(; ) foi um grande mártir cristão que viveu no . Durante a Idade Média, ele se tornou um dos mais importantes santos militares ortodoxos, aparecendo junto com São Jorge.
Etimologia O nome "Demetrius" é uma romanização da pronúncia do grego antigo; a pronúncia bizantina e em grego moderno é romanizada como Dimitrios.
Na Igreja Ortodoxa Russa, ele é chamado de (Dimitri Solunski, "Dimitri de Saloniki"). O primeiro mosteiro eslavo dedicado ao santo foi fundado por , na Ucrânia, (cujo nome de batismo era Dimitri). Na Igreja Ortodoxa Búlgara, ele é conhecido como (Dimitrovden). Na Igreja Ortodoxa Sérvia, ele é chamado de Mitar ou . No Líbano, os cristãos o conhecem como Mar Dimitri ou somente como Mitri, que é um nome popular na região.
Vida Os primeiros relatos escritos sobre sua vida foram compilados no , embora existam imagens anteriores e relatos do de seus milagres. Os hagiógrafos retratam Demétrio como um jovem oriundo de uma família senatorial que foi martirizado com lanças por volta de em Tessalônica durante a perseguição de Diocleciano ou de Galério.
Veneração thumb|esquerda|200px|Relíquias de São Demétrio, na Igreja de São Demétrio, em Salonica O origem de sua veneração é obscura. A primeira evidência aparece 150 anos após o seu martírio e, por sua, a própria existência histórica de Demétrio já foi questioandaSkedros 1996.
Uma teoria defende que a sua veneração foi transferida de Sirmio quando Tessalônica tomou seu lugar como principal base militar na região em 441/442 Sua enorme igreja em Tessalônica, a Igreja de São Demétrio, data de meados do , o que indica que já nesta época ele tinha um grande número de devotos. A cidade permaneceu como centro de sua veneração e ele é o santo padroeiro da cidade.
Conforme a devoção aumentava, a cidade de Tessalônica sofreu repetidos ataques e cercos dos eslavos que estavam então migrando pelos Balcãs e Demétrio foi creditado com diversas intervenções milagrosas em defesa da cidade. Por isso, as tradições subsequentes o representam como um soldado do exército romano e ele passou a ser considerado como um mártir militar. Por conta disso, ele se tornou extremamente popular durante a Idade Média e, juntamente com São Jorge, era o patrono das Cruzadas.
Alguns acadêmicos acreditam que quatro séculos após a sua morte, São Demétrio não tinha nenhuma relíquia física e, por isso, um pouco usual templo vazio chamado cibório foi construído na Igreja de São Demétrio. O que hoje se alega serem as suas relíquias apareceram posteriormente em Tessalônica, mas o arcebispo local (João de Tessalônica, do ) descartou publicamente a sua autenticidadeCormack p. 75. Apesar de tudo, elas também estão preservadas na Igreja de São Demétrio. De acordo com os crentes, elas foram confirmadas como genuínas após passarem a gotejar mirra líquida e de cheiro forte. A partir daí, o santo recebeu também o epíteto de "Myrovlētēs" (, "o que exala mirra").
Na Igreja Ortodoxa Russa, o sábado anterior à Festa de São Demétrio é o dia da memória em honra aos soldados mortos na Batalha de Kulikovo (1380), sob a liderança de São Demétrio do Don, uma data também conhecida como sábado de Demétrio.
Iconografia thumb|200px|Deesis com São Jorge matando o dragão no seu cavalo branco à esquerda e São Demétrio matando Lieu em seu cavalo escuro à direita.Ícone grego. São Demétrio foi inicialmente representado em ícones e mosaicos como um jovem em trajes romanos decorados e com o representativo tablion da classe senatorial no peito. Após as milagrosas intervenções militares em Tessalônica, ele gradualmente passou a ser representado como um soldado: um marfim constantinopolitano do final do o mostra como um soldado de infantaria (atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque). Contudo, um ícone do final do no Mosteiro de Santa Catarina, no Sinai, o mostra ainda como um civil.
Outro ícone no Sinai, do período cruzado e pintado por um artista francês trabalhando na Terra Santa na segunda metade do , mostra-o naquela que se tornaria a representação mais comum: Demétrio, barbado, já maduro montado num cavalo escuro, cavalgando juntamente com São Jorge, imberbe e num cavalo branco. Ambos estão vestidos como cavaleiros medievais. Além disso, enquanto São Jorge geralmente aparece atacando o dragão com sua lança, São Demétrio aparece atacando, também com uma lança, o gladiador que, segundo a história, era responsável pela morte de muitos cristãos. Lieu aparece geralmente sob os pés de Demétrio, já derrotado, e numa escala muito menor que a do santo. Na hagiografia tradicional, Demétrio não matou diretamente Lieu, mas sim seu discípulo Nestor com a ajuda das preces do santo.
O convenção iconográfica grega moderna representa Demétrio com a "Grande Torre Branca" ao fundo. Anacronisticamente, a Torre Branca funciona como uma representação simbólica da cidade, mesmo tendo sendo construída apenas no , séculos após a sua morte, e a forma correta da torre mais antiga que estava no local seja desconhecida. Ele também aparece geralmente segurando uma igreja ou protegendo a cidade.
Ver também São Lupo, mártir que teria sido servo de Demétrio.
Bibliografia
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Ligações externas
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