Campos Novos é um município brasileiro no oeste do estado de Santa Catarina, Região Sul do Brasil. Pertence à Região Geográfica Intermediária de Chapecó e à Região Geográfica Imediata de Joaçaba-Herval d'Oeste e localiza-se a oeste da capital do estado, distando desta cerca de 370 km. Ocupa uma área de aproximadamente km², e sua população foi estimada em 2022 em 36 932 habitantes, sendo então o 41º mais populoso do estado.

A região começou a ser desbravada no decorrer do século XVIII, sendo que até então era povoada exclusivamente pelos índios kaigangs. Fundada em 1881, passou por um período de crescimento demográfico no começo do século XX, com a vinda de imigrantes à procura de emprego e de refugiados da Guerra do Contestado. Foi nessa época em que Campos Novos descobre sua vocação agrícola, sendo atualmente um dos principais produtores de alimentos como milho, soja, feijão, trigo e cevada do estado, além de se destacar na pecuária e na apicultura.

Campos Novos também possui alguns atrativos turísticos de valor cultural ou histórico, como a Igreja Matriz de São João Batista, a Casa da Cultura Coronel Gasparino Zorzi e a Romaria de Nossa Senhora Aparecida, que chega a atrair uma média de 70 mil fiéis. A Usina Hidrelétrica de Campos Novos, construída em 2006, é a responsável pela geração de energia de um quarto de Santa Catarina.

Etimologia A vastidão de terras e suas propriedades imensas, de maneira óbvia, movimentaram imigrantes oriundos de São Paulo, do Paraná e mesmo vizinhos proprietários lageanos, atrás de terras para produzir gado. Em seguida, os imensos campos originaram a denominação do município..

História Origens Arquivo:Campos Novos origens.ogg thumb|esquerda|Equipamentos para animais de montaria e de tração usados pelos colonizadores, em exposição no Museu Histórico e Arqueológico Sebastião Paz de Almeida

A história de Campos Novos, assim como a de todos os demais municípios que formam o grande Oeste Catarinense, possui os seus primórdios determinados nos momentos que caracterizaram as mais antigas experiências de povoamento da Região Sul do Brasil. Desse modo, é coerente dizer que, antes de surgirem, em 1650, as povoações de São Francisco, Desterro e Laguna (trabalho dos paulistas vicentinos que se aventuraram no mar em busca de novas peripécias), já o Oeste Catarinense percebia a proximidade dos espanhóis que, em companhia dos jesuítas, exploravam a região que se estendia do rio Iguaçu até o Uruguai. Mais tarde, em 1663, o bandeirante Antônio Raposo Tavares caminhou por estas paradas e, unido aos índios coroados, começou a perseguir fortemente os aldeamentos de silvícolas, consequência da obra de empreendimento catequético daqueles sacerdotes. Até 1770, entretanto, ano em que deixaram de viajar pelo sul, já que lhes atraiu grande interesse o ouro das capitanias de Goiás e de Mato Grosso — os paulistas nada trocaram por estas terras, como experiências, no mínimo, de colonização da região..

De algum modo o relato histórico deste município passa a tomar forma com a expedição liderada pelo major Atanagildo Martins que, conduzida pelo índio Jongong, em 1814, objetivava estabelecer contato com as Missões. Quando se afastou da rota tracejada, em função do terror dos índios guaranis causado em seu guia, essa expedição chegou aos campos de Vacaria, depois de, sem dúvida, ter percorrido os campos em que atualmente se localiza este município. É provável, no entanto, que certos proprietários, oriundos de Lages, por ali já estavam estabelecidos em definitivo no ano de 1839.

João Gonçalves de Araújo, proprietário rural, em Curitibanos, descobriu Campos Novos. Encantado pela fumaça das queimadas ocasionadas pelos indígenas, preparou uma expedição e se dirigiu para a Serra do Espinilho. Desse modo, se fixaram na terra os primeiros colonizadores, logo ajudados no trabalho da ocupação pelos gaúchos fugitivos da Revolução Farroupilha. Entre estes, Chico Ferro, Chivida e Miguel dos Anjos estavam associados com as primeiras obras de que originaram este município. Em 1848, os paulistas ressurgiram, conquistando os campos de São Jorge. Ou melhor, juntos dos forasteiros vindos de Curitiba, Palmas, Lages, Guarapuava e dos campos gaúchos, foram a base do fator importante entre os que mais colaboraram para a organização da comunidade.

