O Patriota (PATRI) foi um partido político brasileiro conservador e religioso de direita à extrema-direita fundado em 2011 e registrado definitivamente em 2012. Seu nome anterior era Partido Ecológico Nacional (PEN), utilizado pelos membros até agosto de 2017 e alterado oficialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em abril de 2018. Em março de 2019, o Patriota incorporou o extinto Partido Republicano Progressista (PRP) ao mesmo tempo, deixou de utilizar a sigla "PATRI".
Em outubro de 2022, em convenção nacional, o partido decidiu se fundir com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), depois de não ter atingido a cláusula de barreira nas eleições gerais no Brasil em 2022, para formar o partido Partido Renovação Democrática (PRD). A fusão foi homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 9 de novembro de 2023.
Ideologia Inicialmente, o então PEN se declarava um partido ambientalista. Desde a renomeação, o partido passou a defender o aumento no investimento das forças armadas e a segurança pública e a adoção do modelo econômico liberal para ajudar no desenvolvimento econômico do país.
Com a candidatura de Cabo Daciolo, deputado que se tornou conhecido após os debates presidenciais de 2018 por sua personalidade distinta e falas polêmicas, o partido adotou uma nova agenda religiosa e militarista. Em 2020, com a candidatura de Arthur do Val à Prefeitura de São Paulo, o partido passou a ter então uma ala minoritária associada ao MBL e ao liberalismo, apesar de ser conservador e apoiador de Jair Bolsonaro.
História O partido foi fundado em 9 de agosto de 2011. Seu primeiro presidente do partido era ligado à Assembleia de Deus, mas o Partido acolhe filiados de todos os credos. Para a eleição presidencial de 2014, e no momento de sua fundação, a agremiação partidária tinha interesse em atrair a candidatura de Marina Silva, caso o registro do partido Rede Sustentabilidade (REDE) não obtivesse sucesso. Entretanto, a política optou pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Consequentemente o partido acabou entrando para a coalizão Muda Brasil, liderada pelo PSDB, partido do então candidato a presidência Aécio Neves e naquele ano o PEN só conseguiu eleger dois parlamentares. Adilson Barroso, presidente e fundador do partido, não conseguiu o número necessário de votos para se eleger ao cargo de deputado federal. Nas eleições estaduais, o PEN participou de várias coligações amplas, ajudando a eleger onze governadores e nove senadores de diversos partidos, que compõem o governo federal ou que fazem oposição a ele.
Em 2016, o Partido Ecológico Nacional protocolou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a prisão em segunda instância, como também fez a Ordem dos Advogados do Brasil. O entendimento favorável à possibilidade de prisão obtido em fevereiro foi mantido em outubro, ou seja, foi aprovado em duas ocasiões por maioria dos ministros. A sentença foi vista pela sociedade como uma aliada na luta contra a impunidade, tendo apoio da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Associação Nacional dos Procuradores da República, Associação dos Magistrados do Brasil, Procuradoria-Geral da República, juiz federal Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato. Posteriormente, no entanto, esse entendimento seria derrubado.
Mudança de nome esquerda|miniatura|181x181px|Logo do partido antes de mudar de nome. No segundo semestre de 2017, após o Partido Social Democrata Cristão (PSDC) negar interesse em filiar o político Jair Bolsonaro, este e o partido anunciaram a filiação dele ao PEN. Somado a isso, foi posta no perfil do partido no Facebook uma enquete para sugerir um novo nome para o PEN. Dentre as cinco opções dadas, havia a continuação do nome, a homenagem ao Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) e outras três novas denominações: Pátria Amada Brasil (PAB), Patriotas e Republicanos.
Em 10 de agosto o comando nacional optou pela nova denominação Patriota. Em 26 de setembro de 2017, no contexto da crise político-econômica de 2014, o PEN entrou com pedido de alteração de nome e sigla junto ao TSE, visando se descolar da crise política. A autorização pelo TSE foi obtida em 26 de abril de 2018, sendo rejeitada a contestação da organização política Patriotas (de sigla PATRI também) que buscava registrar-se como partido político no tribunal.
Após um conflito interno, em janeiro de 2018, Jair Bolsonaro desistiu da filiação ao Patriota e optou por se filiar ao Partido Social Liberal (PSL). Entretanto, o partido manteve a proposta de mudança de nome e estatuto. Adilson Barroso, presidente do partido, também falou na possibilidade de duas outras opções se candidatarem a presidência da república, como o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e o cirurgião plástico Dr. Rey, que era filiado ao partido desde 2014. No entanto, acabou lançando como candidato o ex-bombeiro e deputado Cabo Daciolo à presidência. Daciolo recebeu 1.348.323 votos (1,26%), terminando em 6º lugar, ficando a frente de candidatos fortes como Marina Silva, Alvaro Dias e Henrique Meirelles.
