A Agremiação Sportiva Arapiraquense, mais conhecida como ASA de Arapiraca ou simplesmente ASA, é um clube de futebol sediado em Arapiraca, no interior de Alagoas. Fundada em 25 de setembro de 1952, surgiu em um contexto de continuidade do extinto Ferroviário, cuja finalidade consistia em proporcionar lazer e entretenimento aos trabalhadores envolvidos na construção da estrada de ferro durante os fins de semana e os dias sem expediente.

Logo em sua primeira participação no Campeonato Alagoano, em 1953, conquistou o título estadual após a desistência do adversário na decisão, circunstância que levou a Federação Alagoana a homologar a conquista. Posteriormente, atravessou um período de quase cinquenta anos sem levantar troféus, adquirindo a reputação de clube de menor expressão, situação que chegou a ser mencionada em uma canção de Francis Hime e Chico Buarque. No total, soma sete títulos estaduais e figura como o terceiro maior vencedor da competição, atrás apenas de CRB e CSA. Em 2017, foi reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial de Arapiraca por meio da Lei nº 3.245.

História Em 1951, o engenheiro Camilo Colier iniciou, em Arapiraca, as obras da estrada de ferro que ligaria o município a Palmeira dos Índios, empreendimento que impulsionou o comércio local, sobretudo o desenvolvido pelos feirantes. Nesse contexto, os trabalhadores da ferrovia, com o apoio de seus empregadores, fundaram o Ferroviário Atlético Clube, destinado a oferecer atividades de lazer aos funcionários nos períodos de folga. Com a conclusão das obras, entretanto, a agremiação perdeu sua principal razão de existir e acabou sendo extinta.

Em 25 de setembro de 1952, um grupo de empresários e autoridades, liderado por Antônio Pereira Rocha, fundou a então denominada Associação Sportiva de Arapiraca. Na temporada seguinte, disputou pela primeira vez o Campeonato Alagoano, conquistou o título do interior e, conforme o regulamento vigente, garantiu vaga na decisão contra o Ferroviário de Maceió, campeão da capital. A equipe maceioense, contudo, desistiu da final, o que levou a Federação Alagoana a homologar o recém-fundado clube como campeão estadual.

Ao longo da década de 1960, ganhou projeção no futebol nordestino e passou a ser conhecido como Fantasma das Alagoas, alcunha conquistada em razão das bem-sucedidas excursões realizadas pela região, durante as quais derrotou diversos clubes tradicionais em amistosos. Em 1977, alterou a denominação para Agremiação Sportiva Arapiraquense, preservando, contudo, a sigla ASA. Dois anos mais tarde, alcançou repercussão nacional ao disputar o Campeonato Brasileiro de 1979, campanha em que avançou à segunda fase da competição.

Apesar da projeção alcançada nas décadas anteriores, atravessou um longo período sem conquistar novos títulos estaduais, encerrando um jejum de quase cinquenta anos apenas em 2000. Durante esse intervalo, passou a ser associado à condição de clube de pequena expressão. Tal percepção foi reforçada pelo comentarista esportivo e ex-treinador da seleção brasileira João Saldanha, que popularizou a expressão "esses Arapiracas da vida" para designar, de forma genérica, equipes consideradas de menor relevância no cenário nacional. A mesma ideia foi posteriormente incorporada à canção "E Se", de Francis Hime e Chico Buarque, cuja letra, construída a partir de acontecimentos improváveis, inclui o verso "E se o Arapiraca for campeão".

O longo período sem título chegou ao fim em 2000, quando derrotou o CSA por 1–0, no estádio Rei Pelé, com gol de Jaelson Marcelino, voltando a conquistar o Campeonato Alagoano. Na sequência, consolidou-se entre as principais equipes do futebol estadual ao levantar também as taças de 2001, 2003, 2005, 2009 e 2011. Com esses resultados, passou a somar sete títulos alagoanos, tornando-se o terceiro maior vencedor da história da competição, superado apenas por CRB e CSA. No mesmo período, obteve resultados expressivos em torneios regionais e nacionais. Entre os principais feitos, destacam-se a eliminação do Palmeiras na Copa do Brasil de 2002, o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro em 2009 — temporada em que também conquistou o vice-campeonato da Série C — e a campanha na Copa do Nordeste de 2013, encerrada igualmente com o vice-campeonato.

