O Club Estudiantes de La Plata, comumente referido como Estudiantes de La Plata, é um clube de futebol localizado na cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, na Argentina. Manda seus jogos no Estádio Jorge Luis Hirschi. Atualmente, disputa a Primera División, o torneio de maior nível do país.

O Estudiantes possui sucesso em nível nacional e internacional. Foi o primeiro time de fora dos tradicionais "cinco grandes" a ganhar um título de liga na era profissional. Também é um dos clubes argentinos com mais sucesso internacional, com seis títulos internacionais, incluindo quatro Copa Libertadores, uma Copa Intercontinental e uma Copa Interamericana.

O clube também compete no basquetebol, handebol, natação, golfe, hóquei em campo, judô e voleibol.

O apelido do Estudiantes é "pincha", por conta de ter sido fundado majoritariamente por estudantes de medicina, chamados debochadamente por seus rivais como "pincharratos", por motivo de supostamente fazerem dissecações de ratos em seus estudos, apelido com tom negativo que foi absorvido pelos seus torcedores, como no caso de tantos outros clubes.Site Futebol Portenho - Quando o Estudiantes foi professores, página editada em 15 de outubro de 2014 e disponível em 17 de março de 2025.

História

O início

O Estudiantes de La Plata iniciou suas atividades em 4 de agosto de 1905. É um clube que encarnou na sua trajetória o espírito copeiro, designado para caracterizar os clubes que fazem de suas partidas uma verdadeira batalha. Seu nascimento foi fruto de uma dissidência do Gimnasia de La Plata, desde então seu arquirrival. Os fundadores eram associados do Gimnasia de La Plata e incomodados com a falta de espaço reservado ao futebol nas prioridades do clube, mais interessado em promover atividades sociais e esportes de salão. Tomás Shendden, um egresso da English High School (berço do primeiro grande time de futebol argentino, o Alumni) comandou o movimento de fundação do Club Atlético Estudiantes, assim denominado, porque seus vinte fundadores eram estudantes. Adotou as cores da English High School – a malha listada em vermelho e branco, calções e botas pretas. Seu primeiro presidente, Miguel Gutiérrez, foi eleito em 28 de agosto do mesmo ano.

A maneira como o Estudiantes surgiu foi muito importante para acirrar a rivalidade entre os dois clubes de La Plata. O Estudiantes só aceitava jovens com estudos, enquanto o Gimnasia, contrariando sua origem, passou a incorporar os menos favorecidos da cidade, principalmente os oriundos de bairros operários como Berisso e Ensenada. Fato que alimentou o nascimento de um dos maiores clássicos do futebol argentino: Estudiantes x Gimnasia.

Naquela época, o futebol já despertava grande paixão na Argentina: equipes como o Lomas Athletic, Quilmes Athletic, Belgrano, Lobos, San Isidro, Porteño, Reformer, Barracas, San Martín, Nacional e Argentinos de Quilmes, se enfrentavam em sucessivos torneios organizados pela Associação Argentina de Futebol, cujo ganhador habitual era o Alumni.

thumb|left|300px|Equipe do Estudiantes em 1912

Em 1906 o clube se inscreveu na Federação Argentina de Futebol, onde disputou campeonatos até 1931. A ascensão para a Liga Maior envolveu triunfos sobre River Plate e Independiente nas divisões inferiores.

Seu primeiro título foi conseguido no ano de 1908, quando consagrou-se campeão da quarta divisão, vencendo o River Plate na partida final por 3 a 1. Em 1911 chegou a primeira divisão derrotando o Club Atlético Independiente por 3 a 0, em uma campanha com 13 vitórias, 4 empates e apenas uma derrota, com 49 gols a favor e 14 contra.

Em 23 de novembro de 1913, o Estudiantes conquistou o seu primeiro título da primeira Divisão, obtendo uma incrível campanha com 14 vitórias em 18 partidas. Esta conquista permitiu ao clube, disputar a copa Rioplatense, contra o campeão uruguaio, no caso o River Plate de Montevideo. O Estudiantes conquistou a copa, vencendo o campeão uruguaio por 4x1, entretanto analises recentes dizem que tal partida nunca ocorreu.

Em 1916, 3 anos após a conquista pincha, um recuperado Gimnasia de La Plata chegaria à primeira divisão, iniciando a disputa do maior clássico da cidade.

