O USS Tennessee foi um couraçado operado pela Marinha dos Estados Unidos e a primeira embarcação da Classe Tennessee, seguido pelo . Sua construção começou em meados de maio de 1917 no Estaleiro Naval de Nova Iorque e foi lançado ao mar em abril de 1919, sendo comissionado na frota norte-americana em junho do ano seguinte. Seu projeto era praticamente uma repetição dos couraçados anteriores da Classe New Mexico e era armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 33 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 21 nós.
O Tennessee teve um início de carreira tranquilo e passou as décadas de 1920 e 1930 realizando principalmente exercícios de treinamento de rotina junto com o resto da frota. Ele estava atracado na base de Pearl Harbor na manhã de 7 de dezembro de 1941 quando a base foi atacada pelo Japão, mas não foi seriamente danificado. O navio operou na Costa Oeste em 1942 e no ano seguinte foi amplamente reconstruído e modernizado para a Guerra do Pacífico. O Tennessee atuou principalmente em deveres de bombardeio litorâneo e defesa antiaérea, participando primeiro da Campanha das Ilhas Aleutas e depois das Campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall e Ilhas Marianas e Palau entre 1943 e 1944.
A embarcação continuou nas mesmas funções durante a Campanha das Filipinas, participando no final de outubro da Batalha do Estreito de Surigao, quando fez parte da linha de batalha norte-americana e enfrentou e ajudou a afundar uma força de couraçados japoneses. Depois disso o Tennessee envolveu-se em bombardeios nas Batalhas de Iwo Jima e Okinawa na primeira metade de 1945, operando no Mar da China Meridional durante os últimos meses da guerra. Após a rendição do Japão envolveu-se nos estágios iniciais da ocupação. Voltou para casa e foi descomissionado em fevereiro de 1947, permanecendo inativo na reserva até ser descartado em março de 1959 e desmontado pouco depois.
Características
A Classe Tennessee foi autorizada pelo Congresso dos Estados Unidos em 3 de março de 1915 e era em essência uma repetição da predecessora Classe New Mexico. As principais diferentes entre as duas eram pontes de comando maiores, maior elevação para os canhões da bateria principal e realocação da bateria secundária para o convés superior.
O Tennessee tinha 190 metros de comprimento de fora a fora, boca de 29,69 metros e calado de 9,19 metros. Seu deslocamento projetado era de toneladas e o deslocamento carregado era de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha oito caldeiras Babcock & Wilcox a óleo combustível que giravam dois geradores elétricos Westinghouse, que por sua vez proporcionavam energia para quatro turinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 29 mil cavalos-vapor (21,3 mil quilowatts), o que garantia uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Tinha uma autonomia de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação originalmente era formada por 57 oficiais e marinheiros. Foi construído com dois mastros de treliça com plataformas de observação no topo para suas armas.
Sua bateria principal consistia em doze canhões Marco 4 calibre 50 de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas na linha central, duas na frente e duas a ré da superestrutura, em ambos os casos com uma torre sobreposta a outra. A bateria secundária tinha catorze canhões calibre 51 de 127 milímetros montadas em casamatas individuais à meia-nau na superestrutura, mais quatro canhões calibre 50 de 76 milímetros. Além disso, o Tennessee foi equipado com dois tubos de torpedo submersos de 533 milímetros, um em cada lateral do navio. Seu cinturão principal de blindagem tinha entre 203 e 343 milímetros de espessura, enquanto o convés blindado principal tinha 89 milímetros. As torres de artilharia tinham frentes de 457 milímetros, laterais de 254 milímetros, traseira de 229 milímetros e tetos de 127 milímetros, ficando em cima de barbetas com 330 milímetros de espessura. A torre de comando era protegida por laterais de 406 milímetros.
História Tempos de paz thumb|esquerda|250px|O Tennessee em fevereiro de 1921 na Baía de Guantánamo durante seus testes O batimento de quilha do Tennessee ocorreu em 14 de maio de 1917 no Estaleiro Naval de Nova Iorque. Seu casco completo foi lançado ao mar em 30 de maio de 1919 e batizado por Helen Lenore Roberts, filha de Albert H. Roberts, o Governador do Tennessee. O processo de equipagem começou em seguida e o navio foi comissionado na frota norte-americana em 3 de junho de 1920, com o capitão Richard H. Leigh como seu primeiro oficial comandante. O couraçado começou seus testes marítimos no Estuário de Long Island, durando de 15 a 23 de outubro. Ele estava ancorado em Nova Iorque no dia 30 quando um de seus geradores elétricos explodiu e destruiu uma das turbinas, também ferindo dois tripulantes. Reparos foram realizados e problemas com seu sistema de propulsão identificados nos testes marítimos foram corrigidos, com o Tennessee partindo em 26 de fevereiro de 1921 para mais testes na Baía de Guantánamo em Cuba. Em seguida navegou para o norte até Hampton Roads, na Virgínia, onde chegou em 19 de março. Prosseguiu para Dahlgren a fim de realizar treinamentos de artilharia para calibrar seus canhões. Seguiu-se um período de manutenção em Boston, em Massachusetts, onde dois de seus canhões de 127 milímetros foram removidos, e então o couraçado foi para Rockland, no Maine, para testes de potência. A embarcação foi considerada apta para o serviço e fez uma parada em Nova Iorque antes de seguir para o sul, atravessando o Canal do Panamá e juntando-se em 17 de junho à Força de Couraçados da Frota do Pacífico em Los Angeles, na Califórnia.
