Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) é uma força de operações especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), subordinada ao Comando de Operações Especiais (COE) da PMERJ. Popularizado pelo filme Tropa de Elite, o BOPE é frequentemente classificado como a melhor equipe de combate urbano do mundo.

Estrutura esquerda|miniaturadaimagem|Agentes da Companhia de Operações do BOPE na frente de dois Caveirões, em 2024.

Companhia de Operações (COp) A unidade mais conhecida do BOPE é a 3.ª Companhia, chamada de Companhia de Operações (COp). Estruturada em quatro equipes, Alfa, Bravo, Charlie e Delta, ela se destina a cumprir missões de repressão ao crime organizado e apoio à inteligência e às intervenções táticas, atuar como força de pronta-resposta e intervenção especial e executar outras missões específicas de operações especiais.

Companhia de Intervenções Táticas (CIT) Para responder a situações de crise, o BOPE dispõe da Companhia de Intervenções Táticas (CIT), formada por três grupos distintos: Grupo de Negociação e Análise (GNA), Grupo de Atiradores de Precisão (GAP) e o Grupo de Retomada e Resgate (GRR). Os integrantes dessa Unidade atuam em situações cruciais, pondo à prova todo o treinamento e meios disponíveis.

miniaturadaimagem|A Companhia de Intervenções Táticas em simulação no MetrôRio, em 2015.

No BOPE, o treinamento não está relacionado somente a repetição continuada de movimentos, mas ao exercício do uso da razão para buscar alternativas possíveis em momentos de alto risco. Os policiais realizam constantes estudos de casos de situações ocorridas no Brasil e no mundo. Além disso, são realizados exercícios simulados para avaliação conjunta dos grupos da CIT.

Grupo de Negociação e Análise (GNA) A negociação é a primeira alternativa tática empregada numa situação de crise, em virtude de proporcionar uma solução pacífica. A missão é conquistar a confiança do causador da crise e convencê-lo a libertar as vítimas, se houver, e se render. A maioria das ocorrências dessa natureza é resolvida através da negociação, sem necessidade do uso da força.

Os policiais que desempenham esse papel desenvolvem técnicas específicas nos cursos de negociação realizados na unidade ou em forças co-irmãs.

O BOPE possui uma psicóloga que desenvolve um importante papel de assessoramento ao negociador e ao gerente da crise, dando suporte técnico e definindo o perfil psicológico do causador da crise.

O treinamento desse grupo é realizado a partir de estudos de casos e simulações de ocorrências.

Grupo de Atiradores de Precisão (GAP) É formado por policiais altamente especializados na área de tiro de precisão. Os atiradores são uma ferramenta fundamental de observação e coleta de informações do ambiente de crise. Os policias que formam esse grupo utilizam armamento diferenciado, aferido meticulosamente. A prática do treinamento de tiro é constante e visa a perfeição.

Grupo de Retomada e Resgate (GRR) É empregado quando as outras alternativas táticas não são suficientes para a resolução da crise. O treinamento e a execução das entradas táticas podem ocorrer em ambientes como: edificações, ônibus, metrô, embarcações, trens, etc. A fim de contar com policiais militares altamente capacitados, o treinamento dos Operadores que compõe o Grupo é constante, pois se trata de uma atividade de altíssimo risco. O GRR conta com o importante apoio do núcleo cinófilo do Batalhão de Ações com Cães (BAC), fazendo uso de cães de neutralização, mesmo em ambientes com vítimas.

Unidade de Engenharia, Demolição e Transporte miniaturadaimagem|Escavadeira do Bope em uso pela UEDT. A UEDT surgiu devido à necessidade de desobstrução dos acessos das comunidades para a entrada das viaturas durante as operações policiais. Ela é formada por policiais com conhecimento em mecânica de veículos pesados e explosivos. Eles são responsáveis por operar os maquinários na liberação dos acessos e por destruir as fortificações do tráfico. Quando se faz necessário eles também usam explosivos em suas missões. Com a atuação do BOPE no processo de pacificação, a equipe agregou uma nova função: montar os equipamentos desdobrados em terreno de difícil acesso, para servir de base avançada das tropas no local a ser pacificado. O treinamento da equipe é baseado em constantes estudos e pesquisas sobre demolição e engenharia de combate, o que lhes permite o aperfeiçoamento das técnicas utilizadas. Seus policiais são especializados em explosivos e receberem o brevê "explosivista". Somente em 2008, a UEDT derrubou cerca de 75 muros de contenção, barricadas e "bunkers" de traficantes.

A unidade adquiriu recentemente equipamentos chamados "Transformers Caveiras", compostos por: uma pá mecânica com alcance de 6 metros, capaz de remover objetos a uma altura de 5 m, equipada com rompedor e com cabine blindada com ar condicionado para o piloto; um trator-esteira capaz de transpor obstáculos grandes projetado para transporte de tropas com um guincho que levanta objetos pesados; uma retroescavadeira com martelo hidráulico para quebrar muros, com cabine blindada; e um caminhão guindaste capaz de suportar até 17 toneladas e, dentro de uma cesta especial, levantar até 20 metros um grupo tático.

Veículos O BOPE progride normalmente por camionetes, cuja caçamba carrega os combatentes prontos pra entrar em ativa.