Ao final da década de 1920, o Estudiantes apresenta uma linha atacante mítica, denominada Los Profesores: Miguel Ángel Lauri - Flecha de Oro, Alejandro Scopelli - el Conejo, Alberto Zozaya - Don Padilha, Manuel Ferreira - el Piloto Olímpico e Enrique Guaita - el Indio. Dois jornalistas esportivos da época, Félix Daniel Frascara e Diego Lucero, consideraram Los Professores como a primeira grande expressão da arte coletiva dentro de um campo de futebol. Este é considerado um dos quintetos mais célebres do futebol profissional na argentina, comparável com o Independiente de 1939 (Maril, De la Mata, Erico, Sastre e Zorrilla) e com La Máquina do River (Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Loustau).

Além de grandes exitos na era amadora, como no campeonato de 1930, quando levaram o Estudiantes ao vice-campeonato com 27 vitórias, 2 empates e 6 derrotas; os cinco Professores viriam a fazer história no início da era profissional da argentina, quando o quinteto foi desfeito com a saída de três integrantes ao futebol europeu.

O profissionalismo

A estreia do Estudiantes de La Plata no futebol profissional argentino foi em 1º de junho de 1931, com uma vitória diante do Talleres por 3 a 0 e nesta mesma partida Alberto Zozaya marca o primeiro gol da era profissional do futebol argentino, 1931 foi o primeiro ano do campeonato profissional na Argentina, neste mesmo ano a linha de ataque do Estudiantes criou um recorde histórico: 103 gols em 34 jogos, sendo 16 a mais que o campeão Boca. Ficou em terceiro lugar no campeonato com 44 pontos, logo atrás do San Lorenzo de Almagro com 45 e o Boca Juniors com 50.

Com a brilhante geração dos Los Professores a equipe platense terminava de maneira brilhante a era amadora e começara a era profissional no mesmo nível. Dos 5 já referidos geniais atacantes apenas Scopelli foi oriundo das divisões de base da equipe. Segundo ele o Estudiantes não foi campeão do primeiro torneio profissional por causa das arbitragens. O cérebro da equipe era Nolo Ferreira, chamado de el Piloto Olímpico; por ter ocupado o posto de atacante central nos Jogos Olímpicos de Verão de 1928 em Amsterdam quando a Argentina terminou em segundo lugar; inteligente dentro de campo, era a referência de todos os seus companheiros. Dom Padilha e el Conejo ensaiavam combinações de jogo chamadas paredes. Segundo Ferreira, Zozaya foi um dos melhores cabeceadores de todos os tempos. Lauri era um ponteiro veloz com um cruzamento preciso e Guaita tinha grande arrancada e velocidade.

O Estudiantes nos dois primeiros campeonatos profissionais ganhou 36 partidas, empatou 12 e perdeu 20. Marcou 184 gols e sofreu 114. Dos 184 gols, 163 foram anotados pelos Los Professores sendo divididos da seguinte maneira: Zozaya (53), Scopelli (44), Guaita (35), Manuel Ferreira (16), Lauri (15). Zozaya foi artilheiro do primeiro campeonato profissional em 1931 quando anotou 33 gols, Scopelli foi o vice-artilheiro com 31 tantos. Todos os integrantes deste famoso quinteto integraram a seleção argentina, sendo que Scopelli e Manuel Ferreira disputaram a Copa do Mundo de 1930 e Lauri foi vice-campeão da Copa América de 1935.

Os principais jogadores desta equipe foram os goleiros Scandone, Latorre Lelong e Capuano; os defensores Nery, Rodríguez, Viola, Raúl e Roberto Sbarra: os volantes Usienghi, Pérez Escalá, Riolfo; e o ataque Lauri, Scopelli, Zozaya, Manuel Ferreira e Guaita. Também atuaram Comasco, Tellechea, Padrón, Appolito, Sabio, Juariste, o uruguaio Castro, Areco e Estevarena. Em 1931 esta equipe goleou por 7-0 o Chacarita, 5-2, o Independiente, 5-2, o Ferro, 5-1, o Argentinos, 8-0, o Lanús, 6-1, o Atlanta, 8-0, o Ferro, 6-3, o Racing Club, 4-1, o campeão Boca Juniors e em 1932, 6-1 no seu rival Gimnasia.