A colonização não começou exatamente no local onde se acha, próspera, a cidade de Campos Novos. Anteriormente, se desenrolou, propriamente dito, em ponto longe de um quilômetro da cidade, na beira de um regato. Foi Salvador Vieira, que, se afastando do incipiente povoado, construiu a primeira casa no interior do perímetro desta próspera cidade. Certo momento depois, já demarcada a povoação, Domingos Matos Cordeiro começou a erguer a igreja Matriz de São João Batista.

Formação administrativa Ficheiro:Campos Novos - formação administrativa.ogg thumb|esquerda|Atual prédio da prefeitura, que foi inaugurado em 1975

Pela Lei provincial nº 377, de 16 de junho de 1854, o distrito de Campos Novos, já existente há certos anos, viu-se emancipado da Vila de Nossa Senhora dos Prazeres para, então, formar uma freguesia à parte. Suas primeiras autoridades foram João Fernandes da Caripuna, natural de Pernambuco, e Domiciano de Azevedo. Em 1869, conforme a Lei nº 625, de 11 de junho, Campos Novos passou a formar, com Palmas e Curitibanos, um distrito do município de Curitibanos, recém-fundado. Em seguida, pela Lei nº 923, de 30 de março de 1881, o distrito de Campos Novos foi promovido à condição de município designado de São João dos Campos Novos; no mesmo momento, a freguesia de São João Batista de Campos Novos passou a ser tida como vila. Seu primeiro Intendente foi o Coronel Manoel Ferreira da Silva Farrapo.

Até o ano de 1933, o município de Campos Novos compartilhava limites com Lages, Curitibanos, Cruzeiro do Sul (hoje Joaçaba), Porto União e o estado do Rio Grande do Sul. Possuía uma superfície, na época, de cerca de 15 mil km². Em 25 de março de 1934, pelo Decreto nº 408, foi desmembrado dos distritos de Rio das Antas e Caçador; em 1943, seu território foi novamente afetado, porque foram emancipados os distritos de Herval, Rio Uruguai, Rio Bonito e Perdizes. Em contrapartida, viu serem anexados ao seu território os distritos de Ypira e Ouro para, mais uma vez, em 1949, ser desmembrado dos de Piratuba e Ypira, além de parte dos de Tupitinga, Capinzal e Ouro. Em 1997, Campos Novos perdera uma porção de sua extensão territorial para a fundação do município de Zortéa.

Após a emancipação thumb|esquerda|Armas de fogo utilizadas na Guerra do Contestado, em exposição no Museu Histórico e Arqueológico Sebastião Paz de Almeida.

Em 1893, com a invasão de revoltosos, comandadas pelo Coronel Demétrio Ramos, o território do município sofreu os reflexos de uma guerra civil. A vila foi assaltada na madrugada de 19 de maio daquele ano. Surpreendidos, os defensores da praça, partidários dentre moradores do lugar, procuraram abrigo com suas famílias na residência do Coronel Henrique Rupp, que, por ser erguida de material de excelente qualidade, apresentava satisfatória proteção contra os invasores. Ordenada a defesa, competiu ao Tenente-Coronel Atanázio de Matos, em companhia de seis soldados, a responsabilidade de tomar de volta a Intendência, chegando, corajosamente, a expulsar os revolucionários. Declarou-se, em seguida, nova luta, desta vez para repelir os ladrões da trincheira em que se encontravam situados. Estes foram mais uma vez vencidos, ocasionando uma fuga desalinhada e a retirada das forças de ataque. A resistência da cidade de Campos Novos provocou a morte de cinco bravos defensores que tombaram no desempenho da obrigação.

thumb|direita|Praça Lauro Müller, em 2011 thumb|esquerda|Igreja Matriz de São João Batista, em 2016

No começo do século XX a cidade passa por um período de desenvolvimento, com a chegada de imigrantes atraídos pela busca por melhores condições de vida no Brasil. Vieram principalmente alemães e italianos que ajudaram, inicialmente, na agricultura e na construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande e, após algum tempo, após a década de 1920, na construção de pequenas indústrias. Também vieram poloneses, russos e libaneses, além de um grande número de descendentes de alemães e italianos, principalmente gaúchos, e de Caboclos que chegaram após o término da Guerra do Contestado.

