Batalha de (, translit.: Bitva pod Moskvoy, ) consistiu numa campanha militar que teve dois períodos de combates estrategicamente importantes num sector com 600 km (370 mi) da Frente Oriental durante a Segunda Guerra Mundial. Decorreu entre outubro de 1941 e janeiro de 1942. O esforço defensivo da União Soviética frustrou o ataque de Hitler a Moscovo, a capital e a maior cidade da União Soviética. Moscovo foi um dos principais objectivos militares e políticos das Forças do Eixo na sua invasão da União Soviética.

A estratégia ofensiva alemã, denominada Operação Tufão (), estabelecia duas pinças ofensivas, uma ao norte de Moscovo contra a Frente Kalinin pelos 3.º e 4.º Exércitos Panzer, simultaneamente, cortando a linha ferroviária Moscovo–Leningrado, e outra ao sul do Oblast de Moscovo contra a Frente Ocidental a sul de Tula, pelo 2.º Exército Panzer, enquanto o 4.º Exército avançava directamente para Moscovo a partir de oeste. De acordo com Andrew Roberts, a ofensiva de Hitler para a capital soviética foi nada menos do que um 'ataque de tudo ou nada': não é exagero afirmar que o resultado da Segunda Guerra Mundial iria decidir o resultado deste ataque massivo".

Inicialmente, as forças soviéticas realizaram uma defesa estratégica do Oblast de Moscovo ao construírem três sistemas defensivos, mobilizando exércitos de reserva recém-criados e trazendo as tropas dos distritos militares da Sibéria e do Extremo Oriente. Como as ofensivas alemãs foram interrompidas, uma contra-ofensiva estratégica soviética e operações ofensivas de pequena dimensão forçaram os exércitos alemães a recuar para as posições em redor das cidades de Oryol, Vyazma e Vitebsk, e por pouco que não cercaram três exércitos alemães. Esta situação provocou um revés aos alemães: o fim da ideia de uma rápida vitória alemã na União Soviética.William L.Shirer, "The Rise and Fall of the Third Reich" - book III, Swedish O marechal-de-campo Walther von Brauchitsch foi dispensado como comandante do OKH, com Hitler a nomear-se como comandante militar supremo da Alemanha.

Antecedentes miniaturadaimagem|Situação da Frente Leste na altura da Batalha de Moscovo:

A Operação Barbarossa, o plano de invasão alemão, estabelecia um prazo de quatro meses para a captura de Moscovo. Em 22 de Junho de 1941, as forças do Eixo invadiram a União Soviética, destruíram a maior parte da Força Aérea Soviética no chão, e avançaram profundamente em território soviético usando tácticas de blitzkrieg para destruir todos os exércitos soviéticos. O Grupo de Exércitos Norte alemão avançou para Leningrado; o Grupo de Exércitos Sul alcançou o controlo da Ucrânia, e o Grupo de Exércitos Centro avançou em direcção a Moscovo. Em julho de 1941, o Grupo de Exércitos Centro atravessou o rio Dnieper, a caminho de Moscovo.Heinz Guderian, Erinnerungen eines Soldaten (Memoirs of a soldier), Smolensk, Rusich, 1999, p. 229.

Em julho de 1941, o exército alemão capturou Smolensk, um importante reduto na estrada para Moscovo.Great Soviet Encyclopedia, Moscow, 1973–1978, entry "Battle of Smolensk" Nesta fase, apesar de Moscovo ser vulnerável, uma ofensiva contra a cidade teria exposto os flancos alemães. Em parte para enfrentar esses riscos, em parte para tentar proteger aos recursos alimentares e os minerais da Ucrânia,Guderian, pp. 267–272. Hitler ordenou que o ataque se dirigisse para norte e sul e eliminasse as forças soviéticas em Leningrado e Kiev.Alan F. Wilt. Hitler's Late Summer Pause in 1941. Military Affairs, Vol. 45, No. 4 (December 1981), pp. 187–191 Esta situação atrasou o avanço alemão para Moscovo. Quando o avanço foi retomado em 30 de setembro de 1941, o exército alemão tinha sido enfraquecido, enquanto os soviéticos tinham mobilizado novas forças para a defesa da cidade. miniaturadaimagem|Mapa do duplo cerco a Vyazma-Bryansk (em alemão).