Tal formação, entretanto, não foi campeã, sendo o primeiro exemplo de uma equipe que não necessitou de títulos para ser considerada uma das melhores do profissionalismo de seu país, devido a diferenciada habilidade e capacidade goleadora. O célebre ataque pincharrata se desintegrou porque Lauri, Scopelli e Guaita foram atuar na Europa, "El Indio" Guaita foi campeão mundial com a Itália em 1934 e Scopelli também integrou a seleção azurra.

O número de grandes atacantes identificados com o Estudiantes ampliaria em 1938, quando apareceu um dos maiores goleadores da história do futebol argentino, Manuel Peregrina El Payo converteu 221 gols com a camisa pincharrata, transformando-se no maior goleador da história do clube e no quarto do futebol argentino com 231 tantos (10 gols marcados pelo Huracán). Jogou no Estudiantes até 1956 com uma temporada pelo Huracán em 1953. A partir de 1942 fez uma dupla de ataque brilhante com Ricardo "el Beto" Infante, o qual jogou no clube até 1969, também com uma passagem pelo Huracán entre 1953 e 1956. Marcou 180 gols em 329 jogos, sendo o sexto maior artilheiro da história do futebol argentino. Pelegrina se destacava por seu chute potente, Infante por sua habilidade. El Payo jogou algumas partidas pela seleção argentina, porém não muitas, pois jogou em uma época que o futebol argentino era recheado de ponteiros esquerdos, Infante disputou a copa do mundo de 1958 pela Seleção Argentina.

Outro jogador de destaque desta época foi o goleiro Gabriel Mario Ogando, que atuou no Estudiantes no longo período de 1939 até 1952, sendo um dos jogadores chaves durante a década de 1940, quando o Estudiantes obteve sempre boas posições no campeonato argentino, época esta em que o campeonato nacional era muito competitivo, destaque para dois terceiros lugares, obtidos nos anos de 1944 e 1948, sob o comando dos ex-jogadores Alberto Viola e Alberto Zozaya respectivamente.

Porém os bons desempenhos nos campeonatos disputados na década de 1940 renderam ao Estudiantes a Copa Adrián Escobar, um torneio de carater regular disputado no final da temporada entre os 7 primeiros colocados da Primeira Divisão, e em 1945 a Copa de la República, cujas finais foram disputadas em 1946 contra o Boca Juniors, o primeiro confronto terminou 4-4 e o jogo de desempate disputado em 18 de dezembro terminou 1x0 para a equipe platense com gol de Pelegrina.

Os anos 1950 foram complicados, com a primeira queda à segunda divisão ocorrida em 1953, entretanto a equipe voltou a primeira divisão no ano seguinte fazendo uma grande campanha, com 19 vitórias, 8 empates e 7 derrotas; esta equipe tinha novamente Manuel Pelegrina como goleador. Não diferente foi o início dos anos 1960, com o perigo do rebaixamento em 1963, quando a equipe deveria decidir a queda para a segunda divisão em uma partida contra o Lanús, entretanto, o time de La Plata foi beneficiado por uma virada de mesa que suspendeu o descenso por três anos. O clube aproveitou o indulto para investir profundamente nas categorias de base. Processo que propiciou o nascimento de uma esquadra juvenil quase imbatível chamados "la tercera que mata", cujos integrantes, tempos depois, integraram a gloriosa equipe campeã da américa e do mundo.

A hegemonia mundial

Em 15 de janeiro de 1965 firmou-se contrato com o técnico Osvaldo Zubeldía, com um único objetivo: distanciar o Estudiantes do risco de voltar a série B, que naqueles anos era seu companheiro inseparável. Não prometeu, senão, falar pouco, trabalhar muito, viver para o futebol 24 horas dos seus 7 dias da semana e dar exemplo sempre. Como não havia muito dinheiro foram contratados jogadores baratos (Carlos Bilardo, Enry Barale, Hugo Spadaro, Roberto Santiago, Marcos Conigliaro), unidos ao melhor do bom time de juniores vice-campeões nacionais em 1964 (Poletti, Aguirre Suárez, Malbernat, Manera, Pachamé, Echecopar, Eduardo Flores e Verón) assim estava desenhada a equipe que comoveu a história do clube e do futebol argentino.