O Banco Espírito Santo (conhecido como BES), foi um banco privado português, cujas origens remontam ao ano de 1869. Site Oficial BES, recuperado 10 de abril 2014 Sediado na Avenida da Liberdade, em Lisboa, o BES chegou a ser a segunda maior instituição financeira privada em Portugal em termos de activos líquidos (80 700 milhões de euros em março de 2011), com uma participação média de mercado de 20,3% em Portugal e 2,1 milhões de clientes. Junho 2011 Antes de transformado em Novo Banco chegou a ser o maior banco privado de Portugal.BES ultrapassa BCP como maior banco privado português
História As origens do Banco Espírito Santo remontam à atividade comercial de lotarias, câmbios e títulos de crédito que José Maria do Espírito Santo Silva (Lisboa, 1850-1915) exerceu, entre 1869 e 1884, em Lisboa. Datam de 1869 as primeiras referências ao comércio que este “patriarca da única dinastia de banqueiros portugueses” exercia, por conta própria, de compra e venda de lotarias, a par da transacção de títulos de crédito nacionais e internacionais, na sua “Caza de Cambio”, situada na Calçada do Combro, em Lisboa. Desde esta data até 1920, sucedeu-se a fundação de várias casas bancárias, tais como, a Beirão, Silva Pinto & C.ª, (1884-1897), Silva, Beirão, Pinto & C.ª (1897-1911), J. M. Espírito Santo Silva (1911) e J. M. Espírito Santo Silva & C.ª (1911-1915). recuperado 10 de agosto 2011
Após a morte de José Maria do Espírito Santo Silva a 23 de dezembro de 1916, estas casas foram dissolvidas e os seus herdeiros fundaram a Casa Bancária Espírito Santo Silva & C.ª, gerida pelo filho José Ribeiro do Espírito Santo Silva que, a 9 de Abril de 1920, transforma a Casa Bancária em Banco. No mesmo dia é inaugurada a agência de Torres Vedras, primeiro passo com o objectivo de “levar cada vez mais perto dos clientes os serviços bancários”.
Na década de 20, período de convulsões políticas, económicas e sociais, que conduzem alguns bancos à falência, o BES reforça a sua posição no contexto da banca nacional, e em 1926 integra o grupo das cinco maiores instituições bancárias privadas. Em 1932, com o novo modelo de gestão implementado por Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva, eleito nesse mesmo ano para a Presidência do Conselho de Administração, inicia-se uma fase de consolidação e expansão da empresa que, em 1936, se assume na liderança da banca privada nacional. Em 1937 o BES funde-se com o Banco Comercial de Lisboa (instituição criada em 1875), dando origem ao Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa (BESCL). Site BES, recuperado a 14 abril 2014
Em 1955 Manuel Ribeiro do Espírito Santo Silva, por falecimento do irmão, Ricardo do Espírito Santo, ocorrido a 2 de fevereiro desse ano, assume o lugar de Presidente do Conselho de Administração. O BESCL tem na década de 1950 um empenho ativo na internacionalização da economia portuguesa, e acompanha esta expansão com uma política de continuidade na abertura de agências: 47 em 1960 para 82 em 1966. Site Oficial do BES, recuperado a 14 abril 2014
A 7 de Agosto de 2008, uma agência do BES de Campolide em Lisboa foi alvo de assalto por dois imigrantes ilegais de nacionalidade brasileira com sequestro de seis reféns incluindo a gerente do banco. Após quase 9 horas de negociações, o assalto terminou com a intervenção do Grupo de Operações Especiais da Polícia de Segurança Pública, tendo ambos os assaltantes sido alvejados, um deles falecendo no local, e o outro sendo posteriormente condenado a prisão.
Em Julho de 2020, o antigo presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado é acusado pelo Ministério Público português por 65 crimes de corrupção e associação criminosa.
