Apresenta grandes folhas de cor verde-claro e flores rosadas com muitos estames. Seus frutos são cápsulas armadas por espinhos maleáveis, que se tornam vermelhas quando ficam maduras. Então se abrem e revelam pequenas sementes dispostas em série, de trinta a cinquenta por fruto, envoltas em arilo também vermelho.

Etimologia "Urucu" e "urucum" originam-se do tupi antigo uruku, ou urukũ, nome da árvore, do seu fruto, e da tinta feita dele pelos indígenas.

Nomes populares Em cultura lusófona, chama-se ainda açafroa e também colorau (forma imprópria, a designar especificamente o condimento, também o corante, preparados à base de sementes do urucu trituradas ao pó, puras e/ou misturadas a outras).

Noutras culturas, chama-se: orleansstrauch (alemão), achiote ou onoto (espanhol), rocou (francês), achiote ou annatto (inglês), achiote ou bijol (espanhol).

Nomes indígenas KwazáManso, Laura Vicuña Pereira. 2013. Dicionário da língua Kwazá. Dissertação de mestrado. Guajará-Mirim: Universidade Federal de Rondônia. (PDF).: toro Proto-Mamoré-GuaporéJolkesky, Marcelo (2016). Uma reconstrução do proto-mamoré-guaporé (família arawák). LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 16(1), 7-37. : *nire Proto-NawikiJolkesky, Marcelo Pinho de Valhery. 2016. Estudo arqueo-ecolinguístico das terras tropicais sul-americanas. Doutorado em Linguística. Universidade de Brasília.: *pʰɨːli Proto-Maku OrientalMartins, Valteir. 2005. Reconstrução Fonológica do Protomaku Oriental. LOT Dissertation Series. 104. Utrecht: LOT Netherlands Graduate School of Linguistics. (Doctoral dissertation, Vrije Universiteit Amsterdam).: *hɤ̂w Proto-ChapacuraAngenot, Geralda de Lima (1997). Fonotática e Fonologia do Lexema Protochapacura. Dissertação do Mestrado, Universidade Federal de Rondônia.: *mawin Proto-ArawáDixon, R. M. W. 2004. Proto-Arawá Phonology. Anthropological Linguistics 46: 1-83.: *xidepe Proto-PanoJolkesky, Marcelo Pinho de Valhery. 2016. Estudo arqueo-ecolinguístico das terras tropicais sul-americanas. Doutorado em Linguística. Universidade de Brasília.: *maʂɨ Proto-Takana: *maʦe Proto-TucanoChacon, Thiago (2013). On Proto-Languages and Archaeological Cultures: pre-history and material culture in the Tukanoan Family. In Revista Brasileira de Linguística Antropológica. Vol. 5, No. 1, pp. 217-245.: *p’õsa Proto-JabutíVOORT, H. van der. Proto-Jabutí: um primeiro passo na reconstrução da língua ancestral dos Arikapú e Djeoromitxí. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 2, n. 2, p. 133–168, maio/ago. 2007.: *kutʃamrəj Proto-Nambikwara:Price, D. (1978). The Nambiquara Linguistic Family. In Anthropological Linguistics, Vol. 20, No. 1, pp. 14-37. Published by: Trustees of Indiana University. DiACL, consultado em 9 febrero 2020.: *top³ Proto-TuparíMoore, D. & Vilacy Galucio, A. (1994). Reconstruction of Proto-Tupari consonants and vowels. In Langdon, M. (eds.), Survey of California and Other Indian Languages, Report 8. 119-30, Columbus: Ohio State University. DiACL, consultado em 9 febrero 2020.: *ŋgop

Contexto cultural e histórico O urucum é utilizado tradicionalmente pelos Indígenas brasileiros (juntamente com o jenipapo, de coloração preta) e peruanos, como fonte de matéria prima para tinturas vermelhas, usadas para os mais diversos fins, entre eles, protetor da pele contra o sol e contra picadas de insetos; há também o simbolismo de agradecimento aos deuses pelas colheitas, pesca ou saúde do povo. No Brasil, a tintura de urucu em pó é conhecida como colorau e usada na culinária para realçar a cor dos alimentos. Esta espécie vegetal ainda é cultivada por suas belas flores e frutos atrativos. Ao passar urucu na pele, ele penetra nos poros e, ao longo do tempo, a pele passa a ter uma tonalidade avermelhada constante e definitiva. Isso acontece pois os poros se entopem de urucu e não conseguem mais eliminá-lo.

