thumb|Bairro da Liberdade na cidade de São Paulo. São Paulo é a capital brasileira com maior número de nipo-brasileiros. A cultura nipo-brasileira é produto da imigração japonesa no Brasil, que começou a partir de 1908, quando chegou com navio Kasato Maru com 781 japoneses. De acordo com Cecília França Lourenço, "Os imigrantes japoneses constituem segmento diferenciado, dentre aqueles estabelecidos no Brasil, não só pelo evidente contraste cultural a envolver língua, hábitos, religião, mas pela contribuição ao desenvolvimento brasileiro em múltiplos aspectos, em especial nas artes visuais".Vida e Arte dos Japoneses no Brasil. p.40
História
No passado, os japoneses viajaram para o Brasil em busca de riquezas e pensavam que depois de ficar ricos iriam retornar para o Japão, porém isto não aconteceu com a maioria. Mas, a cada geração, os japoneses melhoraram suas vidas no Brasil e atualmente o país tem a maior comunidade japonesa fora do Japão, enquanto os brasileiros são um dos maiores grupos de estrangeiros presente no Japão.
Na arte
No cinema, a cultura nipo-brasileira se destacou em Gaijin – Os Caminhos da Liberdade, Gaijin - Ama-me como Sou e Corações Sujos.
Há também um grande número de eventos de cultura japonesa no Brasil, fazendo mais adeptos das tradições milenares, independente da origem étnica e religião e também resgatando as origens de muitos nipo-brasileiros, que com o decorrer do tempo, foi esquecida ou deixada de praticar. Um exemplo é o Tanabata Matsuri, ou Festival das Estrelas, celebrado em São Paulo no mês de julho.
Artes plásticas Uma das contribuições da colônia japonesa no desenvolvimento brasileiro é o campo das artes plásticas, onde a arte dos nipo-brasileiros chega a ser denominada de "escola nipo-brasileira". A constância dos nipo-brasileiros em participar dos salões, exposições e eventos foi decisivo para chamar a atenção, manter contatos entre os artistas.Vida e Arte dos Japoneses no Brasil. p.50 Com a chegada dos imigrantes japoneses pós-guerra, essas atividades tomaram novo impulso – ceramistas, artistas plásticos, artesões, fotógrafos chegaram no Brasil trazendo novidades nas concepções estéticas que ajudaram a "compor e dar novo formato as artes plásticas do Brasil", nas palavras de Antônio Henrique Bittencourt Cunha Bueno.
Em 1935 foi criada a Seibi-kai, uma organização situada em São Paulo que congregava um grupo de artista plásticos japoneses transferidos para o Brasil na condição de imigrantes. Foi um dos grupos de mais longa duração de que se tem notícia na história da pintura brasileira, mesmo descontando os anos de paralisação impostos pelo governo durante a segunda grande guerra.Paulo Roberto Arruda de Menezes, "Grupo Seibi: O Nascimento da Pintura Nipo-brasileira", Revista USP, n° 37, set./out./nov. 1995, p. 104 Esse grupo tinha por finalidade reunir os seus membros para troca de idéias e experiências, promover pequenas excursões nos fins de semana a fim de pintar ao ar livre, eventualmente viabilizar sessões de modelo vivo e também organizar exposições para mostrar ao público seus trabalhos de pintura e comercializá-los. O Seibi-kai desempenhou um papel decisivo na criação de princípios gerais para nortear os pintores que ali se reuniam. Também foi importante no cenário artístico pelas suas excursões artísticas.Vida e Arte dos Japoneses no Brasil. p.44
O Seibi-kai editou 14 salões de periodicidade anual, respectivamente nos anos de 1952 a 54, de 58 a 60 e de 63 a 1970. Os três primeiros salões foram realizados em condições econômicas modestas, porém com o Cinquentenário da Imigração Japonesa, em 1958, ampliou-se a difusão e premiação. Antes não tinham catálogos e os prêmios ficaram restritos a diplomas, mas foi a partir de 1958 que conseguiram apoio, bem como levantar recursos com a venda de obras. A venda de obras permitia meios capazes de garantir a continuidade do evento.Vida e Arte dos Japoneses no Brasil. p.70 esquerda|thumb|Monumento Tomie Ohtake em Santos A última edição do Salão foi aberta em 10 de setembro de 1970 com 189 obras, nessa edição foi prestada uma homenagem póstuma para Walter Shigeto Tanaka. Aliás, uma das atividades da Seibi-kai era a homenagem póstuma de seus artistas e o reconhecimento do trabalho dos pioneiros.Vida e Arte dos Japoneses no Brasil. p.78 1972 é o ano que o Seiki-kai encerra suas atividades, e no mesmo ano é instaurado um novo movimento artístico da comunidade nipo-brasileira e os artistas continuam suas atividades no I Salão Bunkyo, coordenado pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.
