Hadewijch de Antuérpia (também chamada de Hadewijch de Brabante) foi uma poetisa e mística brabante do . Hoje é geralmente aceito que Hadewijch foi a "grande senhora" - isto é, a líder religiosa - de um grupo de beguinas.

Pouco se sabe sobre sua vida. Há indícios de que escreveu entre 1230 e 1250 - mas não necessariamente só nesse período. Suspeita-se que viveu no Ducado de Brabante, talvez em Antuérpia devido a algumas referências em suas obras. O fato parece mais provável porque ela escrevia no dialeto brabantino do neerlandês médio. Ademais, os únicos manuscritos medievais de sua obra que restaram provêm da antiga região do ducado - dois foram encontrados perto de Bruxelas, e um é de Lovaina. Este último contém uma nota tardia, do , que diz De B(eata) Hadewigis de Antverpia.

Seus escritos indicam que ela fora educada por instrutores privados e, portanto, dispunha de alto status social. Hadewijch dominava o neerlandês, mas também demonstrava maestria com latim. Quase certamente também sabia , porque tinha vasto conhecimento sobre a chanson d'amour francesa e usava palavras deste idioma adequadamente. Seu conhecimento não se restringia a línguas: ela conhecia retórica, astronomia ptolemaica, numerologia, teoria musical, história da igreja e a maior parte dos escritores canônicos do .

Sua obra, que inclui 31 cartas, 61 poemas e catorze descrições de visões, é considerada uma das maiores obras literárias em neerlandês. Hadewijch adotou o holandês como seu idioma literário, uma escolha pouco usual em uma época em que o latim dominava. Seus escritos descrevem vários aspectos de sua fé e do seu misticismo. Hadewijch foi a maior representante do assim chamado misticismo de amor em seu século. O misticismo do amor era um fenômeno exclusivamente feminino, em que a fiel tem experiências religiosas extasiantes e, por vezes, até violentas. Seu resultado é um amor místico intenso, que resulta até mesmo em efeitos psicossomáticos e visões. O casamento é uma metáfora muito utilizada para expressar esse amor. De fato, seus trabalhos mostram uma considerável influência da chanson d'amour.

Para compreender as visões de Hadewijch, é preciso se atentar, em primeiro lugar, ao quadro histórico social em que esta beguina vivia. Ela, inserida no movimento beguinal do , na tentativa de esclarecer o que é o divino e a partir de suas concepções, criou por meio de suas visões a imagem daquilo que seus seguidores – em grande parte mulheres – acreditavam ser a principal característica do divino, ou seja, seu foco principal foi a paixão de e por Cristo o, mas não deixando de demonstrar novas concepções acerca da divindade".

Hadewijch evidencia em seus textos que o amor divino deve ser livre e orgulhoso, o qual cria autonomia e autoconsciência ao sujeito que o sente. Em seus escritos, ela ligou canções religiosas com poesia dos trovadores contemporâneos, usando dessa analogia para se mostrar como noiva e amante de Deus. Para Hadewijch, o amor místico passava por três etapas: primeiro se tomava conhecimento do amor de Cristo; a isso se seguia uma entrega incondicional; por fim, a fiel alcançava o equilíbrio entre o amor místico e a vida terrena. Ela julgava que o amor místico a Deus era o único amor pleno, e sua obra dedica-se a mostrar quão central era este sentimento em sua vida. O caminho para o amor divino foi, também, o espaço que Hadewijch encontrou para orientar sua teologia, afirmando a possibilidade de igualdade na sociedade às mulheres que seguissem essa jornada.

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