Rosario Castellanos Figueroa ( - ) foi uma poetisa, ensaísta, autora, professora e diplomata mexicana. Junto com os outros membros da Geração de 1950 (os poetas que escreveram após a Segunda Guerra Mundial, influenciados por César Vallejo e outros), ela foi uma das mais importantes vozes literárias do México do . Ao longo de sua vida ela foi pioneira dos estudos feministas no México e também escreveu sobre questões de opressão cultural e de gênero. Até os dias atuais seu trabalho influencia a teoria feminista e os estudos culturais.

Biografia Rosario Castellanos nasceu na Cidade do México mas cresceu na propriedade rural de sua família em Comitán de Dominguez, no Estado de Chiapas, no sul do México. Seus pais eram Adriana Figueroa e César Castellanos, que formavam uma família conservadora típica daquela época. Seu pai trabalhava fora enquanto sua mãe era dona de casa. Segundo relatos da escritora, eles também tinham uma preferência notável por seu irmão Mario Benjamín, simplesmente por ele ser homem. Essa preferência dos pais continuou mesmo quando, com sete anos de idade, seu irmão mais novo morreu de apendicite. Por conta dessa dinâmica familiar, Castellanos sentia-se culpada por seu irmão ter morrido e ela não.

Ela foi criada por sua babá, Rufina, que a apresentou à cultura indígena. Castellanos era uma jovem introvertida que se preocupava com a situação dos indígenas maias que trabalhavam para sua família na fazenda.

O destino da família mudou quando o então presidente Lázaro Cárdenas promulgou uma política de reforma agrária que despojou a família de grande parte de suas propriedades. Aos quinze anos, Castellanos e seus pais se mudaram para a Cidade do México. Em 1948, ambos os pais morreram em um acidente, deixando-a órfã aos 23 anos de idade. Órfã e com recursos financeiros limitados, sentiu uma necessidade urgente de auto-expressão e logo se tornou a primeira escritora de Chiapas.

Mais tarde, emigrou para a Cidade do México onde se formou em filosofia pela Universidade Nacional Autônoma do México e passou a ter contato com Ernesto Cardenal, Dolores Castro, Jaime Sabines e Augusto Monterroso. Também estudou estética na Universidade de Madrid, com uma bolsa do Instituto de Cultura hispânica de 1950 a 1951. Foi professora na Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM, onde ministrou cursos de literatura comparada, escrita de romances contemporâneos e um seminário sobre escrita de crônicas. Também foi professora da Universidade de Wisconsin, Universidade do Estado do Colorado e da Universidade de Indiana. Além disso, Castellanos escreveu por anos no jornal Excelsior. Em 1954 foi premiada com uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller no Centro Mexicano para Escritores.

De 1958 a 1961, ela escreveu livros didáticos para o Instituto Nacional Indígena do México. Casou-se com o professor de filosofia Ricardo Guerra Tejada em 1958, com quem teve um filho em 1961, Gabriel Guerra Castellanos, cientista político formado pela Universidade Livre de Berlim Ocidental, após dois abortos espontâneos e a morte de uma filha recém-nascida. Divorciou-se após treze anos de casamento, em decorrência de depressão e da infidelidade do marido. Dedicou grande parte de seu trabalho e energia à defesa dos direitos das mulheres, causa pela qual é lembrada como um dos símbolos do feminismo latino-americano.

Antes de falecer, trabalhava no serviço diplomático. Foi nomeada embaixadora do México em Israel em 1971, e além de seu trabalho como diplomata, trabalhou como professora de literatura latino americana na Universidade Hebraica de Jerusalém.

Morte miniaturadaimagem|322x322px|Túmulo de Rosario Castellanos Castellanos morreu em 7 de agosto de 1974 em Tel Aviv aos 49 anos de idade, em razão de um acidente doméstico, em consequência de uma descarga elétrica provocada por uma lâmpada enquanto atendia o telefone ao sair do banho. Em reconhecimento às suas notáveis ​​contribuições, seus restos mortais foram sepultados no monumento funerário conhecido por Rotonda de las Personas Ilustres localizado na Cidade do México em 9 de agosto de 1974. No ano de 2025, o mausoléu da autora passou por restaurações.

