A tese das colônias de povoamento e exploração é, na historiografia do colonialismo, uma separação conceitual entre as colônias destinadas à habitação permanente dos colonos e aquelas colônias destinadas somente a extração de recursos. A divisão é utilizada para explicar o destino diferente das colônias após a descolonização: as de povoamento, cujos recursos permaneceram no território colonial, tornar-se-iam os países ricos do Novo e Novíssimo Mundo, enquanto as de exploração, cujos recursos materiais seriam transferidos para as metrópoles, além da presença da escravidão e outros sistemas opressivos, seriam hoje regiões subdesenvolvidas.
Historiografia Referências primitivas à ideia encontram-se na obra de Adam Smith. Em seu A Riqueza das Nações de 1776, escrito contemporaneamente à Revolução Americana, Smith baseia-se na oposição do conceito de colônia na Roma antiga () e o grego apoikia (). Segundo ele, a colônia romana é praticamente uma plantation moderna, enquanto o modelo grego pressuponha um distanciamento físico, representado pela maior independência política das colônias gregas.: "" as colônias que foram esquecidas pelos colonizadores se sairiam melhor, enquanto a maior atenção que a Coroa espanhola devotava às suas colônias americanas lhes eram prejudiciais.
O primeiro autor a fazer uma tipologia completa dos tipos de colônias, trazendo essa divisão, foi o historiador alemão Arnold Herrmann Ludwing Heeren. Em um livro publicado em 1812, Heeren separa as colônias em quatro tipos: aquelas de povoamento e exploração, além das de mineração e mercantil. Seu aluno, Wilhelm Georg Friedrich Roscher, integraria as colônias de mineração às de exploração e acrescentaria ainda outro tipo: as colônias de conquista, voltadas a exploração dos nativos.
Pierre Paul Leroy-Beaulieu, um apologista da colonização francesa, reconhece em sua obra de 1902 três tipos: povoação, exploração e os entrepostos ou feitorias (), tais como Hong Kong ou Cingapura. Leroy-Beaulieu foi uma das principais influências do teórico brasileiro Caio Prado Júnior. Em sua obra Formação do Brasil Contemporâneo de 1942, Caio Prado distingue que o povoamento nas zonas temperadas, como no norte da América, que se deu por motivos diversos do projeto colonial, como os refugiados religiosos, além do excedente populacional da Inglaterra.: "resíduos das lutas político-religiosas da Europa" Já nas zonas tropicais, os europeus só viriam para comandar o trabalho de outros (primeiramente indígena, mas depois também importado da África). Como parte do pacto colonial, toda a produção e investimentos feitos no Brasil teriam como objetivo unicamente a exportação, com correspondente desvalorização do mercado interno.
A divisão dualista entre colônias de exploração e povoamento foi consagrada nos livros didáticos brasileiros, voltados para o ensino de história no ensino médio. Nestas obras, é comum apresentar um conjunto de características relacionadas às duas tipologias clássicas, como por exemplo no quadro demonstrativo abaixo: +Colônia de exploraçãoColônia de povoamentoCondições naturaisSolo e clima adequados ao cultivo de gêneros tropicaisSolo e clima semelhantes aos da metrópoleSistema de produçãoPlantation (latifúndio, monocultura), mão de obra escrava, produção para exportaçãoMinifúndio, policultura, mão de obra familiar, produção para o mercado internoExemplosBrasil; América espanhola; colônias inglesas no sul da América do Norte (Sul dos Estados Unidos)Colônias inglesas no norte (Canadá) e centro da América do Norte O historiador Leandro Karnal, em livro sobre a história dos Estados Unidos, vai dizer que a divisão das colônias de povoamento e exploração é tão fantasiosa quanto a doutrina do destino manifesto na consciência americana.
Posteriormente, Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson, principais autores da teoria do institucionalismo do desenvolvimento econômico, métodos econométricos modernos, buscaram medir o impacto das formas diferentes de colonização nas estatísticas sócio-demográficas das sociedades contemporâneas. Os autores concluem pela divisão entre "Estados extrativistas", que seriam equivalentes às colônias de exploração, e outros que reproduziriam as instituições europeias.
Bibliografia
Categoria:Colonialismo