upright|thumb|left|Grande Esnoga de Amesterdão
Os Judeus de ascendência portuguesa são um subgrupo étnico-religioso dos judeus sefarditas, oriundos de Portugal, de onde foram expulsos nos séculos XV e XVI. Juntamente com os descendentes dos judeus expulsos de Espanha sensivelmente na mesma época, constituem os sefarditas ocidentais (), os quais diferem dos sefarditas orientais — aqueles que foram acolhidos pelo Império Otomano. Possuem herança linguística, ritual e social próprias.Katz and Serels
Diáspora Após a expulsão de 120 mil judeus da Espanha pelos Reis Católicos em 1492, cerca de , que se recusaram converter-se à religião cristã emigraram para Portugal Payne, Stanley G. A History of Spain and Portugal, 1973. Vol 1 p.229. , influenciado por judeus importantes na Corte, acolhe-os, mas impõe-lhes o pagamento de oito ducados de ouroum ducado equivalia a aproximadamente 3,5g, quantia deveras elevada para a época, para permanecerem em terras lusitanas. Os que não podiam pagar este valor viam metade dos seus bens confiscados para a Coroa. Pretendia-se a fixação de operários especializados, que faltavam em Portugal. Falecido sucede-lhe , monarca que se revelou tolerante para com os judeus que não podiam pagar. No entanto, em março de 1497, é imposta a expulsão da comunidade judaica de Portugal por meio de uma lei que entrou em vigor naquele mesmo ano, iniciando uma séries de medidas persecutórias. Alvará real assinado pelo el-Rei D. Manoel 19 de março de 1497
Com o pogrom de Lisboa (1506) iniciava-se nova diáspora judaica. Alguns rumaram para o norte da Europa, onde fundaram comunidades nos Países Baixos e Alemanha. Outros se dirigiram para o sul da França (Bordéus, Biarritz, Tartas) e um menor número para Inglaterra e Itália. Alguns judeus preferiram retornar ao Oriente Médio, tendo sido bem recebidos pelos turcos otomanos e assimilados nas comunidades sefarditas orientais.
Os judeus erigiram a Grande Esnoga e tornaram-se o centro de referência para a comunidade judaica. Chegaram a desenvolver um dialeto próprio, o judeu-português, que foi usado até a expansão napoleônica impor ensino secular.Strolovitch, Devon L. (2005) Old Portuguese in Hebrew Script: Convention, Contact, and Convivência. Ph.D. dissertation, Cornell University, Ithaca, NY.
thumb|Primeiro cemitério da Congregação Shearith Israel da nação portuguesa em Nova Iorque, a última estrutura do que subsiste em Manhattan
Os judeus portugueses também chegaram com os holandeses em Pernambuco e, consecutivamente, a toda região setentrional do Nordeste brasileiro, outrora conquistado aos portugueses pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, entre os anos de 1630 a 1654, onde fundaram no Recife, capital da Nova Holanda, a primeira sinagoga da América, a Sinagoga Kahal Zur IsraelRosa, JS da Silva Geschiedenis der Portugeesche Joden te Amsterdam 1593-1925Amsterdam: Menno Hertzberger, 1925, sob a direção do Hakham Isaac Aboab da Fonseca, autor dos primeiros textos literários e religiosos escritos em língua hebraica na América |"Isaac Aboab da Fonseca" no Museu Histórico Judaico dos Países Baixos. Com a reconquista portuguesa do Nordeste setentrional do Brasil, e a proibição de praticar o judaísmo, a comunidade dispersou-se, sendo que alguns voltaram para Amesterdão, outros migraram para outras colônias holandesas na América do Sul, Central e do Norte e uma parcela permaneceu, refugiando-se nos sertões, interior do Nordeste Brasileiro onde se converteram em cripto-judeus Wolff, Egon; Wolff, Frieda. A odisséia dos judeus de Recife. 1979.
Em Nova Iorque, que fora colônia holandesa com o nome de Nova Amesterdão, chegaram do Recife um grupo de 23 judeus em Setembro de 1654, onde fundaram a primeira comunidade judaica dessa cidade. Os Judeus da nação portuguesa fundaram outras comunidades, como Montreal, Newport, Philadelphia, Charlotte, Nova Orleães e participaram ativamente da sociedade estadunidense, formando uma elite política e cultural judia. Birmingham, Stephen. The grandees: America's Sephardic elite. 1997
Com a Segunda Guerra Mundial os judeus da nação portuguesa sofreram fortemente, tendo sua população diminuída, de forma considerável, em suas comunidades na Europa continental.Meijer
Bibliografia
Barnett, R. D., and Schwab, W., The Western Sephardim (The Sephardi Heritage Volume 2). Gibraltar Books, Northants, 1989 Birmingham, S., The Grandees: America's Sephardic Elite. Syracuse 1971 repr. 1997 ISBN 0-8156-0459-9 de Sola Pool, David e Tamar, An Old Faith in the New World. Nova York, Columbia University Press, 1955. ISBN 0-231-02007-4 Dobrinsky, Herbert C.: A treasury of Sephardic laws and customs: the ritual practices of Syrian, Moroccan, Judeo-Spanish and Spanish and Portuguese Jews of North America. Revised ed. Hoboken, N.J.: KTAV; Nova York: Yeshiva University Press, 1988. ISBN 0-88125-031-7 Gubbay, Lucien and Levy, Abraham, The Sephardim: Their Glorious Tradition from the Babylonian Exile to the Present Day. London Carnell, 1997. Hyamson, Moses, The Sephardim of England: A History of the Spanish and Portuguese Jewish Community 1492-1951. Londres, 1951. Katz and Serels (ed.), Studies on the History of Portuguese Jews. Nova York, 2004. ISBN 0-87203-157-8 Meijer, Jaap (ed.) Encyclopaedia Sefardica Neerlandica: Uitgave van de Portugees-Israëlietische Gemeente. Amsterdam, 1949–1950 [5709A.M. ] (2 vol., em holandês). Poettering, Jorun, Migrating Merchants. Trade, Nation, and Religion in Seventeenth-Century Hamburg and Portugal, Berlin, De Gruyter, 2019, ISBN 978-3-11-046993-6. Samuel, Edgar, At the End of the Earth: Essays on the history of the Jews in England and Portugal. Londres, 2004. ISBN 0-902528-37-8 Studemund-Halévy, Michael & Koj, P. (publ.), Sefarden in Hamburg: zur Geschichte einer Minderheit. Hamburgo, 1993–1997. (2 vol.)