Miguel Januário de BragançaSegundo a tradição da Casa de Bragança, todos os seus entes dinásticos eram baptizados com os nomes próprios, seguido dos nomes dos três arcanjos - Miguel, Gabriel e Rafael. Após a implantação da República Portuguesa, em 1910, a lei recusa aos membros da Casa de Bragança o uso legal desses nomes da sua tradição familiar. (Kleinheubach, 19 de Setembro de 1853 – Seebenstein, 11 de Outubro de 1927) foi um pretendente miguelista ao trono português de 1866 a 1920. Era o único filho varão do Rei D. Miguel I e de sua esposa, a Princesa Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg.
Vida thumb|left|225px|O nascimento de Miguel Januário. Nascido em 19 de setembro de 1853, no Castelo de Kleinheubach, na Baviera, estado que na época pertencia à Confederação Germânica, atual Alemanha. A partir de Agosto de 1863 até 1867 teve como preceptor o Dr. António Joaquim Ribeiro Gomes de Abreu.Diccionario_Bibliographico_Portuguez_(Tomo_08_-_Suplemento_-_Letras_A-B), pág. 191 Tendo estudado no Colégio de São Clemente, em Metz, depois frequentou a Universidade de Innsbruck, no Tirol, na época Império Austro-Húngaro, atual Áustria. Foi nomeado alferes do décimo quarto Regimento de Dragões, tomando parte na campanha de ocupação da Bósnia.
Após a morte do seu pai, em 1866, foi reconhecido pelos apoiantes Miguelistas como herdeiro na pretensão ao trono de Portugal. Afirmou-se defensor da monarquia tradicional e opositor ao regime monárquico constitucional que estava em vigor. Foi pretendente ao trono durante os reinados de D. Luís I, D. Carlos I e D. Manuel II, mas sem nunca ter conseguido alcançar o trono que foi ocupado pelos Reis liberais da Casa de Bragança.
Foi agraciado em 1890, pelo imperador Francisco José I da Áustria, com o privilégio da extra-territorialidade.
Terá visitado apenas uma vez Portugal, clandestinamente. Desde a Convenção de Evoramonte em 1834 e a vitória dos exércitos da Quadrupla Aliança, apoiantes de D. Pedro IV, os descendentes do Rei D. Miguel I encontravam-se interditos de pisarem o território nacional pela Carta de Lei de 19 de dezembro de 1834.A lei previa a pena de morte como sanção para a entrada. Contudo, a lei ficou sem sanção pois a pena de morte foi abolida para os crimes políticos em 1852 e para os crimes civis em 1867. Na sequência do regicídio, a questão da revogação da lei de 1834, na parte em que impedia o regresso a Portugal do Senhor D. Miguel de Bragança, como era chamado na própria Câmara dos Pares pelos Pares e pelo Chefe do Governo Campos Henriques, foi discutida na sessão de 17 de março de 1909, podendo consultar-se em http://debates.parlamento.pt/catalogo/mc/cp2/01/01/01/007/1909-03-17. A Lei do Banimento do ramo Miguelista foi reforçada pela Lei da Proscrição logo após a implantação da República Portuguesa, que a tornou extensível a toda a família da Dinastia de Bragança, mas acabou por ser formalmente revogada pela Assembleia Nacional em 1950 (Lei n.º de 27 de Maio).
Para os partidários Miguelistas, a exclusão da posição sucessória ficou revogada em 1842 com a reposição da Carta Constitucional de 1826, que nunca conteve nem no texto original nem nos actos adicionais qualquer exclusão de D. Miguel I e dos seus descendentes.Documentos da Aclamação de El-Rei D. Duarte II, Lisboa, 1933, p. 7; José Augusto Vaz Pinto, "A Sucessão do Senhor D. Manuel II segundo a Carta Constitucional", A Voz, 2 de Setembro de 1932
Em 1912, Miguel Januário de Bragança terá alegadamente negociado o chamado Pacto de Dover com o Rei D. Manuel II,Documentos da Aclamação de El-Rei D. Duarte II, Lisboa, 1933. embora não existam quaisquer provas originais desse mesmo acordo. Tentava, desta forma, abrir um caminho à resolução definitiva de uma questão dinástica da monarquia em Portugal. Sendo duvidosa a existência desse "pacto", os seus descendentes tentaram ainda o alegado Pacto de Paris.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Miguel Januário integrou o exército austríaco, do qual se retirou quando Portugal entrou no conflito em 1916. Abdicou dos seus direitos sucessórios em favor do seu filho Duarte Nuno de Bragança, em Bronnbach, a 31 de julho de 1920, a pedido de uma comissão de monárquicos representantes do ramo Miguelista e da Junta Central do Integralismo Lusitano.
Veio a falecer em Seebenstein, na Áustria, em 11 de outubro de 1927.
Casamento e descendência NomeRetratoNascimentoCônjugeMorte Com Isabel de Thurn e TaxisMiguel Maximiliano 140px 22 de setembro de 1878Reichenau an der Rax Anita Stewart3 filhos 21 de fevereiro de 1923 44 anos Francisco José 140px 7 de setembro de 1879Merano ㅤ 15 de junho de 1919 39 anos Maria Teresa 140px 26 de janeiro de 1881Sopron Carlos Luís de Thurn e Taxis22 de maio 19001 filho 17 de janeiro de 1945 64 anos Com Maria Teresa de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg Isabel Maria 140px 19 de novembro de 1894Kleinheubach Francisco José, 9.º Príncipe de Thurn e Taxis5 filhos 12 de janeiro de 1970 75 anos Maria Benedita 140px 12 de agosto de 1896Kleinheubach 6 de abril de 1971 74 anos Mafalda 140px 14 de outubro de 1898Castelo de Ankenstein 17 de outubro de 1918 20 anos Maria Ana 140px 3 de setembro de 1899Castelo de Fischhorn Carlos Augusto de Thurn e Taxis18 de agosto de 19214 filhos 23 de junho de 1971 71 anos Maria Antónia 140px 12 de março de 1903Viareggio Sidney Ashley Chanler13 de junho de 19343 filhos 6 de fevereiro de 1973 69 anos Filipa 140px 27 de julho de 1905Fischhorn 6 de julho de 1990 84 anos Duarte Nuno 140px 23 de setembro de 1907Castelo de Seebenstein Maria Francisca de Orléans e Bragança15 de outubro de 19423 filhos 24 de dezembro de 1976 69 anos Maria Adelaide 140px 31 de janeiro de 1912Saint-Jean-de-Luz Dr. Nicolaas van Uden13 de outubro de 1945 6 filhos 24 de fevereiro de 2012 100 anos
Tendo Miguel Maximiliano de Bragança sido obrigado a renunciar por ter casado com uma cidadã americana e tendo também Francisco José de Bragança sido obrigado a renunciar por ter estado envolvido numa série de incidentes, desde escândalos homossexuais a extorsões de jóias e dinheiro, as pretensões recaíram em favor do seu irmão, Duarte Nuno.
Títulos reivindicados Miguel Januário de Bragança, durante a sua vida, foi pretendente aos seguintes títulos: Rei de Portugal Infante de Portugal Príncipe Real de Portugal Duque de Bragança Duque de Barcelos Marquês de Vila Viçosa Conde de Arraiolos Conde de Barcelos Conde de Neiva Conde de Ourém
Ver também Lei do Banimento do ramo Miguelista Questão dinástica portuguesa Maldição dos Braganças
Bibliografia EUSTÁQUIO, Victor; "Casas Reais Europeias - Portugal"; Lisboa, Maio de 2004; ISBN 972-9476-43-8
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