A primeira temporada de Homicide: Life on the Street, uma série dramática norte-americana, foi originalmente exibida nos Estados Unidos pela NBC entre e . A série foi criada por Paul Attanasio, com o diretor de cinema Barry Levinson e o roteirista e produtor televisivo Tom Fontana trabalhando como os produtores executivos. Adaptada do livro de não-ficção Homicide: A Year on the Killing Streets, escrito em 1991 por David Simon, a temporada seguia os detetives ficcionais da unidade de homicídios do Departamento de Polícia de Baltimore e os casos de assassinato que eles investigam. O programa era transmitido às quartas-feiras às 21h, com a exceção do primeiro episódio, que foi exibido logo depois do Super Bowl XXVII.
A temporada apresentou Daniel Baldwin, Ned Beatty, Richard Belzer, Andre Braugher, Wendy Hughes, Clark Johnson, Yaphet Kotto, Melissa Leo, Jon Polito e Kyle Secor como os membros regulares do elenco. A maioria dos personagens principais eram baseados em detetives de Baltimore reais do livro de Simon, incluindo Gary D'Addario, Terrence McLarney, Harry Edgerton, Donald Worden e Jay Landsman. Muitos dos arcos de história da primeira temporada também foram adaptados do livro, mais notavelmente o assassinato da menina de 11 anos Latonya Kim Wallace, em 1988, que serviu como base para o caso de Adena Watson no programa. "Night of the Dead Living", originalmente escrito como o terceiro episódio, foi movido para ser o última da temporada por insistência dos executivos da NBC, o que gerou vários erros de continuidade.Kalat 1998, p. 121
A primeira temporada recebeu críticas muito positivas, com muitos críticos declarando que Homicide: Life on the Street era uma das melhores séries de televisão de todos os tempos. O episódio "Three Men and Adena", que consiste quase que inteiramente de um interrogatório policial com três atores, foi muito elogiado e foi eleito como um dos 100 maiores momentos da televisão pela Entertainment Weekly. O primeiro episódio da série, "Gone for Goode", estreou com uma audiência de 18,2 milhões de domicílios por ter sido exibido diretamente após o Super Bowl. Entretanto, os números de audiência caíram no decorrer da temporada, que os produtores de Homicide: Life on the Street atribuíram ao horário de exibição ruim e a competição vinda das comédias Home Improvement e Coach, ambas da ABC. A audiência fez com que os executivos da NBC exigissem mudanças antes de renovar a série para uma segunda temporada.
Homicide: Life on the Street recebeu quatro indicações ao Primetime Emmy Award em sua primeira temporada, vencendo dois, também ganhando um Writers Guild of America Award e um Directors Guild of America Award. As duas primeiras temporadas do programa foram lançadas juntas em DVD pela A&E Home Video no dia .
Desenvolvimento Criação thumb|upright|left|Homicide: Life on the Street foi adaptada do livro de não-ficção Homicide: A Year on the Killing Streets, escrito em 1991 por David Simon (foto). O diretor de cinema Barry Levinson queria criar uma série de televisão dramática baseada no livro de não-ficção Homicide: A Year on the Killing Streets, escrito em 1991 por David Simon baseado no ano que ele passou com os detetives da unidade de homicídios do Departamento de Polícia de Baltimore. Além de se passar na cidade natal de Levinson, o diretor ficou atraído pelo modo realista que Simon mostrou o trabalho da polícia e dos detetives. O livro contradisse muitos mitos populares que foram construídos pelas séries e filmes policiais anteriores: ele mostrava os detetives nem sempre tendo uma boa relação uns com os outros e contava histórias de criminosos que nem sempre eram pegos ou punidos. Também mostrava os detetives resolvendo casos principalmente através de evidências físicas, testemunhas e confissões, não por investigar motivos.Kalat 1998, pp. 102-103 Simon também quis acabar com a percepção popular criada pela televisão de que os detetives levam seus casos de forma bem pessoal e se identificam com as vítimas: na experiência que teve, os casos de homicídio eram principalmente apenas trabalho para o detetives, nada pessoal. Levinson e Tom Fontana, que tinha um passado como produtor executivo da série St. Elsewhere, contrataram o roteirista Paul Attanasio para adaptar elementos do livro para o roteiro do primeiro episódio. Foi o primeiro roteiro televisivo que Attanasio escreveu.Levinson, Barry (2003). Homicide Life on the Street - The Complete Seasons 1 & 2, comentários em áudio de "Gone for Goode" [DVD]. Estados Unidos: A&E Home Video.
