Maria da Conceição Evaristo de Brito (Belo Horizonte, 29 de novembro de 1946) é uma linguista e escritora brasileira. Teve uma prolífica carreira como pesquisadora-docente universitária.

É uma das mais influentes literatas do movimento pós-modernista no Brasil, escrevendo nos gêneros da poesia, romance, conto e ensaio. Suas obras abordam temas sobre racismo, desigualdade social, identidade, memória e principalmente a vivência de mulheres negras, utilizando como forma de ter uma visão crítica desses assuntos a literatura comparada.

Obras mais famosas:

• Ponciá Vicêncio;

• Becos da Memória;

• Olhos d’Água, livro premiado na categoria contos e crônicas em 2015 na premiação Jabuti em São Paulo.

Em seu trabalho como pesquisadora-docente universitária, Conceição Evaristo criou o termo "Escrevivência", termo que une as palavras “escrever” e “vivência”. Para Conceição Evaristo esse conceito literário defende a vivência especialmente de mulheres negras e ancestrais na literatura.

Biografia Família e primeiros anos Evaristo nasceu em 29 de novembro de 1946. Sua mãe, Joana Josefina Evaristo, a teve na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Segundo relato da própria Evaristo, tratava como pai Aníbal Vitorino, que se tornou-se seu padrasto ainda na infância.

De ascendência angolana, beninense, nigeriana, serra-leonina, ugandense, sul-africana, norte-africana e indígena, viveu seus primeiros anos na favela do Pendura Saia, uma comunidade extinta na década de 1970, localizada na zona sul de Belo Horizonte. Sua família era muito pobre e numerosa, tendo nove irmãos, sendo a segunda mais velha.

Carreira acadêmica e profissional Conceição Evaristo foi criada na periferia, tendo sua mãe como principal incentivadora da leitura. Joana Josefina Evaristo Vitorino colecionava cadernos de seus próprios escritos. Mais tarde, Conceição Evaristo saiu da favela para poder conciliar os estudos do curso normal enquanto trabalhava como empregada doméstica. Já aos 25 anos, em 1971, concluiu o curso normal.

Mudou-se então para a cidade do Rio de Janeiro, em 1973, onde passou num concurso público para o magistério. Permaneceu ligada aos quadros do município até o ano de 2006; neste ínterim, nas décadas de 1970 e 1980, também foi professora da rede municipal de Niterói.

Prestou vestibular em 1987 para o curso de letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguindo bolsa de pesquisas durante o período. Formou-se no ano de 1990. No seio da universidade, ainda na década de 1980, entrou em contato com o grupo Quilombhoje, que a incentivou a iniciar sua escrita. Estreou na literatura em 1990 com obras publicadas na série Cadernos Negros, publicada pela organização.

Entre 1992 e 1996 cursou mestrado em letras-literatura brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Sua dissertação foi intitulada Literatura Negra: uma poética da nossa afro brasilidade e foi defendida em 1996.

A partir de 1999 licenciou-se da Prefeitura do Rio de Janeiro e passou a lecionar na Universidade Federal Fluminense (UFF), mantendo este vínculo até o ano de 2011.

Em 2008 ingressou no doutorado em letras-literatura comparada do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura (POSLIT) da UFF, concluindo os estudos em 2011.

Após seu doutoramento, ministrou cursos em diversas instituições, tais como: o Middlebury College, a Pontifícia Universidade Católica do Rio deJaneiro (PUC-Rio), a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Em 2025, foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e repetiu o feito em junho de 2026 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) , em agosto de 2026 ao receber este título honorífico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e também da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).

Carreira como escritora miniaturadaimagem|Evaristo em entrevista no ano de 2017, falando sobre a "Escrevivência" Suas obras, em especial o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe. Seu primeiro romance, Ponciá Vicêncio foi foco de pesquisa acadêmica pela primeira vez, no Brasil, em 2007. A obra foi traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos em 2007.

