Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio (ou simplesmente Grande Rio) é uma escola de samba brasileira do município de Duque de Caxias, que participa do carnaval da cidade do Rio de Janeiro. A quadra da escola está localizada na Rua Almirante Barroso, número 5, no centro de Duque de Caxias. A escola foi fundada em 22 de setembro de 1988, no bairro Jardim 25 de Agosto, a partir da fusão de duas outras agremiações caxienses: GRES Grande Rio e Acadêmicos de Duque de Caxias. Tem como cores verde, vermelho e branco, herdadas da antiga Grande Rio. Seu símbolo é a coroa de Duque de Caxias; e sua escola-madrinha, o Salgueiro. A escola estreou na terceira divisão do carnaval de 1989, ocupando a vaga da antiga Grande Rio. Teve uma ascensão meteórica, chegando ao grupo de elite do carnaval dois anos após sua fundação.
A Grande Rio possui um título de campeã do carnaval carioca, conquistado em . Foi vice-campeã em , , , 2020 e 2025, sendo que em 2006 e 2020 somou a mesma pontuação final que as campeãs, perdendo o título nos critérios de desempate. Também possui um título na segunda divisão, conquistado em . Ao longo dos anos, coleciona diversos prêmios como Estandarte de Ouro, Tamborim de Ouro e S@mba-Net. Em 2022, a escola foi declarada patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Entre os clássicos sambas da agremiação estão: "No Mundo da Lua" (1993), "Os Santos que a África não Viu" (1994), "Na Era dos Felipes o Brasil Era Espanhol" (1996), "Madeira-Mamoré, a Volta dos que não Foram, Lá no Guaporé" (1997); "Tata Londirá - O Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias" (2020); e "Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu" (2022).
Fundação esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Centro de Duque de Caxias, a "casa" da Grande Rio. Nos anos 50, a cidade de Duque de Caxias teve uma participação efetiva no carnaval carioca, com a escola de samba Cartolinhas de Caxias, que desfilou até 1971. Com o intuito de fundar uma agremiação que representasse dignamente o município, as escolas caxienses União do Centenário, Capricho do Centenário, Unidos da Vila São Luís e a própria Cartolinhas, se fundiram, dando origem ao Grêmio Recreativo Escola de Samba Grande Rio, fundado em 10 de maio de 1971. A Grande Rio tinha as cores verde, vermelho e branco, inspirado nas cores do Fluminense Football Club, time do seu mentor, Milton Abreu do Nascimento (Milton Perácio). Nos anos em que esteve em atividade, a antiga Grande Rio não conseguiu passar da segunda divisão. Anos depois, em 1988, um grupo de sambistas caxienses decidiu criar uma nova agremiação para o município. A Acadêmicos de Duque de Caxias foi fundada em 22 de março de 1988. Como forma de evitar que a nova escola precisasse começar na quinta divisão, membros das diretorias da Acadêmicos de Duque de Caxias e da Grande Rio decidiram fundir as escolas, gerando uma nova agremiação, que ocuparia a vaga da Grande Rio na terceira divisão. Finalmente, em 22 de setembro de 1988 foi fundado o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio. Para filiar-se à AESCRJ, à época, era preciso que a agremiação fosse oriunda de um bloco carnavalesco. Por isso, a nova escola utilizou a estrutura jurídica do bloco de enredo Unidos do Lambe Copo, situado na Prainha, em Duque de Caxias. esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Milton Perácio foi um dos fundadores da Grande Rio e o primeiro presidente da escola. Na reunião de fundação da nova Grande Rio, Milton Perácio foi eleito o primeiro presidente da escola. Ele decidiu que a agremiação deveria ter pessoas influentes para ajudar ou até mesmo financiar o carnaval. Depois de contatar vários empresários do município, sem obter êxito, foi lembrado do nome da família Soares, que aceitou o convite. Perácio convidou o contraventor Antonio Jayder Soares da Silva para ser o presidente de honra da agremiação e o então deputado Messias Soares para ser o patrono. Na década de 2000, com a morte de Messias, outro membro da família Soares, Leandro Jaider Soares da Silva, assumiu o patronato e a presidência de honra da agremiação, junto com Antonio Jayder. A Grande Rio ainda teve a ajuda do contraventor do jogo do bicho, Hélio Ribeiro de Oliveira (Helinho), que foi eleito presidente da escola nos anos 90 e, posteriormente, também assumiu a presidência de honra e o patronato da agremiação junto com Jayder e Leandro.
Nome, cores, símbolo e escola-madrinha miniaturadaimagem|270x270px|Coroa usada por Duques do Império. O nome "Acadêmicos do Grande Rio" é a junção dos nomes "Acadêmicos de Duque de Caxias" com "Grande Rio", as duas escolas que se fundiram originando a agremiação. As cores verde, vermelho e branco foram herdadas da antiga Grande Rio.
A escola tem como símbolo uma coroa, no estilo das coroas usadas por duques no Império do Brasil, em referência ao Duque de Caxias, militar que dá nome à cidade-sede da agremiação. A escola madrinha da Grande Rio é o Salgueiro.
Bandeira e brasão miniaturadaimagem|270x270px|Detalhe da bandeira da Grande Rio. A bandeira da Grande Rio tem forma retangular, com dezesseis raios de cores intercaladas (quatro verdes, quatro vermelhos e oito brancos), partindo do centro em direção às extremidades do pavilhão, em formação similar à siemens star. O centro da bandeira possui uma circunferência branca, onde dentro encontra-se o brasão da escola.
