MDNA é o décimo segundo álbum de estúdio da artista musical americana Madonna. O seu lançamento ocorreu em 23 de março de 2012, através da gravadora Interscope Records. Após a conclusão de sua turnê Sticky & Sweet Tour (2008-09) e o lançamento da coletânea Celebration (2009), Madonna anunciou que queria voltar a fazer músicas. Depois de dirigir o filme W.E., ela reuniu-se com produtores como William Orbit e Martin Solveig, e iniciou a elaboração de seu disco seguinte em 2011. Originalmente, Solveig havia sido convidado para produzir apenas uma canção, cuja ideia acabou expandindo-se em três. Durante as gravações, Madonna e Solveig descobriram vários interesses em comum, levando ao desenvolvimento de uma música para o filme Le Samouraï.
Musicalmente, MDNA é inspirado pelos gêneros EDM e dance-pop, e apresenta influências de dance, sendo um afastamento musical de Hard Candy (2008), que era principalmente influenciado pelo R&B e hip hop. Embora algumas de suas canções falem sobre amor e dança, diversas obras são liricamente relacionadas com seu divórcio do diretor britânico Guy Ritchie, ocorrido em 2008, uma vez que nelas são tratadas questões de traição, desgosto, vingança e arrependimento. Algumas faixas também apresentam elementos de trabalhos anteriores de Madonna, incluindo referências às suas canções "Papa Don't Preach" e "Beautiful Stranger".
MDNA recebeu análises geralmente positivas dos críticos musicais, os quais prezaram a sua produção e suas influências EDM. Entretanto, seus vocais foram criticados pelos resenhadores, que descreveram-nos como "eletronicamente manipulados". Obteve êxito comercial, atingindo a primeira posição das tabelas musicais de diversos países, como Austrália, Canadá, Estados Unidos, Irlanda e Reino Unido. Na Austrália e no Reino Unido, Madonna tornou-se a artista com maior número de álbuns na primeira colocação de suas respectivas tabelas musicais, e converteu-se no seu oitavo disco a atingir o cume da Billboard 200; contudo, registrou uma queda de 86.7% em vendas na sua segunda semana de distribuição nos Estados Unidos. O material foi o vigésimo mais vendido de 2012 e comercializou mais de dois milhões de unidades até 2014.
De MDNA foram distribuídos três singles oficiais. "Give Me All Your Luvin'", o primeiro, obteve um desempenho comercial positivo, embora não ao ponto dos singles anteriores de Madonna, tornando-se seu 38º a classificar-se nas dez primeiras posições na Billboard Hot 100. "Girl Gone Wild" e "Turn Up the Radio" foram lançados como os segundo e terceiro focos de promoção, respectivamente e, embora tenham atingindo o topo da Hot Dance Club Songs, não obtiveram desempenho como o antecessor. Entretanto, o último citado foi o 43º tema da artista a culminar na tabela estadunidense supracitada, dando à Madonna o maior número de primeiras posições no periódico. A divulgação do projeto contou com o lançamento de "Masterpiece" nas rádios britânicas e a distribuição promocional de "Superstar" no Brasil, bem como uma controversa apresentação no show do intervalo do Super Bowl XLVI e a turnê mundial The MDNA Tour (2012), que visitou as Américas, Ásia e Oceania, convertendo-se na quarta com maior arrecadação de todos os tempos.
Antecedentes
Após a conclusão da Sticky & Sweet Tour, Madonna iniciou os preparativos do lançamento de seu terceiro álbum de grandes êxitos, Celebration. O disco marcou seu último lançamento com a Warner Bros. Records, gravadora na qual manteve-se desde Madonna (1983). Em dezembro de 2010, a cantora publicou no seu Facebook, afirmando que estava à procura de pessoas com que pudesse trabalhar: "É oficial! Preciso me mexer. Preciso suar. Preciso fazer música nova! Música com que possam dançar. Estou procurando os artistas mais loucos, doentes, as pessoas mais rudes para colaborar". Terminados todos os trabalhos de W.E., filme escrito e dirigido pela artista, ela voltou ao estúdio para a elaboração de seu décimo segundo álbum de estúdio. Anteriormente à distribuição de Hard Candy (2008), ela também fechou um contrato com a Live Nation Entertainment.