Em 2017, Evaristo foi tema da Ocupação do Itaú Cultural de São Paulo. Já em 2019, Conceição Evaristo foi a grande homenageada da Bienal do Livro de Contagem.

No dia 18 de junho de 2018, Evaristo oficializou sua candidatura à Academia Brasileira de Letras, entregando a carta de autoapresentação para concorrer à cadeira de número 7, originalmente ocupada por Castro Alves. Segundo o Portal da Literatura Afro-Brasileira, a autora escreveu na carta:

A eleição ocorreu em 30 de agosto e Evaristo recebeu apenas um voto, sendo eleito o cineasta Cacá Diegues.

A escritora foi laureada, em setembro de 2023, com o Prêmio Juca Pato de Intelectual. A escritora ganhou o prêmio por conta de sua contribuição à literatura brasileira, bem como também em decorrência do lançamento de ‘Canção para Ninar Menino Grande’, obra literária lançada em 2022, na qual a autora aborda de forma habilidosa as contradições e intricadas nuances que envolvem a expressão da masculinidade por parte de homens negros, explorando também suas repercussões nas relações com mulheres negras.

Evaristo foi condecorada com o título de Doutora Honoris Causa pelo Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS), Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 15 de fevereiro de 2024 foi eleita para a cadeira de número 40 da Academia Mineira de Letras, sucedendo a escritora e professora Maria José de Queiroz, falecida em 15 de novembro de 2023. A posse aconteceu no dia 08 de março de 2024. A cadeira de número 40, foi fundada por Pinto de Moura e tem como patrono o Visconde de Caeté.

No carnaval de 2026, Evaristo foi homenageada pelo Escola de samba Império Serrano, tendo sua vida e trajetória imortalizada no Sambódromo da Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro com o enredo "Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu". A escola foi vice-campeã do Grupo de Acesso do carnaval carioca.

Evaristo foi uma das convidadas de honra para a primeira edição (2026) da Babell, evento literário que acontece nos espaços públicos da cidade do Porto, em Portugal, idealizado e produzido pela Fundação Livraria Lello em co-produção com a Câmara Municipal do Porto. A escritora dividiu o palco com o escritor Milton Hatoum no dia 26 de junho, às 16h, no Largo de Santo Idelfonso, na Praça da Batalha. A moderação ficou a cargo da poeta Minês Castanheira e leituras de trechos das obras dos convidados realizada por Francisca Bartilotti.

No sábado, 27 de junho de 2026, ainda na I edição da Babell, Conceição Evaristo foi convidada para ter a sua obra 'Olhos D'água' como a primeira obra a ser disponibilizada na Livraria Manifesto (parte integrante da Livraria Lello) que foi idealizada com a cantora Dua Lipa.

Escrevivência O conceito de escrevivência foi formulado por Conceição Evaristo para definir uma prática literária marcada pela relação entre escrita, memória, experiência e vivência coletiva da população negra brasileira. O termo, amplamente difundido nos estudos de literatura afro-brasileira e feminismo negro, combina as palavras “escrita” e “vivência”, sendo utilizado pela autora para descrever uma produção literária construída a partir das experiências históricas, sociais e afetivas de mulheres negras. miniaturadaimagem|305x305px|Casa Escrevivência Conceição Evaristo, Rio de Janeiro, 2026. Segundo Evaristo, a escrevivência nasce da experiência cotidiana da população negra e periférica, especialmente das mulheres negras, articulando memória familiar, ancestralidade, oralidade e denúncia das desigualdades raciais e sociais. Em entrevistas e ensaios, a autora afirmou que sua escrita surge das histórias ouvidas na infância, das experiências comunitárias e da observação das condições de vida da população negra brasileira.