Dado o desenvolvimento demográfico da cidade, houve a necessidade de investimentos em infraestrutura. Conforme citado anteriormente, no começo do século XX ocorreu a chegada da ferrovia e de pequenas indústrias. Em 1922 foi criada a primeira clínica médica, que funcionava na casa de Dr. Jose Athanásio, onde hoje funciona o Hospital Dr. José Athanásio. Em 29 de março de 1954, ocorreu a fundação do Colégio Auxiliadora e em 1957 foi fundada a Rádio Cultura de Campos Novos. A agricultura fortaleceu-se com a criação da Copercampos, em 8 de novembro de 1970, que deu início ao cooperativismo, sendo que hoje a cidade é um grande produtor de grãos, principalmente milho, soja, feijão, trigo e cevada, e destaque ainda na pecuária, com a produção de leite.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de km², sendo que km² constituem a zona urbana e os km² restantes fazem parte da zona rural e é a terceira maior de Santa Catarina, perdendo apenas para Lages e São Joaquim. Situa-se a 27º24′07” de latitude sul e 51º13′30” de longitude oeste e está a uma distância de 370 quilômetros a oeste da capital catarinense. Limita-se com: Erval Velho, Ibiam e Monte Carlo, a norte; Barracão (Rio Grande do Sul), Celso Ramos e Anita Garibaldi, a sul; Vargem, Brunópolis e Abdon Batista, a leste; e Capinzal, Zortéa, Ouro, Lacerdópolis, Herval d'Oeste, a oeste.

Geomorfologia e hidrografia thumb|esquerda|Reservatório na Usina Hidrelétrica de Campos Novos. O relevo da cidade é predominantemente ondulado de forma suave, sendo profundo e bem drenado e havendo boas condições físicas para um desenvolvimento radicular. É pouco susceptível à erosão e favorece ainda o uso de máquinas e implementos agrícolas. Em algumas partes do território municipal há ondulações mais fortes, sendo que essas áreas são mais sujeitas à erosão e a maiores impedimentos à mecanização da agricultura, principalmente quando o tipo de solo é o cambissolo, que apresenta pedras em sua composição. Apesar de grande parte da área do município apresentar relevo favorável à agricultura, os solos de Campos Novos são ácidos, em grande parte contaminados por alumínio trocável, e têm reduzida reserva de nutrientes, porém, quando manejados adequadamente, tornam-se adequados tanto para cultivos anuais quando para menos intensivos, como a fruticultura, a pastagem e o reflorestamento.

A cidade pertence à região hidrográfica do Planalto de Lages e à bacia hidrográfica do rio Canoas, que é uma das principais do estado de Santa Catarina. O rio Canoas banha, além de Campos Novos, outros onze municípios e ao unir suas águas com as do rio Pelotas, dá início ao rio Uruguai. No Canoas funciona ainda a Usina Hidrelétrica de Campos Novos, que entrou em funcionamento em 2007 e hoje produz um quarto do consumo do estado de Santa Catarina.

Clima thumb|direita|Lavouras em Campos Novos em um dia ensolarado O clima campos-novense é classificado, segundo o IBGE, como subtropical mesotérmico brando superúmido (tipo Cfa segundo Köppen), tendo elevados índices de umidade relativa do ar (URA) e temperatura média compensada anual em torno de , com verões amenos e invernos frios. Com mais de horas anuais de insolação, o índice pluviométrico é de cerca de milímetros (mm) anuais, regularmente distribuídas durante o ano, sem a existência de uma estação seca.