A estadunidense encontrou-se com William Orbit, com quem tinha trabalhado anteriormente em Ray of Light (1998), para iniciar o processo. Descrevendo a relação dos dois como "frutífera", Madonna afirmou que não houve nenhuma divergência criativa entre os dois: "Com William, eu realmente não tive uma discussão. Temos trabalhado em coisas por tantos anos, que terminamos a frase do outro. Ele sabe o meu gosto e o que eu gosto. Magia acontece quando entramos num estúdio de gravação juntos". Além deste, ela convidou diversos produtores para ajudá-la, como Alle Benassi, Benny Benassi, The Demolition Crew, Michael Malih e Indiigo Muanza; artistas também foram chamados, incluindo Nicki Minaj e M.I.A. De acordo com a cantora, ela prezou por colaborar com "mulheres que [...] têm um forte senso de si mesmas".
Em julho de 2011, Martin Solveig foi convidado para uma sessão de gravação em Londres. Originalmente, Madonna havia convidado Solveig para uma ideia de apenas uma canção, que finalmente se transformou em três: "Give Me All Your Luvin'", "I Don't Give A" e "Turn Up the Radio". Em entrevista à revista Billboard, o produtor sentiu que a seleção dos produtores de Madonna seria intimidante. Assim, ele evitou "pensar sobre a lenda e fazer algo que fizesse sentido". Em dezembro de 2011, foi confirmado que Madonna tinha entrado em um contrato com a Interscope Records, que atuaria como distribuidora de três álbuns da musicista, a partir do décimo segundo. Desta forma, MDNA marca o primeiro lançamento de Madonna na Live Nation e na Interscope.
Gravação 180px|thumb|left|Originalmente convidado para produzir apenas uma faixa, Martin Solveig (imagem) acabou por contribuir em três e descobriu diversos interesses em comum com Madonna. Em 4 de julho de 2011, o empresário de Madonna, Guy Oseary, anunciou que a cantora tinha entrado em estúdio para começar as sessões de gravação para o seu décimo segundo álbum de estúdio. Em uma entrevista com o Channel V Australia, Martin Solveig comentou que durante as gravações, os dois músicos se comunicavam em um nível de organização. Ele acrescentou: "A gravação dessas músicas para esse álbum foi algo que rapidamente tornou-se muito natural e eu acho que realmente nos ajudou a criar algo interessante". Solveig sentiu que tiveram tempo para trabalhar no disco, o que aliviou a pressão das sessões, e ele sentiu que os dois gostavam de fazer músicas juntos, o que foi a razão para que eles continuassem a criar mais músicas, ao contrário do compromisso original de apenas fazerem uma canção juntos. O produtor também comentou sobre o envolvimento de Madonna na produção do álbum:
Solveig e Madonna "se deram muito bem" e descobriram interesses em comum na música, cinema, comida e vinhos. O filme francês Le samouraï, que narra a história de um assassino solitário, tornou-se uma discussão que levou à elaboração de "Beautiful Killer", que referencia o filme. Tais interesses foram o que os levou a terem colaborações de sucesso, já que Madonna apreciava sua forma de trabalhar, dizendo: "Ele é muito organizado e metódico em seu pensamento", e ela descobriu que era capaz de dizer "'Não, eu não gosto disso', e não ferir os sentimentos [de Orbit]". Madonna também falou sobre o produtor William Orbit, sentindo que suas qualidades europeias foram bem adaptadas ao seu estilo de produção, e citou a conversa entre eles durante as sessões como "essencial". Ela também declarou: "Com William, nós sempre entramos em discussões sobre a filosofia ou sobre a física quântica". Quando começou a trabalhar com Benny e Alle Benassi, ela achou difícil comunicar-se com Benny por ele não ter fluência na língua inglesa; durante as sessões de gravação, ela usou Alle como intérprete e então, eles finalmente encontraram uma maneira de se comunicar. Ela não havia trabalhado com o disc jockey (DJ) antes e descobriu que o primeiro encontro com o produtor foi difícil ao ponto dela se sentir tímida e depois de terem resolvido o problemas de comunicação, Madonna disse: "Eu senti como se eu o conhecesse muito bem".