Após essa fase de ascensão esportiva, passou a enfrentar sucessivos resultados desfavoráveis. Em 2013, foi rebaixado da Série B para a Série C do Campeonato Brasileiro. Quatro anos depois, sofreu novo descenso, desta vez para a Série D. A partir do início da década de 2020, iniciou um processo de recuperação no cenário estadual, conquistando a Copa Alagoas em 2020 e 2021 e retornando às finais do Campeonato Alagoano entre 2022 e 2026. Apesar da retomada, terminou todas essas edições como vice-campeão, sendo derrotado pelo CRB em cada uma das decisões.

Símbolos Na década de 1970, promoveu uma reformulação institucional que contemplou tanto a alteração da denominação quanto a atualização do emblema. Criado por Ismael Pereira de Azevedo, o distintivo é composto por três círculos concêntricos, tendo o nome da agremiação inscrito em sua extremidade externa. Na parte central, à esquerda, figura uma representação oval de uma folha de fumo — elemento associado à economia arapiraquense — dividida nas cores preta e branca, em referência, respectivamente, ao fumo verde e ao fumo maduro, sobre a qual está disposta a sigla ASA. À direita, cinco linhas verticais brancas remetem ao varal utilizado para a secagem das folhas de fumo ao sol, enquanto, na região central, destaca-se a estrela radiosa, símbolo presente no hino municipal. Em 2010, recebeu ajustes pontuais realizados pelo designer Fernando Lopes, que modificou aspectos da tipografia, das bolas e do círculo central.

O hino oficial, intitulado "Asa Gigante", foi composto pelo professor Pedro de França Reis, com arranjos do maestro Jovelino Lima. Já o mascote adotado é o fantasma, referência ao apelido conquistado durante as excursões realizadas pelo Nordeste na década de 1960..

Títulos Com sete títulos estaduais, consolidou-se como o terceiro maior vencedor da competição, atrás apenas de CRB e CSA. A conquista de 1953, entretanto, recebeu reconhecimento oficial somente em 1998. Tal demora esteve relacionada ao regulamento daquela edição, que dividiu o campeonato em dois torneios distintos: o da capital e o do interior, cujos vencedores deveriam se enfrentar em uma decisão pelo título estadual. Naquele ano, os classificados para a final foram ASA e Ferroviário de Maceió. A equipe da capital, contudo, desistiu da disputa e formalizou a decisão por meio de um documento, levando a Federação Alagoana a homologar o clube arapiraquense como campeão. O registro dessa proclamação, porém, foi localizado apenas décadas depois, em uma nota publicada no jornal Gazeta de Alagoas em 7 de abril de 1954. Posteriormente, a entidade estadual reconheceu ambos como campeões daquela edição.

Além disso, para fins de esclarecimento, a denominação "Copa Alagoas" foi utilizada em diferentes contextos ao longo da história. Em 2005, o Campeonato Alagoano passou a contar com dois turnos, denominados Copa Maceió e Copa Alagoas. Ao final de cada fase, o respectivo vencedor era declarado campeão, em modelo semelhante ao adotado nas Taças Guanabara e Rio, no Campeonato Carioca. Essa fórmula, contudo, vigorou por apenas três temporadas e foi abandonada em 2008, após a reformulação do regulamento da competição. Posteriormente, o formato voltou a ser empregado nas edições de 2014 e 2015, sendo novamente descontinuado. Em 2020, a Federação Alagoana restabeleceu a Copa Alagoas como torneio independente do campeonato estadual, atribuindo-lhe finalidades específicas, entre elas a concessão de uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro ao vencedor. A edição daquele ano passou a ser reconhecida pela entidade como a primeira da competição, assim como o título obtido pelo ASA foi considerado inédito. O clube, entretanto, contabiliza também a conquista do segundo turno do Campeonato Alagoano de 2015, igualmente denominado Copa Alagoas, motivo pelo qual se considera tricampeão do torneio. Esse entendimento, contudo, não é reconhecido pela entidade organizadora, motivo pelo qual a referida conquista não integra a relação oficial de títulos apresentada abaixo.

InterestaduaisCompetiçãoTítulosTemporadasCopa Alagipe 12005EstaduaisCompetiçãoTítulosTemporadasCampeonato Alagoano71953, 2000, 2001, 2003, 2005, 2009 e 2011Copa Alagoas22020 e 2021Campeonato do Interior11953

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