Antara ibne Xadade Alabeci (; Négede, — Hail, ) também conhecido como Antara (عنتر), foi um poeta árabe pré-islâmico e cavaleiro pertencente à tribo árabe dos abecitas, famoso tanto por sua poesia quanto por sua vida aventureira. Seu principal poema faz parte da Mu'allaqāt, a coleção de sete "odes penduradas" que se diz terem sido suspensas na Caaba em Meca. O relato de sua vida serve de base para um romance longo e extravagante.

Biografia Primeiros anos Antara nasceu em Négede, na península Arábica. Seu pai era um árabe, Xadade Alabeci, guerreiro respeitado da tribo dos abecitas sob o comando de seu chefe Zuair. Sua mãe era uma mulher etíope chamada Zabiba. Descrito como um dos três "corvos árabes" (Aghribah al-'Arab) — árabes famosos por sua tez escura, Antara também cresceu como escravo. Ele se apaixonou por sua prima Abla, mas não podia esperar se casar com ela devido à sua condição social. Ele também ganhou a inimizade de Sumaia, a esposa de seu pai. Conquistou atenção e respeito por suas qualidades pessoais e coragem em batalha, destacando-se como um poeta talentoso e um poderoso guerreiro.

Conquistando sua liberdade thumb|esquerda|Antara e Abla retratados em uma estampa tatuada egípcia do Ele conquistou sua liberdade depois que a tribo dos taiítas invadiu as terras dos abecitas no início do conflito resultante de uma aposta de corrida de cavalos entre o chefe dos abecitas e o chefe dos dubianitas. Quando o pai lhe disse: “Antara, lute ao lado dos guerreiros”, ele respondeu: “o escravo não sabe atacar nem se defender, mas só serve para ordenhar cabras e servir aos seus senhores”. Seu pai respondeu-lhe: “Defenda sua tribo e você ganhará a liberdade”. Assim, ele lutou ao lado de sua tribo e eles conseguiram derrotar os invasores.

Casamento com Abla Depois de derrotar os invasores, ele procurou obter permissão para se casar com Abla, sua prima, para quem escreveu muitos poemas de amor. Para garantir a permissão para se casar, Antara teve que enfrentar vários desafios, incluindo a obtenção de um tipo especial de camelo do Reino Lácmida, no norte da Arábia, então governado por Numane III ibne Almondir.

Poesia thumb|Foto recente do que é dito ser a famosa rocha onde Antara costumava se encontrar com Abla. Em Al Jiwa, Arábia Saudita A poesia de Antara está bem preservada e frequentemente aborda valores cavalheirescos, coragem e heroísmo em batalha, bem como seu amor por Abla. Ela foi imortalizada quando um de seus poemas foi incluído no Mu'allaqat, a coleção de poemas que, segundo a lenda, teria ficado pendurada na Caaba.Quanto à autenticidade dos poemas, veja a obra de W. Ahlwardt Bemerkungen über die Aechtheit der alten arabischen Gedichte (Greifswald, 1872), pp. 50ff A importância histórica e cultural de sua poesia decorre de suas descrições detalhadas de batalhas, armaduras, armas, cavalos, deserto e outros temas de sua época.

Os poemas de Antara foram publicados na obra de Wilhelm Ahlwardt, The Divans of the six ancient Arabic poets (Londres, 1870); eles também foram publicados separadamente em Beirute (1888). O Romance de Antara (Sirat Antara ibne Xadade) é uma obra que por muito tempo foi transmitida apenas pela tradição oral; ela cresceu até atingir proporções imensas e foi publicada em 32 volumes no Cairo (1889) e em 10 volumes em Beirute, 1871. Foi parcialmente traduzido por Terrick Hamilton sob o título Antar, a Bedoueen Romance (4 vols., Londres, 1820). Além disso, Sirat Antara foi traduzido para o turco por ordem do sultão Maomé II, o Conquistador em 1477 d.C. O tradutor da versão turca em três volumes é desconhecido. As cópias manuscritas da tradução turca, conhecida como Qıssa-i Antar, estão disponíveis na Biblioteca do Museu do Palácio Topkapı.

Morte A data e as circunstâncias de sua morte são objeto de controvérsia. Ibn Duraid afirma que ele foi morto por Wasr ibne Jabir ou em batalha contra os taiítas, enquanto, segundo Abu Obeida, ele morreu de morte natural devido à velhice.

Legado thumb|Pintura sobre vidro representando Antara ibne Xadade A história de Antara e Abla foi transformada em uma saga poética tradicionalmente atribuída a Alasmai, um poeta da corte de Harune Arraxide. Ela ainda é recitada por contadores de histórias tradicionais nos cafés árabes. Sua importância foi comparada aos romances arturianos da literatura inglesa. Sua casa e seu estábulo eram particularmente lendários. Um dos sete clãs de Belém é chamado de Anatre, em homenagem a Antara. Antigamente, ele atuava como guardião da Igreja da Natividade.

No épico popular Sīrat ʿAntar, Antara luta regularmente contra os cruzados e chega até a ajudar o imperador bizantino a repeli-los. Esse anacronismo decorre do fato de que o épico tomou forma durante a era das Cruzadas, refletindo, entre outras coisas, a esperança dos povos do Levante e do Egito de que surgisse um herói para expulsar os “francos infiéis” (os cruzados).

O compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov compôs sua Sinfonia n.º 2 baseada na lenda de Antara. Em 1898, o pintor francês Étienne Dinet publicouPouillon, Francois (1997), Les deux vies d'Étienne Dinet, peintre en Islam: L'Algerie et l'heritage colonial, Paris: Editions Balland. sua tradução de um poema épico árabe do século XIII, Antara, que trouxe Antara ibne Xadade à atenção da Europa. Isso foi seguido por uma série de obras derivadas, como Antara e Abla de Diana Richmond,Richmond, Diana (1978), Antar and Abla: a Bedouin romance, Londres: Quartet Books, . que ampliou a divulgação das lendas de Antara ibne Xadade no Ocidente. Antara é o título da primeira ópera palestina, composta pelo músico palestino Mustapha al-Kurd em 1988.

O pintor libanês Rafic Charaf desenvolveu, a partir da década de 1960, uma série de pinturas retratando as epopeias de Antara e Abla. Essas obras, que demonstram seu interesse pelo folclore popular da região, são consideradas um marco na obra do artista.

No final da década de 1940, a fabricante britânica de caminhões Thornycroft iniciou o projeto de um trator para campos petrolíferos destinado ao transporte de tubulações para a Anglo-Persian Oil Company, que mais tarde se tornou a British Petroleum. O nome escolhido para o novo trator Thornycroft, que na época era um dos maiores tratores do mundo, foi Thornycroft Mighty Antar. O apelido Antar foi escolhido em referência ao poderoso guerreiro Antara.

Na mídia A figura de Antara foi retratada inúmeras vezes na televisão e no cinema, como no filme de 1961 Antar Ben Shaddad, estrelado por Farid Shawqi, mas, a maioria dessas representações — especialmente as mais antigas — é alvo de críticas por não escalarem árabes com ascendência parcialmente africana ou árabes de pele mais escura.

Bibliografia

Ligações externas

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