Legado No ano de 2017 foi inaugurado o Museu Rosario Castellanos no bairro de Jesuscito no Centro Histórico de Comitán de Domínguez. Em 2019, foi inaugurado o Instituto de Estudios Superiores de la Ciudad de México Rosario Castellanos fundado pela presidente Claudia Sheinbaum, que mais tarde se tornou a Universidad Nacional Rosario Castellanos ao ser elevada a uma universidade de âmbito nacional.

Em março de 2021, o Senado da República mexicano criou o Prêmio de Mérito Literário "Rosario Castellanos", destinado a escritores com notoriedade nos gêneros de narrativa, drama, poesia ou ensaio, com obras escritas em espanhol ou em qualquer uma das línguas indígenas da América Latina. O prêmio consiste em um busto de bronze com a imagem de Castellanos e 200.000 pesos mexicanos.

Obra Rosario Castellanos começou na literatura como poeta, mas seu primeiro livro foi um romance: Balún Canán,  que, juntamente com Ciudad Real , seu primeiro livro de contos, e Oficio de Tinieblas , seu segundo romance, compõem a trilogia indigenista mais conhecida da narrativa mexicana.Em 1972, a autora compilou sua obra poética em Poesía no eres tú, e a partir de 1950, ano em que publicou sua tese Sobre cultura femenina, a escritora nunca deixou de explorar o ensaio. Ao longo de sua obra, incluindo seu único volume de peças teatrais, El eterno femenino emerge uma consciência do problema que a dupla condição de ser mulher e mexicana representava para ela.

Romances

1957 - Balún Canán, México: Fondo de Cultura Económica. 1962 - Oficio de tinieblas, México: Joaquín Mortiz 1996 - Rito de iniciación, México: Alfaguara,

Contos

Ciudad real, Xalapa: Universidad Veracruzana, 1960, OCLC 747471 Los convidados de agosto, México: Era, 1964, OCLC 191065435 Álbum de familia, México: Joaquín Mortiz, 1971, ISBN 9789682700880

Poesia

Trayectoria del polvo, México: Costa-Amic, 1948, Apuntes para una declaración de fe, México: Secretaría de Educación Pública, 1948, De la vigilia estéril, México: Ediciones de "América", 1950, El rescate del mundo, Tuxtla Gutiérrez, Chiapas: Gobierno del Estado de Chiapas, Departamento de Prensa y Turismo, 1952, Presentación al templo: poemas (Madrid, 1951), México: América revista antológica, 1952, Poemas (1953-1955), México: Metáfora, 1957, Al pie de la letra, Xalapa: Universidad Veracruzana, 1959, Salomé y Judith: poemas dramáticos, México: Jus, 1959, Lívida luz, México: Universidad Nacional Autónoma de México, 1960, Materia memorable, México: Universidad Nacional Autónoma de México, 1960, Poesía no eres tú: obra poética, 1948-1971, México: Fondo de Cultura Económica, 1972,

Ensaio

Sobre cultura femenina, México: América, revista antológica, 1950, La novela mexicana contemporánea y su valor testimonial, México: Instituto Nacional de la Juventud, 1960, Mujer que sabe latín..., México: Secretaría de Educación Pública, 1973, El mar y sus pescaditos, México: Secretaría de Educación Pública, 1975, Declaración de fe. Reflexiones sobre la situación de la mujer en México, México: Alfaguara, 1997, ISBN 9789681903770

Artigos reunidos

El uso de la palabra, México: Excélsior, 1994, Mujer de palabras: Artículos rescatados de Rosario Castellanos, México: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, 2004, 3 vols.

Teatro

Tablero de damas, pieza en un acto, México: América, revista antológica, 1952, El eterno femenino: Farsa, México: Fondo de Cultura Económica, 1975,

Correspondência

Cartas a Ricardo, México: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, 1994,

Referências

Categoria:Poetas do México Categoria:Escritoras do México Categoria:Embaixadores do México em Israel Categoria:Mortes por eletrocução