miniaturadaimagem|Macacão da Jordan. Jordan Grand Prix foi uma equipe de desporto motorizado que correu em provas de F-3, F-3000 e Fórmula 1.
A sua atividade iniciou-se na Fórmula 1 em e durou até o ano de . Ao longo de suas quinze temporadas, a Jordan teve seus altos e baixos, sendo o seu auge no final dos anos 1990, quando a equipe surpreendeu ao chegar em terceiro lugar nos construtores e pilotos, superando as tradicionais e . Porém, após esse brilho, a equipe foi entrando numa crise, após fracassos nas temporadas seguintes e perda dos motores e de seus patrocinadores, culminando assim em sua venda para a .
História Fundação miniatura|250px|Eddie Jordan, fundador da Jordan Grand Prix, durante sessão de autógrafos em Montreal em 1996. A Jordan deve o seu nome ao seu criador, Eddie Jordan, um irlandês que corria na Fórmula 3 inglesa em 1979 e já em fase final de carreira. No ano de 1980, forma a Eddie Jordan Racing, que participa em várias corridas e campeonatos de monopostos, dando oportunidades a pilotos como David Sears, James Weaver, Ayrton Senna, Martin Brundle e outros.
Em 1987, tendo como piloto o inglês Johnny Herbert, e em 1989, com o francês Jean Alesi, a equipe faz as suas melhores épocas nas Fórmulas 3 e 3000, ganhando várias corridas e o título. Fruto destas épocas, Eddie decide avançar para a Fórmula 1, contando para isso com Gary Anderson no design técnico do novo carro. Durante o desenvolvimento, a equipe corre com 3 carros na Fórmula 3000 européia, conduzidos pelo norte-irlandês Eddie Irvine, pelo italiano Emanuele Naspetti e pelo alemão Heinz-Harald Frentzen. Este ano acaba com a terceira posição no campeonato e uma vitória de Irvine.
Jordan entra na Fórmula 1 thumb|250px|O Jordan 191, testado por Michael Schumacher em 1991. Este foi o primeiro carro do time na F-1. Em , a Jordan entra no circo da Fórmula 1, tendo pela primeira vez o nome de Jordan Grand Prix e, como principal patrocinador, o refrigerante 7Up. Usa motores HB-V8 e o carro sensação no campeonato, batizado de 191. Termina num brilhante 5º lugar de construtores com 13 pontos. Como pilotos, inicia a época com o experiente Andrea de Cesaris - no , o italiano esteve 10 voltas seguidas na 2ª posição e talvez chegaria nessa posição ou até vencesse, porém uma quebra no motor, faltando três voltas para o encerramento, estragou as pretensões do piloto e da estreante equipe) e pelo franco-belga Bertrand Gachot, que, no meio da temporada, foi preso por disparar spray de pimenta num taxista londrino. Posteriormente, Gachot foi substituído pelo alemão Michael Schumacher (Stefan Johansson e Keke Rosberg também foram cogitados), que apenas corre o citado GP belga, trocando lugar com Roberto Moreno, que tripulava a ao lado de Nelson Piquet. Moreno disputaria apenas 2 corridas ( e ), e é substituído nas três provas finais do campeonato pelo vice-campeão da Fórmula 3000 daquele ano, o italiano Alessandro Zanardi. Ainda em 1991, a Jordan corre ainda na Fórmula 3000 com o inglês Damon Hill e o italiano Vincenzo Sospiri.
A época de obriga a Jordan a uma consolidação financeira, que leva a equipa a trocar os motores Ford de 8 cilindros pelos Yamaha V12, que mostravam não ser competitivos. A Barclays passa a ser o principal patrocinador, inicia-se a migração para a nova fábrica e as esperanças ficam a cargo do italiano Stefano Modena (ex-) e do brasileiro Maurício Gugelmin (ex-March/Leyton House). Este ano foi uma desilusão para a Jordan, com a 11ª posição no campeonato de construtores com apenas 1 ponto, marcado por Modena em , deixando a escuderia empatada com e Larrousse.
