O Ford Escort é um automóvel produzido pela Ford do Brasil de 1983 a 2004, inicialmente com um formato mais retilíneo. Baseado na III geração do Escort Europeu (Mk3), foi lançado para substituir o Corcel, mais específicamente o Ford Corcel II, a 2ª geração do carro, representando o segmento de carros médios da Ford no Brasil. Primeira geração brasileira O nome Escort em inglês significa Acompanhante ou Escolta. Foi criado com visual moderno e esportivo, com três ou cinco portas lançados ao mesmo tempo – uma novidade para a época – e cores vibrantes, como o azul cobalto e vermelho. Os modelos disponíveis eram o básico, L, GL, Ghia e XR3, sendo este último a versão com apelo mais esportivo de toda a linha. As versões L e GL podiam vir inicialmente com motor CHT 1.35L de 56,8/63,5 cavalos (G/A) ou CHT 1.6L de 65,3/73,4 cavalos (G/A), enquanto as versões Ghia e XR3 só vinham com a unidade de 1.6L. Dentre os mais desejados, destacava-se o XR3, com seus defletores aerodinâmicos, rodas aro 14, teto solar e bancos esportivos, formando um visual muito moderno para a época. O motor era 1.6L a álcool, com 83,4 cavalos, números que não faziam jus à esportividade sugerida pelo visual externo. Nessa época o Escort podia vir com carroceria de 2 ou 4 portas, que não durou muito tempo.
1985 - Chegada do Escort XR3 Conversível Em abril de 1985 surgia a versão XR3 conversível (cabriolet), primeiro conversível nacional fabricado com o aval de uma grande fábrica (antes deste modelo apenas o Volkswagen Karmann Ghia havia sido fabricado nesta configuração no Brasil), também com motor CHT 1.6L. O projeto e a produção deste novo modelo eram cuidadosas, e foi feita em parceria com a Karmann Ghia do Brasil Projetos Especiais, sediada em São Bernardo do Campo, SP. Logo esta versão também se tornou altamente desejada, e virou um sucesso, dando status à seus proprietários. No final de 1989, o acionamento da capota conversível passou a ser por comando eletro hidráulico, novidade incorporada junto com a adoção do motor Volkswagen AP1800S do Gol GTS. A partir do final de 1991, até 1994, ele passou a ter um concorrente de série, o Kadett GSi 2.0 também conversível. Em 1993 foi apresentada a nova versão conversível, pertencente a nova geração Escort da época e agora equipada com o motor AP2000i do Gol GTi. Já em 1996, com o fim da Autolatina e da versão XR3, o modelo conversível deixou de ser produzido.
1987 - Reestilização Em 1987, o Ford Escort teve sua primeira reestilização, também baseada na matriz européia, com parachoques envolventes, ausência de grade frontal e lanternas traseiras lisas, além de novo interior, com painel de linhas mais arredondadas. Mudou-se o Escort XR3, que ganhouacionamento dos vidros elétricos nos puxadores das portas, três cavalos a mais de potência e perdeu os faróis de neblina no parachoque, permanecendo apenas os de milha na altura dos faróis principais.
1989 - Chegada dos motores Volkswagen AP Foi em 1989 a maior mudança: com a criação da holding Autolatina (união entre Volkswagen e Ford na América Latina), o Ford Escort ganhou como opção motores da família AP da Volkswagen. O AP1800 com 90 cavalos, usado nas versões GL de Gol, Voyage e Parati, para as versões GL (opcional) e Ghia do Escort. Já os esportivos XR3 e XR3 Conversível o AP1800S de 99 cv, que equipavam as versões GTS do Gol e GLS de Voyage e Parati. A nova motorização Volkswagen deu um desempenho muito mais interessante, principalmente na versão XR3, que ganhou novo ânimo e a esportividade que faltava. O motor, instalado na transversal, diferente do que se via na linha Volkswagen da época, exigiu uma nova caixa de câmbio alemã, vindo do Golf e do Jetta da época. Foi lançada a série especial XR-3 Super Sport (também chamada de XR-3 “Benetton”), com apenas mil exemplares produzidos.https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2021/02/11/xr3-benetton-como-escort-inspirado-na-f1-ganhou-motor-vw-e-virou-raridade.htm
1990 - Mais conforto e requinte A partir de 1990, mas já como modelo 1991, o Escort ganhou nova linha de rádios e toca fitas da Bosch para todas as versões. A versão L e GL passaram a compartilhar o mesmo painel de instrumentos com relógio analógico e a versão L a opção do motor AP1800. Nas versões Ghia e XR3 os espelhos externos passaram a ter controle elétrico semelhante ao usado no Verona 1.8 GLX e banco do motorista com regulagem de altura e novos revestimentos.