Outro grupo artístico com grande participação de nipo-brasileiros foi o Grupo Guanabara ao qual foi formado em torno de Tikashi Fukushima, o grupo chegou a contar com 34 integrantes, na maioria imigrantes italianos e japoneses ou seus descendentes, entre eles artistas que participam do Seibi-kai e do Grupo dos 15. O Grupo Guanabara foi criado em 1950 e os seus encontros conduzem a ideia de criação de um espaço em que os artistas pudessem discutir seus trabalhos preservando a diversidade de tendências de seus membros. Após dez anos de atividade, o grupo se desfaz.
No final da década de 70, os nipo-brasileiros tinham uma situação diferente no que se diz em matéria de interação, situação contrária se comparada aos tempos da Segunda Guerra Mundial, quando eram vistos com desconfiança pela população e pelo governo, logo, nesses novos tempos, após a guerra, as galerias adquiriam sistematicamente a produção dos abstratos, onde após as primeiras Bienais eram abertas as oportunidades de difusão de suas produções e conquistando a crítica. Havendo colecionadores interessados nesses artistas, tanto no Brasil como no exterior, havendo colecionadores na própria colônia.Vida e Arte dos Japoneses no Brasil. p.88
A arte na década de 80 foi influenciada pelo aparecimento de outros artistas e também pela atuação dos pioneiros, como Tomoo Handa, abstracionistas, como Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Tomie Ohtake, Kazuo Wakabayashi e outros, onde atuaram, no desenvolvimento artístico, como também nos interesses da comunidade de artistas.Vida e Arte dos Japoneses no Brasil. p.92
Cerâmica A ceramista Kimi Nii referência internacional no que diz respeito a produção escultórica e utilitária de cerâmica de alta temperatura. A artista iniciou suas atividades com cerâmica em 1978 no Brasil, após isso seus trabalhos foram expostos no Japão. Foi uma das designers brasileiras selecionadas para comercializar produtos na loja do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova Iorque. A artista é descrita como uma referência aos artistas mais jovens.
Hideko Honma também se destaca nacionalmente como ceramista, inicialmente fazia cursos de cerâmica, mas sem obter os resultados esperados, até que em 1988, foi Japão para se aperfeiçoar, desde então volta ao país com frequência para se atualizar e no Brasil acabou se tornando uma referência nacional, construiu uma marca com um alto valor agregado que é procurada pelos principais arquitetos do país, e linhas de cerâmicas utilitárias utilizado por famosos chefs.
A ceramista Shoko Suzuki é uma das pioneiras da cerâmica contemporânea nipo-brasileira. Nascida em Tóquio, Japão, em 1929, mudou-se para o Brasil em 1962, estabelecendo-se em São Paulo, onde passou a desenvolver uma produção marcada pela experimentação com o barro e o diálogo entre tradição oriental e estética brasileira. Sua obra destaca-se pelo uso expressivo de formas orgânicas e texturas que evocam o contato direto com a terra, sendo frequentemente associada ao conceito de espiritualidade na arte cerâmica. Ao longo de sua trajetória, Suzuki participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, e é considerada uma referência para gerações de ceramistas brasileiros, especialmente por seu papel na difusão da cerâmica artística de alta temperatura.