Avanço inicial alemão

Planos Para Hitler, a capital soviética era secundária, e acreditava que a única forma de fazer ajoelhar a União Soviética era derrotá-la economicamente. Ele achava que isto podia ser feito ao cercar os recursos económicos da Ucrânia a leste de Kiev. Quando Walther von Brauchitsch, comadante-em chefe do Exército, defendeu um ataque directro a Moscovo, foi-lhe dito que "apenas uma cabeça-dura podia ter uma ideia daquelas". Franz Halder, chefe-do-estado maior do Exército, também estava convencido que um ataque para cercar Moscovo sairia vitorioso após o Exército Alemão ter infligido danos suficientes às forças soviéticas. Esta forma de ver a situação era partilhada por muitos dos elementos do alto-comando alemão. Mas Hitler rejeitou as ideias dos seus generais a favor do cerco às forças soviéticas em redor de Kiev, a sul, seguido pela captura da Ucrânia. A acção foi bem-sucedida, resultando na baixa de quase um milhão de soldados soviéticos, entre mortos, feridos e capturados, à data de 26 de setembro, e no avanço das Forças do Eixo.

Com o final do Verão, Hitler desviou a sua atenção para Moscovo e deu ordem ao Grupos de Exércitos do Centro para tratar desta tarefa. As forças imputadas à Operação Tufão incluíam quatro exércitos de infantaria (2.º, 4.º, 9.º e 6.º) apoiados por três Grupos Panzer (tanques) (2.º, 3.º e 4.º) e pela Luftflotte 2 da Luftwaffe. Cerca de dois milhões de soldados alemães foram mobilizados para esta operação, juntamente com 1 000–2 470 tanques e armas de assalto. A força aérea alemã, por outro lado, tinha sofrido severos cortes ao longo da campanha de Verão; a Luftwaffe tinha perdido 1 603 aeronaves e ficado com 1 028 danificadas. A Luftflotte 2 dispunha apenas de 549 aparelhos operacionais, incluindo 158 bombardeiros médios e 172 caças para a Operação Tufão.Bergstöm 2007, p. 90. O ataque planeado tinha por base tácticas de blitzkrieg, utilizando os grupos Panzer para penetrar nas defesas soviéticas e executando movimentos de dupla pinça, envolvendo as divisões do Exército Vermelho e destruindo-as.Guderian, pp. 307–9.

A Wehrmacht tinha perante si três frentes soviéticas formando uma linha defensiva entre as cidades de Vyazma e Bryansk, que bloqueavam o caminho para Moscovo. Os exércitos que compunham estas frentes também tinham estado envolvidas em pesados combates. Ainda assim, era uma formidável concentração de 1,25 milhão homens, 1 000 tanques e 7 600 armas. A Força Aérea Soviética (Voyenno-Vozdushnye Sily, VVS) sofreu pesadas perdas entre 7 500Hardesty, 1991, p. 61. a 21 200Bergström 2007, p. 118. aeronaves. Os progressos industriais tinham ajudado a substituir estes aparelhos e, no início da Operação Tufão, a VVS reuniu reunir 936 aeronaves, das quais 578 eram bombardeiros.Bergström 2007, pp. 90–91.

Assim que a resistência soviética ao longo da frente Vyazma-Bryansk frente foi eliminada, as forças alemãs avançaram para leste, cercando Moscovo ao flanquear a cidade a partir do norte e do sul. Combates contínuos reduziram a sua eficácia e as dificuldades logísticas tornaram-se mais preocupantes. O general Guderian, comandante do 2.º Exército Panzer, escreveu que alguns dos seus tanques destruídos não havia sido substituídos, e que havia escassez de combustível no início da operação.Guderian, p. 307

Batalhas de Vyazma e Bryansk

O ataque alemão correu conforme planeado, com o 3.º Exército Panzer a avançar pelo meio, quase sem oposição, e depois a dividir-se a norte para completar rodear Vyazma com o 4.º Exército Panzer e outras unidades a sul para fechar o cerco em redor de Bryansk, em conjunto com o 2.º Exército Panzer. As defesas soviéticas, ainda em construção, foram destruídas, e as forças mais avançadas dos 2.º e 3.º Grupos Panzer reuniram-se em Vyazma na sexta-feira, 10 de Outubro de 1941. Quatro exércitos soviéticos (19.º, 20.º, 24.º e 32.º) foram cercados numa enorme bolsa a oeste da cidade.Vasilevsky, p. 139.

