A Sereníssima Casa de Bragança é uma dinastia de origem portuguesa, tendo sido uma das mais importantes e influentes na Europa e no mundo até ao início do século XX. Foi a última casa soberana do Reino de Portugal, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e do Império do Brasil.

Foi a última dinastia real soberana do Reino de Portugal (1139–1910), e do império ultramarino colonial português, por quase quatro séculos, tendo ascendentes nas dinastias anteriores. Reinou em regime tradicional até 1820, depois, em decorrência da implantação da monarquia constitucional em Portugal, passou a reinar em regime constitucional.

Também foi a casa soberana do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815–1822), quando da elevação da colônia do Brasil a reino em 1815, voltando à denominação de Reino de Portugal após a independência do Brasil, em 1822.

No Império do Brasil (1822–1889), foi sua casa soberana por via dum ramo colateral. Com a morte de Pedro II do Brasil, o ramo brasileiro extingue-se em linha masculina, e sua titularidade é reivindicada pela Casa de Orléans e Bragança, descendente da filha mais velha e herdeira do imperador, a princesa Isabel do Brasil.

Para alguns historiadores e académicos, pelo casamento da rainha D. Maria II de Portugal com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Koháry, a Casa de Bragança ter-se-á extinto dando origem à Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota.Em Portugal considerou-se que a Casa de Bragança não se extinguiu oficialmente com este casamento, continuando a Casa de Bragança, embora com o nome da Casa de Saxe-Coburgo-Gota associado, a ser a casa reinante em Portugal. A Carta Constitucional portuguesa de 1826, que foi a constituição portuguesa até a implantação da república em 1910, estabelece no seu artigo 5º: "Continua a Dinastia Reinante da Sereníssima Casa de Bragança na Pessoa da SENHORA PRINCESA DONA MARIA DA GLÓRIA, pela Abdicação, e Cessão de Seu Augusto Pai o SENHOR DOM PEDRO I, IMPERADOR DO BRASIL, Legítimo Herdeiro e Sucessor do Senhor Dom João VI.". Assim também estabeleceu a constituição portuguesa de 1838, que logo seria abolida, em 1842, por um golpe de Estado liderado pelo político Costa Cabral, que teve a conivência da rainha D. Maria II, e que restaura a constituição portuguesa de 1826. A constituição portuguesa de 1826 vigeu em Portugal até a implantação da república, em 1910. O artigo 5º da constituição portuguesa de 1838 também estabelece: "A Dinastia reinante é a da Sereníssima Casa de Bragança, continuada na Pessoa da Senhora D. Maria II, actual Rainha dos Portugueses.". No caso do ramo familiar em Espanha, é conhecido como a Casa de Bourbon-Bragança.

História Era feudal thumb|left|210px|Afonso I (1377–1461), primeiro Duque e fundador da Casa de Bragança. A Casa de Bragança teve origem com Afonso I, filho ilegítimo de João I de Portugal — fundador da Casa de Avis — e Inês Pires. Embora fosse um "bastardo real", Afonso gozava de grande prestígio na corte o que se comprova por seu casamento com Beatriz Pereira de Alvim, filha de Nuno Álvares Pereira, um dos mais poderosos generais lusitanos e amigo particular de João I. Além de ampliar seu prestígio social através do casamento com uma importante casa dinástica, Afonso também tornou-se o oitavo Conde de Barcelos, honra a ele concedida por seu sogro que havia sido feitado o sétimo conde pelo rei.

Com o seu lugar recentemente consolidado na nobreza portuguesa, Afonso iniciou o que seria uma carreira política e social de grande sucesso. Em 1415, participou na Conquista de Ceuta ao lado do pai, dos irmãos e dos principais membros da nobreza e militares. À data da morte do pai, em 1433, Afonso tinha conquistado a simpatia do irmão, o rei Duarte I e do restante da alta sociedade portuguesa. Com a morte prematura de seu irmão em 1438, foi estabelecida uma regência para seu sobrinho Afonso V, de 6 anos, sob a liderança da rainha-mãe Leonor de Aragão e de Pedro, Duque de Coimbra. A regência do Duque de Coimbra, no entanto, logo se mostrou impopular e Afonso rapidamente se tornou o conselheiro preferido do rei. Em 30 de dezembro de 1442, o Duque de Coimbra nomeou Afonso como Duque de Bragança, num gesto de boa vontade e reconciliação entre os dois irmãos. A elevação de Afonso ao ducado, o mais alto título do pariato, marcou a fundação da história ducal da Casa de Bragança, que viria a tornar-se a mais proeminente dinastia da história portuguesa.