Quando a situação torna-se crítica, são usados veículos blindados popularmente conhecidos como "caveirões", utilizados, principalmente, em operações onde há conflitos com narcotraficantes. Os blindados não possuem armamento próprio, sendo o seu poder de fogo constituído pelas armas da própria guarnição. Sua blindagem é capaz de resistir a explosivos debaixo do veículo, tiros de fuzis 7,62 até 12,7x99mm NATO. O BOPE começou a utilizar o primeiro caveirão em 2001. esquerda|miniaturadaimagem|Caveirão Maverick designado ao BOPE, em exposição após chegar ao país. A principal finalidade dos veículos blindados é proteger a vida dos elementos da guarnição e romper as barreiras físicas utilizadas pelo narcotráfico. Os blindados são essenciais no apoio ao resgate de unidades policiais encurraladas e na remoção de feridos dos cenários de confronto. Em 2014, o governo fluminense designou quatro novos Caveirões para o BOPE, denominados Maverick, cujo preço individual pode chegar até R$ 1,5 milhão. Eles são fabricados pela empresa sul-africana Paramount e possuem a mesma blindagem do anterior, com teto igualmente à prova de balas, capazes de de resistirem a granadas e coquetéis molotov nas paredes, além de serem equipados com diversas câmeras do lado externo do carro, possuir reforço na carroceria para derrubar bloqueios nas ruas, carregar um sistema de extintores automáticos nas rodas e ter espaço para até 12 policiais (incluindo motorista e navegador).

miniaturadaimagem|direita|EE-11 Urutu adaptado pelo Exército Brasileiro para uso em favelas e doado ao BOPE. Em 2018, um ano após o encerramento da missão de paz do Brasil no Haiti, o Exército Brasileiro doou 3 dos seus blindados EE-11 Urutu, que haviam sido adaptados com blindagem adicional para operar em favelas durante aquela missão. Criados para transporte de tropas e missões de reconhecimento em guerras regulares, o Urutu, no combate às milícias haitianas, se provou versátil para operar nas ruas estreitas de favelas sem danificar o asfalto e as construções, além de fazer curvas mais facilmente que blindados maiores.

A partir de janeiro de 2012, o BOPE passou a contar com seis motos Yamaha XT 660R para acessar algumas vielas das comunidades e chegar nesses lugares mais rápido. Os veículos são pintados de preto e contêm adesivos com a bandeira do Estado do Rio de Janeiro. Cinquenta policiais participaram de um treinamento prático e teórico para aprender como se movimentar nas vielas usando motos e armas.

Eles contam ainda com um quadriciclo próprio, encomendado com a finalidade de Apoio Policial, na realização de resgates, reboque, desobstrução de vias (com seu pára-choques reforçado e gancho de resgate), pronto atendimento ao policiamento em terreno e checagem de denúncias. Embora inicialmente carregasse apenas três policiais, a ideia era que ele fosse adaptado para suportar cinco, possibilitando ações de Apoio Tático. Feito para suportar as necessidades de locomoção por vielas e becos, eles ainda permitem acesso a diversos tipos de terrenos, como barro, asfalto e cascalho. História Origem A ideia de um grupo de policiais que fossem especificamente treinados para atuar em resgate e situações de extremo risco surgiu após o trágico desfecho da ocorrência com reféns no Instituto Penal Evaristo de Moraes, em 1974. Na ocasião o diretor do presídio, o Major PM Darcy Bittencourt, que era mantido refém pelos criminosos que tentavam fuga, foi morto juntamente com alguns presos após a intervenção da força policial. Foi criado em 19 de janeiro de 1978, pelo Boletim da Polícia Militar n° 014 da mesma data como Núcleo da Companhia de Operações Especiais (NuCOE), através de um projeto elaborado e apresentado pelo capitão PM Paulo César Amendola de Souza, que presenciou a crise, ao então comandante-geral da PMERJ, coronel Mário José Sotero de Menezes. O NuCOE foi formado por policiais voluntários, dotados de comprovada integridade moral, e alguns possuíam especialização nas Forças Armadas, tais como o Estágio de Operações Especiais, o Curso de Guerra na Selva (ambos do Exército) e o Curso de Contra Guerrilha (CONGUE), dos Comandos Anfíbios. Funcionava em um acampamento nas dependências CFAP-31 em Sulacap, na zona oeste do Rio, e era subordinado operacionalmente ao chefe do Estado-Maior da PMERJ. Eram 12 barracas para cerca de 30 policiais.

Em 1980 passou a ter como símbolo a caveira trespassada por um punhal, ornado por duas garruchas cruzadas.

Pelo Boletim da PM n.º 33, de 7 de abril de 1982, por resolução do comandante-geral, o NuCOE passou a funcionar nas instalações do Batalhão de Polícia de Choque, fazendo parte da orgânica daquela unidade e recebendo a designação de Companhia de Operações Especiais (COE).

Em 27 de junho de 1984, através da publicação em Boletim da PM n° 120, a COE passou a ser denominada Núcleo de Companhia Independente de Operações Especiais (NuCIOE), funcionando nas instalações físicas do Regimento Marechal Caetano de Farias, ficando subordinado apenas administrativamente ao BPChq, retornando sua subordinação operacional ao chefe do EMG.

Pelo decreto-lei n.° 11.094 de 23 de março de 1988, foi criada a Companhia Independente de Operações Especiais (CIOE), com suas missões próprias em todo o Estado do Rio de Janeiro, que seriam determinadas pelo comandante-geral. Nesse mesmo ano, ocorreu o seu batismo de fogo para operações em favelas, quando foram chamados para resolver uma guerra para controle de bocas de fumo na Rocinha.

Finalmente, pelo decreto n° 16.374 de 1 de março de 1991, deu-se a criação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), ficando extinto a CIOE.

Um aspecto que fora notado é o seu símbolo, que carrega uma faca cravada num crânio sobre garruchas cruzadas. A faca no crânio simboliza a "vitória sobre a morte" e as pistolas são o símbolo da Polícia Militar.

A origem e o significado do símbolo, de acordo com o site do BOPE:

Tragédia e recomeço (2000)