O Burkina Faso possui uma economia em desenvolvimento e de baixa renda, baseada predominantemente na agricultura de subsistência e na pecuária. O país apresenta um baixo nível de renda média, com PIB per capita estimado em US$ 3.000 (PPC) e US$ 1.100 (nominal) em meados da década de 2020. Mais de 80% da população ativa depende da agricultura de subsistência, com apenas uma fração reduzida diretamente empregada na indústria e no setor de serviços. O regime de chuvas altamente irregular, solos frágeis e lixiviados, carência de telecomunicações e infraestrutura adequadas, baixa taxa de alfabetização e uma economia historicamente estagnada constituem desafios estruturais deste país encravado. A pauta de exportação permanece altamente vulnerável às oscilações de preços no mercado internacional.
O país apresenta alta densidade demográfica, solos frágeis e abundantes recursos naturais, especialmente ouro. O setor industrial continua dominado por empresas estatais deficitárias. Após a desvalorização do Franco CFA em janeiro de 1994, o governo atualizou seu programa de desenvolvimento em articulação com organismos multilaterais, registrando aumento nas exportações e no crescimento econômico. A sustentabilidade dos avanços macroeconômicos depende da manutenção da inflação em níveis baixos, da redução do déficit na balança comercial e de reformas estruturais para atração de investimentos privados.
Panorama do sistema financeiro O sistema financeiro de Burkina Faso representa cerca de 30% do PIB nacional e é amplamente dominado pelo setor bancário, que concentra 90% dos ativos financeiros totais. Operam no país onze bancos comerciais e cinco instituições financeiras não bancárias.
O setor bancário apresenta alta concentração, com os três maiores bancos detendo quase 60% dos ativos financeiros globais. As instituições bancárias operam geralmente com níveis adequados de capitalização, mas permanecem vulneráveis devido à alta exposição ao setor algodoeiro, cujas cotações enfrentam acentuada volatilidade no mercado internacional.
Um relatório de dezembro de 2018 do Banco Mundial indicou que o algodão havia se consolidado como a principal cultura agrícola comercial, enquanto as exportações de ouro registraram crescimento expressivo. Em 2017, a taxa de crescimento econômico subiu para 6,4% (contra 5,9% em 2016), impulsionada principalmente pela produção aurífera e por investimentos em infraestrutura. O aumento do consumo atrelado à expansão da massa salarial também deu suporte à atividade econômica. A inflação manteve-se baixa (0,4% naquele ano), mas o déficit público ampliou-se para 7,7% do PIB (contra 3,5% em 2016). O governo recorreu à combinação de ajuda concessional externa e captação de empréstimos no mercado regional para o financiamento da dívida pública. O Banco Mundial destacou que as perspectivas econômicas de curto e médio prazo permaneciam favoráveis, embora sujeitas a riscos como a alta dos preços de importação de petróleo, a desvalorização das cotações de ouro e algodão, além de ameaças terroristas e greves trabalhistas.
Agricultura
Produção agrícola de Burkina Faso em 2018:
1,9 milhão de toneladas de sorgo; 1,7 milhão de toneladas de milho; 1,1 milhão de toneladas de milheto; 630 mil toneladas de feijão-fradinho (3.º maior produtor mundial, superado apenas por Níger e Nigéria); 490 mil toneladas de cana-de-açúcar; 482 mil toneladas de algodão; 329 mil toneladas de amendoim; 253 mil toneladas de gergelim (8.º maior produtor mundial); 240 mil toneladas de hortaliças e vegetais; 160 mil toneladas de arroz; 103 mil toneladas de castanha-de-caju (12.º maior produtor mundial);
Além de produções menores de outros cultivos agrícolas.
Indústria de mineração
Comércio exterior A indústria manufatureira nacional, ainda em estágio embrionário, concentra-se principalmente em Bobo-Dioulasso, Ouagadougou, Banfora e Koudougou. A produção industrial limita-se ao processamento de alimentos, à manufatura têxtil e a bens de substituição de importações protegidos por tarifas alfandegárias. Diversas fábricas são de propriedade privada, enquanto outras estão incluídas em programas de privatização estatal. Os recursos minerais exploráveis do país são limitados, embora exista uma importante jazida de minério de manganês no extremo nordeste. A extração de ouro cresceu acentuadamente a partir de meados da década de 1980 e, ao lado do algodão, consolidou-se como a principal fonte de divisas de exportação do país. Contudo, tanto o ouro quanto o algodão constam na lista de produtos obtidos predominantemente mediante exploração de trabalho infantil e trabalho forçado, segundo relatórios do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.
Cargas destinadas a Burkina Faso devem dispor do Certificado Eletrônico de Acompanhamento de Cargas (em francês: Bordereau électronique de suivi des cargaisons, BESC), administrado pelo Conselho Burquinense de Carregadores (CBC). Instituído por decreto governamental em 2009, o documento é emitido no porto de embarque — inclusive por postos do CBC em portos de trânsito como Abidjã, Lomé, Cotonou e Tema —, registrando os dados de expedição para rastreabilidade fiscal e desembaraço aduaneiro.