Como resultado do trabalho árduo e do sucesso de Afonso I, todos os seus filhos obtiveram posições de sucesso e viveram vidas privilegiadas. O primogênito Afonso de Bragança, foi um destacado membro da nobreza, tendo recebido de seu avô Nuno Álvares Pereira o poderoso título de Conde de Ourém em 1422. Como diplomata, serviu como representante do rei no Concílio de Basileia em 1436 e no Concílio de Florença em 1439. Em 1451, o Conde de Ourém foi feito Marquês de Valença e escoltou a Infanta Leonor de Portugal em seu casamento com Frederico III, Sacro Imperador Romano. Mais tarde, em 1458, participou no cerco e subsequente conquista de Alcácer-Ceguer. O Marquês de Valença, no entanto, morreu em 1460 antes de seu pai e não assumiu o título.A primeira filha de Afonso I, Isabel de Bragança, casou-se com o Infante João, Senhor de Reguengos de Monsaraz, religando assim os membros da Casa de Bragança à Casa Real de Portugal. O casamento estratégico de Isabel foi bem-sucedido e gerou quatro filhos, cujos descendentes seriam alguns dos mais importantes da história ibérica. O último filho e sucessor de Afonso I, Fernando I, deu continuidade ao seu legado de destaque militar e nobiliárquico. thumb|right|250px|O Paço dos Duques, em Guimarães, foi sede da Casa de Bragança de 1420 até a execução de Fernando II em 1483.

Ao nascer, Fernando I herdou o título de Conde de Arraiolos. Fernando tornou-se um reconhecido militar, participando de várias campanhas colonialistas portuguesas. Embora Fernando I fosse um membro popular e poderoso da nobreza, se opôs ao rei Afonso V perante as Cortes portuguesas pelo resgate do Infante Fernando dos mouros. Posteriormente, Fernando I tornou-se um favorito real de Afonso V, valendo-lhe o cargo de Governador de Ceuta e os títulos de Marquês de Vila Viçosa e Conde de Neiva.

Os filhos de Fernando I e Joana de Castro continuaram a ampliar os domínios e a influência da Casa de Bragança na corte. De seus nove filhos, todos os seis que sobreviveram até a idade adulta se estabeleceram por meio de cargos ou casamentos apesar das tentativas de enfraquecimento de sua influência pelo rei João II. O primeiro filho e sucessor de Fernando I, Fernando II, foi inicialmente um nobre brilhante e popular, mas seu conflito com o monarca propiciou a queda da influência dos Bragança. O seu segundo filho, João, Marquês de Montemor-o-Novo, foi feito Condestável de Portugal. O terceiro filho de Fernando, Afonso de Bragança, tornou-se um fidalgo popular e foi feito Conde de Faro. O quarto filho do Duque, Álvaro de Bragança, herdou os feudos de sua mãe, tornando-se o quinto Senhor de Ferreira, quarto Senhor do Cadaval e Senhor de Tentúgal. A filha sobrevivente mais velha de Fernando, Beatriz de Bragança, casou-se com Pedro de Meneses, Marquês de Vila Real. A última filha sobrevivente de Fernando, Guiomar de Bragança, casou-se com Henrique de Meneses, 4.º Conde de Viana do Alentejo. Porém, os filhos e netos de Fernando I sofreriam grandes dificuldades sob o reinado de João II.

Durante a vida do terceiro duque, Fernando II, a Casa de Bragança era sem dúvida uma das maiores casas nobres de Portugal e da Península Ibérica. Fernando II deu continuidade ao legado de aquisições de seu pai e recebeu o título de Duque de Guimarães. Entretanto, o reinado de João II voltou-se para a consolidação e centralização do poder real e consequente diminuição dos poderes da nobreza. Em sua missão de centralização do poder, o rei executou muitos nobres das grandes casas de Portugal, além de confiscar suas propriedades e exilar suas famílias. Fernando II, tendo sido um nobre proeminente e poderoso, foi acusado de traição e executado por João II em 1483. Os títulos e propriedades da casa foram anexados pela Coroa e seus membros exilados em Castela.

