miniaturadaimagem|Um medalhão que representa a alegoria da Filosofia, parte do afresco "A Escola de Atenas" de Rafael Sanzio.
A gnoseologia (ou gnosiologia) é um termo filosófico mais ou menos utilizado conforme os países, as línguas e as épocas, para se referir à teoria do conhecimentoGreat Soviet Encyclopedia. "Theory of knowledge".Гносеология. Новейший философский словарь. Минск: Книжный Дом. А. А. Грицанов.1999.. Ocupa-se do estudo do conhecimento, a sua origem, natureza, limites do ato cognitivoEnciclopedia Treccani: gnoseologia.Collins Dictionary. "Gnosiology". e da validade do conhecimento em função do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o objeto. O termo também é frequentemente empregado no mundo da Cristianismo OrientalJohn Meyendorff Christ in Eastern Christian Thought 1975 p. 77: "The classical book on Eastern Christian gnosiology is by V. Lossky, The Mystical Theology of the Eastern Church (London: James Clarke, 1957).".
No Brasil o termo gnoseologia não se confunde com a epistemologia, que se refere apenas ao conhecimento científico. A metafísica é a área que poderá entrar em contato com a gnoseologia e diferencia-se da ontologia: ambas se preocupam com o ser; porém a metafísica põe em questão a própria essência e existência do ser. Em outras palavras, grosso modo, a ontologia insere-se na teoria geral do conhecimento, que se preocupa com a validade do pensamento, das condições do objeto e sua relação com o sujeito cognoscente, enquanto que a metafísica procura a verdadeira essência e condições de existência do ser humano.
Etimologia O termo gnoseologia foi cunhado a partir das palavras gregas gnôsis (), que significa “conhecimento”, e lógos (), que significa “discurso” ou “estudo”Christian Godin, Dictionnaire de philosophie, Fayard, 2004 (ISBN 2-213-62116-0 et 978-2-213-62116-6).. Foi introduzido em 1769 por Alexander Gottlieb Baumgarten (1714–1762), na obra Sciagraphia encyclopaediae philosophicae, para designar o conhecimento do conhecimento. Para ele, a gnoseologia compreende duas partesJan Woleński, « The History of Epistemology », dans Handbook of Epistemology, Springer Netherlands, 2004 (ISBN 978-94-015-6969-9), p. 3–54 (em inglês)Apel, Karl-Otto; Sini, Carlo; Filosofia; Milão: Jaca Book, 1991, p. 188.
A lógica, que trata do conhecimento intelectual. A estética, que trata do conhecimento sensível.
Teoria do conhecimento A Teoria do conhecimento tem por objetivo buscar a origem, a natureza, o valor e os limites do conhecimento, da faculdade de conhecer. Os principais problemas da teoria do conhecimento são: A possibilidade do conhecimento A origem do conhecimento O limite do conhecimento A essência do conhecimento As formas do conhecimento O valor do conhecimento (o problema da verdade)
Segundo a filosofia arcaica, se há conhecimento humano, existe a verdade, porque esta nada mais é do que a adequação da inteligência com a coisa (segundo a concepção aristotélico-tomista). Com o conhecimento da verdade, há consequentemente a certeza, que surge mediante a passagem da inteligência à verdade conhecida. A inteligência humana tende a fixar-se na verdade conhecida. Metodologicamente, há primeiramente o conhecimento, depois a verdade, e finalmente a certeza. Tal tomada de posição perante o primeiro problema da crítica, é chamado de dogmatismo, sendo defendida por filósofos ditos realistas, como por exemplo, Aristóteles e Tomás de Aquino. Tais conceitos afastam-se do método científico como o conhecemos.
Se, ao contrário, se sustentar que a inteligência permanece, em tudo e sempre, sem nada afirmar e sem nada negar, i.é, sem admitir nenhuma verdade e nenhuma certeza, sendo a dúvida universal e permanente o resultado normal da inteligência humana, está se defendendo o ceticismo.
O problema crítico representa um passo além do dogmatismo e do ceticismo. Uma vez que admite-se a existência da verdade (valor do conhecimento), e da certeza, pergunta-se então onde estão as coisas: só na inteligência, como querem Platão, Hegel (idealismo), só na matéria, como ensina Marx (materialismo), no intelecto humano e na matéria, como dizem Aristóteles, Tomás de Aquino (realismo), ou só na razão, como diz Descartes (racionalismo).
Investigando os fundamentos de todo o conhecimento, pois critica o conhecimento do ente transcendente, a Crítica é a base necessária de todo o saber científico e filosófico, inclusive da própria Ontologia.
Na gnosiologia existe o conceito de apriorismo kantiano, que se utiliza do racionalismo e do empirismo: primeiro, o sujeito conhece nada a partir dos sentidos; depois, a razão organiza o conhecimento empírico.
Ver também Anosognosia Asseidade Cogito ergo sum Construcionismo (filosofia) Dualismo Filosofia da ciência Monismo Objetividade (filosofia)