Oscar Daniel Bezerra Schmidt (Natal, 16 de fevereiro de 1958 — Santana de Parnaíba, 17 de abril de 2026) foi um basquetebolista brasileiro que atuou como ala, amplamente reconhecido como um dos maiores jogadores da história do basquete. Conhecido pela sua habilidade como pontuador, destacou-se mesmo sem atuar na National Basketball Association (NBA).

Ao longo de uma carreira profissional de 26 anos, tornou-se o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos de Verão, com 1 093 pontos. Com 49 973 pontos marcados, foi por muitos anos considerado o maior pontuador da história do basquete, embora esse total seja considerado extraoficial devido à ausência de registros completos de algumas partidas disputadas no Brasil. Seu recorde de maior pontuador geral só foi superado em 2024 pelo astro LeBron James.halloffame.fiba.com Oscar SCHMIDT (2010 Class) Individual Highlights:

Oscar foi incluído no Hall da Fama da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA), em 2010, e no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, em 2013, sendo o terceiro brasileiro a alcançar tal reconhecimento, ao lado de Hortência e Ubiratan. Também integrou a lista dos 50 Maiores Jogadores da FIBA, em 1991, e foi incluído no Hall da Fama do Basquete da Itália, em 2016.

Após encerrar a carreira esportiva, atuou brevemente na vida pública e, posteriormente, passou a ministrar palestras motivacionais.

Carreira como jogador Nascido em Natal, Rio Grande do Norte, Oscar Schmidt mudou-se ainda na adolescência para Brasília, onde iniciou sua trajetória no basquete atuando pela equipe do Cristal. Seu primeiro treinador foi Laurindo Miura, que lhe desenvolveu um trabalho especial de coordenação para o desenvolvimento de sua coordenação motora e técnica de arremesso. Oscar possuía 2,05 m de altura e seu número da sorte era o 14.

Ao longo da carreira, defendeu clubes como Palmeiras, Sírio, America-RJ e Juvecaserta, da Itália. Em 1984, foi selecionado pelo New Jersey Nets na sexta rodada do draft da NBA, mas optou por não ingressar na liga. A decisão esteve relacionada, entre outros fatores, às regras vigentes à época, que impediam jogadores da NBA de defender suas Seleções nacionais em competições internacionais. A norma foi revogada em 1989, dois anos após a vitória da Seleção Brasileira sobre os Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de 1987.

Clubes defendidos Cristal, Brasília Palmeiras, São Paulo Sírio, São Paulo America-RJ, Rio de Janeiro Juvecaserta, Itália Pavia, Itália Forum/Valladolid, Espanha Corinthians, São Paulo Bandeirantes, Barueri Mackenzie/Microcamp, Barueri Flamengo, Rio de Janeiro

Destacou-se como um dos principais pontuadores do basquete mundial, obtendo grande desempenho tanto em clubes brasileiros quanto no exterior. Em 27 de outubro de 2001, durante uma partida entre Flamengo e Fluminense válida pelo Campeonato Carioca, superou a marca de 46 725 pontos de Kareem Abdul-Jabbar, tornando-se o maior cestinha da história do basquetebol à época. O recorde de maior pontuador da história do basquete foi superado em abril de 2024 por LeBron James.

Oscar encerrou a carreira com 49 973 pontos, dos quais 42 044 foram marcados por clubes e 7 693 pela Seleção Brasileira.virgula.uol.com.br/ Oscar se despede das quadras Seu rendimento em equipes como Sírio e Palmeiras foram calculados através de estudos do jogador com o seu biógrafo, o jornalista e escritor Odir Cunha, autor do livro Oscar Schmidt, a história do maior ídolo do basquete brasileiro, lançado em 1996.

O jogador possui 236 pontos marcados em todos os All-Star Games disputados na carreira, onde dados de pontuação estão disponíveis (21,5 pontos por jogo). Possui também 186 pontos marcados em sete All-Star Game da Liga Italiana, 46 pontos marcados em três ULEB All-Star Game disputados, e quatro pontos marcados no NBA All-Star Game (como celebridade). Schmidt também jogou no FIBA All-Star Game em 1991, mas nenhum total de pontos marcados individuais está disponível para esse.