Natural da cidade de São Paulo, Danielle Yukari, formada em Desenho da Moda pela Faculdade Santa Marcelina, inicialmente trabalhou como estilista até que foi introduzida a cerâmica por meio de uma amiga. Após isso, fez cursos e começou a produzir encomendas até que se mudou para Los Angeles e em 2019 passou a viver em Nova Iorque onde montou um estúdio. Prossegue com o projeto Yūkari em que desenvolve e cria objetos funcionais para a vida cotidiana.
Cinema
thumb|A cineasta nipo-brasileira Tizuka Yamasaki As primeiras exibições de filmes japoneses no Brasil ocorreram no Estado de São Paulo na década de 1920, por meio de pessoas pertencentes a colônia japonesa. O imigrantes organizavam caminhões de cinema ambulante que se deslocavam para os núcleos rurais da colônia japonesa. Eram projetados, documentários, noticiários ou filmes de ficção. Frequentemente essas sessões ocorriam em lugares sem rede de energia elétrica, para funcionar o projetor era ligado a um gerador, que por sua vez era acionado na roda de um veículo automotor, possibilitando a geração de energia e a exibição.
Cabe destacar a atuação da diretora de cinema, produtora, roteirista assistente de direção e designer de produção, a nipo-brasileira Tizuka Yamasaki. Yamasaki após trabalhar em vários filmes na década de 1970, fundou sua própria produtora, em 1980, dirigiu seu primeiro longa-metragem, Gaijin – Os Caminhos da Liberdade, com o qual conquistou vários prêmios, incluindo o de melhor filme no Festival de Cinema de Gramado e uma menção especial do júri no Festival de Cannes daquele ano. Após isso, lançou vários filmes e foi agraciada com premiações tanto no Brasil, quanto no estrangeiro. Em 2000, o Ministério da Cultura entregou-lhe a Ordem do Mérito Cultural, que é uma homenagem do governo brasileiro para as personalidades, grupos e instituições que se destacaram nos trabalhos prestados à cultura brasileira.
Literatura Um dos nomes mais conhecidos na difusão de haicais é Hidekazu Masuda Goga, o poeta nasceu na província de Kagawa, no Japão, em 8 de agosto 1911, imigrou para o Brasil em 1929. Praticante do haicai em japonês e em português, foi também destacado estudioso do haicai e da sua aclimatação ao Brasil. Sendo seguidor de Nempuku Sato, que foi o mestre responsável pela divulgação do haicai entre os imigrantes japoneses no Brasil. Antes Goga escrevia a seu modo, mas ao conhecer Sato em 1935, foi que se dedicou bastante ao haicai.
Um dos criadores do Grêmio Haicai Ipê em maio de 1987, que desde sua fundação, o Grêmio tem sido uma referência para o estudo sobre o haicai em português no Brasil. Através do trabalho de seus membros, os conceitos do haicai tradicional japonês têm sido adaptados e divulgados pelo país. Também fundou o Grêmio Haicai Caleidoscópio, em agosto de 1993, dedicado à composição de haicais encadeados (renku). Em 2004, recebeu o "Masaoka Shiki International Haiku Grand Prize" pelo seu trabalho de difusão internacional do haicai. Onde Goga foi descrito como um "líder, incansavelmente se esforçando para edificar e para aumentar ainda mais a valorização do haicai".
Moda thumb|200px|A modelo Juliana Imai possui ancestralidade japonesa proveniente da região de Gifu-ken. Modelos brasileiras com ancestralidade japonesa são requisitadas no Japão, as mestiças em especial possuem demanda por geralmente contar com estatura mais alta e características corporais mais atraentes para o mercado publicitário japonês, pois mantém as características faciais, o que ajuda as consumidoras japonesas se identificarem. Para esse segmento há agências de modelos que trabalham com pessoas miscigenadas com o intuito de as promover no mercado nipônico.
No que se refere às modelos, a paranaense Juliana Imai se destaca como a top model oriental mais famosa do mundo, possui uma das carreiras mais bem sucedidas do mundo da moda. De acordo com a modelo, ser o resultado da mistura entre japoneses e portugueses foi um diferencial para ela. Já desfilou para Dolce & Gabbana, Gucci, Diane von Fürstenberg e Armani.