Internacionalização
Até meados de 1970 o BESCL reforçou as participações na área internacional com aquisições, parcerias e criação de bancos em países como os EUA, Angola, Reino Unido, entre outros. Em 1972 é cofundador do Libra Bank e no ano seguinte, associado ao First National City Bank of New York funda, em Luanda, o Banco Inter Unido. Site Oficial BES, recuperado a 15 abril 2014 Em 1973 Manuel Ricardo Espírito Santo Silva ascende ao cargo de Presidente do Conselho de Administração. Contudo a 14 de Março de 1975, em virtude do Decreto-Lei Nº 132-A, são nacionalizadas todas as instituições de crédito com sede no território português. Impedido de desenvolver a sua atividade em Portugal, o Grupo Espírito Santo (GES) tratou de refazer os seus interesses no exterior em países como o Brasil, Suíça, França e EUA. Ponto alto de desenvolvimento foi em 1975 a criação de uma holding sediada no Luxemburgo, sociedade que em 1984 deu origem ao Espírito Santo Financial Group (ESFG). recuperado 13 de julho 2011 (inglês)
O regresso a Portugal iniciou-se em 1986, após a retoma das atividades bancárias à iniciativa privada. Com o apoio do Crédit Agricole e de um núcleo duro de accionistas portugueses, entre eles Ricardo Salgado, que entre 1976 e 1982 participa a partir do estrangeiro na reconstrução do grupo, o GES cria o Banco Internacional de Crédito (BIC), tendo nesse mesmo ano formado a Espírito Santo Sociedade de Investimentos (ESSI) com a participação do UBS da Suíça e do Kredietbank S.A. Luxembourgeoise (KBL) do Luxemburgo.
Em 1990 o GES recupera a Companhia de Seguros Tranquilidade (onde a família tinha uma participação desde 1935) e em 1991 recupera o controlo do Banco Espírito Santo (perdido aquando da nacionalização da banca, em 1975). A 9 de Julho de 1991 realiza-se a operação de venda do BESCL, que na segunda fase da reprivatização passa a ser liderado pelo GES, ao qual se associa uma vez mais o Crédit Agricole, assegurando o crescimento sustentado do banco no futuro. Site Oficial BES, recuperado a 16 abril 2014 Em 1991, após a reprivatização, Ricardo Salgado assume a presidência executiva do Banco Espírito Santo e dá início a um percurso que conduziu a um aumento de quota de mercado de 8% para 20% e à internacionalização do BES. Site Oficial BES, recuperado a 16 abril 2014
Neste processo de reprivatização uma holding foi criada entre o ESFG e o Crédit Agricole, a BESPAR, detida a 67% e a 32% respectivamente, a qual passou a deter 42% do BES constituindo-se como o seu principal accionista, sendo que outros accionistas de referência são o próprio Crédit Agricole (8,8%), a Companhia de Seguros Tranquilidade Vida (6,14%) e o Bradesco (6,05%), entre outros, encontrando-se o restante capital cotado na Euronext. Juntamente com o Credit Agricole adquiriam o Banco Boavista no Brasil, que em 1999 causaram grandes prejuízos a clientes em fundos de investimentos administrados administrados pela BES DTVM, presidida pelo Ricardo Espírito Santo Salgado. Foram uma de série desmandos que privilegiaram as posições do banco em detrimento das posições dos clientes, considerando em países de primeiro mundo, crime financeiro. Logo depois desse fato o BACEN e CVM mudaram as regras de administração de carteiras de fundos de investimentos.
Em 1992 o BES passou a operar no mercado espanhol após a aquisição do Banco Industrial del Mediterrâneo, que muda a designação para BES (Espanha), e é criada a ESAF – Espírito Santo Ativos Financeiros. Os investimentos em Espanha foram consolidados através da integração das actividades da corretora Benito y Monjardin e da GES Capital. recuperado 02 de dezembro 2013
Em 1995, abriu em Macau o Banco Espírito Santo do Oriente (BESOR) que promovia produtos para empresa e começou a oferecer produtos para clientes private. Em França, em 1998, o BES desenvolveu a sua actividade através do BES Vénetie, onde tinha uma participação de 42,69%. Um ano depois, nos EUA, adquiriu o capital do Espírito Santo Bank cuja actividade de Private Bank era direcionada a clientes da América Latina, com foco no Brasil.