Seleção Brasileira Pela Seleção Brasileira, Oscar participou de três Campeonatos Mundiais, e é o segundo jogador que mais vezes vestiu a camisa da Seleção Brasileira em campeonatos mundiais — 33 partidas (atrás apenas de Ubiratan, com 34). O ala participou, ainda, de cinco edições das Olimpíadas, de Moscou 1980 até Atlanta 1996, sendo o cestinha desta competição, com 1 093 pontos. Nos Jogos, ele detém vários outros recordes, a saber: pontos marcados em uma partida (55 vs. Espanha em Seul em 1988); maior média de pontos por partida em uma edição: 42,3 ppg (Seul, 1988, 338 pontos em oito reuniões).

No total, atuou em 326 partidas com a Seleção Brasileira (entre 1977 e 1996), com uma média de 23,6 pontos por partida. Sua maior conquista com a camisa verde e amarela foi a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987.

Conquista do Pan de 1987

Oscar liderou um dos maiores feitos da história do basquete mundial. A data de 23 de agosto de 1987 foi o dia histórico em que a equipe masculina de basquete do Brasil venceu o poderoso time norte-americano, representado pelos jogadores universitários da época, os favoritos e donos da casa, por 120 a 115, na final dos 10º Jogos Pan-Americanos de 1987. Foi uma virada espetacular e a primeira e única vez, até então, que os Estados Unidos perderam em casa. O palco era a Market Square Arena, em Indianápolis. De um lado a equipe brasileira; do outro, os norte-americanos. Os Estados Unidos já tinham toda a festa preparada para seu time. No elenco destacavam-se jogadores que mais tarde se tornaram grandes astros da NBA, como David Robinson, Rex Chapman, Dan Majerle e Danny Manning. A Seleção do "Tio Sam" já atropelara Porto Rico nas semifinais, impondo uma vantagem final de cinco pontos. Para os brasileiros, a classificação havia sido contra o México com um placar de 137 a 116.

A Seleção Brasileira não assustava muito o técnico Denny Crum. A única tática necessária para garantir o ouro, segundo ele, era uma defesa forte em cima de Oscar e Marcel que, segundo o técnico, tinham uma precisão muito grande nos arremessos. No fim do primeiro tempo, o Brasil perdia por 14 pontos, sendo que chegou a ficar em desvantagem de 20 pontos no decorrer do período. A equipe formada por Gérson, Oscar, Israel, Marcel e Guerrinha (que substituía o armador Maury, vítima de contusão) voltou com muita determinação e com um ataque extremamente preciso, sobretudo nas bolas de três pontos que foram a chave para a virada do Brasil. Os "reis do basquete" não conseguiam entender o que estava acontecendo, nem mesmo sua fiel torcida, que se calava a cada cesta de Oscar e Marcel. Final de jogo: a cena do banco norte-americano cabisbaixo era contrastante com a euforia de Oscar, deitado no chão, gritando e chorando. Essa era a maior conquista do esporte nacional coletivo, desde a Copa do Mundo de 1970.

Carreira como dirigente esportivo Após se aposentar como jogador, Oscar Schmidt criou o Telemar/Rio de Janeiro. O clube teve curta duração, participando de torneios apenas entre 2004 e 2006.

Apesar da curta duração, o time marcou o basquete brasileiro conseguindo os títulos do Campeonato Carioca de 2004 e do Campeonato Brasileiro de 2005.

Com o fim do Telemar/Rio, a prefeitura e Oscar criaram um novo time que nada tinha a ver com o Telemar/Rio, para que a cidade do Rio de Janeiro não ficasse sem time e para fomentar o esporte nas Vilas Olímpicas e escolas municipais: o Rio de Janeiro/Pan 2007 Basquete. Em 2005, juntou-se a outros clubes de basquete brasileiro e a grandes atletas da modalidade para criar a Nossa Liga de Basquetebol, da qual chegou a ser presidente.

Carreira política Oscar ingressou na vida pública em 1997, ao assumir a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação do munícipio de São Paulo na gestão de Celso Pitta. Deixou o cargo em abril de 1998, para ingressar na carreira política através do antigo Partido Progressista Brasileiro (PPB) — atual Progressistas (PP) —, se candidatando a senador pelo estado de São Paulo neste mesmo ano, perdendo para o então senador Eduardo Suplicy (PT), encerrando sua curta passagem pela política.