1991 - Retorno da versão com quatro portas e suspensão eletrônica No fim de 1991, já com a linha 1992, o Escort ainda ganhou mais algumas novidades.
Escort 1.8 Guarujá A chegada da versão Guarujá trouxe a versão com quatro portas de volta a linha Escort, descontinuada em 1986 quando a Ford tirou a opção do catálogo pelas baixas vendas. Essa versão tinha motor brasileiro, o VW AP1800, câmbio alemão e painel da versão Ghia, porém ainda usava os mesmos estampos das portas descontinuados também em 1986. Porém, essa versão não teve sucesso, por ser a única versão produzida na Argentina, país que na época tinha a má-fama de produzir carros de qualidade bastante duvidosa.
Escort 1.8 XR3 Fórmula Na mesma época o Escort 1.8 XR3 de capota rígida apresentou a versão Fórmula, o primeiro automóvel do país que usava amortecedores eletrônicos. Desenvolvidos pela Cofap em conjunto com a Autolatina, a finalidade desse sistema era de permitir o motorista de escolher o tipo de condução (mais macia, ou mais rígida), através de um botão no painel. O carro chegou com faixas laterais na cor vermelha e algumas cores exclusivas como o Azul Denver e o Vermelho Munique. O equipamento passou a ser opcional para a versão XR3, que existiu até o modelo 1992/1992, quando a Ford apresentou a nova geração 1993 do carro.
1992 - Adoção do catalisador e da direção hidráulica No início de 1992 a linha Escort passou a contar, obrigatoriamente, com conversor catálico junto ao sistema de escapamento, já que a partir de 01/01/1992 deu-se inicio a fase II da Resolução do CONAMA (https://conama.mma.gov.br/?option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=41, criada com o PROCONVE em 1986, que passou a vigorar exigindo a redução da poluição gerada por veículos automotores. A Autolatina, na época, optou pela instalação do dispositivo, reduzindo, então, não só os índices de poluição, mas também a potência dos motores. Também em 1992 a linha passou a contar, opcionalmente, com sistema de direção hidráulica. O modelo tinha um sistema mecânico muito pesado, e seu principal concorrente, o Chevrolet Kadett tinha o equipamento desde a versão básica. O sistema usado pelo Escort era opcional a partir da versão 1.8 GL e na 1.8 Guarujá de 4 portas. De série apenas para o 1.8 Ghia, 1.8 XR3 e XR3 Conversível. O sistema também foi aplicado nos sedãs Verona e VW Apollo. Pareceu uma despedida em grande estilo dessa geração.
Segunda geração brasileira
1993 - Chegada da nova geração. A segunda geração chegou em fins de 1992, já como linha 1993, nas versões L, GL, Ghia, XR3 e XR3 conversível. A partir daí, os motores CHT passaram a usar a nomenclatura "AE". A versão L e também a GL vinham equipadas com motor AE1600 e podiam vir opcionalmente com o AP1800, de origem Volkswagen. A versão Ghia vinha apenas com motor AP 1800. Todas essas versões ainda usavam carburador e tinham versões a gasolina e a álcool. Já o XR3 chegou com motor AP2000i a gasolina, com injeção eletrônica multiponto Bosch LE-Jetronic (a mesma do Gol GTi) e 115,5 cavalos, mas perdeu a exclusiva opção da suspensão eletrônica. A nova geração Escort era disponível apenas com duas portas, deixando a Guarujá de existir. Com o lançamento da nova geração do Escort, a antiga geração, com a reestilização de 1987, permaneceu em produção, ganhando na linha 1993 a nomenclatura Hobby, motor AE1600 e alguns elementos estéticos da antiga versão XR3 como volante de empunhadura esportiva e rodas do Verona 1.8 GLX de 1992.