Devido aos infortúnios do pai, os filhos de Fernando II e Isabel de Viseu tiveram inicialmente uma infância tumultuada; mas o sucessor de João II, Manuel I, que tinha sido ele próprio Duque de Beja, optou pelo indulto aos Bragança e restituiu-lhes todas as suas propriedades mediante sua lealdade à monarquia. O filho sobrevivente mais velho e sucessor de Fernando II, Jaime I, regressou a Portugal e restabeleceu-se em Vila Viçosa, antiga sede dos Duques. O único outro filho sobrevivente de Fernando II, Dinis de Bragança, casou-se com Beatriz de Castro Osório, Condessa de Lemos, com quem teve quatro filhos.

Renascença portuguesa

thumb|left|230px|Jaime I (1479–1532) restaurou o prestígio dos Bragança, simbolizado pela construção do Paço Ducal de Vila Viçosa. Durante a vida de Jaime I, o Ducado de Bragança passou por uma era de restauração e reconhecimento. Após o seu regresso a Portugal, Jaime tomou posse das propriedades anteriormente confiscadas pela Coroa e, visando estabelecer uma nova imagem de sua dinastia, iniciou a construção de uma nova sede ducal que viria a ser um dos mais suntuosos palácios Península Ibérica, o Paço Ducal de Vila Viçosa. A restauração aprofundou também com as relações dos Bragança com o rei, com Jaime I vindo a tornar-se o favorito de Manuel I e eventualmente seu herdeiro presuntivo. Por outro lado, Jaime I também foi condenado a financiar a conquista de Azamor por ter encomendado o assassinato de sua primeira esposa, Leonor Pérez de Guzmán.

Os filhos de Jaime I tiveram vidas bem-sucedidas após a restauração da Casa de Bragança. A primeira filha de Jaime I, Isabel de Bragança, casou-se com o Infante Duarte, Duque de Guimarães, e teve três filhos, enquanto o seu primeiro filho e sucessor, Teodósio I, foi um grande mecenas do Renascimento português. Cinco dos filhos de Jaime I — Jaime, Maria, Fulgêncio, Teotónio e Vicência — ingressaram em ordens religiosas. A segunda filha do duque, Joana de Bragança, casou-se com Bernardino de Cárdenas, terceiro Marquês de Elche, e a sua terceira filha, Eugénia de Bragança, casou-se com Francisco de Melo, segundo Marquês de Ferreira. Constantino de Bragança, um dos dois únicos filhos de Jaime I a não seguir carreira religiosa, casou-se com Maria de Melo, filha de D. Rodrigo de Melo, 1.º Marquês de Ferreira, mas não teve filhos. Constantino foi notório como um grande oficial do Império Português, tendo servido como vice-rei da Índia portuguesa e capitão da Ribeira Grande, dentre outros cargos.

Reinado em Portugal thumb|230px|Em 1640, João IV tornou-se o primeiro membro da Casa de Bragança a ascender ao trono português. Por volta de 1640, as sábias políticas de Filipe I em relação a Portugal já tinham passado. O país estava sobrecarregado, as colónias portuguesas ficaram desprotegidas e o rei Filipe III de Portugal não tinha mais a confiança ou o apoio da maioria da nobreza portuguesa, sendo especialmente rejeitado pela poderosa guilda de mercadores. Portugal, como os demais reinos sob Filipe III, vivia a iminência de uma rebelião.

O oitavo Duque de Bragança, João II, havia herdado a pretensão de sua avó, Catarina de Bragança, e uma pretensão mais distante por meio de seu avô João I de Bragança. Por conta de suas várias reivindicações, a nobreza portuguesa descontente pediu a João II que liderasse o movimento de restauração como rei.

Segundo historiadores, João II era um homem modesto sem ambições particulares à coroa. Diz a lenda que sua esposa, Luísa de Gusmão, filha do duque de Medina-Sidónia, instou-o a aceitar o trono, dizendo: "Prefiro ser rainha por um dia do que duquesa por toda a vida". Aceitou a liderança da rebelião, que foi bem sucedida, e foi aclamado como João IV de Portugal em 1 de dezembro de 1640.