Vida pessoal Filho de um pai militar de ascendência alemã e mãe de ascendência portuguesa, Oscar Schmidt nasceu no Rio Grande do Norte, para onde seu pai havia sido transferido. Sua mãe é potiguar do município de Parelhas. Em 1970, sua família mudou-se para Brasília. Oscar era casado com Maria Cristina Victorino desde 1981, com quem teve dois filhos: Filipe (nascido em 1986) e Stephanie (nascida em 1989). Era irmão do jornalista e apresentador Tadeu Schmidt e tio de Bruno Schmidt, jogador de vôlei de praia.Ao lado do irmão, Oscar constrange humorista no Altas Horas, Blog do Juca Kfouri, 17 de novembro de 2013.

Em 2005, dois anos após se aposentar das quadras de basquete, participou da primeira temporada do quadro Dança dos Famosos, exibido no Domingão do Faustão, da TV Globo. Oscar, no entanto, acabou desistindo do talent show por ter sofrido uma lesão, e acabou ficando em 6.º lugar nessa temporada.

Desde 2011, Oscar lutava contra um câncer no cérebro. Em 2014, Oscar foi internado devido a uma arritmia cardíaca.

Controvérsias Em 16 de novembro de 2014, Oscar foi contratado para dar uma palestra na Faculdade de Desenvolvimento e Integração Regional (FADIRE) da cidade de Caruaru (Pernambuco), onde os estudantes o consideraram como sendo arrogante e grosseiro. O seu microfone apresentou problemas, e quando o repórter e apresentador da TV Jornal, Eliaquim Oliveira, ofereceu o microfone dele, Oscar recusou dizendo que aquele tipo de microfone era "para amadores". Neste mesmo evento, Oscar reclamou com a plateia que o fotografava alegando que "estava ali para contar a sua história, e não para ser fotografado". Irritadas com a situação, centenas de pessoas deixaram a palestra antes do término. Em nota, a FADIRE afirmou que "Não compactua e nem aceita a atitude grosseira do palestrante para com os alunos, os quais deixaram seus afazeres no dia de domingo pós feriado, para buscar conhecimento".

Em 2 de novembro de 2023, durante participação no podcast Ticaracaticast, Schmidt referiu-se à cidade de Franca, no interior de São Paulo, como “puta lugar de merda”. A fala ocasionou imediato repúdio da população dessa cidade bem como de personalidades francanas como a empresária Luiza Trajano, o treinador de basquete Helinho e o cantor Solimões. Dois dias após a afirmação polêmica, Oscar se manifestou por meio de nota e vídeo, pedindo desculpas.

Morte

Na manhã do dia 17 de abril de 2026, Oscar passou mal em sua casa, em Santana de Parnaíba, e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana pelo serviço de resgate, já em parada cardiorrespiratória, chegando à unidade sem vida. Ele havia passado por uma cirurgia recentemente em decorrência do tratamento do câncer no cérebro.

A notícia de sua morte foi dada em primeira mão pela rede de rádios Transamérica Media Company (TMC) em suas redes sociais, seguida do portal esportivo Lance!. A assessoria e a família só informaram oficialmente o falecimento por volta das 16 horas através de uma nota oficial, confirmando também uma cerimônia restrita de velório e sepultamento sem divulgar o local. Oscar foi cremado no dia posterior à sua morte (18) em um local não divulgado usando a camisa da Seleção Brasileira de Basquetebol. A sua morte obteve expressiva repercussão nacional e internacional.

Estatísticas ★Denota temporadas em que a equipe de Oscar ganhou o torneioLíder do torneio Campeonato Nacional Ano Equipe 1996★ 31 34.3 .588 .485 .881 9.8 .8 .6 .2 30.9 1997 26 37.6 .530 .504 .880 10.5 1.3 .6 .3 38.2 1998 Banco Bandeirantes 28 38.6 .541 .440 .903 11.5 1.4 .6 .2 44.8 1999 Mackenzie-Microcamp/Barueri 36 42.2 .573 .464 .913 10.8 1.7 .7 .3 38.2 2000 38 37.9 .543 .389 .862 9.6 1.7 .5 .1 34.9 2001 34 36.9 .483 .457 .899 8.8 1.3 .6 .1 33.0 2002 34 37.1 .516 .403 .908 8.3 1.9 .6 .2 34.8 2003 31 36.3 .495 .451 .924 7.5 2.0 .5 .2 33.1

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