thumb|direita|A mina da Passagem thumb|direita|Museu da Mina da Passagem A Mina da Passagem é uma das maiores minas ainda existentes para visitação no mundo, localizada no município brasileiro de Mariana, na área do Quadrilátero Ferrífero, no estado de Minas Gerais. Situada no distrito de Passagem de Mariana e com cerca de de extensão, a Mina da Passagem é a maior mina dessa região com os seus de túneis, com lagos subterrâneos de águas cristalinas.
No ano de 1729 foram descobertas as primeiras jazidas da mina, que só começaram a ser exploradas mais de 100 anos depois. Durante o ciclo do ouro em Minas Gerais pelos portugueses e ingleses que chegaram a extrair 35 toneladas de ouro. A mina foi paralisada em 1954, mas foi reaberta para visitação na década de 1970. Nos dias de hoje a mina é utilizada para turismo, é um dos maiores pontos de encontro de mergulhadores de cavernas no Brasil. Mas a mina também é um grande campo para pesquisadores que vem de diversas instituições de vários lugares do mundo para realizar pesquisas sobre os segredos e mistérios ainda não descobertos no seu interior.
História As primeiras ocorrências auríferas na região da atual Mina da Passagem foram identificadas em 1729, durante o período de expansão da mineração no interior da Capitania de Minas Gerais. A descoberta das jazidas contribuiu para o desenvolvimento do povoado de Passagem, situado entre as atuais cidades de Mariana e Ouro Preto, em uma área que se tornou um dos principais centros de produção de ouro do Brasil colonial.
Durante os séculos XVIII e início do XIX, a exploração das jazidas foi realizada por meio de técnicas tradicionais de mineração subterrânea empregadas pelos colonizadores portugueses. As atividades dependiam principalmente da mão de obra escravizada e do trabalho manual para a abertura de galerias, escavação dos veios auríferos e beneficiamento do minério.
A partir da segunda metade do século XIX, a mina passou a ser operada por empresas de capital britânico, que introduziram tecnologias mais avançadas para a época, incluindo sistemas mecanizados de extração, bombeamento e ventilação. Sob administração inglesa, a Mina da Passagem tornou-se uma das mais importantes operações de mineração subterrânea de ouro do Brasil, alcançando maior profundidade e produtividade do que durante o período colonial.
Ao longo de mais de dois séculos de atividade, estima-se que a mina tenha produzido aproximadamente 35 toneladas de ouro. A exploração mineral foi gradualmente reduzida durante a primeira metade do século XX em razão do aumento dos custos operacionais e da diminuição da viabilidade econômica das reservas remanescentes. As atividades de extração foram definitivamente encerradas em 1954.
Na década de 1970, a antiga mina foi adaptada para fins turísticos e culturais, passando a receber visitantes interessados em sua história, geologia e patrimônio industrial. Desde então, a Mina da Passagem consolidou-se como uma das principais atrações relacionadas à mineração histórica em Minas Gerais.
A Mina da Passagem é considerada um dos mais importantes patrimônios históricos da mineração brasileira. Sua relevância está associada à preservação de estruturas ligadas à exploração aurífera desenvolvida ao longo de mais de dois séculos, abrangendo diferentes períodos da história da mineração em Minas Gerais, desde o ciclo do ouro colonial até a introdução de tecnologias industriais durante o século XIX. Entre os elementos preservados destacam-se extensas galerias subterrâneas, poços de mineração, trilhos utilizados para transporte de minério, equipamentos históricos e estruturas associadas ao beneficiamento aurífero. Esses remanescentes permitem compreender as condições de trabalho, os métodos de lavra e os avanços tecnológicos empregados ao longo da exploração mineral. A preservação das galerias e estruturas remanescentes contribui para a valorização do patrimônio industrial brasileiro, permitindo a conservação de um dos mais representativos conjuntos históricos relacionados à mineração de ouro no Quadrilátero Ferrífero.
Geologia A Mina da Passagem está localizada no setor sudeste do Quadrilátero Ferrífero, uma das mais importantes províncias minerais do mundo, situada na região central de Minas Gerais. O Quadrilátero Ferrífero é conhecido por suas extensas jazidas de minério de ferro e ouro, concentradas em rochas arqueanas e paleoproterozoicas que registram parte significativa da evolução geológica do Cráton do São Francisco.
As mineralizações auríferas da mina estão associadas principalmente às rochas da Formação Batatal, pertencente ao Grupo Caraça do Supergrupo Minas. Essas unidades geológicas são constituídas por metassedimentos submetidos a eventos tectônicos e metamórficos que favoreceram a circulação de fluidos mineralizantes responsáveis pela concentração do ouro. O depósito mineral da Mina da Passagem é classificado como um sistema de veios de ouro-quartzo-turmalina. Os corpos mineralizados são compostos predominantemente por quartzo branco, ankerita, turmalina, sericita e sulfetos, destacando-se a arsenopirita como principal mineral associado ao ouro. Também ocorrem, em menores proporções, pirita, pirrotita, calcopirita, galena e outros sulfetos metálicos.
Além dos veios mineralizados, o ouro ocorre associado a turmalinitos estratiformes, rochas ricas em turmalina que constituem uma característica geológica marcante da mina. Estudos realizados por pesquisadores da Universidade de São Paulo identificaram teores elevados de ouro nessas unidades, tornando-as importantes para a compreensão da gênese do depósito mineral.
Os principais processos hidrotermais identificados na área incluem silicificação, sulfetação e turmalinização, que contribuíram para a formação e o enriquecimento das mineralizações auríferas. Essas características fazem da Mina da Passagem um dos depósitos de ouro mais estudados do Quadrilátero Ferrífero e um importante local para pesquisas geológicas e metalogenéticas no Brasil.
Turismo Desde a década de 1970, a Mina da Passagem é utilizada para fins turísticos, constituindo uma das principais atrações históricas e geológicas da região de Mariana e Ouro Preto. A visitação permite o acesso a parte das galerias subterrâneas da antiga mina de ouro, proporcionando aos visitantes uma experiência relacionada à história da mineração aurífera em Minas Gerais.O acesso ao interior da mina é realizado por meio de um trolley instalado sobre trilhos, utilizado originalmente durante as atividades de mineração. O percurso possui aproximadamente 315 metros de extensão e conduz os visitantes a cerca de 120 metros de profundidade, onde podem ser observadas galerias, salões subterrâneos e estruturas remanescentes da exploração mineral.
Um dos principais atrativos da mina é o lago subterrâneo formado pelo acúmulo de água proveniente dos aquíferos locais após a interrupção dos sistemas de bombeamento utilizados durante a fase de exploração mineral. O lago ocupa parte das galerias inundadas e constitui uma das características mais conhecidas do complexo subterrâneo. A mina também é utilizada para atividades de mergulho em cavernas, realizadas por operadores especializados mediante agendamento. Os mergulhos ocorrem em trechos alagados das galerias subterrâneas e atraem praticantes de mergulho técnico de diversas regiões do Brasil. Segundo informações da administração da mina, a visibilidade subaquática pode atingir dezenas de metros em determinadas condições, favorecendo a exploração dos túneis inundados.
Além do turismo histórico e do mergulho, a Mina da Passagem é frequentemente utilizada para atividades educacionais e pesquisas relacionadas à geologia, mineração, patrimônio industrial e hidrogeologia, recebendo estudantes, pesquisadores e instituições de ensino interessadas em sua relevância histórica e científica.
Ligações externas
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