A Casa das Virtudes, também conhecida como Casa dos Pintos de Meireles, Casa dos Albuquerques ou Edifício da Cooperativa Árvore, é um solar setecentista situado na Rua de Azevedo Albuquerque, em Miragaia, no Porto, em Portugal.
Integra a antiga Quinta das Virtudes, conjunto histórico constituído pela casa principal, anexos e jardim desenvolvido em socalcos, sobranceiro ao vale do rio Frio e ao rio Douro.
O edifício encontra-se inventariado no Plano Diretor Municipal do Porto como imóvel de interesse patrimonial, sob a designação “Casa dos Pinto de Meireles/Casa das Virtudes”. É, desde 1963, sede da Árvore - Cooperativa de Atividades Artísticas.
Em 2025, mercê da atividade desenvolvida pela Cooperativa Árvore, a Casa das Virtudes passou a estar integrada na rota "Arte e Arquitetura Contemporânea a Norte", iniciativa conjunta da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte.
História A Quinta das Virtudes remonta, pelo menos, ao século XVII, tendo origem numa zona de encosta marcada pela existência de quintas, hortas e terrenos de cultivo. A sua localização, voltada ao Douro e associada ao antigo vale do rio Frio, deu-lhe particular relevância paisagística no contexto urbano das Virtudes.
A casa principal foi edificada em 1767 por iniciativa de José Pinto de Meireles, capitão-mor de Rebordães e cavaleiro da Ordem de Cristo. Por herança de seus pais, foi senhor da Quinta da Manguela em Carreira, Santo Tirso. A porta de entrada é coroada pelo brasão da família Pinto de Meireles, segundo a carta de Brasão de Armas de 5 de outubro de 1758.
Em 1832, durante o Cerco do Porto esteve montada na quinta da casa uma bateria liberal.
A casa possuiu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição e a Jesus, Maria e José, que funcionou como espaço de culto público. A capela foi demolida em 1872, no contexto do alargamento da antiga Rua dos Fogueteiros (hoje, Azevedo Albuquerque) e da construção do Mercado do Peixe.
No final do século XIX e início do XX, a casa foi ocupada pela família de Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque, professor da Academia Politécnica do Porto, facto que explica uma das designações alternativas do imóvel, Casa dos Albuquerques, e do próprio arruamento.
O escritor Mário Cláudio, em honra à casa, escreveu o romance A Quinta das Virtudes, no qual descreve muitos pormenores históricos.
Arquitetura
A Casa das Virtudes é descrita como uma residência barroca abastada, de planta em U, com fachada principal brasonada. O portal é encimado por frontão interrompido entre fogaréus, destacando-se ainda o óculo quadrilobado e a pedra de armas da família Pinto de Meireles.
A implantação do edifício é um dos seus aspetos mais relevantes. A casa foi concebida para dominar visualmente a encosta e a antiga unidade agrícola, sendo particularmente expressiva quando observada a partir do rio Douro, principal porta de entrada da cidade à época da sua construção. A fachada posterior, a escadaria e o trabalho de cantaria acentuam a adaptação do edifício à topografia do local.
O projeto da casa tem sido relacionado com uma linguagem erudita, visível na escala da construção, no alpendre, na escadaria e no tratamento da pedra. Um projeto atribuído a José Francisco de Paiva para a Quinta das Virtudes revela ainda a presença de elementos de linguagem neoclássica, aproximáveis de soluções adotadas em edifícios portuenses como o Hospital de Santo António, a Cadeia da Relação e a Academia Politécnica.
Quinta, horto e jardim
A antiga Quinta das Virtudes deve ser entendida como um conjunto formado pela casa principal, anexos e jardim em socalcos. Estes terraços resultam da adaptação agrícola de uma encosta de forte declive que forma o vale do rio Frio.
No século XIX, a área ganhou notoriedade com o Horto das Virtudes, propriedade de José Marques Loureiro (1830–1898), jardineiro paisagista e horticultor. O horto tornou-se um dos estabelecimentos hortícolas mais importantes do país, com projeção internacional e vários prémios em exposições de plantas. Entre os seus visitantes e clientes contou-se a família real portuguesa.
A partir de 1890, o Horto das Virtudes passou a designar-se Real Companhia Hortícola-Agrícola Portuense. A Câmara Municipal do Porto adquiriu o espaço do atual Parque das Virtudes em 1965 e promoveu obras de recuperação em 1998.
Uso contemporâneo
Desde 1963, a Casa das Virtudes é a sede da Cooperativa Árvore, instituição cultural fundada no Porto por artistas plásticos, escritores, arquitetos e intelectuais. A ocupação cultural do edifício contribuiu para a sua adaptação a atividades expositivas, formativas e artísticas.
Em 7 de janeiro de 1976, a Casa das Virtudes foi alvo de um atentado à bomba. Na década de 1980, o espaço interior da casa foi remodelado com projeto do arquiteto Alcino Soutinho, adequando o edifício às necessidades da Cooperativa Árvore. O imóvel acolhe atualmente salas de exposição, oficinas artísticas, serviços administrativos e outros espaços associados à atividade cultural da cooperativa.
Ver também
Cooperativa Árvore Miragaia (Porto) Parque das Virtudes Chafariz das Virtudes Centro Histórico do Porto
Ligações externas
Categoria:Miragaia (Porto) Categoria:Património edificado no Porto Categoria:Quintas no distrito do Porto Categoria:Residências do distrito do Porto Categoria:Solares de Portugal