A Frota do Pacífico foi renomeada como Frota de Batalha em 1922 e depois como Força de Batalha em 1931. Seus navios realizaram no decorrer das décadas de 1920 e 1930 uma rotina padrão de diferentes exercícios de treinamento, manutenção periódica em um estaleiro e os anuais Problemas de Frota. Estes começaram em 1923 e tipicamente envolviam a maioria das principais unidades da Marinha dos Estados Unidos em uma variedade de jogos de guerra táticos e estratégicos, sendo realizados em locais diferentes, incluindo o Mar do Caribe, a área ao redor da Zona do Canal do Panamá e os Oceanos Pacífico e Atlântico. O Tennessee tinha participado no início de 1922 de manobras com a frota no Caribe em que as frotas do Pacífico e Atlântico se combinaram para exercícios de treinamento em grande escala. As manobras incluíram elementos da frota simulando ataques e defesas da Zona do Canal do Panamá, Porto Rico e da Base Naval da Baía de Guantánamo. A Frota do Pacífico voltou para sua base em abril. O couraçado ganhou a primeira posição de artilharia mais precisa dentre as unidades da Frota de Batalha em 1922 e 1923, mais o Prêmio de Eficácia de Batalha em 1923 e 1924.
thumb|240px|O Tennessee na década de 1930 Os Problemas de Frota estabeleceram as fundações das campanhas da Marinha dos Estados Unidos posteriormente na Guerra do Pacífico; dentre as lições aprendidas estava a importância do desenvolvimento de uma força de porta-aviões,que mostrou-se que poderia ser mais do que apenas um elemento de reconhecimento. Operações combinadas também revelaram que os lentos couraçados de 21 nós eram um impedimento significativo para os muito mais velozes porta-aviões, o que depois levo ao desenvolvimento dos couraçados rápidos da Marinha dos Estados Unidos. A Frota de Batalha realizou exercícios em 1925 conjunto com o Exército dos Estados Unidos a fim de avaliar as defesas de Pearl Harbor, no Havaí, como parte do Problema de Frota V, que também inclui manobras próximas do litoral da Califórnia. Mais tarde no mesmo ano a frota cruzou o Pacífico para fazer uma visita diplomática à Austrália e Nova Zelândia. Os navios voltaram para Los Angeles em setembro. Uma visita de três meses ao Havaí começou em abril de 1927. Uma catapulta para lançamento de hidroaviões de reconhecimento e um guindaste foram instalados na popa do Tennessee em 1928.
Sua bateria antiaérea original de armas de 76 milímetros foi removida entre 1929 e 1930 e substituída por oito canhões calibre 25 de 127 milímetros em montagens únicas. Os Problemas de Frota X e XI foram realizados no Caribe em março e abril de 1930, com o Tennessee visitando Nova Iorque por um mês depois disso até partir de volta para o Pacífico em 19 de maio. No mês seguinte foi fazer uma viagem pelo Havaí que durou catorze meses, finalmente retornando para a Califórnia em fevereiro de 1932. Pelo próximo um ano e meio a embarcação realizou operações de rotina no litoral da Costa Oeste, retornando para o Atlântico em outubro de 1934 para mais treinamentos. O restante da década de 1930 seguiu a tradicional rotina de atividades. Por volta de 1935 foi equipado com oito metralhadoras M2 Browning de 12,7 milímetros. Dois canhões de 76 milímetros foram reinstalados em 1940, um de cada lado da superestrutura dianteira.
O Problema de Frota XXI foi o último da série pré-guerra e ocorreu em 1940. O presidente Franklin D. Roosevelt ordenou pouco depois disso que toda a Força de Batalha se transferisse de seu porto de chamada de Los Angeles para Pearl Harbor em resposta às tensões cada vez maiores com o Japão devido ao andamento da Segunda Guerra Sino-Japonesa. Roosevelt esperava que essa mudança dissuadisse um maior expansionismo japonês. Tennessee passou por reparos no Estaleiro Naval de Puget Sound antes de seguir para o Havaí, onde chegou em 12 de agosto. O Problema de Frota XXII estava marcado para o início de 1941, porém foi cancelado devido à Segunda Guerra Mundial. O navio passou 1941 em operações de treinamento em pequena escala, estando ancorado em dezembro em Pearl Harbor com o resto da frota.
Segunda Guerra Mundial Pearl Harbor
thumb|esquerda|240px|O Tennessee (direita) ao lado do West Virginia após o Ataque a Pearl Harbor Os couraçados da Força de Batalha estavam atracados próximos da Ilha Ford em Pearl Harbor na manhã de 7 de dezembro de 1941 quando a base foi atacada pelo Japão. O Tennessee estava ancorando ao lado do , com o à frente, o ao lado deste e o a ré. As primeiras aeronaves japonesas apareceram por volta das 7h55min e iniciaram um ataque surpresa, fazendo a tripulação do Tennessee ir para seus postos de combate; demorou cinco minutos para os tripulantes começarem a disparar suas armas antiaéreas. O navio recebeu ordens de partir para responder ao ataque, porém os outros couraçados ao seu redor receberam danos incapacitantes antes que sua tripulação conseguisse fazer seu navio se mexer. O West Virginia foi torpedeado várias vezes e afundou, já o Oklahoma também foi torpedeado e emborcou. Bombardeiros de mergulho chegaram pouco depois e caças metralharam as baterias antiaéreas do navio. O Arizona explodiu depois de uma bomba perfurante ter detonado seu depósito de munição, espalhando óleo combustível em chamas na água. A explosão também fez chover óleo em chamas na popa do Tennessee, com este rapidamente ficando cercado por fogo, que foi alimentado ainda mais pelo óleo vazando do West Virginia.