Evolução macroeconômica A tabela a seguir apresenta os principais indicadores macroeconômicos entre 1980 e 2026. Taxas de inflação inferiores a 5% estão destacadas em verde. Ano PIB(em bilhões de US$ PPC) PIB per capita(em US$ PPC) PIB(em bilhões de US$ nominal) Crescimento do PIB(real, em %) Taxa de inflação(em %) Dívida pública(em % do PIB) 1980 2,7 385 2,4 4,0 12,3 — 1985 4,1 510 1,7 11,3 7,1 — 1990 5,5 601 3,5 -0,6 -0,8 — 1995 7,5 725 2,7 5,7 7,8 — 2000 11,3 950 3,0 1,9 -0,2 — 2005 17,3 1242 6,2 8,7 6,4 39,2 2006 18,9 1318 6,5 6,3 2,3 20,1 2007 20,3 1368 7,6 4,1 -0,2 22,4 2008 21,9 1432 9,5 5,8 10,7 24,9 2009 22,6 1441 9,4 3,0 0,9 25,9 2010 24,8 1536 10,1 8,4 -0,6 23,7 2011 27,0 1623 12,1 6,6 2,8 24,5 2012 29,3 1707 12,6 6,5 3,8 25,2 2013 31,5 1783 13,4 5,8 0,5 25,9 2014 33,5 1837 13,9 4,3 -0,3 26,1 2015 35,1 1870 11,8 3,9 1,7 31,3 2016 37,6 1943 12,8 6,0 0,4 32,9 2017 40,6 2041 14,1 6,2 1,5 33,9 2018 42,4 2076 15,9 6,6 2,0 38,1 2019 47,0 2240 16,1 5,9 -3,2 41,7 2020 51,4 2392 17,8 2,0 1,9 43,6 2021 54,7 2486 19,7 6,9 3,9 55,5 2022 59,5 2645 18,7 1,6 13,8 59,2 2023 63,6 2762 20,1 3,0 0,9 56,8 2024 68,3 2899 23,1 4,8 4,2 57,2 2025 73,7 3060 27,1 5,0 -0,5 52,0 2026 79,5 3227 32.5 4,9 1,5 48,8
thumb|left|Pauta de exportações de Burkina Faso em 2006. O PIB per capita em valores correntes de Burkina Faso cresceu 13% na década de 1960, atingindo um pico de crescimento de 237% nos anos 1970. Esse ritmo não se sustentou nas décadas seguintes, desacelerando para 23% nos anos 1980 e sofrendo uma contração de 37% nos anos 1990. Os salários médios em 2007 situavam-se entre 2 e 3 dólares diários.
Apesar dos obstáculos impostos pela escassez de recursos domésticos, Burkina Faso manteve compromisso com o programa de ajuste estrutural iniciado em 1991. O país recuperou-se gradualmente do choque da desvalorização do franco CFA em janeiro de 1994, alcançando uma taxa de crescimento de 5,9% em 1996.
Expressivo contingente de trabalhadores burquinenses migra para países vizinhos, e as remessas financeiras enviadas ao país representam importante influxo para o balanço de pagamentos. As políticas estatais de fomento buscam expandir a exploração de recursos minerais, aprimorar a infraestrutura física e de transportes, elevar a produtividade e a competitividade da agropecuária e estabilizar a oferta e os preços de cereais básicos no mercado interno.
A produção agrícola permanece vulnerável às variações climáticas e aos regimes pluviométricos. O Planalto Mossi, no centro-norte do país, sofre com a desertificação e o avanço do Saara. A consequente migração em direção ao sul acirra a disputa pelo acesso aos escassos recursos hídricos. A maioria dos agricultores vive em regime de subsistência, enfrentando severa erosão do solo e empregando técnicas rudimentares de cultivo. Os principais cultivos de subsistência são o milheto, o sorgo, o milho e o arroz. As culturas comerciais de exportação compreendem o algodão, o amendoim, as nozes de karité e o gergelim. A pecuária bovina e caprina, outrora destaque na pauta externa, registrou declínio.
Um relatório de 2018 do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento apontou como desafio macroeconômico a necessidade de investimentos contínuos em segurança e serviços sociais básicos em face da pressão sobre as contas públicas. As projeções indicavam redução gradual do déficit orçamentário para 4,8% do PIB em 2018 e 2,9% em 2019, enquanto a dívida pública associada ao Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social situava-se em torno de 36,9% do PIB em 2017.
Trabalho infantil Um estudo governamental de 2023 revelou que, no norte do país, cerca de 30,1% das crianças trabalham permanentemente na extração de ouro em garimpos artesanais e minas industriais.
Referências
Ligações externas West African Agricultural Market Observer/Observatoire du Marché Agricole (RESIMAO), a project of the West-African Market Information Network (WAMIS-NET), provides live market and commodity prices from fifty seven regional and local public agricultural markets across Benin, Burkina Faso, Côte d'Ivoire, Guinea, Niger, Mali, Senegal, Togo, and Nigeria. Sixty commodities are tracked weekly. The project is run by the Benin Ministry of Agriculture, and a number of European, African, and United Nations agencies. Burkina Faso latest trade data on ITC Trade Map