Attanasio baseou os personagens de Homicide: Life on the Street em detetives que aparecem no livro de Simon. Frank Pembleton foi baseado no Detetive Harry Edgerton, apesar deles terem ficado tão diferentes um do outro que os detetives e os produtores concordaram que a única semelhança verdadeira era o fato de ambos serem negros.Kalat 1998, pp. 40-42 Da mesma forma, Meldrick Lewis foi vagamente baseado no Detetive Donald Waltemeyer, e Levinson admitiu que Lewis não começaria a se desenvolver fortemente até a terceira temporada porque, "Achei que seria muito bom ter um personagem que não estaria totalmente disposto a se abrir com as pessoas com quem trabalha".Kalat 1998, p. 57 Tim Bayliss foi baseado no Detetive Tom Pellegrini, o principal detetive que investigou o caso do assassinato da menina de 11 anos Latonya Kim Wallace em 1988. A abordagem extremamente pessoal com que Bayliss toma para tentar resolver o assassinato de Adena Watson, e seu grande desapontamento ao falhar, foi baseado nas emoções que Pellegrini passou no caso de Wallace. Pellegrini aconselhou o ator Kyle Secor sobre como interpretar o papel de Bayliss.Kalat 1998, p. 113Kalat 1998, p. 79
O papel de John Munch foi baseado em Jay Landsman, um brincalhão conhecido na unidade de homicídios por seu humor mórbido. Tanto Munch quando seu ator, Richard Belzer, são cínicos e tão semelhantes que Belzer declarou que o personagem é "exatamente o que eu seria se eu fosse um policial".Kalat 1998, p. 38 Stanley Bolander foi inspirado pelo Detetive Donald Worden quem, como sua contraparte ficcional, era chamado de "The Big Man".Kalat 1998, p. 34 Ned Beatty se encontrou com Worden uma única vez antes de assumir o papel, e disse que o detetive tinha "uma mente organizada e uma memória quase fotográfica". Beau Felton foi baseado no Detetive Donald Kincaid, e as discussões de Felton com Pembleton foram baseadas nas discussões reais de Kincaid com Edgerton.Kalat 1998, pp. 30-31 Kay Howard foi baseada parcialmente na Detetive Bert Silver e em parte no Detetive Rich Garvey, que teve uma série de sorte na vida real ao resolver vários casos em seguida, como Howard na primeira temporada.Kalat 1998, p. 66
A NBC encomendou uma temporada completa para Homicide: Life on the Street antes mesmo de um episódio piloto ser produzido. Planejada como uma substituta para a meia temporada, a emissora encomendou seis episódios para a temporada de inverno de 1993, e depois mais três após assistir o episódio piloto completo. A NBC frequentemente ficava em terceira na audiência atrás da ABC e CBS, e estava sofrendo da perda de vários programas de sucesso em 1992, incluindo The Cosby Show, The Golden Girls e Matlock, como também o futuro final de Cheers em 1993. A emissora tinha tentado conquistar a audiência com várias comédias, porém esses esforços falharam e os executivos decidiram se focar em dramas de alta qualidade como Homicide. Warren Littlefield, presidente da NBC Entertainment, a considerou como a nova série mais promissora da temporada.Kalat 1998, p. 108
Equipe thumb|upright|O diretor de cinema Barry Levinson foi o produtor executivo de Homicide: Life on the Street. Attanasio foi creditado como o criador de Homicide: Life on the Street, com Levinson e Fontana atuando como produtores executivos. A série foi produzida pela companhia de Levinson, a Baltimore Pictures, que se associou com a Reeves Entertainment.Kalat 1998, p. 126 Wayne Ewing, diretor de fotografia do filme Toys de Levinson,Kalat 1998, p. 104 foi o diretor de fotografia durante a primeira temporada, além de ter dirigido o episódio "Smoke Gets in Your Eyes".Kalat 1998, p. 120
Stan Warnow começou trabalhando como o editor do episódio de estreia, "Gone for Goode", porém saiu no meio de processo por diferenças criativas com Levinson. Tony Black terminou a edição do episódio,Kalat 1998, p. 107 mas não retornou para o restante da temporada. Jay Rabinowitz foi o editor dos episódios restantes, junto com Cindy Mollo e Richard Harkness. Van Smith foi o figurinista de "Gone for Goode", mas também não retornou para os outros oito episódios, e os figurinos acabaram sendo assumidos por Rolande Berman.Kalat 1998, p. 110
Os detetives verdadeiros que foram mostrados em Homicide: A Year on the Killing Streets assinaram isenções que permitiam que eles fossem representados na série, e alguns até se tornaram consultores do programa. Gary D'addario, o tenente do Departamento de Polícia de Baltirmore que foi a inspiração para o personagem Al "Gee" Giardello, trabalhou como consultor a aprovava os roteiros para exatidão. Fontana comentou a contribuição dos detetives reais, "Eles têm grandes histórias, e os ritmos de suas diferentes personalidades são tão especiais que é ótimo os termos por perto".
Elenco thumb|left|upright|Ned Beatty, o membro do elenco mais conhecido quando a série estreou, hesitou em aceitar o papel por medo que a NBC transformasse Homicide em um drama policial comum. Levinson e Fontana fizeram algo incomum ao basear a etnia e o gênero dos personagens nos atores que escolheram, mesmo com os papéis sendo baseados em detetives reais.Kalat 1998, p. 73 Por exemplo, o papel de Frank Pembleton, apesar de baseado no detetive afro-americano Harry Edgerton, não especificava a etnia até Andre Braugher fazer o teste e ser escolhido. Isso impressionou Braugher, que acreditava que papéis totalmente desenvolvidos eram frequentemente escritos para personagens brancos e os negros eram geralmente bidimensionais e estereotipados. Essa crença se desenvolveu em parte pela experiência ruim que o ator teve ao interpretar o Detetive Winstom Blake na série Kojak, onde ele fez objeção a representação que o programa fazia dos negros. Ned Beatty, o membro do elenco mais conhecido quando o programa estreou, foi abordado pessoalmente por Levinson e Fontana para interpretar Stanley Bolander. Apesar de Beatty respeitar os dois e gostar do conceito da série, ele ficou relutante em aceitar por acreditar que a NBC iria corromper a série e transformá-la em um programa policial típico. O ator afirmou que seus agentes e gerentes o "empurraram, arrastaram e rebocaram" para uma reunião com Levinson, porém ele acabou aceitando o papel. Kyle Secor foi selecionado como Tim Bayliss por Fontana, que lembrou do ator a partir de sua interpretação de Bret Johnson, um paciente homossexual com AIDS de seu programa anterior, St. Elsewhere.