A escrevivência também é interpretada como uma crítica às formas tradicionais de representação literária da população negra no Brasil, historicamente produzidas sob perspectivas brancas e elitizadas. Nesse sentido, a obra de Evaristo busca afirmar sujeitos negros como produtores de memória, linguagem e conhecimento, rompendo com estereótipos historicamente presentes na literatura brasileira.

Pesquisadores apontam que o conceito estabeleceu forte influência nos estudos sobre literatura afro-brasileira contemporânea, feminismo negro e escrita autobiográfica. A escrevivência passou a ser utilizada em pesquisas acadêmicas voltadas para questões de raça, gênero, memória e oralidade, tornando-se um dos conceitos mais associados à produção intelectual de Conceição Evaristo.

Críticos literários também associam a escrevivência à tradição da literatura diaspórica africana e afro-americana, aproximando a obra de Evaristo de debates sobre memória da escravidão, identidade negra e resistência cultural. O conceito tornou-se um dos principais referenciais teóricos da literatura afro-brasileira produzida no século XXI.

Obras Romance Ponciá Vicêncio (2003); Becos da Memória (2006); Canção para Ninar Menino Grande (2022).

Poemas Poemas da recordação e outros movimentos (2017).

Contos Insubmissas Lágrimas de mulheres (2011); Olhos D`água (2014);

Histórias de Leves Enganos e Parecenças (2016).

Participações em antologias Cadernos Negros (Quilombhoje, 1990);

Contos Afros (Quilombhoje);

Contos do Mar sem Fim (Editora Pallas);

Questão de Pele (Língua Geral);

Schwarze Prosa (Alemanha, 1993);

Moving Beyond Boundaries: International Dimension of Black Women’s Writing (1995);

Women Righting – Afro-Brazilian Women’s Short Fiction (Inglaterra, 2005);

Finally Us: Contemporary Black Brazilian Women Writers (1995);

Callaloo, vols. 18 e 30 (1995, 2008);

Fourteen Female Voices from Brazil (EUA, 2002);

Chimurenga People (África do Sul, 2007);

Brasil-África;

Je Suis Rio, éditions Anacaona, (Franca, 2016).

Obras traduzidas Ponciá Vicencio. Trad. Paloma Martinez-Cruz, Austin: Host Publications, 2007. ISBN 0-978-0-924047-34-3L'histoire de Poncia, traduzido por Paula Anacaona, collection Terra, éditions Anacaona. 2015. ISBN 978-2-918799-75-7Banzo, Mémoires de la Favela, traduzido por Paula Anacaona, collection Terra, éditions Anacaona. 2016. ISBN 978-2-918799-80-1

Prêmios e homenagens Prêmios Jabuti na categoria Contos e Crônicas, com Olhos d’água'' (2015);

Prêmio do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra;

Prêmio Nicolás Guillén de Literatura pela Caribbean Philosophical Association;

Prêmio Mestra das Periferias pelo Instituto Maria e João Aleixo;

Prêmio Intelectual do Ano — Troféu Juca Pato, organizado pela União Brasileira de Escritores (UBE) (2023).

Homenagens Homenageada com a Ocupação Conceição Evaristo pelo Itaú Cultural;

Homenageada da Olimpíada de Língua Portuguesa pelo Itaú Social;

Homenageada por o Prêmio Jabuti como personalidade literária;

Eleita em 2024 para ocupar a cadeira de número 40 da Academia Mineira de Letras;

Ligações externas

Entrevista no projeto da jornalista Maria Fortuna: Conversas para Iluminar o Mundo Eu-Mulher, poema de Conceição Evaristo Entrevista para a revista Conexão Literatura Eu não sei cantar - Entrevista para a revista Raça Brasil MENDES, Ana Cláudia Duarte. Eco e Memória: "Vozes-Mulheres", de Conceição Evaristo. Terra roxa e outras terras – Revista de Estudos Literários - Volume 17-A (dez. 2009)

Categoria:Naturais de Belo Horizonte Categoria:Alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro Categoria:Alunos da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro