"Subway" (também chamado de "The Accident") é o sétimo episódio da sexta temporada da série policial Homicide: Life on the Street. Ele foi exibido pela primeira vez em nos Estados Unidos pela NBC. No episódio, um homem chamado John Lange fica preso entre um vagão de metrô e a plataforma da estação. O departamento de homicídios de Baltimore é informado que Lange morrerá em uma hora, e Frank Pembleton deve solucionar o caso ao mesmo tempo em que conforta Lange em seus momentos finais. "Subway" foi escrito por James Yoshimura, que co-produziu o episódio junto com David Simon, e dirigido por Gary Fleder, seu único trabalho como diretor em Homicide: Life on the Street.
Yoshimura baseou a história de "Subway" em um episódio da série de documentários de câmera escondida Taxicab Confessions, da HBO, em que um detetive de Nova Iorque descrevia um incidente da vida real de um homem preso entre um trem e a plataforma. O episódio foi filmado em uma das estações da Baltimore Metropolitan Transit Authority. Fleder incluiu elementos cinematográficos que eram incomuns para um programa tradicionalmente naturalista. Isso gerou discussões entre Fleder e o diretor de fotografia do episódio, Alex Zakrzewski.
"Subway" foi muito bem recebido pela crítica especializada, porém ficou em terceiro na audiência em sua exibição original, sendo assistido por 10,3 milhões de telespectadores, atrás de 20/20, da ABC, e Nash Bridges, da CBS. O episódio venceu um Peabody Award por excelência em transmissão televisiva e foi indicado a dois Primetime Emmy Awards, um pelo roteiro de Yoshimura e outro pela interpretação de Vincent D'Onofrio. "Subway" foi o assunto de um documentário produzido pela PBS, chamado Anatomy of a "Homicide: Life on the Street", que foi ao ar em .
Enredo Após uma confusão em uma estação de metrô lotada, John Lange cai nos trilhos e fica preso entre o trem e a plataforma. Os detetives Frank Pembleton e Tim Bayliss chegam para investigar e recebem a informação que a medula espinhal do homem foi fraturada. Apesar de Lange não estar sentindo muita dor, a equipe de emergência diz aos detetives que ele têm menos de uma hora de vida e morrerá assim que o trem for movido. Bayliss questiona Larry Biedron, que estava envolvido na confusão que levou à queda de Lange. Biedron diz que alguém o empurrou e ele esbarrou em Lange, porém as testemunhas revelam histórias contraditórias: algumas dizem que Biedron empurrou Lange, outras que Lange empurrou Biedron, e outras dizem que tudo não passou de um acidente. Pembleton tenta conversar com Lange, porém ele não coopera e fica nervoso ao receber a notícia de sua morte iminente.
Lange diz que sua namorada, Sarah Flannigan, está correndo pelo porto, então Pembleton envia os detetives Meldreick Lewis e Paul Falsone para procurá-la. Os dois conversam sobre a natureza da morte ao questionar corredores aleatórios; sua procura não têm resultados. Lange tenta fazer com que a médica Joy Tolson lhe dê analgésicos, porém ela se recusa por isso poder diminuir as chances de salvá-lo, mesmo insistindo que ele não pode ser salvo. Pembleton faz companhia ao homem, apesar de inicialmente ficar irritado com sua atitude. A equipe de emergência planeja usar airbags para empurrar o trem para longe da plataforma, libertar Lange e rapidamente levá-lo para um hospital.
Pembleton e Lange se aproximam; Lange começa a sentir dores maiores enquanto o tempo passa, mudando de um comportamento nervoso e cheio de remorso para um mais relaxado, iniciando algumas conversas casuais. Mais tarde, Pembleton segura sua mão para confortá-lo e lhe conta sobre seu recente ataque cardíaco. Bayliss começa a suspeitar de Biedron quando ele não consegue se lembrar de onde trabalha ou mora. Biedron eventualmente admite que foi acusado criminalmente e colocado em um hospital psiquiátrico por ter empurrado um homem contra um trem de metrô em Chicago por nenhum motivo. Ele é preso e Bayliss revela a Pembleton a verdade; o detetive decide não contar a Lange por achar que isso não vai lhe trazer bem algum, porém Lange acaba deduzindo o que ocorreu apenas observando a conversa dos dois. Lange passa a sentir muitas dores e começa a perder a consciência. Depois de dizer "Estou bem" a Pembleton, ele desmaia e a equipe de emergência empurra o trem para longe com os airbags. Lange morre imediatamente. Pembleton, muito abalado e desorientado, deixa a estação e, depois de ver Biedron preso em uma viatura, deixa o lugar com Bayliss. O episódio se encerra com Flannigan passando em frente da estação de metrô.
Produção Concepção
James Yoshimura, um dos roteiristas e produtores de Homicide: Life on the Street, concebeu a história de "Subway" após assistir um episódio da série Taxicab Confessions, da HBO, que apresentava imagens de câmeras escondidas de passageiros de taxi discutindo suas vidas com os motoristas. No episódio que ele assistiu, um detetive do Departamento de Polícia da Cidade de Nova Iorque discutia a experiência que ele teve ao ver um homem preso entre um trem de metrô e a plataforma da estação. Apesar do homem inicialmente ainda estar vivo, o departamento de homicídios foi chamado para investigar porque a equipe de emergência disse que ele eventualmente morreria. Posteriormente se descobriu que o homem havia sido empurrado contra o trem. O detetive disse que o incidente foi a coisa mais perturbadora que ele já viu em sua vida. Ele comparou a torção do corpo à sacola plástica sendo torcida rapidamente e girando como um saca-rolha, e disse que depois do trem ter sido removido o corpo se torceu de volta ao normal, "Todas as suas entranhas caem e, em menos de um minuto, você morre".
Yoshimura apresentou a ideia pela primeira vez a equipe de produção de Homicide: Life on the Street em maio de 1997, no centro de produção do produtor executivo Barry Levinson em São Francisco. O episódio foi discutido e muito bem recebido na reunião envolvendo Levinson, o produtor executivo Tom Fontana, produtor David Simon, produtora supervisora Julie Martin, e produtora consultora Gail Mutrux. Durante a reunião, Martin sugeriu que um oficial do metrô pressionasse os policiais para que o caso fosse solucionado rapidamente e os trens voltassem a circular, um elemento que Yoshimura eventualmente adicionou ao roteiro. Levinson sugeriu encerrar o episódio com os detetives voltando a superfície, então sentindo a vibração do trem voltando a funcionar. Essa sugestão, entretanto, não apareceu no episódio final.
Aflitos por uma série de baixos índices de audiência, os executivos da NBC colocaram pressão nos produtores de Homicide: Life on the Street para melhorarem a audiência e se tornarem mais populares que seu concorrente de mesmo horário, Nash Bridges da CBS. Yoshimura e os outros produtores, no entanto, decidiram continuar gerindo a série da mesma maneira por acharem que ela deveria manter sua qualidade para sobreviver. "Subway" tinha de ser aprovado pela NBC antes do roteiro ser escrito, e Yoshimura antecipou uma resistência ao episódio. Ele disse, "Em todos os episódios, tivemos problemas com a NBC, então não foi diferente. Lutamos aquela batalha, lutamos por cinco anos, então não importa para nós". Porém, os executivos surpreendentemente ficaram muito entusiasmados com a premissa. Warren Littlefield, então presidente de entretenimento da NBC, disse que sua primeira reação foi "a clássica resposta de um programador de televisão: 'Meu Deus, isso é assustador'", mas ele rapidamente mudou de ideia e aprovou o projeto.
Roteiro
Ao escrever o roteiro de "Subway", Yoshimura queria que Pembleton fosse confrontado com sua própria mortalidade, um tema recorrente desde a temporada anterior quando o personagem sofreu um ataque cardíaco. Apesar de Pembleton não discutir normalmente seus sentimentos, Yoshimura queria não apenas colocá-lo em uma situação em que ele discutisse a morte, mas que as circunstâncias únicas do incidente de Lange o fizessem contar seu ataque a um completo estranho. Desde o início do processo de escrita, o roteirista especificamente queria que Lange fosse um personagem ruim e desagradável, ao invés da amável e inocente vítima tipicamente mostrada em episódios de televisão: "A tragédia pode ocorrer com pessoas babacas também e eu acho que seria muito mais interessante ver esse tipo de circunstâncias trancenderem o típico clichê de vítima de TV". Yoshimura, James (2005). Homicide Life on the Street - The Complete Season 6, comentários em áudio [DVD]. Estados Unidos: A&E Home Video.
Yoshimura queria que Braugher tratasse D'Onofrio como se ele fosse "amaldiçoado", tentando se manter distante no início, porém gradualmente passando a vê-lo como uma pessoa e formasse um laço com ele ao final do episódio. Um bombeiro de Nova Iorque, Tim Brown, foi consultor para a maior parte das informações técnicas do episódio. Além de ajudar Yoshimura com o diálogo dos personagens médicos, Brown contou ao roteirista sobre o método de usar airbags para empurrar o trem para longe e remover o corpo de Lange. Yoshimura incluiu relatos contraditórios de testemunhas sobre como o incidente ocorreu, que ele descreveu como um "negócio de Rashōmon", em referência ao filme japonês de 1950 em que vários personagens oferecem descrições diferentes do mesmo assassinato. "Subway" continuou uma característica da sexta temporada da série em que os detetives ficaram mais pessoalmente envolvidos com as vítimas, e dessa forma ficando mais emocionalmente esgotados por suas mortes.
Yoshimura incluiu o subenredo de Lewis e Falsone procurando pela namorada de Lange para ter um alívio cômico e para o episódio não ficar confinado na plataforma da estação de metrô. Yoshimura também queria que os dois detetives falassem sobre a natureza da mortalidade e da morte, porém deliberadamente incluiu um humor negro nos diálogos para ter certeza de que os personagens não ficassem com "lágrimas nos olhos [ou] filosofais", porque ele acreditava que não seria o comportamento de detetives reais. Alguns telespectadores ficaram ofendidos ou surpresos com o tom irreverente das discussões sobre morte entre os dois personagens. Fleder, Gary (2005). Homicide Life on the Street - The Complete Season 6, comentários em áudio [DVD]. Estados Unidos: A&E Home Video. A namorada de Lange passou atrás de Lewis e Falsone durante uma cena em que os dois estão distraídos pela conversa. Yoshimura deliberadamente colocou isso no episódio para criar um momento de ironia. Uma fala de Falsone para uma corredora, "Tem certeza que você não é Sarah?", e a reação de Lewis para a pergunta, foram adicionadas pelos atores.
Levinson e Fontana revisaram o roteiro depois dele ser completado e fizeram pequenas sugestões para mudanças. No roteiro original, Yoshimura fez Pembleton confrontar mais as equipes de emergência e de bombeiros, porém esse aspecto foi alterado depois de Fontana dizer que gerava muita distração. Os executivos da NBC indicaram que eles prefeririam ter Lewis e Falsone encontrando a namorada de Lange e a levando para vê-lo antes de sua morte, porém o roteirista descreveu a situação como um "típico final de TV" e veementemente se opôs a qualquer mudança desse tipo. Fontana também defendeu o final original porque, para ele, Pembleton acaba fazendo o papel da namorada de Lange nos momentos finais do homem.
Em , quatro dias antes do início das filmagens, os censores da NBC entregaram 17 páginas de observações para Yoshimura pedindo mudanças no roteiro por causa de violência e linguagem. Um típico episódio de Homicide: Life on the Street usualmente tinha três ou quatro páginas de observações. Yoshimura fez várias modificações com a ajuda de sua assistente Joy Lusco. As mudanças incluíam a remoção de vários usos das palavras "merda" e "porra" do roteiro. A fala de Lange, "Por quê eu estou falando o nome do filho da puta?" foi alterada para "Por quê eu estou falando o nome do imbecil?".
Seleção de elenco e diretor