Nova Transmissão Junto com essa nova geração, foi introduzida uma nova caixa de marchas transversal, desenvolvida pela Volkswagen e fabricada pela mesma na fábrica de Pacheco na Argentina, para atender aos modelos da Autolatina Brasil, deixando assim de usar a caixa alemã (com a ré ao lado da primeira marcha) para os modelos equipados com motores Volkswagen e a caixa brasileira usada pela Ford (com a ré ao lado da quarta marcha) nas versões com motor 1.6. Esse novo sistema foi o pioneiro no Brasil por usar cabos de aço na seleção e engate de marchas, deixando o sistema tão macio quanto os câmbios longitudinais usados nos modelos brasileiros da VW. A caixa de mudanças, denominada "MQ" foi usada na linha Escort de 1993 até 1996, quando deixou de usar os motores VW com o fim da Autolatina. Foi usada posteriormente no Polo Classic 1.8 Mi e na Van 1.6 Mi, entre 1997 e 2002, na linha Golf entre 2001 e 2013, na linha Polo nacional entre 2002 e 2014, na linha Fox e Spacefox entre 2003 e 2022, no Up! entre 2014 e 2021 e na linha Gol e Voyage de 2008 a 2022. É usada até hoje pela VW brasileira em seus modelos com transmissão manual, como a Saveiro, o Polo, o Virtus e o Tera. Essa caixa teve uma versão automatizada entre 2009 e 2017 denominada I-Motion.
1994 - Injeção digital para toda linha. Na linha 1994, o XR3 ganhou injeção multiponto FIC EEC-IV no motor 2.0L e uma versão abastecida a álcool com 122,4 cavalos, enquanto todas as outras versões abandonaram o carburador (convencional e/ou eletrônico) e passaram a usar também injeção FIC, porém monoponto. A versão Ghia ganhou opção do motor AP2000, que depois passou a vir com injeção eletrônica. O motor AE1600 carburado é substituído em 1994 pelo AP1600i. Em 1994, o Hobby ganhou o motor AE1000 de 50cv do Volkswagen Gol 1000, após incentivo governamental a motores dessa capacidade.
1995 - Poucas mudanças e inovações e fim do XR3 Conversível. Em 1995, o XR3 ganhou novas rodas e ajuste de altura do volante. Nesse mesmo ano a versão 2.0i XR3 Conversível deixa de ser oferecida, chegando ao final o último e único conversível de fábrica.
1996 - Novas versões, transferência da produção para a Argentina, o fim do XR3 e dos Motores VW Em 1996, a produção foi transferida para a Argentina para abrir espaço para produzir a nova geração do Fiesta no Brasil. Com isso o modelo perdeu as versões Ghia, XR3 e XR3 conversível. A versão Hobby, da geração anterior, foi substituída pelo Fiesta 1.0, diminuindo muito a linha. Sobraram só as versões GL (equivalente à antiga L) e GLX (equivalente a antiga versão GL, mas com alguns elementos usados na Ghia). Ambas vinham com motor AP 1.8i. A versão Racer, com motor 2.0i, tinha intenção de substituir o XR3, sem sucesso devido à extrema simplicidade, pois não havia mais os bancos Recaro, a frente diferenciada e os fartos itens de conforto do XR3. Toda a linha passou a utilizar a grade frontal de formato oval (que vinha nos Escort europeus desde 1992), além de parachoque na cor do carro. Essa linha durou apenas 6 meses no mercado, "queimando" o modelo, que já não estava bem nas vendas.
Terceira geração brasileira: O Escort Zetec
1997 - Novo motor Ford e versão "Station Wagon" inédita A terceira geração chegou no fim de 1996, na linha 1997, com o moderno motor Zetec 1.8 16v de 115 cavalos, fabricado na Inglaterra, encerrando a presença dos motores Volkswagen na linha. O Escort passou a ser oferecido inicialmente nas versões hatch de 5 portas. Com essa mudança veio a versão station wagon, inédita no Brasil, que chegava para concorrer num nicho crescente no país que era o das peruas familiares. Concorria diretamente com a VW Parati, Chevrolet Corsa Wagon e Ipanema e com a Fiat Palio Weekend. Outra novidade foi a versão sedã de 4 portas que, com o fim do Verona em 1996, essa carroceria foi incorporada a linha Escort. As versões para a nova linha eram a GL e GLX, sempre com o mesmo motor 1.8 16V.
1998 - Chegada da carroceria de duas portas, do Escort RS e o fim da versão sedan