Crise de 2000 No final dos anos 1990, o BES associou-se ao Crédito Agrícola, assumindo o controlo acionário da instituição brasileira Banco Boavista. A gestão dessa situação por Ricardo Esprito Santo Salgado foi desastrosa e infligiu a investidores brasileiros, um enorme prejuízo nos fundos de investimentos administrados pela BES Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, ao investir em mercados de riscos elevadíssimos sem avisar os investidores do antigo Banco Boavista. Em dezembro de 1999 com a desvalorização do Real, somente 3 instituições que administravam fundos no Brasil imprimiram prejuízos aos quotistas. Desses, o Banco Marka e o Fonte Cidam pagaram a todos os investidores. O BES pela sua subsidiária Banco Boavista cometeu um crime contra a economia, provada pela declaração do seu presidente à época que declarou que o banco protegeu os recursos próprios aplicados nos fundos primeiramente em detrimento dos clientes. Foi um escândalo , que gerou processos na Polícia Federal, Banco Central e Ministério da Fazenda. Com a interferência do antigo presidente do Banco Central, Francisco Lopes e interesses da venda dos ativos do banco, foi tudo abafado pelas autoridades financeiras. Tal não aconteceu com o Fonte Cidam que os acionistas dispuseram de seus bens e pagaram os investidores e fechou as portas, já o Banco Marka presidido por Salvatore Cacciola conseguiu um empréstimo no Banco Central e pagou também todos os investidores, foi fechado e o presidente ficou na cadeia vários anos por não pagar o banco central.Com os administradores do BES e do BC nada aconteceu, venderam o controle acionario ao Banco Bradesco e tudo foi abafado, como muitos crimes do Brasil.
Em 2001 foi constituído o Banco Espírito Santo Angola, um banco de direito angolano. Site BESA, recuperado a 16 abril 2014
O Grupo BES esteve presente em 25 países e 4 continentes, através de sucursais, escritórios de representação ou empresas participadas, fazendo do Grupo o mais internacional dos grupos financeiros portugueses. Site Oficial BES, recuperado a 22 abril 2014 A internacionalização do BES foi impulsionada por Ricardo Salgado, com a aposta no triângulo estratégico África, Brasil e Espanha. Em 2014 esta área internacional pesava metade dos lucros da instituição. Diário Económico, publicado a 24 de julho de 2011
Operações Em 2012, o banco liderado por Ricardo Salgado, foi o único dos três maiores bancos privados portugueses a aumentar capital recorrendo apenas aos acionistas e ao mercado de capitais, sem recorrer ao dinheiro dos contribuintes. Em Janeiro de 2013 o BES foi o único banco português a gerir a operação que marca o regresso de Portugal aos mercados desde que o país foi alvo de intervenção da troika.
Em 2013, o grupo BES passou a liderar a banca portuguesa na satisfação de clientes, de acordo com o Índice Nacional de Satisfação de Clientes – ECSI Portugal. Diário Económico, publicado a 14 março 2014 Este estudo é um sistema de medida da qualidade de bens e serviços disponíveis no mercado português, que avalia a banca ao nível da qualidade dos produtos e serviços, da relação qualidade/preço, do atendimento, da preocupação e capacidade de aconselhamento, da rapidez na resposta a pedidos, da qualidade das agências, da Inovação, e da Comunicação. Site Oficial ECSI Portugal, recuperado a 02 maio 2014
Em Junho de 2014, o BES levou a cabo uma operação de aumento de capital, considerada por Ricardo Salgado como a de “maior sucesso desde a sua privatização em 1992”, contando com a participação de cerca de 150 investidores institucionais, e resultando numa procura 178% superior à oferta disponível.Jornal de Negócios, Ricardo Salgado: "Foi o aumento de capital com mais sucesso desde 1992"
Crise de 2014 miniaturadaimagem|Foto do banqueiro Ricardo Salgado.