Segue-se outra má época, em que a Jordan, em , desta vez com motores Hart V10, acaba novamente na 11ª posição, com 3 pontos, ficando apenas à frente das duas equipes que não pontuam (Tyrrell e BMS-Lola). Os pilotos principais foram o estreante brasileiro Rubens Barrichello e o norte-irlandês Eddie Irvine, que havia corrido pela Jordan na F-3000 Europeia; outros 4 pilotos tiveram curta passagem: o italiano Ivan Capelli (2 provas, 1 não-classificação), o belga Thierry Boutsen (10 corridas), e os também italianos Marco Apicella e Emanuele Naspetti (1 etapa). Rubinho marcou seus primeiros 2 pontos na categoria ao chegar em 5º no . O patrocinador principal foi a empresa petrolífera sul-africana Sasol.
Para o campeonato de , a Jordan decide manter Barrichello e Irvine, o motor Hart V10 e o patrocínio da Sasol. Com esta aposta na continuidade, termina em 5º lugar nos construtores com 28 pontos, e o primeiro pódio no Grande Prêmio do Pacífico, no circuito de Aida, com um brilhante 3º lugar para Rubens Barrichello, que conquistou a sua primeira pole e da equipe na F-1 em Spa-Francorchamps, na . Além de Barrichello e Irvine, disputaram a temporada o japonês Aguri Suzuki (somente em Aida) e Andrea De Cesaris, que substituiu o norte-irlandês, suspenso por 3 corridas em decorrência do acidente provocado por ele no .
Em , o rompimento da malsucedida parceria entre e Peugeot permite à Jordan ficar com os motores da fábrica do construtor francês, mantendo a dupla de pilotos e o patrocinador. Acaba por ser uma época decepcionante, apesar dos 21 pontos e do sexto lugar nos construtores, pois, a uma equipe com motores de fábrica, era pedido mais, até porque, destes 21 pontos, 10 são obtidos num estranho (vencido pelo francês Jean Alesi, da ) com o 2º lugar de Rubens Barrichello e o 3º de Eddie Irvine, em que grande parte do pelotão não termina, tendo algumas equipes de topo ficado sem os dois carros.
O amarelo Jordan O ano de fica para a história da Jordan como o nascimento do carro amarelo. Com a saída da Sasol e a entrada de um grande patrocinador, a Benson & Hedges, a Jordan prepara-se para os seus anos de ouro e é mesmo essa a cor escolhida pelo patrocinador para o primeiro ano: o dourado. A saída de Irvine para a abre lugar para o experiente inglês Martin Brundle, vindo da , e a Jordan fica com o 5º lugar nos construtores, com 22 pontos.
O ano de fica marcado pela saída dos dois pilotos - Barrichello vai para a e Brundle encerra a carreira na Fórmula 1. O inglês Nigel Mansell chegou a fazer testes pela equipe no final de 1996, visando ser contratado para a temporada seguinte, porém não conseguiu ter êxito. Dois novatos vão conduzir o Jordan 197: o italiano Giancarlo Fisichella (que estreou na Fórmula 1 no ano anterior pela Minardi) e o alemão Ralf Schumacher (irmão do heptacampeão Michael Schumacher), assinam com a equipe de Eddie Jordan. Eles provam que são pilotos de futuro e o time repete o 5.º lugar nos construtores, com desempenhos consistentes e 33 pontos. Este ano marca também a irreverência da Jordan na arte de pintar o carro ao desenhar uma cobra amarela no nariz do carro. O motor e o patrocinador são mantidos.
1998: A primeira vitória Em , dá-se uma mudança inesperada, fruto da concepção, uma equipe, um motor, dois pilotos, um único país, a Peugeot sai da Jordan rumo à e a Jordan opta pelos Mugen-Honda, motores de qualidade, mas que são a guarda avançada da Honda para o seu regresso, ou seja, logo à partida, motores que trazem altas contrapartidas.
Apesar disto, a Jordan alicia o veterano inglês Damon Hill, vindo da , para correr ao lado de Ralf. A equipe encerra o campeonato em 4º lugar nos construtores com 34 pontos, e Hill vence o confuso e chuvoso , o primeiro triunfo da equipe na categoria e de quebra com seu companheiro de equipe logo atrás fazendo a dobradinha. O patrocinador é mantido, e a pintura muda para uma abelha - nascem os “Buzzing Hornets”, que é o nome que substitui o do patrocinador Benson & Hedges nos Grandes Prêmios onde a publicidade do tabaco fora proibida.