O brasão da Grande Rio possui diversos elementos. Consiste em um escudo encimado pela coroa, símbolo da escola. Acima da coroa, a inscrição "G.R.E.S." (Grêmio Recreativo Escola de Samba). O escudo é dividido ao meio, sendo metade com fundo vermelho, onde estão os desenhos de um tambor e duas baquetas; e a outra metade verde, com o desenho de tubulações em referência à Reduc (Refinaria de Duque de Caxias). Abaixo do escudo, há o desenho de uma fita com a inscrição "Acadêmicos do Grande Rio".
História
Primeiros anos A Grande Rio teve uma ascensão meteórica, chegando ao grupo de elite do carnaval dois anos após sua fundação. A escola conseguiu se manter no Grupo Especial a partir de 1993, enfileirando sambas elogiados como "No Mundo da Lua" (1993), "Os Santos que a África não Viu" (1994), "Na Era dos Felipes o Brasil Era Espanhol" (1995) e "Madeira-Mamoré, a Volta dos que não Foram, Lá no Guaporé" (1997). 1989: "O Mito Sagrado de Ifé" miniaturadaimagem|300x300px|Dominguinhos do Estácio foi o primeiro intérprete da Grande Rio. O primeiro desfile da Grande Rio foi no carnaval de 1989. A escola estreou na terceira divisão da folia carioca, ocupando a vaga da extinta Grande Rio. Sexta das onze agremiações que se apresentaram pelo Grupo 3, a nova Grande Rio desfilou com o enredo "O Mito Sagrado de Ifé", desenvolvido pelos carnavalescos Edson Mendes e Ricardo Ayres. A escola teve ainda Dominguinhos do Estácio como intérprete oficial; Serginho e Ivone como mestre-sala e porta-bandeira; e Nail como mestre de bateria. Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola entre as favoritas para as duas primeiras colocações do grupo. A Grande Rio foi vice-campeã, perdendo o título por quatro pontos de diferença para a Viradouro, mas garantindo sua promoção à segunda divisão do carnaval. 1990: "Porque Sou Carioca" esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Grande Rio no carnaval de 1990. Para o carnaval de 1990, a Grande Rio reforçou sua equipe contratando o histórico casal de mestre-sala e porta-bandeira Élcio PV e Dóris; e os carnavalescos Wany Araújo e Fernando Lopes Paz. Sexta escola a se apresentar entre as dez agremiações do Grupo 1, a Grande Rio realizou um desfile sobre o Rio de Janeiro, abordando a história da cidade, suas belezas naturais e o estilo de vida do carioca. A Comissão de Frente estava trajada com figurinos que faziam referência aos escudos e brasões portugueses. O luxuoso carro abre-alas, seguido por quatro tripés com representações da cruz de malta, antecedeu as alas alusivas aos índios tamoios e ao fundador da cidade, Estácio de Sá, que também serviu de inspiração para o figurino da bateria. Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola entre as favoritas ao título da segunda divisão junto com Viradouro e Tradição. Assim como no ano anterior, a Grande Rio foi a vice-campeã por quatro pontos de diferença para a Viradouro, mas garantiu sua promoção inédita ao Grupo Especial, dois anos após sua fundação. miniaturadaimagem|Grande Rio no carnaval de 1991. 1991: "Antes, Durante e Depois, o Despertar do Homem" Fazendo sua estreia no Grupo Especial, a Grande Rio manteve a equipe campeã no acesso, reforçada com a chegada de Mestre Paulão na Bateria. Os carnavalescos Wany Araújo e Fernando Lopes Paz desenvolveram um enredo sobre a criação da vida (o "antes"), os conflitos humanos ("durante") e terminava com uma mensagem de paz e otimismo para o futuro ("depois"). A Grande Rio foi a primeira escola a se apresentar pelo Grupo Especial do carnaval de 1991. O desfile começou por volta das 18 horas, ainda com o sol e calor. Além do enredo confuso, especialistas apontaram que a escola teve sérios problemas de evolução, com visíveis "buracos" (espaços vazios) entre as alas. Na parte final do desfile, componentes precisaram correr para não ultrapassar o tempo máximo de apresentação. Participaram do desfile artistas como Baby Consuelo, Carla Marins, Lu Mendonça, Solange Couto, Sônia Lima, Wolf Maia, Sandra Barsotti e Wagner Montes. Com o desfile, a Grande Rio se classificou na última colocação, sendo rebaixada de volta para a segunda divisão. Dos trinta julgadores do carnaval, apenas um deu nota máxima à escola, no quesito Bateria, o mais bem avaliado do desfile. A escola perdeu muitos pontos nos demais quesitos, sendo Enredo, o mais penalizado. 1992: "Águas Claras para Um Rei Negro" esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Desfile campeão da Grande Rio no carnaval de 1992, que valeu seu retorno ao Grupo Especial. Após uma passagem marcante pela Beija-Flor, Laíla assumiu a Direção de Carnaval da Grande Rio. O diretor também criou uma escola para formar casais de mestres-salas e porta-bandeiras. A Grande Rio foi a oitava das quatorze escolas que se apresentaram pelo Grupo 1 (segunda divisão) do carnaval de 1992. O desfile teve David do Pandeiro como intérprete; Ronaldinho e Adriana como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira; Mestre Maurício no comando da Bateria; e Jussara Pádua coreografando a Comissão de Frente. O enredo desenvolvido pelos carnavalescos Lucas Pinto e Sônia Regina foi baseado num itã (relato da mitologia iorubá) que narra a prisão de Oxalá no reino de Oyó e sua posterior libertação a mando de Xangô, mito celebrado na festa conhecida como Águas de Oxalá. Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola entre as favoritas ao título. Confirmando a expectativa, a Grande Rio foi campeã do Grupo 1, garantindo seu retornou ao Grupo Especial. A escola conseguiu a nota máxima de quase todos os julgadores, perdendo apenas um ponto no quesito Alegorias. 1993: "No Mundo da Lua" miniaturadaimagem|Grande Rio no carnaval de 1993.