Um produtivo nativo das América, que foi levado para Europa desde o século XVII, é mundialmente empregado como corante de diversos fins, principalmente na indústria alimentícia. Com o banimento do uso de corantes alimentícios artificiais na União Europeia, por prováveis efeitos cancerígenos, por exemplo a anilina, é intensamente importado da América tropical e África, além de quase não ter sabor.

thumb|180px|Fruto aberto de urucu mostrando as sementes cobertas pelo arilo avermelhado utilizado como corante e tintura.

Usos Na culinária: como condimento e também colorante, emprega-se sob a forma de pó obtido por trituração das sementes, usualmente misturadas a certo teor de outros grãos também triturados, devido ao arilo que envolve as sementes, que fornece matéria corante vermelha característica, como na casca dos queijos: leyden, queijo-do-reino e outros. É apreciado pela quase ausência de sabor e por não apresentar os efeitos prejudiciais dos corantes artificiais; Também é muito usada na culinária mexicana como condimento chamado Achiote, usado em pratos como Cochinita Pibil, Carnitas entre outros. Na cosmética: empregam-no os ameríndios tropicais no preparo de tinturas para pintar o corpo, com a finalidade de proteção contra o rigor do sol (confere proteção contra radiação ultravioleta); Na medicina: como medicamento fitoterápico, é dotado de inúmeras características e propriedades bioquímicas, que lhe dão aplicação em vasta gama de casos.

Composição química As sementes do urucu contêm celulose (40 a 45%), açúcares (3,5 a 5,2%), óleo essencial (0,3% a 0,9%), óleo fixo (3%), pigmentos (4,5 a 5,5%), proteínas (13 a 16%), alfa e betacarotenos e outros constituintes.

Possuem, também, dois tipos de pigmentos: A bixina, de cor vermelha e solúvel em óleo; A orelhena, de cor amarela e solúvel em água. Para informação nutricional, 100 g de semente de urucu contêm: • Cálcio7,00 mg• Ferro0,80 mg• Fósforo10,00 mg• Vitamina A15,00 µg• Vitamina B1• Vitamina B20,05 mg• Vitamina B30,03 mg• Vitamina C2,00 mg

Óleo de urucum thumb|Óleo de Urucum O óleo obtido é rico em tocotrienol, betacaroteno, óleo essencial, óleo fixo, ácidos graxos saturados e insaturados, flavonoides e Vitamina C.CÓDIGO INTERNO XXX_APELIDO www.inova.unicamp.br Processo otimizado para obtenção de óleo rico em antioxidantes de urucum É usado nas diversas formas cosméticas, onde se deseja aproveitar as características do óleo de urucum. É facilmente incorporado em cremes, loções cremosas, bronzeador, protetores solares, protetores labiais. Atua reestruturando os cabelos e auxilia na proteção contra os raios ultravioletas. depois do boom do argan, conheça os novos óleos que prometem cuidar dos cabelos. http://mulher.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2012/09/17/depois-do-boom-do-argan-conheca-os-novos-oleos-que-prometem-cuidar-dos-cabelos.htm Obtenção de óleo com alta atividade antioxidante e de redução do colesterol, que pode ser utilizado em suplementos nutricionais e em cosméticos.

Tocotrienóis

Uso medicinal Embora, sob o ponto de vista científico, ainda seja objeto de estudo com vista ao estabelecimento do rol de aplicações, consideram-se as folhas e as sementes do urucu como: Dotadas de virtudes expectorantes em geral; Úteis nas afecções diversas, principalmente do coração; Eficazes na eliminação de manchas e verrugas (tintura das sementes aplicada sobre a pele elimina manchas brancas, verrugas, e rejuvenesce a pele); Eficazes para alívio e redução da prisão de ventre, hemorroidas e hemorragias (chá das folhas). Podem ainda, segundo informações coletadas entre os indígenas, ser usadas como repelente natural de insetos ( sementes ). A Medicina Fitoterápica dispõe das informações precisas sobre o uso médico.

Sinonímia Bixa americana Bixa oviedi Bixa purpurea Bixa tinetoria Bixa upatensis Bixa urucurana

Ligações externas

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