Título e capa thumb|upright|O nome do álbum é uma referência a droga MDMA, conhecida como ecstasy. No final de 2011, alguns rumores apontavam que o título do décimo segundo álbum de Madonna seria Luv. No entanto, o título oficial do trabalho foi anunciado pela cantora durante uma entrevista à Graham Norton durante o The Graham Norton Show em 11 de janeiro de 2012. MDNA foi o nome escolhido. Martin Solveig revelou que M.I.A. sugeriu o título, observando que "nós estávamos nos divertindo muito com as iniciais. M.I.A. disse: 'Você deve intitular o álbum de MDNA, pois seria uma boa abreviação e ortografia de seu nome'. Então percebemos que havia realmente muitas possibilidades diferentes de entendimento para aqueles iniciais, e o mais importante é 'o DNA de Madonna'". Em outra ocasião, para o The Tonight Show with Jay Leno, a estadunidense explicou que o título do disco é um trocadilho triplo, representando o seu nome e seu DNA. Ela também insinuou que também é uma referência à droga MDMA, que produz "sentimentos eufóricos de amor". O título foi criticado por Lucy Dawe, porta-voz da campanha do grupo antidrogas Cannabis Skunk Sense. Ela disse ao jornal The Sun que a escolha de Madonna de título do álbum foi "uma decisão mal aconselhada".
A capa para MDNA foi fotografada por Mert e Marcus e dirigida por Giovanni Bianco. A capa da edição deluxe do álbum foi revelada através do Facebook da cantora, em 31 de janeiro de 2012. De acordo com Jocelyn Vena, da MTV, na capa, a cantora está "de cabeça erguida, com seus cabelos encaracolados ao vento. Ela está usando muito rímel, batom vermelho brilhante, uma gargantilha e um top brilhante rosa de seda. A foto também apresenta um vidro de canaleta sobre ela." Jeff Giles do PopCrush comentou: "Consistindo em uma colorida fotografia de Madonna em um clássico loiro e uma pose glamourosa, a capa de MDNA promete um passo ousado, mantendo uma forte reminiscência de seu trabalho no topo das paradas dos anos 80". Robbie Daw do Idolator comparou a obra com a de True Blue (1986). A capa da edição padrão foi mais tarde revelada em 6 de fevereiro de 2012. Emily Hewett do Metro escreveu que "embora a capa tenha cores semelhantes e o mesmo estilo da capa da edição deluxe, a versão padrão possui uma visão do corpo da cantora, com um vestido escarlate apertado e luvas condizentes, ao invés de um close em seu rosto".
Lançamento esquerda|thumb|Madonna interpretando "I'm a Sinner" durante a passagem da MDNA Tour por Córdova, em 2012. Em um comunicado lançado em dezembro de 2011, foi anunciado que Oseary e a Live Nation haviam desenvolvido um plano de longa data para Madonna, através do qual ela havia assinado um contrato de três álbuns com a Interscope Records, subsidiária da Universal Music Group. Foi o começo do acordo 360 assinado pela intérprete com a Live Nation em 2007, que incluía "novos álbuns de estúdio, turnês, merchandising, fã-clube/website, DVDs, projetos televisivos e cinematográficos relacionados à música e acordos de patrocínio associados". Na mesma nota, a data de lançamento de MDNA foi anunciada para o final de março de 2012, com o primeiro single "Give Me All Your Luvin'" sendo lançado em janeiro de 2012. Em uma enquete realizada pela Billboard no mesmo mês, o álbum foi votado como o mais aguardado para 2012, com 42% dos votos. A data final de distribuição foi confirmada para 23 de março de 2012 na Alemanha e na Austrália, e para 26 de março na maioria dos outros mercados, incluindo os Estados Unidos.