O carro de é desenhado por Mike Gascoyne, que substitui Gary Anderson e Eddie Jordan vende 40% das ações ao consórcio Warburg, Pincus & Co. As alterações não se ficam por aqui e Ralf se muda para a , sendo contratado, para o seu lugar, o compatriota Heinz-Harald Frentzen. Hill é mantido, porém seu desempenho é bem inferior ao de Frentzen, que o superou com facilidade. O alemão venceu duas provas ( e ) e chega a fazer uma pole (última do piloto e da equipe) na , em Nürburgring, porém um problema elétrico enterra as chances de título. Finaliza o campeonato de pilotos em 3º, o mesmo lugar com que a Jordan acabaria o campeonato de construtores com 61 pontos, a melhor classificação na história do time irlandês. Já Hill, em sua despedida, ficou apenas em 12º, 47 pontos atrás de seu companheiro de escuderia.
2000-2003: Fim do sonho O ano de marcaria o início do declínio da Jordan na F-1. A entrada da Honda em força na BAR termina com motores tipo "B" para a Jordan, ainda apelidados Mugen Honda. Durante a temporada vários engenheiros, pessoal técnico e outros recursos humanos abandonam a equipe. Com a aposentadoria de Damon Hill, o italiano Jarno Trulli é contratado para o lugar do inglês. A par do patrocinador principal, aparece agora a Deutsche Post. No final, os 17 pontos e o 6.º lugar não mostram ainda a verdadeira saúde da equipe.
A época de inicia-se com boas notícias: Gary Anderson volta e no campo dos motores, após árduas negociações, a Honda passa a fornecer duas equipes, contra o que tinha anunciado anteriormente, e a Jordan ainda contrata Egbahl Hamidy, vindo da Arrows. No final, Trulli e Frentzen conseguem 19 pontos e o 5.º lugar no campeonato. Monetariamente, a situação agrava-se e a redução de pessoal continua. A nível da arte, surge um tubarão pintado e em substituição da frase “Buzzing Hornets”, aparece o “Bitten Heroes”.
thumb|220px|esquerda|Giancarlo Fisichella conduz o Jordan EJ12, em 2002. Em , a situação entra em ruptura. Eddie Jordan acumula os lugares do pessoal que vai saindo e a falta de dinheiro leva a uma posição desfavorável de negociação com a Honda, que traz o japonês Takuma Sato (protegido da fábrica japonesa) para a Fórmula 1 para conduzir um dos Jordan, substituindo Jean Alesi, contratado numa troca com Frentzen (o alemão correria pela , enquanto o francês preencheria sua vaga). Trulli, assim como Frentzen, deixa o time, e Giancarlo Fisichella volta à equipe depois do final das atividades da , vendida à . A companhia Benson & Hedges deixa a lista de principais patrocinadores, mas continua com esporádicas participações, uma vez que o patrocínio principal deste ano passaria a ser feito pela DHL. A época salda-se por 9 pontos e o 6º lugar no campeonato de construtores.
Finalmente, em , a realidade bate à porta e Eddie Jordan acorda de um pesadelo para uma realidade bem pior: a Honda dedica-se exclusivamente à BAR, os patrocínios não existem e mais pessoas abandonam a Jordan. Pior é que contas feitas, não há orçamento suficiente para correr, mas com a contratação do anglo-irlandês Ralph Firman Jr., um piloto pagante e um contrato com a Ford para fornecimento de um dos motores mais fracos do pelotão, com mais de dois anos de atraso, as perspectivas eram as piores. Apenas o milagre do Grande Prêmio do Brasil faz com que Fisichella vença a corrida (foi a primeira vitória do italiano na categoria, que chegou a ser de Kimi Räikkönen, mas após uma revisão no resultado, passaria a ser oficialmente de "Fisico"). No final, os 13 pontos e o 9.º lugar do campeonato seriam o "canto do cisne" da Jordan.
2004: a agonia thumb|esquerda|Nick Heidfeld pilota o Jordan EJ14 no GP do Canadá de 2004. Paro , Eddie Jordan junta dinheiro para o orçamento do ano, à custa dos alemães Nick Heidfeld e Timo Glock, além do italiano Giorgio Pantano, que entram com partes de leão de todo o orçamento. A nível de principal patrocinador aparece um desolante espaço em branco que raramente vê algo escrito e uma tímida aposta da Trust é a única coisa visível à distância nos defletores. A Ford continua a fornecer motores, mas anuncia que se retirará no final do ano. Com os 5 pontos conquistados no ano, a Jordan repete o 9.º lugar no campeonato, mas a falta de patrocinadores e o problema de não haver motores quase arrumam a questão de 2005.