thumb|upright=1.3|left|Ofensivas alemãs durante a Operão Tufão

As forças soviéticas debaixo do cerco continuaram a combater, e a Wehrmacht teve de mobilizar 28 divisões para as eliminar, utilizando tropas que poderiam ter apoiado a ofensiva em direcção de Moscovo. O que restou das frentes Ocidental e Reserva retiraram e construíram uma nova linha defensiva em redor de Mozhaisk. Apesar das elevadas baixas, algumas das unidades debaixo de cerco conseguiram escapar em pequenos grupos, desde pelotões a divisões de infantaria inteiras.Clark Chapter 8,"The Start of the Moscow Offensive", p.156 (diagram)Glantz, chapter 6, sub-ch. "Viaz'ma and Briansk", pp. 74 ff. A resistência soviética perto de Vyazma também serviu para dar tempo ao alto-comando soviético para reforçar os quatro exércitos que defendiam Moscovo (5.º, 16.º, 43.º e 49.º). Duas divisões de infantaria e duas de tanques foram transferidas do Leste da Sibéria ao que se lhes seguiriam outras.

A sul, perto de Bryansk, o desempenho inicial soviético não foi muito melhor do que em Vyazma. O 2.º Grupo Panzer executou um movimento envolvente em redor da cidade, ao mesmo tempo que o 2.º Exército avançava e capturava Orel na sexta-feira, 3 de outubro, e Bryansk na segunda-feira, 6 de outubro.

As condições meteorológicas começaram a mudar, dificultando as operações alemãs. Na terça-feira, 7 de outubro, começou a nevar e a a derreter, transformando estradas e áreas abertas em lamaçais, um fenómeno conhecido como rasputitsa na Rússia. Os grupos blindados alemães ficaram quase parados, permitindo que às forças soviéticas recuar e reorganizar-se.Guderian, p. 316.Clark, pp. 165–166.

As forças soviéticas viram uma oportunidade para contra-atacar em algumas situações. Por exemplo, a 4.ª Divisão Panzer caiu numa emboscada montada por Dmitri Leliushenko e o seu corpo criado à pressa, o 1.º Corpo Especial de Guardas de Infantaria, incluindo a 4.ª Brigada de Tanques de Mikhail Katukov, perto da cidade de Mtsensk. Os recém-fabricados tanques T-34 encontravam-se escondidos na vegetação quando os blindados alemães passaram por eles; entretanto, um grupo de soldados da infantaria soviética bloqueou o seu avanço, e os tanques soviéticos flanquearam os alemães destruindo os blindados Panzer IV. Para a Wehrmacht, o choque desta derrota foi tal que foi feita uma investigação. Guderian e as suas tropas descobriram que, para seu espanto, que os T-34 soviéticos eram praticamente imunes às armas dos blindados alemães. Como o general escreveu, "os nossos tanques Panzer IV com os seus pequenos canhões de 75 mm não conseguiam rebentar os T-34 ao atingir os motores pela traseira". Guderian também referiu nas suas memórias que "os russos já tinham aprendido algumas coisas".Guderian, p. 318. Em 2012, Niklas Zetterling contestou a noção de um grande revés alemão em Mtsensk, observando que apenas um grupo da 4.ª Divisão Panzer estava envolvido, enquanto a maior parte da divisão estava a combater em outro lugar, que ambos os lados retiraram-se do terreno após o combate ter terminado, e que os alemães apenas perderam seis tanques e ficaram com três danificados. Para os comandantes alemães como Hoepner e Bock, a acção foi inconsequente; a sua preocupação principal era a resistência vinda de dentro da bolsa e não de fora.

Outros contra-ataques vieram atrasar ainda mais a ofensiva alemã. O 2.º Exército, que operava a norte das forças de Guderia com o objectivo de cercar a Frente Bryansk, ficou sob forte pressão do Exército Vermelho apoiado pela força aérea.Bergström 2007, p. 91.