Logo após a instituição do novo estatuto partidário do Patriota, muitos políticos e militantes não concordaram com alguns preceitos. O deputado Walney Rocha (PATRI-RJ) e o deputado Júnior Marreca (PATRI-MA), este último aliado do governador do Maranhão Flávio Dino (atualmente no PSB), atacaram a regra que proibia que candidatos do partido se aliassem com partidos de extrema-esquerda, e chegaram a protocolar uma ação judicial que barrava a instituição do novo estatuto.
Devido a não superarem a cláusula de barreira nas eleições de 2018, ficando sem acesso ao fundo partidário, o Partido Republicano Progressista (PRP) foi incorporado pelo Patriota, de forma que assim, juntos alcançaram o limiar mínimo exigido para acesso ao fundo partidário. Em 28 de março de 2019, o plenário do TSE aprovou a incorporação do PRP ao Patriota e a solicitação para deixar de usar a sigla "PATRI".
Nas eleições municipais de 2020, o partido elegeu 49 prefeituras e 719 vereadores. O partido, naquele ano, abrigou o deputado estadual Arthur do Val, que concorreu à prefeitura de São Paulo, assim como candidatos ligados ao Arthur e ao Movimento Brasil Livre (MBL). No ano seguinte, em meio à filiação de Flávio Bolsonaro e às novas tratativas para a filiação do agora presidente da República, Jair Bolsonaro, Rubinho Nunes, membro do MBL e vereador de São Paulo, saiu do Patriota e foi para o PSL.
A tentativa de filiação dos Bolsonaro, no entanto, abriu uma guerra político-jurídica interna no partido. Em fins de maio, o então presidente, Adílson Barroso, promoveu uma convenção para realizar mudanças no estatuto partidário, na diretoria, e anunciar a possibilidade de filiação de Jair Bolsonaro. No entanto, membros da Executiva do partido, sobretudo advindos do antigo PRP, contestaram o cumprimento dos ritos estatutários necessários para que essas mudanças fossem realizadas. Assim, ingressaram como ação judicial, onde obtiveram decisão liminar para anular os registros efetuados por Adílson Barroso. Paralelamente, convocaram outra convenção onde decidiram afastar por 90 dias o presidente do partido, assumindo em seu lugar o vice-presidente, Ovasco Resende, que era o presidente do antigo PRP. Com a disputa interna, a ida de Bolsonaro para a legenda foi novamente descartada.
Fusão
Em 2022, o partido não conseguiu superar a cláusula de barreira nas eleições gerais. Consequentemente, em 26 de outubro de 2022, foi aprovada, em convenção nacional, a sua fusão com o partido PTB, para o partido resultante continuar recebendo recursos do fundo partidário e tenha acesso ao tempo de propaganda eleitoral na televisão e rádio. O novo partido é o chamado Partido Renovação Democrática (PRD), usando o número 25. A fusão foi homologada peloTribunal Superior Eleitoral em 9 de novembro de 2023.
Organização Parlamentares à época da incorporação
Deputados federais à época da incorporação (4)https://www.camara.leg.br/deputados/bancada-atual UF Deputado(a) Imagem MA Marreca Filho — MG Dr. Frederico 80px|Dr. Frederico MG Fred Costa 80px|Fred CostaMGPedro Aihara
Deputados estaduais à época da incorporação (21) UF Deputado(a) UF Deputado(a) AM Felipe Souza* PA Raimundo Santos AM Josué Neto* PB Wallber Virgolino BA Josafá Marinho+ PB Janduhy Carneiro+ CE Elvilo Araújo+ RJ Célia Jordão*+ ES Capitão Assumção* RJ Elton Cristo*+ ES Marcos Madureira*+ RJ Val Ceasa ES Rafael Favatto RO Marcelo Cruz* GO Amauri Ribeiro* RR Odilon Filho MG Doorgal Andrada RR Nilton do Sindpol MG Dr. Paulo SP Arthur do Val* MS Lidio Lopes
Número de filiados Data Filiados Crescimento anualdez./2012 248 248 +100%dez./2013 7.735 7.487 +3.019%dez./2014 12.520 4.785 +62%dez./2015 39.412 26.892 +15%dez./2016 72.645 33.233 +84%dez./2017 75.397 2.752 +4%dez./2018 80.019 4.622 +6%dez./2019 310.906 230.887 +88,5%dez./2020 337.065 26.159 +8%dez./2021 330.157 6.908 -2%dez./2022 326.510 3.647 -1,1%
Desempenho eleitoral Eleições municipais
+ Prefeitos Eleição Mandatos % ±2016 0,23 2020 0,89
+ Vereadores Eleição Mandatos % ±2016 0,90 2020 1,26
Eleições estaduais
+ Governadores Eleição Mandatos % ±2014 40,7 2018 25,9
+ Senadores Eleição Mandatos % ±2014 33,3 2018 27,7
+ Deputados Federais Eleição Mandatos % ±2014 0,38 13,0 2018 0,97 4,67
+ Deputados Estaduais Eleição Mandatos % ±2014 1,41 7,93 2018 1,51 3,58